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Eu e o Pássaro

Ninguém quer sentir inveja, ela simplesmente aparece. Queria poder voar, sentir o vento no meu rosto e ser livre pra ir onde quiser, mas não posso. Não sou um pássaro! E é aí que aparece a inveja, ela chega bem devagar no ouvido da sua mente e diz: “Olha aquele passarinho! Ele voa, encanta a todos com seu contorcionismo nos ares e parece ser feliz com essa vantagem. E você?! Você não consegue voar! E é feliz com isso?” e nossa mente, sabe muito bem a resposta e manda apenas uma sensação pro nosso consciente… a inferioridade. E para tentar me sentir superior e competir com a maldita ave eu construo aviões e paraquedas, crio técnicas, trajes especiais, pulo de Bungee jumping, faço de tudo pra depois olhar pra lado e ver que eu ainda sou mais infeliz que o pássaro.
O pássaro não liga pra mim, não ligar pra minha dor, ele vive a vida dele e aproveita seu dom. Ah, Como eu queria esse dom! Encantar os outros com acrobacias maravilhosas, sentir o bem dito vento em minha face, mostrar minhas belas penas quando bater as asas e ter um canto majestoso. Entretanto, eu voou como uma pedra, o vento que sinto em meu rosto pode me cegar, minha pele tem tatuagens que não se comparam a penugens e minha voz rouca cansa os ouvidos alheios. Como posso prosseguir assim? Como posso esquecer essa dor se tudo me faz lembrar dela?
Já tentei fazer amizade com o pássaro, para ver seus podres e conseguir superar minhas fraquezas, porém ele me abriu as portas de seu ninho, me contou sobre sua trajetória de vida, sua função na natureza, me mostrou seus troféus, me contou que errou bastante e se arrepende de tudo de ruim que fez, e também me mostrou sua namorada.
A inveja não é um sentimento fixo, ela com certeza vai te levar para outro bem pior. No meu caso, quando eu soube tudo sobre o pássaro, meu coração disparou, meu olhos reviraram, minhas mãos tremeram e meu coração antes tomado pela inveja mudou para o ódio.
O ódio é como o escuro, quanto mais se têm menos se vê o que a gente faz. E eu estava cego de tanto ódio que circulava no meu corpo, cada glóbulo no meu sangue odiava o pássaro, odiava seu voou, suas sensações, sua linda namorada, seus belos arrependimentos, odiava aquela vida!
E o que acontece quando tem alguém cego de ódio perto de sua causa?!... Uma vingança cega.
E foi isso que aconteceu… uma vingança cega! Eu depenei o pássaro com cuidado, cortei suas asas com todo o respeito que suas coreografias aéreas mereciam, tirei seu bico cantando a melhor música que aquele bico já cantara e joguei seu corpo de um penhasco para que pela primeira vez ele sentisse a decepção de não conseguir voar igual eu sentia. E eu estou me sentindo melhor do que jamais estive, vestindo uma roupa de penas feita pelas minhas próprias mãos e tendo seu bico como troféu na minha estante.
Eu?! Se eu estou me sentindo arrependido?! Hahaha, arrependimento é coisa de pássaro.
 
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Atualizado em: Seg 6 Fev 2017

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