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MINHA AMADA IMORTAL

Quando percebi que poderia perdê-la, o desespero tomou conta da minha alma. Tantas vidas já salvei, tantos inimigos já derrotei e com todos os meus poderes, nada posso fazer por ela.
Doenças, catástrofes, acidentes e violência; só isto já basta para acabar com este mundo tão frágil. Quatro probabilidades, com infinitas possibilidades; ela morreria um dia, eu sabia, mas antes tarde do que agora.
Uma reportagem corriqueira, um simples descuido e o vírus foi transmitido. Quando soube, já era tarde demais. Por que ela não me contou antes...por quê?
Minha fúria foi grandiosa, como a minha vida. O desespero me consumiu e se não fossem meus amigos: John, Diana, Berry e Bruce; eu teria aplacado minha raiva com vidas inocentes.
Desde então, tornei-me recluso e desprezei meus deveres e responsabilidades. Nada me demoveria; assim pensava. Porém, Bruce era teimoso o bastante para me convencer, não sem acrescentar algumas fraturas a sua vasta coleção.
Sabíamos que a fonte do meu poder era a baixa radioatividade deste sistema solar, em relação ao do meu planeta de origem. Uma análise detalhada dos fragmentos oriundos de Kripton, nos permitiu tal conclusão. Ou seja, a radiação solar, que tem determinado efeito sobre a matéria, agia lenta e brandamente sobre meu corpo.
Utilizando um destes fragmentos para tornar meus tecidos vulneráveis, Bruce colheu amostras de sangue, pele e músculos, para análise. Os testes provaram que eu era imune a todos os microrganismos nocivos existentes na Terra. Então, a solução foi óbvia: faríamos uma vacina com meu sangue, na esperança de erradicar a doença mortal.
Os resultados foram além de nossas expectativas, pois o soro não só devolveu-lhe a saúde, como rejuvenesceu suas células.
Então percebemos o poder que tínhamos nas mãos: doenças poderiam ser eliminadas, vidas poderiam ser salvas e a saúde na Terra restabelecida. Hoje vejo o quanto fomos descuidados.
Dentre as pessoas normais, Bruce foi um dos poucos que recusou ser vacinado.
­¾ Não quero viver além do meu tempo – disse enfático.
Mas não demorou muito para acontecer. Bruce, morreu de forma estúpida, ao reagir a um assalto. Estava em seu quarto, no hospital de Gothan e pela primeira vez o vi sorrir.
Outra morte também surpreendeu-me. Era uma tarde chuvosa, quando entrei no quarto da velha mansão da família Luthor, em Smallvile. Ele dispensou os disfarces e pediu-me perdão. Disse saber quem eu era desde o acidente na ponte e que passou a odiar-me por não tê-lo deixado morrer naquele dia. Creio que vi um brilho de paz, antes do seu último suspiro.
Chorei amargamente, por ter perdido meu amigo pela segunda vez.
Após alguns anos, porém, algo aterrador começou a acontecer. Pessoas começaram a morrer subitamente, simplesmente entravam em choque inesperadamente e caiam para não mais levantar. Médicos, geneticistas e cientistas do mundo inteiro se uniram para descobrir a causa da epidemia que estava matando dezenas de pessoas por dia. E o resultado foi chocante: minhas células, presentes na vacina, estavam dominando e matando as células daqueles que foram vacinados.
Alguns eram mais resistentes e seus sistemas imunológicos conseguiam combater os intrusos por mais tempo, mas no fim, todos iriam morrer. Então a verdade me transpassou como uma lança: o meu destino se cumpriria; eu dominaria a Terra, seguindo os planos de Jor-El. Porém, brevemente não haveria a quem dominar.
Reuni-me aos demais superseres e a única solução imediata e paliativa, seria a criogenia em massa, até encontrarmos a cura.
Agora, depois de vinte anos de várias tentativas frustradas, recluso em minha fortaleza, observo o esquife de cristal onde o corpo dela jaz inerte. O desejo de pegá-la em meus braços e beijar seus lábios quase me enlouquece, mas não posso ceder. Devo continuar procurando a cura, nem que seja para tê-la por pouco tempo; eu não posso falhar.
E não falharei. Nem que consuma minha vida para isto.
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Atualizado em: Dom 25 Set 2016

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