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Histórias para crescer - livreto 2

OBS: Olá a todos vocês que vierem ler esta pequena história. Já de antemão peço desculpas e compreensão por erros que forem descobertos por vocês. Agradeço!!

Uma nova história

Quando chegou à praça no dia seguinte, o senhor já estava sentado no banco jogando as migalhas de pão aos pombos, que estavam o tempo todo se aproximando, esperando a próxima remessa ser lançada ao ar.
O jovem chegou de forma calma, e pediu de forma educada se podia se sentar, o senhor apontou para o lado consentindo. O jovem se sentou, e ficou esperando um momento para lançar uma pergunta ao homem.
Num momento o senhor  parou de alimentar os pássaros, assim o jovem aproveitou e fez uma pergunta : - Como continua a história ?
O senhor respondeu : - como todas as outras !
Mas como aquele moço ficou rico perguntou o jovem ?
Como muitos jovens, trabalhando muito , respondeu o senhor !
Sim, isso eu entendo disse o jovem!
Se entendesse não estaria aqui querendo saber, respondeu o homem.
O jovem não sabia o que estava acontecendo, mas tentou de novo!
Como o moço da história conseguiu tanta riqueza, como construiu o seu patrimônio?
O senhor olhou o jovem, com um sorriso de canto de boca, e disse: - Hum! Uma pergunta inteligente!
Ouvindo isso o jovem entendeu que tinha até que enfim chamado a atenção do homem!
Assim o senhor olhou para ele e disse vou contar uma história!
Numa pequena empresa  a muito tempo , o dono via seus funcionários se queixarem das dívidas, doS salários e das condições em que viviam. Mesmo com o passar dos anos, com a implementação de muitas coisas que vieram melhorar a vidas dos funcionários, pensando que tinha ajudado, e nada mudou.
Os anos se passaram e isso o corroía, pois queria uma boa a vida aos funcionários. Um dia passou por um dos mais antigos funcionários e percebeu que este nunca havia reclamado de nada. Verificou sobre sua vida, e descobriu que este tinha vida simples, carro simples e uma familia feliz. E pensou que talvez ali estivesse a resposta para melhorar a vida dos funcionários.
Foi conversar com o funcionário que já tinha mais de vinte anos de empresa. Chamou-o e perguntou-lhe se poderia um dia nas reuniões semanais conversar com seus amigos o que tinha feito de diferente, logo o homem topou, pois já há tempos queria contribuir com todos.
Nesta empresa, toda sexta-feira após o almoço, eram feitas reuniões para discutirem sobre melhorias e formas diferentes de trabalho. Mas neste dia foi diferente. O dono chamou todos como de costume, e logo formaram o espaço de discussão, a partir dali não começaram as conversas, e uma das conversas eram as dívidas dos empregados, que por vezes não os deixavam trabalhar direito, e causava transtornos como depressão, alcoolismo, brigas na família pois não conseguiam dar aquilo que achavam ser necessário aos filhos.
Assim o homem levantou a mão e pediu para falar, todos que ali estavam estranharam, pois ele nunca foi de falar nas reuniões, mas dessa pedira sua vez. Neste momento o homem se levantou e com um pouco de vergonha disse contaria sua historia.
O homem: - como sabem assim como muitos trabalham nesta empresa a mais de vinte anos, e hoje abençoo cada dia aqui trabalho, como meu pai me ensinou, e com minha idade com certeza não conseguiria me recolocar em outra empresa.
Sempre que chego rezo, para um dia produtivo e sem acidentes, e que possamos ter nossas entregas no prazo, pois de nosso trabalho sai nosso salario, como sabem é bom.
Mas como vocês nos primeiros cinco anos que aqui estava, também me via em apuros, aos trinta e cinco anos, parecia que oque recebia não dava para o sustento. Pelo máximo que as mudanças, divisão de lucros, mudanças de turnos, planos de saúde e tudo mais surgisse, eu até via  o dinheiro aumentar, mas com ele as dividas cresciam juntas.
Cheguei muitas vezes a comparar meu salário com o de amigos de outras empresas similares, e descobri que recebia mais do que eles. Até este momento passava nos bares para esquecer um pouco dos problemas, o que na verdade aumentava cada um deles, pois ao chegar em casa, sempre uma briga começava com minha esposa, que assustava meus filhos, eu via o medo nos olhos deles, isso me fazia sentia ainda pior.
Num fim de tarde a bastante tempo, quando saímos no fim do expediente, peguei meu carro e fui embora, parei em frente o bar como de costume, mas naquele dia não entrei, lembrei-me de minha e esposa e filhos. Entrei no carro e sai, fui até mercearia e naquele dia resolvi comprar chocolate para minha esposa e doces para meus filhos, do jeito que meu pai fazia.
Na mercearia ao passar no caixa, vi na mão do comerciante um caderno, ele estava fazendo anotações em folhas diferentes. Eu estava a sua frente, mas parece que que ele não me via. Reparei que ele tinha um lápis em cada orelha, e uma caneta no bolso e estava procurando algo na gaveta para escrever de novo no caderno. Dei risada, pensei: - ele deve estar ficando louco!
Mas ao ver o caderno me lembrei do meu pai em dias de pagamento, quando pegava um caderno nosso de escola, e fazia as contas no fim deles, para saber quanto tinha de divida na venda, e nos outros comércios. Dizia sempre que fazia aquilo pra não se perder, caso contrário não tinha como fazer as compras do mês, e comprar roupas para gente.
Depois de um tempo vendo que o não saía do seu mundo, toquei na campainha, e ele tomou um susto e pediu desculpas, por não ter me atendido. Após pagar-lhe, tive curiosidade e pedi-lhe para me ensinar um pouco de como usava o caderno.
O comerciante respondeu: - Uso para controlar meus gastos com os compradores, contas de luz e água, contabilista e outros. Em outra folha coloco as mercadorias de estoque, e o preço delas e minha margem de lucro. E algumas páginas do dinheiro que entra todo dia, depois disso vou separando o valor de cada dívida.  Quando consigo o dinheiro para pagar tudo, separo o dinheiro para família, e uma parte guardo para fazer patrimônio.
Após essas explicações, agradeci e fui embora. Mas confesso que era muito para minha cabeça. Eu sabia que meu pai e esse comerciante tinham a resposta dos problemas que eu tinha. Cheguei em casa, que causou espanto da minha esposa, pois nunca chegava cedo, e mais !!! Com chocolate! Não sei se por medo, mas naquele dia ela não brigou comigo!!
Passei uma semana sobre como usar o caderno, até peguei um bem velhinho para usar. Numa folha coloquei no cabeçalho meu salario, e abaixo  minha dividas, todas elas. Tomei um susto.... O dinheiro não cobria o que eu devia. Já tinha então entendido o que meu pai falava, sobre “não se perder”, no caso gastar menos do que se ganha ! Parecia tão claro agora, mas nunca me dei conta. Assim passei uns meses pagando dividas não devia ter feito, e me assustei em como elas acabam com o dinheiro. Mas isso sempre depende de cada um, sempre temos “uns calos que doem mais”! Enquanto não fiz isso não tinha como sobrar dinheiro.
Mas lembrei de outra coisa, não podia viver só pagando o que devia.  Aí veio outro aprendizado, separar o dinheiro da família, como poderia viver bem se minha esposa e meus filhos não estivem felizes, no começo não podia muito, mas o pouco que conseguia, sendo uma camisa, um tênis ou roupa para minha esposa, já fazia o sorriso deles surgir, e isso me alegrava a alma.
Com esse foco, minha vida foi aos poucos mudando. Aprendi a gastar o necessário, e a prover melhor meu lar, e comecei a gastar o necessário, assim as dividas foram desaparecendo, isso levou muitos meses e folhas do caderno.
Em certo momento pensei que faltava algo, e sempre me pegava a olhar meus filhos, eu sabia que o passado me ajudara a dar caminho na vida, mas e o futuro?
Assim comecei a poupar o que agora sobrava, passei a separar um pouco do dinheiro e guardava, pensando no futuro dos meus filhos, cursos para quem sabe eles pudessem ter empregos melhores, e até uma faculdade se fosse a vontade. Juntei também para meu futuro e de minha esposa.
Acreditem meus amigos, no começo é difícil poupar parte do salário, no começo:- um por cento do que recebe, e depois chegamos em cinco por cento, quando se percebe dez por cento do recebemos já será guardado todo mês, sem comprometer sua família, pois é por ela que fazemos isso. Cada um saberá onde quer chegar, o que deseja de todo coração.
( Acho que a palavra que o comerciante disse era “patrimônio”, que na época me passou despercebido.)
E por assim dizer, passei os últimos quinze anos, nesse jeito de viver como diriam os “antigos”, longe de dívidas, separando o que cabe a minha família, poupando para o futuro, e aprendendo a viver numa vida mais simples e mais feliz, não bebo mais nos bares, mas de vez em quando vou numa pizzaria com a família, não tenho o carro da propaganda, mas o que hoje eu tenho me leva até eu preciso. Meus filhos cursam a faculdade o que me deixa feliz.
E isso meus amigos, é a historia da minha vida, não é sobre a riqueza de uma novela ou filme, mas de um homem que aos trinta cinco ano não sabia onde estava nem para onde ia, mas que se encontrou a tempo. Não digo para vocês que será fácil, pois mudar requer da gente, ser menos cabeça dura, e saber que sempre dá tempo de achar outro caminho.
Ao final da palestra, não houve aplausos ou gritos, mas muitos estavam de cabeça baixa, como que revendo suas vidas e suas escolhas. Todos olharem o homem como que agradecendo, e pela primeira vez em anos foram para suas casas, parar ou reclamar. Apenas indo para onde a vida os aguardava. O dono da fabrica foi até o homem e o abraçou, agradecendo por ter compartilhado sua historia de vida. O homem sentiu muito alegre pois sabia que naquele dia havia plantado sementes, que poderiam mudar vidas.
Terminada a história o velho continuou alimentando os pássaros, sem nada dizer, esperando o jovem se recompor, pois parecia ainda estar em outro mundo.
O jovem de sobressalto olhou para o velho, e perguntou: - Onde está a historia de riqueza?
O velho olhou e respondeu: - A riqueza esta naquilo que  damos importância!
Além disso! Disse o velho.
Para aprender a correr, você precisa aprender a andar.  Do que adianta uma moto, se você não se equilibra em uma bicicleta?
O velho se levantou e foi embora, deixando o jovem aturdido com estas respostas. Como se uma se sua mente estivesse sobrecarregada, com informações que estavam a sua frente, mas que não conseguia entender.
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Atualizado em: Seg 26 Abr 2021

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