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Meretriz Brasil

      
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        Pela Br 116 corria a puta nua e como era bela a puta nativa. Pele de pau-brasil, cachos de palmeira. Açaí. Olhos de Jericoacoara, sua pupila dilatada fazia mesão as riquezas que trazia na alma. Era essa a puta. Puta Brasil.

     – Ela gritava em quanto sangrava:
     – Eles me assediaram, molestaram e estupraram.
       
        Suas vergonhas de fora se encontravam. Como o mamilo de uma mãe que amamentava mais de nove filhos assim os seus estavam. E então vi Brasil, ali, realmente o buraco era mais embaixo e que se tratava de uma confusão peluda – E como era peluda! Ligeiramente com a mão tampava. Tentava, mas de nada adiantava.

        De um lado as gargalhadas dos que por ali passavam, e filmavam, fotografavam. Do outro, a ira dos que a puta pegavam. Para as crianças? A inocência acabava.

        Não demorou nada, e o seu cafetão ali estava. Tinha que encobrir aquelas vergonhas, pois era ela a sua garota mais cara. E assim fez, levando-a para casa – luxuoso bordel, no Centro-Oeste, Planalto Central, situado na Praça dos três poderes.

        Rondam boatos, sussurros, de que Brasil se recupera, mas por aqui ninguém a vê, nos jornais, revistas e TV só falam em nome dela. Como uma puta do Cais, o que se vê é Brasil morta, é sua alma entregue a satanás.





Autor do texto: D`souza Gabriel.
Ilustração: Ricadi de Paula.
Sobre releitura da obra: Femme nue, tuée par derrière (1827). Autor: Eugène Delacroix.

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Atualizado em: Dom 4 Mar 2018
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