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Partidas (Cerson/girleide)

Sentira-se comovida o dia todo, embora não tivesse notado nenhuma anormalidade. À tardinha, contudo, a comoção foi-se decaindo naturalmente; filho e o marido chegariam em breve do trabalho. Qual seria o pivô daquela comoção: - o filho, o marido; a vida propriamente dita? Não teve o discernimento necessário para desvendar aquele sentimento. Por ter sido tão marcante, certamente voltaria a senti-lo no outro dia, quando estivesse sozinha. O marido, professor, nas horas de folgas escrevia. Escrevia muitos contos, romances. Encaminhava os originais às editoras, e sempre a mesma resposta: - os escritos – audaciosos – fogem à política editorial desta empresa. Ainda assim, continuava escrevendo e engavetando. “Um dia – jazido – alguma editora poderia se interessar em juntar aquela papelada, organizá-la e enfim publicá-la – pensava ele enraivecido.” O filho, rapaz moderado, 22 anos, sem vícios, operário em uma fábrica de calçados. Trabalho durante o dia e à noite a faculdade de engenharia civil. Tinha sonhos e era persistente; jurava à mãe que tudo mudaria após a sua graduação. Que ela esperasse para certificar-se. Excetuando-se a desatenção justificável do marido – envolvido, nas folgas com a escrita –, outra coisa não a incomodava. Portanto, toda a comoção sentida naquele dia não se fundava numa coisa tangível. Devia um desvio qualquer; coisa momentânea. À noite sequer se lembrou do incômodo que a invadiu durante o dia. Afinal, tinha o companheiro em casa; sua presença era o bastante para se sentir segura. O filho estaria em casa às 23:40 h e, habitualmente conversava com a mãe antes de dormir – longos papos; o trabalho, a faculdade, sonhos e seu grande amor Aida. Depois da mãe, Aida era seu porto seguro. Dar-lhe-ia uma vida digna, oportunamente. No outro dia, a rotina seguia seu itinerário: o marido para um e o filho para o outro. A casa a teria como guardiã, apenas. Comeria o que tivesse pronto; preparar refeição para uma única pessoa é entediante, sacal. Debruçou na janela enquanto esses pensamentos vagueavam-lhe o cérebro. Aquela comoção sentida no dia anterior certamente não voltaria, haja vista, já havia descoberto a razão de tudo: solidão, um imenso vazio. Não tinha mais dúvidas, sentia-se sozinha e precisava, com certa urgência, driblar o ócio. Mas o que fazer para se esquivar deste incômodo? Julgava-se inepta... De repente sentiu uma forte pontada no peito, sendo forçada a adormecer contra sua vontade, dona mocinha vizinha da esquerda ia passando no momento e as pressas socorreu a amiga levando-a ao pronto socorro, ao ouvir a noticia do medico, não conteve as lágrimas que caíram sobre seu rosto rosado/enrugado, o medido tentou conter seus prantos mais não pode, ao olhar pela forte proteção do quarto hospitalar e vendo sua amiga frágil como nunca tinha visto antes, Marília, 40, dona de casa prestativa e bonita; amado por todos ao seu redor, tinha exatamente menos de um mês de vida, motivo: arritmia cardíaca/ventriculares,devido está presente em seu coração há mais de seis anos e sendo diagnosticada tardiamente ligeiramente ligou para os familiares o acontecido: sem por menores o pai e o filho prontamente se encontrou no leito do hospital, mais combinando que nada seria dito a Marília, pois, queria que tivesse a cada dia uma descoberta maravilhosa da vida como se nunca seus dias pudessem ser findados. Logo à noite, seu esposo Marcos levou-a pro seu ninho de amor e tiveram uma das melhores noites de sexo de suas vidas, realizando suas fantasias sexuais mais íntimas, pela manhã o filho abriu mão de todos os seus afazeres e levou a mãe pra passear , sem entender o por que de tanto amor, pediu a Deus que se tivesse que morrer morresse naquele momento de tanta felicidades, voltando-se ao seu filho sorriu e continuou o passeio.

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Atualizado em: Sáb 4 Set 2010

Comentários  

#4 PauloJose 29-10-2011 21:03
ÓTIMO PARABÉNS FAVORITEI!!
#3 tania_martins 09-01-2011 15:08
Parabéns!
Abraços.
#2 Pamaro 17-09-2010 11:09
A dupla produziu bom resultado. O conto é inédito e bem interessante, trazendo bela mensagem. Parabéns a ambos! Bjs. e abs.
PS - Não encontrei as estrelas para votar.
#1 Cerson 10-09-2010 15:37
Parabéns, Girleide! Gostei sinceramente da forma que rumou o conto. - Às vezes temos possibilidades de sermos felizes e adiamos... Grande abraço.

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