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De Pastéis e Gatos

 

- Posso trazer um pastel?

- Não! Claro que não.

- Então vou trazer um gato!

- Pare de brincadeira.

- Por favor, eu quero. Deixe-me trazer uma gatinha, filhotinho, ou pelo menos um pastel!

- Não! Deixe de gula!

(...)

 

Gula, é verdade. Gula e fome.

Mesmo que eu não queira, era esse o nome.

Fome advinda de Natais vazios, porque vazias eram as árvores preparadas por mãozinhas ávidas e inocentes.

Árvores dão frutos. E as nossas não davam. Não havia os presentes, os nossos tão desejados “frutos”. Havia a fome. De pão, de carinho, de brinquedo, do ritual sacro.

 

Houve Natais de pastéis.

À noite, eu ia pra cozinha com minha mãe (meu pai, àquela altura, provavelmente estaria no quarto dormindo) fazer pastéis.

E era muito bom. Colocar o recheio, dobrar, amassar as beiradas com as pontinhas dos dedos e depois usar a carretilha com cuidado para cortar, formando uma beiradinha meio que bordada.

Aprendizagem. Alimento da alma.

 

Houve o Natal mágico, o da gatinha Natali.

Era dia de Natal. Era domingo.

Acordamos naquele dia sentindo no ar o cheiro do Natal, sabor de alegria que só a gente quando criança sabe o que é. Uma sensação de vida nova.

Meu pai nos esperava ansioso para nos dar o melhor dos presentes: nossa gatinha dera à luz um lindo filhotinho durante a madrugada, enquanto dormíamos. Era fêmea. Três cores.

- Linda! – exclamara meu pai – Vai se chamar “Natali”, pois nasceu na noite de Natal.

Foi ali que aprendi que as coisas na vida têm o sentido que a gente dá para elas.

Sonhos de uma noite de Natal... Lembranças... E o melhor dos presentes: a vida.

Natali – presente maior, vida nova, alimento da alma.

Deus se fez presente.

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Atualizado em: Qui 10 Dez 2009

Comentários  

#10 Cerson 12-04-2010 22:35
Parabéns, Sandra - as coisas humildes sempre prevaleceram, aliás, até a felicidade era muito diferente; alegrava-se com muito pouco... abraços
+1 #9 Abreu 07-03-2010 18:14
Que Natali viva muitos anos...
#8 Cilas_Medi 15-02-2010 10:29
Não são contos, são fatos da vida. A entrada em seus escritos são assim, diretos e macios. Como o gatinho. Estrelas. Parabéns, poetisa!
#7 gilcalmon 28-12-2009 21:57
E eu, Sandra que não sabia que você também era roteirista. Diálogos coerentes, bem costutados, e uma linda história de natal. Certo dia eu disse que você é uma grande autora.É verdade. Feliz ano novo e abraços. Gil.
#6 Sandra1959 25-12-2009 17:46
:-) Obrigada, amiga Tânia! Feliz Natal!
+1 #5 tania_martins 13-12-2009 02:37
Gostei,Sandra.Parabéns!
#4 Sandra1959 12-12-2009 12:20
:-) A gente precisa abrir os olhos da alma sempre para enxergar as coisas simples da vida, Seth. É o que dá sentido à vida. Um abração.
#3 Sandra1959 12-12-2009 12:17
:-) Que bom, Catucha! Enorme prazer em receber seu comentário e estrelas! Um abração, querida xará!
+1 #2 seth 11-12-2009 02:47
muito bonito seu texto,e tem uma bela lição de vida,quando estamos ocupados demais nos lamentando da vida deixamos passar momentos que poderiam nos trazer mais alegria do que muitas das coisas que almejamos,coisas das quais muitas vezes só valorizamos muitos anos depois de perde-las.parabéns sandra.abraços.
+1 #1 Catucha 10-12-2009 17:42
:D Linda sua história de Natal Sandra.Dei 5 estrelas. Parabéns!Bjs da Catucha( sua Xara pois tbém sou Sandra rsrsrs).

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