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Quarto 362

Sem dúvidas, Scarlet, teria ficado animada demais com o apartamento para qual estava mudando-se em  Chicago, ou no mínimo menos impassível, se não estivesse muito preocupada em ficar horrorizada com o clima sombrio e negativo da rua escura, não totalmente, ainda tinham dois postes de iluminação com a luz um tanto falha e amarelada, as quatro e únicas casas a vista, sendo duas abandonadas e um baquinho no qual um homem estava sentado olhando para a esquerda, tão imóvel que qualquer um poderia presumir que estivesse morto ou coisa assim  . Mas o clima só piora quando ela desce do taxi, qual foi uma luta para persuadir a levá-la até a tal rua, e depara-se com o prédio, que no momento em questão não quis acreditar que era o do seu apartamento, ele era tão hediondo, pintura mal-acabada, entre a janelas quebradas como se meninos arruaceiros tivessem arremessado pedras por todos os lados, formavam mofo e arbustos, a cor original da construção foi inteiramente  eliminada devido as frases que haviam sido rabiscadas, uma ou duas ainda permitiam ser lidas, pois o resto foram cobertas por preto com a inútil tentativa de apagá-las.
“Os que entram não saem. Não vi...” murmurou, mas não pôde ler até o fim já que os restante foi apagado. Leu mais alguma “Os demônios vivem a..”  Desejou pedir um taxi e dar o fora dali o mais rápido possível, no entanto entrou no edifício. Se fosse um pouco mais observadora teria notado algo que com toda a certeza seria o motivo para ela ir embora o quanto antes: No décimo e ultimo andar, um homem com o rosto desfigurado, o maxilar absolutamente destruído, sentado na frente da janela, numa cadeira que balançava sem parar como a sua cabeça que também parecia não conseguir parar de mexer-se, além disso, uma cascata de sangue saía do que antes fora sua boca, e ele estava com um faca, mutilando-se, gargalhava com a mesma freqüência que a cadeira balançava-se.  Dentro do edifício, Scarlet deu uma olhadela rápida, no espaço pequeno, apenas uma mesa de centro cuja o tampo servia de assento para  um jarro, um balcão empoeirado manchado por algo que ela conclui ser tinta vermelha, o elevador, e um corredor que dava acesso a escada, a sala completamente vazia em relação a pessoas, até que um vulto passa despercebido pelo corredor e reflete no espelho redondo. O silencio paira por alguns minutos até que:
“Pah!”.O coração da moça acelera, dá dois passos para trás e vira-se depressa, não tenho certeza do que causou o barulho, pergunte a esse espírito que está atrás de você. Scarlet olha para frente novamente e da de cara com um homem, barbudo, cabelos esvoaçados e uma cicatriz que estendia-se da têmpora à boca, antes mesmo de ela ter tempo de falar algo, ele a leva para o elevador. Num piscar de olhos e os dois já estão no corredor, a frente do apartamento destinado a moça, que não sabe o que sentir primeiro, medo ou irritação, estava quase chorando. Coitada, mal sabe ela o que esta prestes a acontecer. A todo tempo pensa em correr, sair porta a fora e voltar para casa.
“Faz muito tempo desde que alguém pisa nesse apartamento.” O homem proferiu com voz seca. E então abre a porta do QUARTO 362.  A mulher não sabe se entra por ter medo de ficar mais um segundo com o cara sinistro ou se fica onde encontra-se por temer entrar no apartamento. Mas escolhe entrar. Quarto 362: Bem não era propriamente um quarto, mas também não possuía o tamanho para ser considerado um apartamento assim tão bom, qualquer   objeto decorativo que você imaginar naquele quarto teria cores escuras, do tipo preto, marrom etc. a mobília coberta por pó, e mais outras coisas aparentemente normais, contudo os quadros chamaram a atenção, o primeiro representava uma arvore onde havia sido amarrado uma corda, o fundo do lugar representado, era escuro e uma menina andava em direção a arvore, o título: Arvore forca, mais em baixo tinham os seguintes versos: “um homem se matou aqui, e agora convida o seu amor a se matar também.”. O segundo um quarto muitíssimo parecido com o em questão, onde existiam pessoas sendo mortas por espíritos, e dizia “Nascido para morrer.”, e o terceiro uma garota pulando do penhasco e mais outra menina suicidando-se com uma faca, titulo: Morte de verão.  Todos os três assinados por ‘Q362’. Scarlet não teve duvida, havia agüentado muitas coisas assombrosas até agora, e a cada segundo mais coisas  apavorantes apareciam, e a cada vez que elas surgiam o medo e os arrepios no corpo também vinham juntos, quis ir embora, então decidiu que iria, deu um passo para trás ainda olhando para o lugar afim de sair, mas a porta se fechou brutalmente rápido. Ela ficou mais amedrontada ainda, deu murros na mesma o quanto antes, implorando para ser tirada dali. E um bilhete surgi fixado a porta:
“Suponho que você não tenha entendido  ou ao menos sido informada de que os que entram não saem. Não vivos.Não vivos- Q362.”         
Subiu um arrepio por sua espinha, o coração palpitou rápido e ela se desesperou, não que tenha gritado e feito escândalos, ficou calada, contudo, com bastante medo e pavor, suou frio, as mãos gelaram como um congelador, o estomago revirou de nervoso. As luzes apagaram. Sentiu um vento passar atrás de suas costas, e no meio de todo o escuro passaram a existir olhos,  vermelhos escuros, fulminantes, o dono deles logo apareceu, um homem de rosto desfigurado, o maxilar absolutamente destruído, o mesmo que havia passado despercebido no décimo andar, continuava a sair a cascata de sangue seco do que antes foi sua boca, ele estava parado encostado na porta, com um sorriso malicioso. Agora sim eu digo: Scarlet pirou, entrou em pânico, começou a gritar estrategicamente alto, pensando que alguém fosse escutar. A brisa leve e calma do inicio da noite, tornou-se estranhamente rápida demais, graças a ela o vidro da janela explodiu e soprou caquinhos por todos os lados do quarto, um desses cacos bateu no rosto de Scarlet, provocando um corte enorme. O homem de rosto desfigurado não estava só, trouxe um garoto, devia ter uns vinte anos, de rosto pálido e magro, apareceu sentado numa cadeira do lado da janela, amarrado com os braços para trás, ele dava risada, muita risada, gargalhava alto, parecia estar alucinado, totalmente excêntrico, uma menina também surgiu, segurava uma faca, estava ensangüentada, com um sorriso no canto do rosto, minha sugestão é que estava procurando sua nova vitima. De repente, Scarlet viu-se cercada pelos três, o corte no rosto formava uma cachoeira   de sangue, continuou em pânico, aterrorizada, gritava sem parar, tampando as orelhas.Sua cabeça ficou um pilha de nervos, misturando medo com horror, pânico e vozes que vinham de todos os lados do apartamento, na mente a gargalhada alta do garoto amarrado, junto com a frase que produzia ecos e mais ecos: “Os que entram não saem. Não vivos.”. Scarlet começou a chorar, chorava mas permanecia gritando,  os três a encurralaram, ela no meio e os monstros  a cercando, cada vez mais aproximando-se da moça. O maluco amarrado, começa a cantar:
“um homem se matou aqui, e agora convida o seu amor a se matar também.” E então o homem de olhar fulminante aproxima-se perto de mais, depois a garota com a faca, para que possam...
A visão embaçada fazia esforço para ser capaz de enxergar mais do que a sombra em sua frente.  Respirou rápido e fundo repetidamente, parecia estar sendo sufocada, o ar lhe faltava, tanto que a melhor alternativa foi a respiração pela boca. Alguém acalma-a:
“Acalme-se senhorita Scarlet. Você esta bem. Passou mal enquanto mudava-se de casa. Quer dizer a senhora nem chegou a sair de sua velha casa.”
O alivio não cabia dentro do corpo de Scarlet, queria saltar da cama de tanta satisfação em saber que tudo não havia passado de um pesadelo, tanto que nem deu importância ao fato de ter passado mal durante a mudança para o apartamento novo, e que na verdade aquele com qual havia tido um mal sonho era só sua imaginação, e que o prédio para onde iria não era nada parecido com o qual havia tido aquele delírio. A enfermeira continua, na verdade ela ainda não havia parado de falar, Scarlet é que estava aliviada demais para se importar com o que ela estava dizendo, mas agora dava atenção:
“Alias alguém mandou para você estas flores.” Levantou para o alto um jarros de flores, onde havia fixado algum bilhete. “A senhora quer que eu leia?” Ela assentiu com a cabeça, e a enfermeira deu inicio a leitura. “Os que entram jamais saem desse  pesadelo inacabável. O seu está apenas no inicio minha cara Scarlet. Espero que tenha entendido que os espíritos do mal agora andarão com você. Tenha um ótimo dia. –Q362”
A partir daí, fica a seu critério imaginar as coisas horripilantes que começarão a acontecer com Scarlet. Cuidado, o próximo a enfrentar esse pesadelo inacabável do quarto trezentos e sessenta e dois será você, mas lembre-se os que entram jamais saem. 
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Atualizado em: Sex 27 Maio 2016
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