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PSYCHOSOCIAL

APRESENTAÇÃO:
Olá querido leitor, se está a procura de um romance que tenha um final feliz,
abriu o livro errado. Mas se busca por mistérios, esoterismo, e acima de tudo muito
sangue, a história é outra! Vou lhe contar sobre a vida trágica de Corelle Lorrow, uma
moça que é incapaz de amar, não por escolha própria, e sim por causa de um psicopata
demoníaco, que lhe persegue desde que ela se entende por gente.Está pronto para a
aventura macabra? Então mergulhe nesta estória apaixonante, e viva os seus
piores pesadelos!
CARRY MANSON.
 
PRÓLOGO

Em mundo semelhante a Terra, o tempo está sempre nublado, e num bairro
antigo, há uma casa grande de altos e baixos, toda estruturada em arquitetura barroca,
cujas as janelas ficam batendo sem parar. Passos ecoam, e uma menina aparece correndo
na lateral esquerda da moradia, com seus cabelos negros esvoaçando, usando um vestido
branco, que está manchado por sangue, enquanto suas íris verdes estremecem.“Não
pode ser! Por quê?! Por quê isso aconteceu?!” Pensa, enquanto sua mão
pálida e suja, apoia-se na parede branca.
_Nunca liguei para os crimes de Larry Coltown, mas meus pais...
Meus pais...Deus por quê eles?!
Ela diz a si mesma, com o olhar vazio e distante, tão tomada pela dor, que nem percebe
, quando a sombra de um homem de cabelos longos, com um casaco, aproxima-se da sua.
A mão pálida de unhas grandes, ergue-se e segue para frente, como se fosse um ataque
de Nosferatu, enquanto menina treme, e fica de costas para o desconhecido.
_Corelle está tudo bem?
Pergunta o dono da mão assustadora, que ao contrário dos seus
dedos, é belo.Tem cabelos ondulados castanhos, que caem acima
dos olhos marrons, e está usando roupas cinzentas, próprias
para o clima frio, daquele dia.
_Não tio Larry, o assassino que carrega o mesmo nome que você, matou
aos meus pais, e nem sei o por quê!
Responde a garotinha, com lágrimas em seus olhos, correndo
para os braços do senhor de cabelos compridos, que a abraça, e fica
com uma expressão pensativa, tentando descobrir a causa daquele
crime cruel, e porquê o assassino teria envolvido a família
Lorrow.
_Onde estão os cadáveres?
Ele pergunta ajoelhando-se diante da garotinha, que coloca o dedo
na boca, com os olhos arregalados, e revive aquele momento trágico em
sua mente...Tinha acabado de retornar da escola, e quando atravessou a porta,
a luz invadiu aquele espaço escuro, e refletiu nos seus pais, que tinham tido
os olhos arrancados, junto de suas línguas, e estavam sentados no chão,
, cobertos por aquele liquido viscoso avermelhado, como se fossem
bonecos de uma criança psicopata.
_Estão ali...
Ela responde, apontando para a entrada da residência, de onde
começam as marcas de seus passos.
 
 
CAPÍTULO 1
 
MAIS UM INOCENTE.
 
Alguns anos depois...A cidade que se parece com Nova Jersey, segue
o seu ritmo de sempre, alguns empresários fecham grandes negócios, e outros
perdem grandes oportunidades, mas em vez de se abalarem, eles preferem beber com
os amigos, enquanto a classe dos trabalhadores autônomos, continua a batalhar pelo
seu lugar no sol. Alguns jovens, passam seu tempo em shoppings, aproveitando
para experimentar tudo o que vida pode oferecer, já outros ficam trancados
em sala de aula estudando, ou quase isso...
_Senhorita Lorrow...
Diz uma voz rouca, e então surge uma professora, de cabelos longos cor de chocolate,
que estão enrolados em um coque, cujos os olhos castanhos são evidenciados pelos óculos
“fundo de garrafa”, que ela usa todos os dias, para provar que segue as normas antigas.
Furiosa, a mulher passa pelas mesas, e se aproxima de uma aluna de cabelos negros,
que parece está dormindo, no meio da sua aula de matemática.
-Senhorita Lorrow!A escola é um lugar para estudar! Não para dormir! E não
venha me contar sobre a sua triste história de vida! Pois isto já me cansou!
Diz a professora, chacoalhando a menina, que parece não lhe dá
atenção.
-Problema seu se não acredita! Como poderia?!
É só uma evangélica teleguiada!
Responde a jovem erguendo o rosto, e olhando indiferente para a docente.
É a mesma garotinha de antes, só que agora está mais velha, e não tem mais
aquele jeito doce de criança. Usa lápis preto no contorno do olho, e todos
os dias passa batom vermelho como sangue, na tentativa de parecer
um vampiro original.
-Para diretoria já!
Grita a professora exaltada, não suportando a afronta
da estudante.
-Como quiser! Suas aulas me deixam entediada!
Responde a garota, com tanta ira em seus olhos, que a mestra
sente calafrios, e abre a boca pronta para a gritar. Mas antes que o
faça, a menina baixa a cabeça, e recolhe os seus pertences,
colocando-os dentro da mochila, e levantando-se do
seu lugar.
_Até mais querida senhora Herrow.
Diz ela com o sorriso maléfico nos lábios, parada na entrada,
e vai para o corredor, sem dá atenção aos comentários que
ouve.
Desde que perdera aos pais, mudou bastante, parou de acreditar
em contos de fadas, com finais felizes, e se trancou na sua dura e triste
realidade. Após perder a sua família, precisou viver com os avós, mas
eles a culparam pela morte de Axe e Selina Lorrow, e fizeram da
sua vida um inferno, dizendo que “ela jamais teria o sangue
azul” de sua irmã Camila.
Sozinha e abandonada, ela vagou pelas ruas a noite, até que por acaso, encontrou
Larry Karses outra vez, que a acolheu de braços abertos em sua casa, e a criou como
uma filha. Mas ele não era o que poderia se chamar de pai, pois sempre vivia bêbado,
ou trancado em seu quarto, desde que a menina atingiu a juventude. E como se isso
não fosse o suficiente, o psicopata sombrio, tinha tomado posse da sua vida
pessoal, e toda vez que ela se apaixonava por alguém, essa pessoa surgia
morta no dia seguinte, junto de um aviso, que esclarecia, que não
poderia juntar-se a ninguém.

Na saída...Um grupo de moças, ficam ao redor de uma aluna, que está com um
celular nas mãos, parecendo felizes.Ao lado delas estão dois meninos de uniforme,
batendo um no outro e rindo,e longe de tanta animação, está a moça de cabelos
negros, com os olhos vidrados no celular, procurando uma nova música, para
a sua playlist.
Tão concentrada, que nem percebe quando um jovem de cabelos curtos
e negros que terminam nos ombros, atravessa a rua, chamando a atenção
das garotas, pois tem límpidos olhos azuis, e a pele pálida, que está
coberta pelo luto.
“Quem é esse garoto?” Ela pensa ao erguer o seu rosto, e olhar para o rapaz,
que está de perfil, mas acaba virando-se na sua direção e sorri, porém em vez dela
retribuir a gentileza, apenas se encolhe, e baixa a cabeça. “Ele não é para você!
Eles sempre morrem e a culpa é sua!” voltar a pensar com os olhos
distantes.
_Deathstars boa banda...
Ele diz com um sorriso, sentando-se ao seu lado, enquanto olha para o celular.
_Sim...
Ela responde com indiferença, até descobrir quem era o dono da voz.
_Eu tenho que ir.
Diz ela com os olhos arregalados, colocando os fones e o aparelho
na mochila, e se levantando.
_Está tudo bem?
Ele pergunta um pouco interessado.
_Não importa, só não fale comigo está bem?
Existem muitas garotas, e eu não posso ser mais
uma na sua lista.
Ela responde, virando-se para o rapaz por um momento,
e então caminha para a estrada, enquanto ele rapidamente
fica de pé, surpreso com aquela atitude, e a segue. 
“Não posso ser sua amiga, pois Ele pode confundi a amizade
com o amor, e te matar” Ela pensa descendo a ladeira, com uma
expressão de tristeza, sentindo os chuviscos molhando a sua
pele.
 _Não me entenda mal, você é bonita e legal, mas não 
está na minha lista...
Diz o garoto com um sorriso branco, surgindo
bem atrás da moça, que morde os lábios, e fica de
costas para ele.
_A não ser que deseje...
Ele completa, com um ar de conquistador de damas
mal compreendidas, agarrando o pulso dela, com aparente
alegria, que desaparece ao sentir, certas saliências, acima
das suas veias.
_O que é isso?!
Ele pergunta assustado, agarrando os braços dela,
e olhando para os cortes que estavam em formatos de
cruzes.
_Não...
Ela deixa escapar, com certa melancolia em sua voz.
_Não é da sua conta.
Ela termina, livrando-se das mãos dele e o empurrando,
para conseguir o tempo suficiente de escapar. 
Confuso, e desnorteado ele fica um pouco sem jeito,
e decide ir atrás dela, para descobrir, qual era o motivo
que a levava, a se auto mutilar.

Enquanto isso...A dama da noite, corre pelas ruas, com lágrimas
escorrendo pela face, esbarrando-se nas pessoas, que lhe xingam de
tantas coisas, que prefiro nem comentar. Tão desesperada para sumir,
que seus pés se movem rapidamente, e ela chega ao velho cemitério,
onde se esconde atrás de uma lápide, com medo do garoto ter
vindo a sua procura.
_Garota! Garota!
Ele grita atravessando os portões enferrujados do lugar onde os mortos
descansam.
Ao ouvir a sua voz, ela fica em pânico, e se abaixa, tapando a 
boca, porém sua tática falha, e ele enxerga o topo da sua
cabeça.
_Por favor apareça!
Ele berra encenando, e então caminha em direção a moça.
“Você deve falar com ele, se não Larry Coltown irá matá-lo” Ela
pensa, sentindo seu estômago embrulhar, só de imaginar que,
carregaria outra morte em suas costas.
_Eu não quero ser sua amiga! Vai embora daqui!
Diz ela se elevando entre os ataúdes.
_Todos nós temos problemas, e eu prometo que não
te julgarei pelos seus.
Ele responde, aproximando-se da moça, que olha para
os lados, como se esperasse por um trem, que estava
prestes a lhe atropelar.
_Você não entenderia meus problemas, nem se quisesse
de verdade.
Ela retruca com arrogância, mas ele não se abala por isso,
e lhe dá um abraço.
_Enlouqueceu?
Ela pergunta incrédula, empurrando-o.
_Só estou tentando te mostrar que não é a única
que tem problemas e que não está sozinha.
Diz ele, segurando no antebraço da moça, mas
ela revira os olhos.
_Não estou sozinha, porquê quero, mas é preciso.
Ela responde e se solta, distanciando-se do menino, com a palma
erguida para trás.Mas ele não se rende, e a segue até a entrada.
_Por favor, pare de me seguir, isto não acabará
bem.
Ela pede, com um tom melancólico, encostando-se na parede, e olhando
com lamúria, no fundo daqueles lindos e confusos olhos azuis, na tentativa
de o afastar de uma vez por todas.Porém para o seu azar, o rapaz entende
errado, e pressiona seus dedos contra os dela, beijando-a de surpresa.
_Eu não vou te ferir, como qualquer outro tenha feito.
Dizem seus lábios rosados, e ele a encara com afeição evidente.
_Não se trata de nada disso! Você acabou de selar a própria morte,
com este beijo! Eu tenho que ir, quem sabe partindo, permaneça
vivo!
Ela grita após estapear o garoto, e então sai correndo.
_O que fiz de errado?
Ele se pergunta perplexo, tentando entender o que está
acontecendo, enquanto sai a procura da menina, mas ela não
está mais ali, e tudo o que deixou, foram as marcas das
suas botas na areia.
Pensativo, o jovem roqueiro retorna para dentro dos portões,
colocando a música virtue to vice da banda Deathstars para tocar,
e se senta em cima de uma das lápides, olhando para o céu, e
respirando fundo.
 
A leve brisa do vento, se transforma em rajadas violentas, e
as folhas balançam.O rapaz fica preocupado, achando que logo
choverá, e sai correndo para os fundos, procurando algum
canto, onde possa se abrigar.
As velhas engrenagens, começam a ranger, e as portas da frente
e da saída batem. O garoto sente o perigo se aproximando, por isso
tira os fones dos ouvidos, e olha a sua volta, tentando encontrar
algum objeto, com o qual possa se defender, do que quer
que seja.
 
Mas não encontra nada.
A sombra do mausoléu a sua frente, começa a se tornar densa, e
então de dentro dela, emerge uma criatura, banhada por um liquido
viscoso e escuro, que toma a forma de um homem, de cabelos espetados.
Cujo o rosto é deformado, já que não possui um dos olhos, e o corpo que
está coberto por uma camisa de força negra, estilizada com espinhos
de ferro, parece ter sido retalhado, e costurado milhares de
vezes.
_CORELLE TENTOU TE AVISAR.
Diz a criatura em um rugido estrondoso.
_MAS VOCÊ IGNOROU AS ADVERTÊNCIAS.
Completa o monstro, desaparecendo diante dos olhos do garoto,
que fica amedrontado, e agarra seu crucifixo, rezando para que os
deuses poupem a sua vida.Só que seus desejos não são atendidos,
e o demônio surge a sua frente, encarando-o com desprezo.
_VAI REZAR O PAI NOSSO AGORA?
Pergunta o desfigurado, sorrindo com escárnio, para a sua vítima.
_Não morrerei como um covarde.
O garoto diz baixinho, encolhido na parede, enquanto se
sente dividido entre o medo e o ódio, que estão consumindo
ao seu corpo, fazendo-o suar frio, e ficar trêmulo.
_O QUE DISSE? NÃO OUVI.
Pergunta o homem deformado, com uma voz doce, como
se estivesse conversando com uma criança.
_NÃO MORREREI COMO UM COVARDE!
Berra o menino, saltando para cima do ser grotesco, e
desferindo-lhe um soco.
Mas o punho atravessa a bochecha dele, e assim o rapaz
volta a manter apenas uma emoção...
O pânico.
 
 
Rapidamente ele puxa seu braço para trás, e se depara com
uma gosma, que está cobrindo toda a parte que, mergulhou
nos músculos do seu oponente.
Percebendo que não está lidando com algo deste mundo, ele
sai correndo o mais depressa que consegue, buscando pela
saída, que parece cada vez mais distante.
 
_Eu preciso sair daqui...
Diz o rapaz correndo para a direção da parede, pronto
para escalar.
_Eu preciso sair daqui!
Volta a repetir, colocando seus pés na borda do muro,
com as mãos apoiadas no topo.
_A ONDE PENSA QUE VAI?
Pergunta o demônio, agarrando nas pernas do rapaz,
e puxando-o para baixo.
_Me solta!
Diz o garoto, olhando para o seu encalço, enquanto
o seu colar, com o pingente da cruz ansata, flutua
no ar, chamando a atenção do homem.
_OH É UM ESTUDANTE DE MITOLOGIA
EGIPÍCIA.
Diz a aberração, atirando o garoto, contra um dos
ataúdes, com tanta força, que o impacto quebra
a coluna vertebral, do pobre.
_JÁ QUE ESTÁ PRESTES A MORRER, ENTÃO
VOU LHE CONTAR UM SEGREDO. EU PARTICIPEI
DOS CULTOS DE MENDES.
Diz o abominável, deixando o garoto de queixo caído, e cheio
de perguntas em sua cabeça. Mas antes que pronuncie uma palavra,
as garras do cruel assassino, atravessam a sua carne, rasgando-a
rapidamente, enquanto estoura alguns dos órgãos, que
encontra no caminho.
_ NINGUÉM NUNCA VAI TIRÁ-LA DE MIM!
Ele termina, pegando a cabeça intacta do jovem, pelos
cabelos, e ficando-a, numa cruz, que pertence ao
túmulo 666.
 
 
No dia seguinte...Corelle caminha para fora da escola, com um
olhar indiferente, esperando encontrar o menino, que jurou perturbá-la,
até tornarem-se amigos, só que a multidão de alunos se reduz, e nada
dele chegar. Frustrada, ela se senta em um canto, e coloca seus
fones no volume máximo...
_É isso que dá confiar nas palavras de um estranho.
Ela diz magoada, dando o play na música virtue to vice,
e fechando seus olhos, enquanto mergulha nas lembranças
do primeiro e último encontro, que teve com aquele
jovem.
_CORELLE!
Grita o garoto surgindo diante dos olhos dela, com o rosto
coberto de sangue e o corpo retalhado. No momento em
que a música, chega ao refrão final.
_NÃO!
Ela berra desesperada, erguendo sua mão, para alcançar
o menino, mas ele desaparece.

Todos os que ainda se encontram ali, olham para ela com
desdém, mas a menina não se incomoda, e corre para dentro
do colégio.Buscando um telefone, para entrar em contato
com o seu tutor, e pedir para ele vim buscá-la o quanto
antes.
_Senhora Herrow não se preocupe, seu garoto deve
ter caído nas boas graças de Deus, era uma pessoa
maravilhosa, não tem que se entristecer.
Diz a diretora, consolando a professora que, está chorando
como uma copeira, tão imersa em sua dor, que nem nota
a presença da aluna.
“O que será que houve?” Core se pergunta, com olhos
curiosos, enquanto se senta no banco, esperando poder
falar com a pedagoga, para descobrir, o que está
acontecendo.
_Senhora Íris!
A garota se manifesta, logo depois que a educadora
odiada parte em seu carro.
_Olá Corelle, outra vez está com algum problema?
Pergunta Íris, com um ar divertido, que em questão de
segundos some, dando espaço, a uma expressão de
cansaço e tristeza.
_O que houve com a senhora Herrow?
A moça pergunta, para a senhora, que respira fundo,
e junta-se a ela no banco.
 

_O rapaz com quem conversou ontem, foi assassinado
por algum maluco, e ele era o único filho dela.
Responde a mulher, segurando nas mãos da garota
que fica atônita, revivendo o momento em que
viu, o fantasma do jovem Herrow.
_Eu lamento por vocês duas Corelle.
Sei que não eram amigas, mas partilharão
da mesma dor agora.
Diz Irís abraçando a moça, que tenta retribuir, mas
não consegue, pois se aquele menino estava morto, a
culpa era sua, apenas sua, e não podia se perdoar
por isso.
 
 
Mais tarde...A morte de Danyel Herrow, sai em todos os
jornais, devido a brutalidade, com a qual o executaram, e
Corelle, não consegue conter a sua lamúria, ao assistir
repetidas vezes sobre ele. Remoendo aquilo, na
intenção de se redimir.
_Seu nome era Danyel Herrow, o que significa que é filho
da mulher que odeio, mas isto não importa agora.Eu teria sido
sua amiga, se pudesse, só que não podia...
Ela diz soluçando para a TV.Não importava se haviam se
visto apenas uma vez, de alguma forma aquele rapaz sabia
o que ela sentia, e estava disposto, a fazer parte da sua
vida, e ser o pedaço que lhe faltava.
_O conhecia?
Pergunta Larry Karses, surpreendido com a novidade, entrando
na sala, e se sentando ao lado da protegida, que imersa em sua dor,
atira-se em seus braços, repercutindo o mesmo monólogo, que
dizia há duas horas:
_Seu nome era Danyel Herrow, o que significa que é filho
da mulher que odeio, mas isto não importa agora.Eu teria sido
sua amiga, se pudesse, só que não podia.Te avisei, aquele beijo
selou a sua morte, você deveria ter me ouvido.Eu deveria ter
ficado para trás, para te defender.Ele não me fere, por isso
teria tido alguma chance, se me atirasse na sua frente.
A culpa é minha, porquê existo!
Ela termina, com tanto ódio de si mesma, que bate a cabeça
contra a mesa de vidro.Deixando o seu protetor horrorizado, ao
ponto de puxá-la a força, para o seu colo, e imobilizá-la.
 
 
_Corelle!
Ele grita com autoridade, mas ela não o ouve.
_Você é um psiquiatra, psicólogo, tanto faz.É acostumado
a lidar com os loucos, vejo gente morta, é comum quando se
trata de esquizofrênicos, então me leve para o hospício, lá
é o meu lugar, pois ficarei livre Dele, e tudo o que já fez.
Ela responde com indiferença, mas o homem revira
os olhos.
_Não vou te internar em lugar nenhum! Controle-se!
Sei que é doloroso, mas não é o fim do mundo. A cidade
tem estado violenta, isto não significa que ele voltou. Mas
sim que tem algum fã doente, que deseja imitá-lo. Essa é
a explicação lógica. Larry Coltown está morto!
Ele retruca furioso, apertando-a em seus braços, para que
aceite a realidade, e pare de agir feito uma louca, pois ele lida
com pacientes com problemas mentais, e sabe diferenciar a
verdadeira insanidade, de um pequeno surto por
nervosismo.
_ Quantos mais terão que morrer, para que perceba que
Coltown está de volta?
Ela responde entre dentes, encolerizada, livrando-se do
bloqueio dele, e saindo do seu colo.
 
 
Pobre garotinha,
não podia não tinha o
direito de amar
Pobre garotinha,
não há um pretendente, que
Larry Coltown não possa
matar.
 
CAPÍTULO 2
 
PESADELO
 
É de manhã...E a cidade não parece a mesma, desde que o seu
mais nobre anjo se foi. Os trabalhadores parecem cansados, as flores
estão murchas, e os animais estão agitados, algo ruim deve está se
aproximando.
Os conhecidos de Danyel, saem dos carros, com lágrimas
escorrendo pela face, tomados pela melancolia do
momento.
_Ele era um bom garoto, me ajudava a entender sobre o
mundo.
Diz uma senhora para uma garotinha loura, enquanto caminham
em direção a porta do cemitério.
_Sim vovó, ele me ensinou a fazer biscoitos, e me ajudou
com a matemática. Nunca me esquecerei do seu sorriso, era
um verdadeiro príncipe encantado, pena que os príncipes
não são imortais.
Diz a jovenzinha, lembrando-se da alegria sem igual
do falecido.
_Meu menininho, meu filhotinho!
Diz a Senhora Herrow, desmanchando-se no choro.
Todos se ajeitam em seus lugares, ao redor do caixão, onde está o
corpo todo costurado do garoto, e então o pastor entra, pronto para ler
algum salmo, mas logo atrás dele, vem uma figura pequena de branco,
carregando um ramalhete de rosas, embrulhadas em um lenço
preto.
_O que está fazendo aqui?! Será que não tem mesmo nenhum
respeito!?
Pergunta a mãe encolerizada, apontando para Corelle que, apenas
a ignora, e passa direto, colocando as rosas, sob o peito do rapaz,
enquanto passa a mão pelos seus cabelos, sentindo-se triste
pela perda.
_Não vim aqui por sua causa. Não quero te infernizar.
Danyel era meu amigo, e é justo que eu me despeça dele.
A dama responde, fixando seus olhos, no rosto deformado do defunto,
que um dia foi belo. Acariciando a bochecha pálida e sem vida, com um
ar deprimido em sua face, até que não resiste, e mergulha seus lábios
nos dele, deixando aos novos e os mais velhos de queixo
caído.
_Você merecia ser retribuído, meu querido anjo sombrio,
mas o destino não nos quis juntos, por isso te peço que siga
o seu caminho, seja ele em terras celestiais ou infernais, se
for aquilo que seu coração deseja e te faz feliz, é o
certo.
 
 

Diz ela olhando com ternura para o cadáver, que por um momento
abre os olhos, e segura em seus braços, enquanto raios de luz sobem
do seu corpo, e se acumulam, formando aquele fantasma assustador
que, deixou a pobre em pânico, mas antes de atacar a quem está ali,
o espírito explode, transformando-se naquela beldade que
eles conhecem.
_Obrigado Corelle, agora posso descansar em paz.
Ele agradece com um sorriso desaparecendo lentamente,
enquanto a menina limpa seus olhos, sentindo-se em paz por
ajudá-lo a regressar para a luz.
_O que diabos foi isso?! Sua bruxa maldita!! Está tentando
nos enganar, para que acreditemos, que Danyel não está no reino
das sombras!? Pois bem! Não conseguiu! Meu garotinho deve
está sofrendo, por seus pecados! É justo por amar uma
prostituta de satanás!
Responde a senhora Herrow ainda mais irada que antes,
dando um passo a frente.
_O que tinha para resolver aqui, está feito.
Diz a garota, indiferente aos insultos da religiosa, enquanto
faz menção de se retirar.
_Você não deve saber, mas Danyel andava estranho desde que,
te viu enquanto eu dava aula. Ele comentou que era bela, e parecia
ter grande personalidade, francamente, não sei como ele pode se
apaixonar por um demônio como você, mas aconteceu.
Diz a mulher, agarrando no antebraço da menina que, acaba
por ficar incrédula, ao ouvir tal confissão.
_Tentei afastar meu garotinho das suas garras, sabia que não era
boa influência, e que o sacrificaria em nome do Diabo num dos
seus rituais imundos de magia negra!
Completa a mãe frustrada, forçando seus dedos contra os músculos
da jovem, e empurrando-a na terra.
_Eu nunca mataria Danyel! Não foi obra minha sua hipócrita!
Odeio alguns demônios tanto quanto você, principalmente
um!
Responde a dama fora de si, levantando-se e limpando a barra do
vestido.
_Você é a culpada pela morte dele! Eu sei! O coração de mãe
nunca se engana!
Diz a professora aproximando-se da menina que, não diz mais nenhuma
palavra, e sai correndo. Fanática ou não, haviam verdades em suas
deduções dessa vez.
 
 
Do lado de fora...Cansado de esperar, o tutor tira a chave da ignição,
abre a porta do veículo, e parte até a venda mais próxima, pronto
para comprar alguma bebida, para saciar a sua sede.
_Corelle?
Pergunta Larry voltando com a cerveja, e avistando a
menina sentada no banco.
_Está tudo bem?
Ele prossegue percebendo que, ela está cabisbaixa e suspirando
alto demais.
_Só me leve para casa.
Ela responde e vai para o carro, cantarolando Gates of Hades da
banda Theatres Des Vampires, parecendo ser a louca, que tanto acreditam.
Preocupado o doutor larga a garrafa, e a segue, disposto a indagá-la, até
descobrir qual é a raiz do seu mal.
Na residência de Karses...A garota está sem sua maquiagem habitual,
usando apenas pó bege e um batom vermelho, com uma blusa negra de
mangas que, contém um urso enorme estampado no meio, junto de um
short curto. Vagando pela cozinha, ela para e se apoia no balcão,
notando que seu responsável, está chegando.
_Corelle não queria ser grosso agora, mas não pode ficar
aqui.
Diz o doutor, abrindo o armário, e reparando nas vestes da garota,
que apenas fica confusa, e não se move dali.
_Eu preciso que seja carinhoso agora, perdi um amigo, um parceiro que,
poderia ter sido meu namorado! Mais uma vez! E isto está me matando por
dentro! Prometeu que me daria um lar, e se não for paterno, não verei
diferença entre está aqui ou na casa dos meus avós!
Ela retruca mostrando-se sentimental, mas o homem não consegue
desviar os olhos dos seus lábios, por isso acaba se irritando ainda
mais.
_Me perdoe, mas após perder tantos possíveis amados, deveria
ter se acostumado com a dor. Agora saia daqui, preciso ficar
sozinho.
Ele responde de forma rude, tentando afugentá-la.
Chateada, ela passa pela geladeira, e pega uma garrafa de
vinho, antes de subir as escadas para o seu quarto.
_O que há de errado com ele? Uma hora é gentil, e na outra
parece que me quer morta!
Ela reclama, enquanto abre a garrafa, e fecha a porta com
um chute.
“Me perdoe por isto Corelle, do jeito que estava, não podíamos nos
aproximarmos, não seria bom para nós.” Pensa o cabeludo, deitado no
sofá, enquanto olha para o teto, parecendo sentir-se culpado, por
suas vontades ocultas.
 
 

_Esse desejo vai acabar me consumindo.
Diz ele para si mesmo, e vai para a cozinha. Ao chegar, lembra-se
do momento em que machucou a jovem, com suas duras palavras, e
com arrependimento, abre a porta da geladeira.Sua mão procura
por algo, e ele puxa duas garrafas de vinho tinto e suave.
_...Não posso tê-la em meus braços, devo entregá-la para um
homem a altura. Este é o meu dever, desejá-la só me trará
problemas!
Diz o pobre homem, virando a garrafa em um só gole.
_Amar-te me fere, amar-te me destrói. Se por mais de um
segundo, juntos estivéssemos, não conseguiria me conter,
e tenho quase certeza de que odiaria a minha atitude.
Recita ele enquanto abre a outra garrafa, pegando o controle
da sua TV, e ligando nas canções de Mozart.
_Ah! Agora entendo! Ele deve está deprimido, porquê
levou um fora de alguma mulher. Só ouve Mozart, quando
é algo realmente sério.
Diz a menina, estirada nos lençóis, sob o efeito do vinho, e das
garrafas de vodca, que escondia embaixo da cama.
_Minha linda dama...
Diz ele, completamente bêbado, adormecendo entre as
almofadas.
A noite...O belo homem está deitado no seu quarto, tendo sonhos
doces e felizes, ou pelo menos é o que parece, devido ao seu sorriso.
Quando de repente, seu copo de vidro cai no chão, e ele acorda em
posição de ataque, sufocando o invasor, como se fosse um
lutador profissional.
_Tio Larry, sou eu...
Diz a dama, com as pálpebras pesadas caindo sob as suas íris verdes.
_Corelle! O que faz aqui no meio da noite?!
Diz ele perplexo, soltando-a imediatamente, e empurrando-a
de leve.
_Você foi muito grosso mais cedo, e eu queria conversar.
Ela responde, sentando-se na cama, e exibindo a curta camisola
vermelha. Ao vê como o seu doce anjo veio ao seu encontro, ele
fica corado de vergonha, e coloca a coberta sob as suas pernas
perfeitamente esculpidas.
_O que está havendo?
Ela pergunta com o olhar inocente, curvando-se
um pouco para o lado.
_Não é algo que eu posso dizer, apenas entenda e confie
em mim, deve se casar o quanto antes.
Ele responde rapidamente, enquanto cruza os braços de
costas para ela.
 

_Eu sei que me deseja.
Diz ela num tom sedutor, abraçando-o por trás, e passando
sua mão, no volume que se encontra no meio das pernas
másculas.
_Isso não é verdade!
Você, você é uma garotinha,
e eu prefiro mulheres mais
maduras!
Ele responde sem pensar duas vezes, tentando desviar
o assunto, enquanto fica paralisado, a mercê dela. As mãos
delicadas, caem para trás, e ele respira fundo sentindo-se
aliviado, porém quando abre os olhos, a menina fica
a sua frente, o encarando.
_Sou mulher o bastante não acha?
Diz ela puxando as alças e deixando a camisola cair
no piso.
_Corelle andou se drogando?!
Ele pergunta aparentemente amedrontado, observando
discretamente as curvas singelas do seu corpo que, parece
ter sido desenhado pelos deuses gregos.
_Pare de me rejeitar! Estou aqui! Como Você sempre quis!
Diz ela agarrando na gola da camisa dele, enquanto
chamas flamejantes saem dos seus olhos.
_Por quê não me possui logo? É homossexual por acaso?!
Ela provoca, empurrando-o contra a parede.
_Homossexual?!
Diz ele emputecido, não acreditando que, aquelas palavras
tenham saído da boca de uma criança que, para ele é
inocente, apesar de suas atitudes ousadas.
_Vou lhe mostrar quem é o viado!
Diz ele motivado, pegando-a em seus braços, e beijando-a
de surpresa.
Entregue aos seus piores instintos, ele beija a menina dos lábios
aos pés, com longas pausas no meio das pernas, que só terminam após
ele sentir o gosto do prazer, que consegue estimular. Levando-a do
paraíso onde o amor nasce, ao inferno onde a paixão ardente,
de toques cálidos, impera.
_Ainda duvida da minha sexualidade?!
Ele pergunta, movendo seu quadril rapidamente, mas tudo o que
ouve, são gemidos agudos que, só aumentam seu êxtase.
_Não.
Ela responde, enquanto suas unhas se arrastam pelas vastas
costas dele.
_Está gostando?!
Ele pergunta sorrindo, aumentando seu ritmo até ficar veloz,
e se tornar um vulto.
_Eu sei que está gostando! É o que você sempre quis!
Diz ele, apertando os pulsos dela, e beijando-a no pescoço.
 
 
_Quer mais? Então toma!
Volta a dizer, penetrando-a profundamente.
_Eu nunca quis isso...Você me obrigou!
Diz a voz dela, e ele para, espantado. Notando que não
está mais em seu quarto, mas sim na completa escuridão,
ele começa a girar, tentando encontrar algum canto
iluminado.
_Do que está falando Corelle?! Você se despiu diante
dos meus olhos, eu sou homem, como queria que eu
reagisse?!
Ele pergunta incrédulo, voltando sua atenção
para a menina dos cabelos de longos que, está de
cabeça baixa, em seus braços.
_VOCÊ ME MACHUCOU SEU DOENTE!
EU NUNCA ME DESPI, VOCÊ QUE IMAGINOU
ISSO, E VEIO PARA CIMA DE MIM, MONSTRO
NOJENTO!
Berra a garota, expondo seu rosto a luz, que está coberto
de marcas de tapa, com enormes bolsas abaixo dos
cílios inferiores.
_Isso não é verdade! Sou incapaz de te machucar!
Eu te amo demais para...
Protesta o acusado, entregue a dor e a lamúria.
_VOCÊ NÃO SABE O QUE É AMOR!
Ela retruca, mostrando o peito rasgado ao meio,
devido aos exageros dele.
_Não! Não! Não!
Ele diz, ajoelhando-se perante a sua amada que,
desparece nas suas mãos, deixando apenas o
vazio.
_VOCÊ ME MATOU!
Ecoa a voz dela, enquanto ele coloca as mãos nos
ouvidos, tentando fugir da triste realidade.
_Não! Não! Não matei!
Ele grita sentindo-se injustiçado, voltando para o quarto,
onde tudo começou. Mas este não é o mesmo, os móveis estão
caindo aos pedaços, e as paredes estão despelhadas, como se
um tornado tivesse passado por ali.
_O que está havendo?!
Pergunta-se enquanto caminha para o banheiro que, não
está nada diferente do outro cômodo.
_ Eu matei mesmo a minha garotinha?!
Diz ele olhando-se no espelho, e lavando o rosto, tão
concentrado que nem percebe, com o que está
molhando.
_O quê?!
Se surpreende ao abrir os olhos, e se deparar com
a face coberta de sangue.
_Isto é dela, e todas as outras que pereceram
em suas mãos!
Diz o seu reflexo no espelho que, apesar de ser idêntico a ele,
tem duas órbitas oculares vazias, é pálido como a neve, possui
um par de caninos pontudos, e garras negras no lugar das
unhas, com quais carrega um coração palpitante.
_ O que está fazendo?!
Pergunta o homem, parado diante da sua versão bizarra.
_ Oras, olhe para você, é só um verme maldito que, acabou de
abusar de uma garotinha. Não merece ir para o Inferno, e muito
menos para o céu. Por isso vou destruir o seu coração, e te
mandarei para a dimensão do vazio!
Responde a criatura, e aperta seus dedos, explodindo o pequeno órgão,
que espalha seus pedaços fora do espelho, cobrindo o toalete de
vermelho.
_AAAAAAAAAAAAH NÃO!
Ele grita acordando no sofá da sala. Era apenas um sonho ruim, mas ainda
sim, o belo se preocupa, pois como psiquiatra sabe que, tudo o que viu era um
alerta do seu inconsciente, e por isso logo terá de mandar a dama embora, se
não esta história terá um final trágico que, pode resultar na morte dela.
_Tio Larry tudo bem?
Pergunta a menina, coçando os olhos, enquanto desce as escadas,
vestindo um pijama vermelho. Totalmente diferente daquela
versão sensual que, aparecera nos confins da mente
do seu tutor.
_Sim, sim, tive apenas um sonho ruim, agora volte a dormir.
Ele responde com frieza, e então ela se retira, sentindo-se
confusa.
 
 
Ele tem duas faces,
uma é vista em público
A face sombria do medo
fica em segredo
Será que o anjo e o
demônio são o
mesmo?
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Atualizado em: Dom 24 Abr 2016
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