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Diário do meu melhor amigo

Eu me chamo Alexandre Rodrigo Pupo da Silva. Você já deve me conhecer, já deve ter ouvido o meu nome, ou lido em algum lugar.  Está a fim de saber sobre o Otavio, não é? Imaginei. Todo mundo que me procura sempre é pelo mesmo motivo, interessados em saber o que houve com o primogênito dos Sandiegos.  O que eu vou contar pode ser verídico, como também não pode ser, depende do seu ponto de vista, e em quem você irá acreditar. A escolha é sua.  Há dois pontos que preciso te informar antes que de te contar tudo o que sei: primeiro, Otavio não é tão bonzinho como todos imaginavam, e segundo, eu não sou tão inocente. Uma vez eu ouvi que o ser humano é semelhante a uma moeda, com suas duas faces, a coroa, sendo a face que todos conhecem, a que ele faz questão de mostrar, e a cara, que é desconhecido e todo mundo insiste em manter em sigilo.  Acho que já deu para entender do que se trata esse depoimento, com o tempo você vai entender bem a minha frustração com o que eu vou te contar.  Pretendo ser fiel ao que aconteceu. Primeiro veremos a face da coroa da moeda, e depois a cara.  Não se espante se você, em algum momento, se identificar com tudo isso, isso pode acontecer, quando eu refleti sobre tudo o que aconteceu, também me identifiquei. E aprendi: as pessoas não são o que dizem ser. Não mesmo. Mas quero deixar que você tire sua própria conclusão sobre isso. 
Campos do Jordão. Janeiro, 2011.
 Senti algo cair sobre meu rosto. Aos poucos sons parecidos com o de carros passando ao longe começaram a surgir, mas meus olhos permaneciam fechados. Tentava me lembrar do local onde poderia estar, parecia estar acordando de um sonho. Poderia estar em casa, no meu quarto, mas a claridade forte já revelava que não. Senti novamente algo cair no meu rosto, abri os olhos, e um grande ramo de folhas foi a primeira imagem que surgiu, vi uma última gota d’água vindo de encontro com meu rosto, estava deitado debaixo de uma grande árvore.  Para tentar reconhecer o local, levantei a cabeça, rápido demais, resultando em uma tontura que me fez fechar os olhos para esperar passar o efeito e tentar me concentrar novamente, ao abrir os olhos novamente avistei uma casa grande ao longe, e me lembrei de onde eu estava, no jardim da casa da montanha. Minha cabeça estava a estourar. Meus olhos estavam pesados, e com a claridade, ardiam.    Sentei na grama molhada. Eu era alto, envergava meus quase 1,85m. Da minha mãe herdei os olhos castanhos bem claros, e os cabelos lisos, porém os meus eram pretos, bem pretos. Já do meu pai herdei a cor de pele, escura, era moreno escuro, quase negro. Tinha raízes negras mas não chegava ao tom de pele do meu pai que já era um negro azulado.  Fiquei por alguns segundos tentando criar coragem para me levantar, meu corpo estava pesado e minhas pernas pareciam que não aguentariam todo meu peso assim que levantasse.  Esfreguei os olhos para que não ardessem mais, e tentei me lembrar de como fui parar lá. Era a ressaca de uma festa que para meu azar terminou de um jeito que não esperávamos.  O céu estava quase limpo, um sol fraco surgia no horizonte. Não sabia que horas eram e nem se estava sozinho, a casa parecia vazia, não via nenhum movimento.  Algumas gotas ainda caíram sobre minha cabeça, a chuva forte da madrugada tinha deixado rastros, poças d’água se formavam por quase todo jardim. Levantei com dificuldades, meu corpo estava dolorido, e caminhei em direção a casa.  A porta estava entre aberta, nem precisei arrombá-la. O primeiro cômodo que se via era a ampla sala, onde ocorrera toda festa de Ano Novo. Algumas lembranças começavam a refrescar minha memória, lembrei-me dos convidados, colegas da faculdade, rindo e dançando naquela mesma sala. Várias taças estavam espalhadas por todo cômodo, garrafas vazias foram deixadas próximo aos pés dos sofás, e algumas peças de roupas jogadas na escada, junto com sandálias e sapatos masculinos.   Sorri me lembrando das cenas.  Subi as escadas à procura de alguém, talvez ele estivesse no andar de cima, última vez que nos vimos foi exatamente no seu quarto. - Otavio? Ninguém respondeu, a casa parecia completamente vazia, os convidados haviam sumido pela madrugada apesar de deixarem ainda alguns pertences para trás.  Ri mais uma vez, encontrei lingeries jogadas no corredor em direção ao quarto. Pelo o que via a festa tinha sido boa para Otavio.   Empurrei a porta do quarto a fim de flagrá-lo. O cômodo estava escuro apesar da claridade do lado de fora, as cortinas, grossas, não deixavam que ela, a claridade, entrasse e interrompesse o sono de quem dormisse por ali. - Hora de acordar, acabou a festa! Tentei falar o mais entusiasmado possível apesar de naquele momento não ter tanta força física disponível, só o que pensava era de encontrá-lo e resolvermos o mal entendido.  Não haveria mágoas, e nem ressentimentos. Éramos amigos, aliás, mais que amigos, irmãos, ele mesmo repetira isso diversas vezes anteriormente. Inclusive no início da festa.    Otavio e éramos inseparáveis e nada iria destruir uma amizade de quase dez anos.  Quando acendi a luz convicto que ele estaria deitado na cama, com ou sem alguém, me dei conta que estava completamente errado.  A cama estava vazia e arrumada, provavelmente ninguém tinha passado a noite naquele quarto.  Sentei na cama tentando entender o que estava acontecendo. Onde estava Otavio, Raica, Renan? Para onde tinham ido os quase cinquenta convidados da festa?  Pus a mão no bolso e retirei o meu celular, mas logo vi que de nada adiantava, estava om a bateria descarregada e por a chuva ter o molhado, desconfiei naquele momento que não funcionaria mais.  Sentado ainda sobre a cama ouvi algo tocar, baixo, quase despercebido. Vinha de debaixo da cama. Olhei e vi um celular, um tanto familiar, mas no momento não me vinha à mente a quem pertencia. Pelo visor dele, li escrito: casa. - Alô! Atendi sem saber de quem se tratava. Poderia ser seu dono ligando da sua casa para o próprio celular. Do outro lado da linha veio uma voz feminina que no exato momento identifiquei. - Quem está falando?- Dona Chantal?- Alexandre? Que bom falar com você. Eu estou a horas ligando para o celular do Otavio e do Renan e nenhum dos dois atende. Você por acaso está com eles?- Não. Na verdade eu ainda estou na casa da montanha. Achei esse celular jogado debaixo da cama. Por quê? Aconteceu alguma coisa?- Eu não sei. Estou com um mau pressentimento. O Otavio saiu da festa ontem desnorteado, nervoso, tão nervoso que não falava coisa com coisa, eu não o reconheci. Eu perguntei se tinha acontecido alguma coisa, mas ele não me disse nada. Eu tenho medo de ele ter feito alguma bobeira. Não sei se o Renan está com ele, se não... Eles não dão sinais de vida. Eu estou ficando preocupada, Alexandre. A voz tremula de dona Chantal no final revelou que realmente estava aflita por falta de noticias dos seus dois filhos. Eu não podia contar a ela o que tinha acontecido, por um segundo a imagem de Otavio saindo do quarto nervoso e Renan seguindo-o veio em minha mente. Ela certamente não entenderia nada do que houve e me culparia de ter estragado a festa do Ano Novo dos seus filhos. - Alexandre, você está aí? Me despertei. - Pode ser que eles estejam na casa de alguém, de algum colega da faculdade. - Será? Já liguei para todos os amigos que eu tenho o telefone e nada, nem na casa da Raica ele está... Para piorar o Sebastian não chegou ainda da viagem e o celular dele só dá fora de área. Céus, pra que ter celular se quando a gente mais precisa, eles não funcionam?!- Calma, dona Chantal, a senhora precisa ficar calma. Eu vou tentar localizar o Otavio, qualquer coisa eu ligo para a senhora. - Faz esse favor pra mim, Alexandre, porque eu não sei mais o que fazer. Se até a noite eles não aparecerem eu juro que chamo a polícia!- A senhora vai ver que não será preciso. Tudo vai ficar bem, prometo. Ouvi dona Chantal se despedindo de mim e finalizando a ligação. Enfiei o celular no bolso da calça.   Não tinha certeza que tudo iria ficar bem, por não voltar pra casa, Otavio provavelmente ainda estava irado com o que aconteceu.  Enquanto ainda pensava no possível local onde Otavio e Renan estavam, um barulho de porta sendo forçada querendo abrir veio do mesmo andar que o quarto. Eu curioso, segui o som.  Ao entrar no corredor percebi que a maçaneta do banheiro se movia, como se tivessem tentando vira-la. - Otavio? A maçaneta virou-se por completo abrindo a porta. Fios de cabelos ruivos surgiram no vão da porta aberta, eu desconfiei de quem se tratava, Raica enfiou sua cabeça no vão, revelando-se. - Raica?- Alexandre? O que aconteceu?- Eu que pergunto, Raica, o que você está fazendo no aí dentro do banheiro?- Fala baixo, estou com enxaqueca. Eu não sei. Eu devo ter entrado no banheiro ontem a noite e dormido por aqui mesmo.  Eu empurrei a porta lentamente, abrindo-a - Você precisa de ajuda?- De um café forte. Raica estava apenas de lingerie preta. Por um momento passei os olhos pelo seu corpo. Raica era branca, bem branca e tinha um corpo belíssimo, indescritível. Pele aparentemente macia, parecia nunca tocada. Seus cabelos eram ruivos, bem tingidos, e os olhos eram castanhos claros. Ela, percebendo que eu a encarava, tentou esconder seu corpo com as mãos. - O que foi, Alexandre? Do jeito que você está me olhando parece que é a primeira vez que me vê. Fiquei desconcertado com a resposta dela. Tentei não encara-la mais virando meu rosto.- Acho... Acho melhor você colocar uma roupa.  Ela encostou a porta enquanto me fez uma pergunta. - Cadê todo mundo?- Não sei. Acordei e já não tinha mais ninguém aqui. Inclusive o Otavio ainda não voltou pra casa dele. - Como assim não voltou pra casa? Raica abriu a porta terminando de abotoar seu casaco. O sutiã ainda aparecia pelo decote do casaco. Tentei disfarçar que não tinha reparado.- Não sei direito. A dona Chantal acabou de ligar, disse que os dois filhos dela desapareceram. - Será que aconteceu alguma coisa?- Não, acho que não. Mas o Otavio saiu daqui muito nervoso ontem, meu medo é ele ter feito alguma besteira por conta disso. - Não, Xis, o Otavio não é esse tipo de caras que sai por aí fazendo idiotice. Ele realmente ficou muito bravo com você...- Comigo? Só comigo? Do jeito que você fala parece que eu sou o único culpado. Você parecia bem envolvida ontem.  - Foi só um momento ruim, culpa dessas vodkas que me serviram, só isso! A propósito, sobre ontem a noite, vamos fingir que nada aconteceu, ok? Não quero problemas pra mim... Não agora... Não neste ano. É melhor ficar só entre nós dois...- Você não está esquecendo de alguém? Não existe “só nós dois”.- O que? Você está se referindo ao Renan? Relaxa, pode deixar que daquele cuido eu. Sei como fazer meu cunhadinho ficar de boca fechada. – disse sorrindo. - Se eu fosse você não confiaria muito. O Renan não me parece alguém que se possa dominar.- Bobagem sua. Homens são todos iguais. Nós mulheres, Alexandre, sabemos muito bem como dominar um homem, você sabe disso. – ela piscou pra mim. – Faça a sua parte, Xis, e deixa que eu faço a minha, entendido? Eu só não quero problemas.  Eu a encarei por um momento. Eu não queria que ela visse tudo como um problema. Mas não havia nada que pudesse fazer, não naquele momento. Tinha que encarar a dura realidade diante mim. - Entendido, Alexandre? Ela queria ouvir da minha própria boca. Realizei seu desejo. - Entendido. Extremamente. Fique tranqüila, se depender de mim, você não terá problemas. - Obrigada. Vou preparar nosso café! Raica segurou meu queixo, e me puxou, dando um rápido beijo na minha boca, após isso me deixou a sós no andar de cima. Fiquei por um momento paralisado com a mão sobre meus lábios, não sabia ao certo o que ela pretendia com tudo aquilo.   Me despertei com o barulho da porta da sala batendo. - Onde você estava?  Raica começava um dialogo com alguém.  Desci para sala, desconfiei que fosse Otavio de volta. - Otavio? Porém, era apenas Renan, jogado no sofá.  O irmão mais novo de Otavio não se parecia nada com ele, nem com os pais. Era loiro, branco, tinha olhos bem azulados, e de estatura um pouco mais baixa do que a minha, quase despercebível.  Ele estava de olhos fechados ignorando Raica que estava a sua frente. Desci o encarando. Renan estava todo sujo, como se passasse a noite caído em meio a um matagal. Seu tenis estavam sujos com uma faixa de barro seco. E parecia estar suado. Raica continuava tentando tirar alguma informação importante do irmão de Otavio. - Não vai responder não, Renan? Onde você se meteu e cadê o Otavio?- Eu não sei do meu irmão. – disse ainda com os olhos fechados. Renan falava como se estivesse embriagado, falava mole e balançava a cabeça para os lados. - Como não sabe? Você não foi atrás dele ontem, menino?- Fui, mas eu senti uma coisa estranha no meio do caminho e acabei desmaiando. Quando acordei já estava de manhã. Eu estava certo, deveria ter acordado em meio a um matagal. Havia alguns envolta da casa da montanha. - Essa história está muito estranha. – disse Raica me olhando. – Tem caroço nesse angu. Que coisa estranha que você sentiu, Renan?  Ele abriu os olhos encarando Raica.- Um frio misturado com um calor, não sei explicar. Só sei que senti uma forte dor de cabeça e depois, apaguei! - Isso agora não importa muito, Raica. O importante é que um dos dois já achamos, agora falta o Otavio. Sua mãe está preocupada com você, Renan e com seu irmão, acho melhor você ligar pra ela. - Eu não quero saber da minha mãe, não. Quero encontrar meu irmão, quero explicar tudo o que aconteceu. Falar pra ele que não sou eu o culpado, e sim vocês dois, vocês são os culpados e não eu. - Cala a boca. – disse Raica se aproximando de Renan. – Você não sabe do que está falando, seu moleque. Você não tem noção do que está falando... - Sei sim, você é uma vaga... Raica nem deixou que Renan terminasse a frase e o interrompeu com um tapa no seu rosto. - O que isso Raica? Ficou maluca?!- Nunca mais ouse terminar essa frase, você está entendendo, seu moleque? Quem você pensa que você é? Quem? Você é mais podre de nós três. Renan, por sua vez, manteve o rosto virado com a força do tapa e começou a rir. - Isso, ria. Ria bastante. Depois vamos ver quem vai rir por último. - Eu vou acabar com vocês dois.- Vai o que?- Vou acabar com vocês dois!  Raica ameaçou ir para cima dele, mas eu a segurei.- Não vale a pena, relaxa. Não adianta falar com ele agora. - Que moleque abusado. Você ouviu o que ele ia me chamar? Vagabunda é.... – ela ameaçou a falar, mas preferiu não. – Deixa eu ficar quieta, antes que eu diga alguma besteira. - Eu disse para você que ele não era fácil, não disse? Não podemos contar com o Renan, não mesmo. - Esse moleque acha que...- Raica. – interrompi. – Chega! Temos coisas mais importantes para se preocupar agora. Acho melhor você ir preparar o café enquanto eu vou ligar para dona Chantal e avisá-la que o Renan está conosco. Ela o encarou e depois olhou para mim. - Quando ele terminar com essa dramatização tenta tirar dele onde o Otavio se enfiou e vamos acabar com essa história de uma vez.  Raica nos deixou a sós na sala. - Ele está com raiva de mim. E não era pra estar. – ele me encarou. – Era pra ele ficar com raiva de você. De você e daquela vagabunda que ele chama de namorada. Vocês que armaram pra ele. Renan continuava falando manso, com uma voz grossa, parecia desnorteado. Dava ênfase toda vez que terminava uma frase.   Ele me encarava com um semblante fechado. Estava querendo que eu entrasse em uma discussão como na noite interior. Mas eu me contive. Preferi pegar o celular de Otavio no meu bolso e discar para sua mãe. Antes que eu começasse a discar, Renan me ameaçou. - Escuta aqui, seu favelado, se alguma coisa acontecer com meu irmão eu juro que eu acabo com sua vida. Eu acabo com essa sua pose de menino bonzinho que você usa pra enganar todo mundo.  Não o encarei, simplesmente respondi enquanto ainda discava.- Pra mim você dever estar bêbado.  Um barulho de porta batendo e depois um grito de Raica desviaram minha atenção. Larguei Renan na sala e corri para a cozinha. - Raica! A cozinha era o menor cômodo da casa. Invadi procurando por Raica, e lá estava ela. Paralisada, se esquivando, um rapaz estava agarrado nela, a porta da cozinha que dava acesso ao jardim estava aberta. Tinha espirros de sangue no piso no chão, e na roupa de Raica. Quando adentrei ele se virou para mim e veio em minha direção. Me agarrou pela camiseta, deixando marcas de sangue na minha roupa. - Renan! – gritou Raica. – Socorro! O rapaz era de estatura média, cabelos loiros, um pouco desarrumado, suava muito, e havia sangue na sua camiseta. Não sabia se ao certo estava machucado.  Me olhava no fundo dos olhos e parecia querer me falar algo, mas não saia som nenhum de sua boca, só escorria um pouco de sangue. Brevemente reconheci aquele rosto, como se já tinha o visto, mas logo a recordação se foi. Estava certo que não nos conhecíamos.  Rapidamente senti um cheiro ruim de sangue velho vindo do rapaz, e me segurei para não vomitar.  Ele dava algumas pequenas tremidas, e continuava tentando me falar algo.  Renan surgiu atrás de mim.- O que está acontecendo?- Esse louco invadiu a cozinha e me agarrou. Faz alguma coisa, chama a polícia!  Nem foi preciso, quando Renan ameaçou a virar as costas o rapaz conseguiu dizer em tom de um grito desesperado uma palavra, que soou como “ajuda”.  Todos ficaram em silêncio por um momento, ele arregalou, encostou seu corpo mais próximo do meu, e tremeu intensamente.  Aos poucos foi se curvando, como se perdesse a força nas pernas.  Quando suas mãos soltaram minha camiseta, eu tentei o segurar, mas o corpo suado me escapou entre as mãos.  O rapaz caiu ao chão, dando algumas tremidas rápidas antes de paralisar totalmente.  Nós três ficamos sem reação e em silêncio, observando o rapaz se tornar um cadáver.  Pode pensar que somos frios demais, mas na verdade não, acompanhar a morte de uma pessoa no estado que aquele rapaz estava não foi fácil, não para nenhum de nós três.   O rapaz parou de se mexer e se manteve de olhos abertos.  Depois de alguns segundos paralisado, tive minha primeira reação, me agachei me aproximando do corpo.- Xis, o que você vai fazer? – perguntou Raica apreensiva. Percebi que ele me encarava, não olhava para Renan, nem para Raica ou para o além, olhava pra mim, como se quisesse ainda dizer alguma coisa. Fiquei confuso e espantado por um momento, do canto da boca do rapaz vinha certo sorriso escondido, como se estivesse feliz, satisfeito com o que tivera acontecido, como se tivesse aliviado de ter acabado com aquela dor.  Por um momento tive a sensação do rapaz estar debochando de mim por eu continuar vivo, e ele, morto. 

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Atualizado em: Qui 9 Jan 2014
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