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Pendulum (Cap. II - Mudanças)

Antes de continuar, gostaria que me conhecesse um pouco.

Cresci em uma família de políticos. Grande parte de meus parentes foram pessoas importantes na minha cidade, prefeitos e vereadores. Chamo-me Steve Mason, mas prefiro que me chamem de Steve, não gosto do meu sobrenome que sempre é lembrado pelos meus familiares. De todos os Mason, sou o único que não quis seguir a carreira política, me dediquei apenas aos meus ideais, constituir minha própria família, dar um novo rumo na vida, cujo sonho é criar uma rede hoteleira nas grandes cidades do país. Quero ser lembrado por Steve e não Mason.

Morei grande parte da vida no Texas, na cidade de San Antonio. Recentemente me mudei, estou morando em Nova York, dizem que é a cidade das oportunidades, assim, juntei as minhas coisas, peguei o dinheiro que era meu de direito e deliberei arriscar.

Procurei por algum hotel 5 estrelas, no jornal para comprar, por sorte achei um que estava meio acabado, com algumas letras apagadas, mal conseguia ler o seu nome, Crescent Hotel. Ao entrar vi uma bela recepção, um chafariz todo empoeirado e desativado, minha imaginação começou a ir a mil, idéias foram surgindo de como iria organizar. O dono era um idoso e queria se livrar alegando problemas de saúde. Não pensei duas vezes, fechei acordo na mesma hora. “Devo saber de alguma coisa deste hotel?”, perguntei. “Irás descobrir com o tempo! Este hotel tem muito a lhe oferecer. Fez um ótimo acordo.” Sem me dar outra chance de perguntar algo, me deu um leve sorriso, virou as costas e simplesmente se foi. Sem entender o motivo, fiquei pensando se realmente valeu à pena, embora as condições do hotel estivessem precárias, ainda era um bom lugar e razoavelmente localizável. Tinha 15 andares, 150 quartos, nos 2 últimos, 10 suítes presidenciais e 10 de luxos.

No primeiro mês me dediquei a resolver os problemas antes de “reinaugurar”, contratei técnicos para dar arrumarem a fiação e os encanamentos, que por sinal estava há um bom tempo sem reparações. Mandei pintar, trocar todo o forro, tapetes e tudo que estivesse sujo e quebrado. Vi realmente o porquê do preço baixo.

Então comecei a contratar pessoas para trabalharem no Hotel: camareiras, copeiros, garçons, recepcionistas, seguranças, mordomos para os quartos presidências e de luxo… Realmente fiz um investimento pesado, por sorte a fortuna de minha família é enorme e não precisei me preocupar com dinheiro. Coloquei anúncio nos principais meios de comunicação, TV, rádio, internet, jornais, diversos banners espalhados pela cidade, queria algo que chamasse a atenção, “Categoria Superior em cada detalhe.”, esse foi o slogan criado.

E pelo jeito valeu o investimento, já nas duas primeiras semanas muitas reservas feitas, grande parte são turistas que aproveitam o inverno para ver a neve. O natal se aproximava, mandei enfeitar toda a recepção com luzes e com um enorme pinheiro no centro. Para alegrar as crianças, contratei um Papai-Noel para trabalhar por meio turno, distribuía balas e tirava fotos.

Em pouco tempo fez sucesso, estava nas capas da Times, Fortune e Vougue, como a nova sensação da cidade e junto com o hotel, estava eu, o mais novo empresário do momento. “Um jovem que decide não seguir a carreira de seus pais para tentar a vida na grande cidade...” “Sucesso, dinheiro e um sonho realizado. Aprenda com Steve Mason o seu segredo e muito mais.” “Desvende o coração desse jovem milionário. Ele está à procura se sua princesa descubra se você pode ser a próxima.” Já me tratavam como celebridade.

Senti-me como se tudo estivesse dando certo, minha carreira estava impulsionada pela mídia, o hotel virou ponto de referência no país, estavam agendando entrevistas, tanto para revistas e jornais, como na própria televisão. Vi-me obrigado a contratar alguém para tomar conta dos meus compromissos.

Acontece que estava faltando apenas uma coisa para que tudo ficasse ótimo, uma companheira. Durante esses 7 primeiros meses, já tinham passados algumas mulheres, mas nada que uma noite ou outra, nada sério. Estava com 25 anos e precisava tomar um rumo na minha vida amorosa. Mas como?

Resolvi sair aquele dia, liguei para minha, recém contratada, secretária e pedi para reservar uma mesa para dois no restaurante Jean-Georges. “Quem irá com o senhor? Preciso dos nomes para reserva.” “O quê vai fazer hoje à noite?” Perguntei para ela. “Como assim? Não entendi bem a pergunta?” Por um curto período de tempo fiquei pensando no que tinha falado, estou convidando minha secretária. E agora… onde estava com a cabeça? “Senhor Steve? Alô? Senhor?” “Sim Karoline.” Não tinha o que perder, no máximo iria receber um não e afinal de contas ela era muito linda. “Estou lhe convidando sim. Aceita ir comigo no Jean-Georges hoje à noite?” O silêncio tomou conta do outro lado da linha e comecei a ficar envergonhado do que tinha feito, mas ela respondeu com um tom de felicidade. “Nossa não consigo acreditar…, sim, sim eu aceito ir. Mas porque eu? Esqueça, vamos sim. Para que horas marco?” “Marque para as 21. O que acha?” “Perfeito senhor.” “E, por favor, não me chame de senhor, só de Steve. Ok?” “Sim senhor! Ops, sim Steve.” Escutei umas risadinhas e um “Yes!”, do outro lado.

Seu nome era Karoline Gonzáles, não conhecia muito da sua vida pessoal, apenas sabia que ela era filha de um mexicano com uma canadense, tinha 24 anos, sua estatura era baixa, seus olhos azuis e cabelos longos e loiros. Seu corpo era maravilhoso, deixava inveja em outras mulheres e por onde passava chamava atenção com seu rebolado.

A noite fria e estrelada, perfeita para um jantar. As 20:55, estava na frente do restaurante, nervoso, pensando se ela viria, mas felizmente avistei-a e acenei. O nervosismo tomou conta quando ela chegou perto. Estava com um vestido preto, cumprimentei e ela me respondeu com um lindo sorriso. Conversamos sobre tudo, rimos, contamos histórias de nossas vidas, infância, família, amores… Nós dois já estávamos bêbados de tanto vinho. Ofereci-me para levá-la em casa, mas ela recusou, dizendo que estava embriagado demais para dirigir. Sugeriu para que fossemos para meu hotel, ela tinha reservado um quarto para nós. Disse que já estava se prevenindo caso um dos dois ficassem embebedados, ou os dois. Na saída do restaurante fui literalmente “atacado” por paparazzi. De tantos flashes, fiquei mais tonto do que já estava. Chamei um táxi e fui para o hotel com a companhia de Karoline, ou Karol como ela prefere ser chamada.

Depois de fotografado até a entrada do hotel, fomos correndo para o elevador. O quarto ficava no 4º andar, número 444, me lembro de ter dado atenção especial a este quarto, pois 4 era o número de sorte do meu avô. Ao ficarmos em frente a porta, agradeci pela companhia, desejei uma boa noite e lhe dei um beijo no rosto. Quando virei de costas para ir embora, ela me segurou pelo braço e me puxou, ao virar, vi seu lindo lábio vindo e minha direção. Beijamos-nos por um tempo e entramos no quarto. Ela foi tirando a minha roupa e quando fui notar, ambos já estavam nus. Fizemos amor à noite inteira. Foi a melhor noite que tive em minha vida até hoje.

Quando acordei, olhei para o lado e vi que ela estava me olhando com um belo sorriso, retribui com outro e me levantei para ir ao banheiro. Notei que ainda estava escuro, as luzes do quarto não estavam acendendo e faltava água no banheiro. Ao voltar para a cama, peguei o relógio e vi que marcava exatas 3 horas da manhã. Virei-me para a Karol e vi que continuava sorrindo, percebi que não estávamos sozinhos no quarto, olhei para a janela e vi um corpo branco chorando. Sem saber o que estava passando e achando que ainda estava sobre o efeito do álcool, fui ao encontro daquele corpo branco, porém ao me aproximar, ela olha para mim e diz: ”Não se aproxime… Você um dia ainda vai entender a razão para isso… E desculpe por acabar assim. E cuidado com as horas, as horas, horas, ho…” E rapidamente abriu a janela e se jogou. Quando corri para a janela não vi nada, apenas os carros passando de um lado para o outro. Tudo em minha volta ficou escuro, comecei a vomitar, apenas conseguia sentir uma mão no meu rosto, uma voz de fundo e o som de uma batida, que oscilava em questão de segundos, faziam tic-tac… Essa combinação foi o suficiente para eu apagar completamente.

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Atualizado em: Seg 26 Jul 2010
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