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Um lugar melhor

Sinopse:

Marianne foi criada pela mãe, esta última era uma pessoa cruel, que esperava que a filha seguisse seus passos. No entanto, em Marianne havia algo diferente, ela não era uma pessoa mundana como sua mãe, mas no seu interior havia bondade. Com isso, ela decide fugir. Na sua fuga, acaba encontrando uma casa. Que acaba se tornando seu lar. O Lugar era como uma casa de repouso, em que tarefas comunitárias e orações tomavam conta de seu dia e sua mente, as coisas por lá eram muito diferentes de tudo antes visto por Marianne. Cada dia que a garota passa lá, ela sente que se fortalece, que melhora, não sabe exatamente o que a trouxe aquele lugar. Mas com o tempo irá perceber que foi Deus que tinha planos maiores para sua vida do que ela poderia sequer imaginar. É uma história de superação de traumas, aprendizado e perdão. Mas ela não irá encarar todas essas coisas sozinha, além dos céus, ela ainda vai ter a ajuda dos moradores dessa casa, que a tão bem acolheram desde o início, cada um com sua história a contar e com tanto a ensinar, e a garota disposta a aprender.



Um lugar melhor



Capítulo 1- Encontrando a casa


Caminhava pelas estradas, sozinha, havia finalmente tomado uma decisão definitiva. Não iria mais ficar naquela casa! Tinha seus ideias e o que era forçada a fazer sobre ordens de sua mãe não era o que ela queria, não era quem ela era.
Mariane já estava mais do que cansada de tanto andar, se ela gastasse suas economias em hotel de beira-estrada temia ficar sem para se alimentar.
Em meio ao cansaço, havia decidido subir em um pequeno morro da estrada de terra e dormir em meio as árvores, a sonolência extrema e o cansaço eram tantos que ela cochilou duas vezes enquanto subia o morro e capotara em ambas. A segunda vez serviu para acordá-la de vez, e se forçou mais a subir aquele morro tão íngreme. Enquanto subia, viu pelo reflexo um farol de carro ao longe, a noite estava começando a cair, as primeiras estrelas já apareciam, e o pôr-do-sol estava recém terminado. A garota gostaria de tê-lo assistido, como nos outros fins de tarde, mas dessa vez passou a tarde completamente indisposta, isso era porque havia dormido mal, o último hotel fora terrível. Em meio a uma boa reflexão, decidira que as árvores agora pareciam um ótimo lugar.
Estava tão concentrada em sua tarefa de subir o morro-barranco, que não percebera que o carro que seguia pela estrada havia estacionado e um homem havia saído de lá.
Ao vê-lo, ela tratou de agarrar a vegetação que a ajudava subir com mais força e acelerar o passo o quanto podia. O medo teria despertado uma corrente de adrenalina pelo seu sangue e o seu cansaço agora era nulo.
O homem lá em baixo, vendo o desespero da garota, diz para acalmá-la:
- Eu não vou te fazer nenhum mal!
Não obteve resposta, Mariane só pensava em subir aquela coisa o mais rápido possível.
- Hey! Cadê a sua mãe? Quantos anos você tem? Vem! Eu vou te levar para casa...
- Eu não quero ir para casa – Diz Mariane com a raiva expressa na voz.
- Sabe... não é seguro para uma garota como você sair andando por essas estradas sozinha desse jeito.
Por algum motivo a voz dele parecia mais próxima, então Mariane se vira para verificar. O homem agora subia o morro, ela não tivera tempo para analisá-lo, só vira sua silhueta e isso fora o suficiente para jogar sua mochila para cima, ela nem hesitou, e sua força não fora suficiente para chegar no topo da colina e a mochila descera todo caminho à baixo.
Ela praguejou enquanto a situação ocorria, agora iria morrer de fome, todo dinheiro estava lá. Não teve tanto tempo para reclamar da situação já que seu plano no momento era apenas fugir.
Quando chegasse no topo talvez pudesse dar um pontapé em seu perseguidor e sair correndo ou talvez confundir ele, roubar seu carro, pegar a mochila e vazar.
Se fosse na segunda opção estaria colocando o estilo de vida que passou com a sua mãe em prática mais uma vez, o que a revoltava, mas ela precisava daquela mochila.
Já sentia remorso pelos próximos passos, mesmo aquele homem não o merecendo.
Tinha o futuro planejado em sua mente quando coloca o primeiro pé no solo plano.
Mas o que avista a uns quinhentos metros de onde estava a surpreende. Uma casa enorme, com algumas pessoas dependuradas na janela. Poderia pedir ajuda. Corre em direção à casa rezando, não sabia exatamente como já que nunca fora ensinada, mas fizera de sua própria maneira. Sentia uma boa harmonia com o local, muito diferente do que sentia em sua própria casa ou ao ouvir a voz do homem à alguns metros atrás dela.
Quando sente que pode ser ouvida grita por ajuda. Repetidas vezes até sentir que teria um grande problema com a sua garganta no dia seguinte.
À essa altura conseguia ver melhor às pessoas na janela que a olhavam curiosa, eram todos adolescentes, com mais ou menos a sua idade. O que era aquele lugar?
- Por favor! – implorou mais um pouco – estou sendo perseguida.
Eles se olham enquanto ela caminha até as escadas que levavam até a porta.
Um deles faz um sinal afirmativo com a cabeça após uma breve discussão silenciosa entre eles. Na espera Mariane se vira e vê o seu perseguidor recuando, provavelmente se acovardou ao ver a casa e as pessoas na janela.
Não gostava nem de pensar o que teria acontecido caso ele tivesse chegado até ela.
Quando ela escutou o barulho da chave abrindo a porta uma onda de alívio a tomou e ela agradeceu mentalmente, olhando para o céu.
Uma mulher adulta de meia idade que atendeu, ela tinha seus cabelos presos em um coque desgrenhado e usava pijamas compridos com pantufas.
Ela olha em volta antes de se voltar à menina.
- Entre querida. – a mulher diz, ela não pergunta nada, não exige nada.
Mariane não pensou que seria tão fácil conseguir abrigo.
Quando entram, a garota sente o calor do ambiente. Só percebeu o quanto deveria estar frio do lado de fora quando o fez, a adrenalina e a corrida estavam-na aquecendo.
A mulher pede o casaco seu casaco para pendurá-lo. Ao entregá-lo, começa a se explicar e pedir para passar a noite ali.
- Se não for muito incomodo eu gostaria de dormir aqui hoje, mas prometo que pela manhã eu vou embora.
- Pode ficar o tempo que quiser. – responde gentilmente a moça. – mas temos regras para visitantes.
- Claro.
Mariane sabia que não estava em posição de negar nada. Sentia uma enorme gratidão por ser acolhida naquele lugar.
- Nós oramos todos os dias, cultivamos plantas e meditamos. Cada um tem a sua tarefa e a sua rotina.
A garota só balança a cabeça em afirmação. Achava tudo muito estranho. A mulher nem perguntara quem ela era. Só sabia que era uma garota precisando de ajuda e a acolheu.
Sentia que precisava de mais informação, nunca havia se deparado com uma situação como aquela. Não estava acostumada à pessoas tão dóceis e acolhedoras.
-  O que é aqui? – pergunta enquanto observa o lugar.
As paredes eram de um azul bem claro, a pintura estava um pouco descascada, tinham alguns quadros pendurados ao redor. Eram pinturas agradáveis e que transmitiam energias positivas, assim como todo o local.
Elas estavam em uma sala de jantar, nesta, havia uma longa escada de madeira, onde Mariane deduziu que levaria aos quartos.
Pelo tamanho da mesa de jantar a garota também concluiu que moravam muitas pessoas lá. Mas o que faziam? Por que estavam lá?
A mulher rapidamente responde as dúvidas que rondavam pela mente de Mariane:
- É um lugar que recebemos pessoas em busca da salvação. Aqui buscamos entender os valores da vida, por meio de ensinamentos e atividades. Acreditamos que quem vem aqui foi mandado por Ele. – diz ela olhando para os céus. Fazendo Mariane logo entender que ela estava se referindo ao Senhor.
- Certo. E qual o seu nome?
- Se você desejar ir embora pela amanhã eu te digo o meu nome agora, mas se não, temos uma cerimônia de apresentações e eu gostaria que participasse.
Mariane pondera por um instante. Não tem realmente para onde ir. Perdeu o todo o dinheiro. Precisava mais estar lá do que havia pensado.
- Eu vou ficar. – diz segura.
A mulher só sorri como resposta.
- Está com fome?
Ao ouvir essa palavra seu estômago roncou. Todo o cansaço e adrenalina haviam enganado sua fome mas agora ela vinha com tudo.
A mulher sem nem precisar de uma resposta se dirigiu ao cômodo à esquerda e trouxe de lá uma cesta de frutas.
- Pode escolher.
A garota pegou a que estava mais próxima. Não queria abusar então pegou duas bananas de um cacho.
- Obrigada.
- Por nada. Agora eu vou te levar até o banheiro e te conseguir umas roupas novas.
Mariane foi levada até um banheiro no lado oposto de onde ela estava na casa. Lá ficou esperando a entrega das roupas.
A fora entregue pijamas brancos de malha, simples, portanto pareciam bem confortáveis. Estes juntamente com um kit banho.
A garota agradece mais uma vez por tudo antes de se fechar no banheiro e começar a se despir. Havia um pequeno espelho lá e ela consegue ver o quão suja e acabada ela parecia. Seria estranho se ela não parecesse assim depois do dia que teve.
Ela entra no chuveiro simpatizando-se com a água quente, toma um banho pouco reflexivo já que toda sua concentração ia para tentar se manter em pé devido ao sono excessivo.
Mariane desliga o chuveiro, se seca e se veste após organizar o banheiro.
A moça havia lhe dado direções até o seu quarto, lhe deixando bem claro que os outros no dormitório estavam dormindo e que a garota deveria ser silenciosa.
O que já levou Mariane a pensar que ela não ficaria no quarto dos outros adolescentes que ela viu na janela.
Bom ela estava errada tanto Mariane quanto a mulher.
Um garoto e uma garota ainda estavam em pé e conversavam sussurrando.
Apenas uma fraca luz vinda de uma luminária iluminava o local, então Mariane só via as silhuetas.
A garota parece notar a sua presença e a orienta em direção a sua cama em meio a um sussurro quase não audível.
Ela vê que na parte de cima de uma beliche tem um travesseiro e uma coberta grossa reservados à ela. Ela cai no sono no exato momento em que ela se apruma.
Ela sonha com a sua antiga casa, sua mãe diz que ela deve ir pegar o que é dela. Mariane não entende muito bem o que ela quer dizer. Então sua mãe lhe entrega um objeto cortante, Mariane não consegue identificar o que é. A mulher, lhe dá orientações de matar um homem, dizendo que a vida dele à pertence. Mariane está muito assustada ela não sabe o que fazer. Portanto ela recebe forças e se nega. Quando ela se rejeita, sua mãe se dirige à ele com a mesma intenção que fora ordenada a Mariane. A garota grita, chorando e pedindo para ela parar.

Capítulo 2- O primeiro dia

Seus próprios gritos a acordam. Algumas pessoas a olhavam. Ela logo se sentiu desconfortável. Não sabia o que fazer.
O quarto fica em silêncio por alguns instantes até que um deles, talvez o garoto acordado de ontem à noite, não sabia ao certo, lhe disse:
- Se apresse, daqui à cinco minuto o sino toca.
- Sino?
- Café da manhã! – uma garota loira responde, um tanto animada demais para o humor atual de Mariane, que ainda tentava se recuperar de seu pesadelo.
Mariane se levanta e vai fazer sua higienes matinais, indo para o único banheiro da casa que ela conhecia. Na fila do banheiro tinha uma senhora que parecia muito gentil assim como os outros naquela casa.
Ela sorri para Mariane assim que a vê.
- Bom dia. – cumprimenta a garota.
- Bom dia criança! Olhe o sol nasceu tão lindo esta manhã! – diz a senhora enquanto aponta para a vidraça frontal. – Você já viu as flores como estão? Os botões estão pertinho de desabrochar.
- Não vi. Na verdade, eu ainda não tive oportunidade de conhecer o lugar. – afirma a menina um pouco tímida.
Nisto a porta do banheiro se abre saindo uma mulher morena lá de dentro que poderia muito bem ser uma modelo, ela deseja um Bom dia para a senhora e depois um para Mariane seguido de um cumprimento com a cabeça, esta retribui o cumprimento.
A senhora se volta para Mariane estendendo o braço em direção ao banheiro.
- Você ainda tem a muito a conhecer, pode ir na frente, é melhor não ter tempo à perder.
A menina até tentou recusar de início mas a senhora insistia que ela fosse.
Então ela foi e tentou fazer tudo o mais rápido possível para não atrasar tanto a senhora para o café.
O garoto havia dito que o sino tocaria em cinco minutos, portanto Mariane não havia escutado nada, assim, chegou à conclusão que provavelmente haviam atrasos no preparo do café.
Ao ver uma garota correndo com uma cesta de beterrabas confirmou sua teoria. Esta esbarrou em Mariane e gritou um pedido de desculpas. Ela deveria ter uns doze anos, tinha um sotaque pesado que não parecia ser do país.
O lugar a intrigava, estava curiosa sobre tudo aquilo, já estava fascinada sem nem mesmo conhecer ou entender aquela comunidade.
Resolveu dar uma volta, o cheiro da cozinha era ótimo, ela não conseguia reconhecer os aromas ao certo, mas já sabia que era um dos melhores que havia sentido.
- Bom dia! – escuta alguém a dizendo logo atrás dela. Ela a mulher de ontem, ela estava sorridente e com uma aparência renovada.
Mariane nem tem tempo de responder antes que uma folha fosse entregue à ela
Ela dá uma breve olhada no papel e já entende de que se trata da rotina que ela deveria seguir, ela se lembrou que a mulher tinha falado algo sobre isso no dia anterior.
 - Bom dia. Parece que me livrei de ajudar no café da manhã de hoje. – diz em meio a um sorriso. Conhecia a mulher em pouco tempo e conseguia se sentir confortável perto dela.
A vida que teve sempre a fez ter dificuldades em confiar nas pessoas e ver sempre o lado ruim delas. Mas com essas pessoas era diferente e ela ainda não conseguia entender o porquê. No momento nem queria, o que procurava era absorver as energias positivas que transbordavam daquele lugar. Ela se perguntou se um dia transmitiria tanta paz quanto as pessoas que ela já havia conversado dali transmitiam. Ela sentiu que havia achado o lugar certo.
 - Ainda há tempo, vejo que estamos atrasados hoje. – diz após analisar o andamento do trabalho. – Uma mãozinha a mais cairia bem. Duas na verdade, vou ajudar também!
- Esse tipo de ajuda sempre é bem-vindo! – diz uma garota mais velha. Ela se assemelhava muito com a garotinha que passara correndo por Mariane, com um sotaque muito parecido, porém muito mais carregado.
Mariane estava curiosa e já estava começando a refletir e criar teorias sobre as histórias de vida das pessoas que ali estavam.
Quando se aproximou da pia em que o café estava sendo preparado um moço ruivo lhe estende uma beterraba e uma faca.
Ela pega e começa na jornada de tentar descascá-la, a verdade é que nunca havia feito isso anteriormente, portanto, achou que havia arrasado para uma primeira vez.
Mesmo superando suas expectativas com a sua habilidade de descascar, foi repreendida pelo mesmo moço que a entregou a beterraba.
 - Não toleramos desperdício aqui. – disse severo. Ele aparentava realmente ser um chefe de cozinha.
Mariane não achava realmente que havia desperdiçado tanto assim, mas de qualquer forma se desculpou.
O chefe após ouvir as desculpas da garota a pede para ir ao armazém pegar algum tipo de tempero que a garota não sabia realmente como era, até pensou em perguntar, portanto não queria irritá-lo ainda mais e também concluiu que poderia se virar.
Chegando lá ela encontra uma garota perto dos armários com um bloquinho em mãos analisando as comidas.
Aproveitando a oportunidade Mariane pediu auxílio com os temperos, a outra lhe atendeu de bom-grado. Mariane ainda não sabia ao certo se o negócio de não dizer os nomes era uma regra, então arriscou:
- Obrigada... Hum... qual seu nome?
- Eu tenho quase certeza que essa é a primeira vez que eu vejo seu rosto por aqui, então antes de responder eu tenho que ter certeza que você passou pela cerimônia de apresentação.
- Não ainda. Eu posso saber o que é essa cerimônia e quando irá acontecer?
- Não sei se posso dar muitos detalhes mas acho que vai ser no café da manhã. De qualquer forma seja Bem-vinda!
- Obrigada.
Mariane estava começando a ficar curiosa e um pouco confusa. Por que as pessoas não poderiam simplesmente anunciar seus nomes de uma maneira casual?
De qualquer forma não teria muito tempo para teorizar, já que o chefe não estava pegando leve com a garota.
De qualquer jeito, quando Mariane começou a ajudar, não faltava tanto para o fim da realização do café, então logo eles terminaram.
Ela iria ajudá-los a colocar tudo na mesa, quando é abordada pela mulher que a acolheu lá, ela parecia ser quem comandava o local, então enquanto Mariane não tinha uma nome para ela escolheu chamá-la de dona. Não sabia realmente se era a dona de lá, mas o apelido era provisório.
- Vejo que está usando as mesmas roupas de ontem.
- Pois é. – isso despertou um clique na mente da garota, ela havia se esquecido completamente da mochila. A estrada em que ela estava andando não era lá muito movimentada, o que ainda lhe dava esperanças de reavê-la. – preciso voltar na estrada para verificar se a minha mochila ainda está lá, eu meio que a derrubei no barranco.
- Certo. Me informaram que você estava fugindo de alguém ontem, por segurança vou pedir para alguém ir com você.
- Certo, muito obrigada. – Ela se sentia muito grata pela preocupação e maneira que estava sendo tratada. Não achava nem que poderia chegar a se acostumar.
- De qualquer forma, eu vim falar com você pois aqui nós nos disponibilizamos para fornecer roupas que se adequam ao nosso estilo de vida. Devido as variadas atividades físicas que serão aqui realizadas uma roupa confortável é sempre bom.
- Seria ótimo. Obrigada.
Não conseguia parar de agradecer. Será que eles exigiam algum tipo de pagamento pela estadia ali? Ela resolve saciar sua dúvida, já que, mesmo se encontrasse a mochila não teria muito dinheiro.
- Eu vou ter que pagar para ficar aqui? Digo...
- Saber que estamos ajudando pessoas e as orientando para o caminho da fé já um pagamento suficiente, e aqui ninguém fica na preguiça, temos tarefas a realizar, então se quiser usar isso como forma de pagamento, sinta-se à vontade. – diz, fazendo a garota nem precisar de terminar a sua fala.
Mariane só balança a cabeça diante das afirmações.
- Bom. Eu acho melhor você ir buscar a sua mochila primeiro, antes de tudo. Vou chamar uma pessoa para ir com você, ela também é nova aqui. Mas já conhece o local e pode apresenta-lo a você.
- Ok. Obrigada mais uma vez. Quero que saiba que sou muito grata pelas coisas que está fazendo por mim.
- Não me agradeça, agradeça ao senhor.
Mariane pensou um pouco sobre o que ela falou e mentalizou um: “Obrigada Senhor. Pelo recomeço.”
Não sabia se estava fazendo tudo corretamente, mas o agradecimento foi de coração.
A garota indicada para ajudar Mariane apareceu. Dava para saber que ela nova ali, sua energia era diferente, parecia uma rebelde e sua aparência contrastava com o local.
- Oi. – cumprimenta Mariane um pouco receosa.
Sabia que era errado julgar por aparências, mas o estilo da garota lembrava as pessoas de sua antiga vida.
- E aí? Bora rodar? – seu vocabulário era estranho, o sotaque era nacional, mas a garota não sabia de onde era.
Mariane ficou uns minutos em silêncio ponderando. Achava que conhecia a garota de algum lugar, sua feição era familiar.
- Ei, eu não mordo. Relaxa! Só porque não me rendi aquelas roupas cafonas que você deve se assustar.
Mariane hesita um pouco, mas concorda com a cabeça e elas seguem em silêncio. Quando estão no lado de fora Mariane pondera se é mesmo seguro ir até a estrada com essa garota. Várias incertezas rondam sua mente: “E se esta não for a garota que a Dona pediu para vir e sim uma espiã que sua mãe mandou para lhe raptar de volta?”.
“Não”. Pensou racionalmente. A mulher não se daria o esforço. Estava sendo paranoica.
Tirada suas conclusões Mariane diz:
- Eu esqueci uma mochila na beira-estrada. Gostaria de vir comigo tentar recuperá-la?
- A uma hora dessas a mochila já deve ter dançado, mas já que você faz questão.
- Não custa nada tentar.
- Uhum, e qual o seu nome?
Mariane havia acabado de se convencer que a garota não era nada do que ela estava pensando, mas todos ali sabiam que era regra não saber o nome até o dia da apresentação, ao ouvir a pergunta ela gelou na hora. Provavelmente não era sua mãe que haveria enviado essa garota, Mariane havia feitos inimigos ao decorrer de sua vida. Poderia ser alguém procurando vingança contra a sua mãe, ficariam frustrados ao saber que ela nem se atingira se soubesse que a filha foi ferida.
A garota achou mais seguro não responder. Não queria mentir, não queria fazer nada das coisas que um dia fora forçada a fazer. Não se sentia bem consigo mesma e ela havia finalmente achado um lugar que a acolheu, um lugar repleto de paz, harmonia, um mistério ainda para garota, mas acima de tudo um lugar onde ela não era forçada a fazer mal à ninguém.
Ponderou um pouco. Se voltasse correndo provavelmente a garota levaria a sua mochila e iria embora. Se continuasse a garota poderia matá-la ao chegar lá em baixo. Poderia fingir uma queda e checar suas botas a procura de alguma faca ou pistola, se ela a encontrasse, desarmaria a garota e correria até o barranco, pegaria a mochila e depois tentaria contornar o morro. Odiou o plano. Quando o bolava em sua mente percebeu que era mais um dos planos, os quais sempre envolviam enganar e trabalhar sozinha. Olhou em sua volta e percebeu a quantidade de pessoas que ali estavam, não se sentiu tão sozinha, começou a achar que não precisava fazer tudo sozinha.
Talvez pudesse convidar algumas pessoas para uma caminhada, seria uma boa oportunidade e assim a outra garota não a machucaria na frente de bastante gente e também poderia conhecer as pessoas dali.
- Então você é do clubinho do não posso falar meu nome. Minha apresentação é hoje também e finalmente essa palhaçada vai acabar. – disse a outra resmungando ao não obter uma resposta.
Mariane não estava comprando o seu teatrinho e iria colocar o seu plano em prática.
- Poderíamos convidar algumas pessoas para andarem por aí com a gente, certo? Pessoas mais experientes, nós duas somos novas aqui afinal, poderíamos fazer amigos.
- E a gente vai sair por aí perguntando se as pessoas querem dar um passeio? Sai dessa.
Isso só aumentou mais as suspeitas da garota.
- É e qual é o problema?
- Eu acharia estranho se alguém que eu nunca vi na vida me chamasse para “passear”, é muito desespero.
- As pessoas daqui são legais elas provavelmente vão querer. Quem não gosta de um passeio pela manhã?
- Sim gênia. A única coisa que você esqueceu é que daqui alguns minutos será o café da manhã todo mundo está com fome e eu também então vamos logo.
- Se isso é um problema para você então vá comer, eu me viro.
- Ok, se vira. – ela disse bufando e indo embora.
Então se ela foi embora é porque não planejava fazer nada com Mariane na estrada. Estava sendo paranoica. Sentiu raiva. De si mesma, da vida que levou, de sua mãe.
Enquanto a garota se afastava Mariane a gritou:
- Espera! – disse enquanto corria de encontro a garota.
- Qual o seu problema garota? – perguntou a outra confusa e irritada.
- Eu estava te testando. – disse controlando a respiração.
- O que? – perguntou irritada. – e eu passei no seu teste?
- Eu estava errada sobre você.
- É? Que ótimo eu não ligo, tchau.
Segundos depois o sino tocou. Mariane decidiu que teria que se desculpar mais tarde já que a mochila corria perigo e não queria perder a apresentação.
Correu até o barranco e voilá, não é que a mochila ainda estava lá?
Após recuperá-la se colocou na tarefa de subir todo aquele morro novamente. A verdade é que não estava tão cansativo e complicado como da última vez. Ainda estava com pressa e planejava chegar à tempo. Mas o desespero com certeza era menor.
Chegou ao topo já ofegante mas mesmo assim não parou de correr e só desacelerou quando passou pela porta. As pessoas ainda estavam comendo.
Mariane sentou em uma das cadeiras aliviada por ter chegado à tempo, alguém a passou um pão, a qual o pegou e o devorou agilmente, estava ótimo.
Enquanto terminava de devorar o seu pão a dona a repreendeu.
- Você perdeu a oração. Então deve fazer uma prece silenciosa antes de comer.
- Eu não sei como na verdade... – disse um pouco triste.
- Não tem problema. Todos sabemos internamente como fazer, mas depois nós poderemos te ensinar.

Capítulo 3- A cerimônia dos nomes
Mariane deu uma revirada pelo pensamento sobre os últimos dias, nunca havia se sentido tão livre e com força de vontade para fazer algo. As coisas que antigamente ela teria que fazer de nenhuma maneira eram coisas que ela fazia por querer. Soube no momento em que colocou os pés naquele lugar, ou melhor, no momento em que avistou o lugar que ela havia sido enviada lá por Deus. Estava segura disso. Sentia-se protegida. Expressou seus agradecimentos por meio das sensações e para depois tentar: “Só estou aqui hoje por conta do Senhor, que me livrou daquela antiga vida, sou muito agradecida por tudo, pela comida maravilhosa que estou aqui provando e pelas também maravilhosas pessoas que estou cercada. Obrigada, obrigada e mais uma quantidade absurda de obrigadas impensáveis.”
Após tê-lo feito pegou o pão da mesa e terminou de comê-lo, desta vez de maneira menos gulosa.
Terminou o pão e quando ela estendeu a mão em direção à uma fruta, a Dona se dirige à ela:
- Já que as duas recém chegadas estão aqui seria uma boa hora para começarmos as apresentações.
As pessoas que conversavam alegremente se silenciaram todas, isso era algo realmente importante para as pessoas dali.
Dona pigarreia e começa:
- Conforme nossa estadia aqui vamos nos descobrindo e revelando o nosso melhor lado e vivendo e trabalhando com ele e apenas com ele. Nisso vamos descobrindo no que mais contribuímos para uma vida de pureza e em comunidade. Eu por exemplo sou a harmonia. Ele é a união. Ela é a esperança. Ela a luz. Ele a força. Ela a sabedoria. Ela a natureza.  Ela a alegria – dizia enquanto apontava para as respectivas pessoas. – quando descobrirem seus nomes ou em que contribuem me falem. Nem sempre o que você escolher será aceito e nem sempre concordaremos que estão prontos para terem seus nomes, mas por enquanto vocês podem usar os seus nomes verdadeiros, ou, se sentirem mais à vontade, um codinome qualquer da preferência de vocês.
Mariane havia achada a ideia de um codinome interessante. Pensou em algum nome que gostava. Teve um relance de memória de sua infância, uma melhor amiga que ela nunca mais viu, seu nome era Ayla.
Foi o que Mariane teve que era mais perto de um laço verdadeiro resolveu fazer uma homenagem à garota que ela não fazia ideia de como estava.
Mariane havia ponderado um pouco sobre seu nome mas a outra garota havia sido rápida:
- Sou Alexa. – Mariane, ou Ayla agora, achava que o nome combinava com ela, com a sua personalidade.
- Eu sou Ayla.
Muitos cumprimentos vieram em seguida de várias outras apresentações, com vários nomes ou codinomes, ninguém sabia ao certo.
Depois da tão falada apresentação eles teriam um período de descanso, o qual Ayla pensou que seria um bom tempo para explorar o lugar por si só, já que havia espantado a última guia.
Saiu da sala de jantar até o exterior contornando a casa, o lado traseiro era gigante. Ao longe ela avistava uma paisagem de plantações bem diversificada.
Mais próximos à ela os botões citados pela senhora da fila do banheiro. Alegria, tinha quase certeza que era esse seu nome.
Foi tomada pela curiosidade de explorar o lugar se atendo aos detalhes. Os botões estavam lindos e ela se informaria quando seria o desabrochar, não poderia perder.
A natureza estava ótima, inabalável. Transmitia uma energia boa, o cheiro era puro, natural.
Sentou-se na grama e sentiu-a com as mãos, era tudo tão inocente. Tão bom.
Saiu de seu estado de êxtase por um instante. Ainda não deixava de estar tão admirada com tudo. Mas agora tinha outra pessoa sentada ao seu lado. Era Alexa.
- Foi mal. – disse Alexa.
- Não, tudo bem. Eu que desconfiei de você sem motivos válidos.
- Eu, mais do que a maioria, deveria entender sobre paranoias e coisas do tipo. Também não tive uma vida fácil.
Ayla só balançou a cabeça em afirmação. No momento queria ficar à sós com a vegetação. Porém não achava legal perder uma oportunidade de se reconciliar com a nova hóspede, sua potencial futura amiga.
- Eu vim aqui para tentar um novo recomeço. E eu sei que não quero rixa com ninguém daqui, quero gostar das pessoas ao meu redor, eu sempre soube que não era feita para estar no lugar onde estava no passado.
- Onde estava? – perguntou Ayla numa conversa casualmente.
- Éramos parte do tráfico, eu já tinha nascido no meio disso, odiava tudo, um dia uma mulher do conselho tutelar me encontrou e me deixou com uma família, a minha primeira família, a biológica, tinha todos os seus problemas, mas pelo menos eu sentia que eles me amavam, os outros só me quiseram por conta da pensão que receberiam do governo. Eles eram péssimos, estava envolvida em muitas coisas quando fugi, coisas da qual não queria fazer parte, me fazia de durona, mas na verdade não tinha muita voz para fazer o que eu realmente queria. Então eu finalmente juntei uma grana e me mandei. Fiquei em uma outra cidade, na casa de uma “amiga” – diz ela fazendo cara de nojo junto com uma vozinha enquanto diz amiga. – ela era bem falsa, por eu estar ficando na casa dela me fez de empregada, me arrumou um emprego em período integral, até aí tudo bem, mas ela não lavava um prato e nem trabalhava legalmente, só fumava e não fazia nada o dia inteiro. Um dia ela me fez pagar todas as contas dizendo que estava em dívida e depois me chutou. Então eu, na pobreza, desolada, encontro, em uma padaria aonde eu clamava por emprego, após ter sido demitida do outro lugar por ter sido vista dormindo na rua, uma mulher que disse que tomaria conta de mim e arranjaria algo que poderia ser considerado um emprego. Não fazia ideia do que ela se referia com isso, parecia confiável, mas não sou assim tão fácil de se confiar. Ela explicou tudo de maneira razoável e eu fui, não tinha muitas opções e sabia que precisava ser salva. Ainda assim, só me conformei quando vi a casa, as pessoas e tudo que acontece aqui.
- Já é um meio caminho para a superação. – disse sorrindo. – digo, vir aqui se desculpar, está entrando no clima. Querendo mudar.
- Sim. Espero muito que esse lugar não seja nenhuma furada.
- Você não acredita realmente nisso... – diz Ayla, afirmando em um tom de pergunta.
- Não, eu não acredito. – diz Alexa sorrindo. Era a primeira vez que a garota a via fazê-lo. – Olha essa energia toda!
- Eu sei bem do que você está falando. – responde Ayla contagiada pela felicidade repentina da outra.
Elas continuam apenas observando a natureza até Ayla se lembrar de suas tarefas cotidianas e começar a colocar a mão na massa.

Capítulo 4- Conhecendo o Alegre
A primeira tarefa é no celeiro. Se havia um celeiro, haveria cavalos lá, Ayla nunca havia cavalgado. Portanto, ainda achava-os majestosos e seria uma realização algum dia poder.
Sua tarefa era carpir o celeiro, tirando as palhas velhas e trocando-as por novas. Não parecia tão difícil e realmente não era, mas era deveras cansativo, ainda mais sobre o pensamento de que ainda teria diversas outras coisas pela frente.
Apenas Ayla habitava o celeiro no momento, então estranhou quando ouviu um barulho. Quando ao longe vê um cavalo se assusta. Não tinha experiência nenhuma com eles. Se ele fosse atacá-la qual seria melhor opção de defesa? Ayla pensou melhor e respirou fundo. O animal não parecia que iria atacá-la, muito pelo contrário, a encarava com um olhar até muito soturno. Ayla arriscou e foi chegando perto. Pegando um pouco de palha em um bloco pelo caminho e foi diminuindo o passo enquanto chegava mais perto. Com a proximidade Ayla foi tentar acariciar o cavalo, que de início relutou, mas depois se deixou levar.
- Parece que conheceu Alegre! – escutou uma voz masculina vindo de algum lugar atrás dela.
Ela se vira e encontra um homem de meia-idade com um chapéu-caubói, camiseta de flanela e botas.
- Sim. – responde ela. – ele é adorável.
- A maioria gosta dele. Ele fica bastante no celeiro, gosta bastante de comer. Mas é um bom cavalo.
- Anotado. Se der eu der comida para ele então talvez consiga mais credibilidade com ele. – diz em tom brincalhão.
- Então lá vai mais um dica, cavalos comem palha, mas o alegre adora maçãs em específico, então se conseguir umas ele com certeza vai querê-las.
- Obrigada pela dica! Será que um dia eu posso montar nele?
Ele ponderou por alguns instantes.
- Não costumamos prender nossos animais, à rédeas ou qualquer coisa que possa o machucar, então você estaria se colocando em risco se quisesse montá-lo, pois não teria qualquer controle. Se você quiser mesmo isso, tem que saber dos perigos, e antes de mesmo tentar é melhor ter uma conexão com o cavalo antes.
Ayla ficou um pouco relutante e decidiu que esperaria um pouco para montá-lo, provavelmente até se tornarem amigos.
- Certo. Vou dar o meu melhor para isso acontecer o quanto antes.
- Qual a sua tarefa de agora? – perguntou o homem.
- Já estou terminada com o celeiro, agora estou indo para as plantações.
- Gostaria de trocar comigo? Assim você conseguirá mais intimidade com o Alegre.
- Qual a sua tarefa?
- Alimentá-lo, levá-lo ao estábulo, escová-lo e depois soltá-lo.
- Seria uma ótimo. Obrigada, o senhor é muito gentil!
Ele só sorriu e me deu uma breve explicação de como realizar as tarefas com êxito.
Após ter escutado às instruções atentamente, Ayla se dirige ao estábulo e o alimenta ao mesmo tempo, já que o cavalo se recusava a ir por boa vontade a garota ia deixando uma trilha de feno até o estábulo. Quando chegaram lá, ela foi escovar o seu pelo, um tanto quanto sedoso para um cavalo.
Lá ela encontrou um velhinho que sorria ao conversar com o seu cavalo. Era um cavalo pequeno e marrom, ele e o seu dono pareciam amigos de longa data já que o cavalo parecia ser bem velho também.
Ele não parecia notar a menina ali, ela não estava falando nada então não o culpava por isso.
A garota acorda de seus devaneios quando seu cavalo relincha, parecendo relutar ao penteado à pelagem acobreada pela primeira vez desde que chegaram.
- Calma garoto... – disse Ayla tentando, relutantemente encostar no cavalo, que após um pequeno movimento brusco do mesmo desistiu.
Ao decorrer da situação que o velhinho pareceu notá-la ali.
- Não, não, não. – diz ele exigente.
Ayla se vira de súbito.
- Não é assim que você se comunica com um cavalo.
- Então como é?
- Você não pode sentir medo dele, não me diga que está com medo do alegre?
- Um pouco talvez.
- Não tenha. Venha cá. – disse ele a conduzindo para frente do cavalo. – agora faça contato visual.
A garota obedeceu, sentia uma conexão com o cavalo e agora estava menos relutante.
- Bom. Bom. Bom. – elogiou o velhinho, claramente feliz por ter ensinado algo.
Após segundos disso, ele diz:
- Agora você pode tentar tocá-lo, se ele relutar um pouco, não se preocupe. Se relutar muito, comece do zero. Até mais e que Deus esteja convosco!
- Certo. – ela não sabia muito bem o que responder, jamais havia sido abordada daquela forma, então repetiu o que o velhinho havia lhe dito:
- Até mais e Deus esteja convosco! – diz ela sincera enquanto o velhinho se retira.
Desvia o olhar do velhinho, para se dirigir ao cavalo, este ainda a olhava atentamente. Ora, talvez conseguir uma conexão com este seria mais fácil do que pensara. Ou era o que a menina achava, já que ao colocar a mão em seu chanfro, o cavalo bufou.
“Sem medo”, mentalizou a garota. Ela insistiu, sem hesitação e logo o seu futuro amigo cedeu.
- Bom Alegre! Logo logo seremos eu e você, correndo por esses campos. –diz Ayla com uma felicidade genuína.
A garota mentalizou a sensação, com o vento batendo em seu rosto e a sensação de liberdade se reafirmando. Mal podia esperar para quando chegasse a hora, iria se esforçar para que acontecesse o quanto antes.
- Está na hora de te soltar, mas não pense que não iremos nos esbarrar por aí! – O cavalo relincha, como se dando uma resposta. Talvez tenha sido “claro, mas volte com umas maçãs da próxima vez.”. Ao pensar isso e se ver sorrindo, Ayla chegou à conclusão de que havia perdido a sanidade, ou recuperado seu bem-estar. Tudo da melhor maneira possível.
Após abrir as portas do estábulo, deixando Alegre sair. Ela tira de seu bolso a lista de Alegria. A próxima tarefa era na cozinha.

Capítulo 5- Conhecendo os moradores da casa
Havia terminado as tarefas com o Alegre um pouco mais cedo. O que deixaria um tempo para a garota se limpar antes de começar os afazeres na cozinha. Com certeza o chefe se zangaria se a mesma fosse lá do jeito em que estava agora.
Ela volta para o interior do casarão e se dirige para o banheiro para se limpar da melhor maneira possível. Ao sair se deparou com a senhora que ela havia encontrado pela manhã, Ayla a avistou e sorriu para a mesma. A senhora prontamente disse:
- Olá minha querida! Vejo que é um rostinho novo por aqui. – diz cumprimentando sorridente.
- Oi! Vi os botões hoje, são mesmo lindos.
- Ora! Você nem precisou de mim para alarmá-la sobre a existência deles. Eu falo deles para todos, e é bom ver alguém que também os aprecia.
Ayla só fica olhando para a senhora sem entender muito, bem após fazer um balanço sutil com a cabeça e se despedir. A senhora havia sim alarmado Ayla sobre os botões e agora ela agia como se nunca a houvesse visto. Talvez apenas tivesse uma memória fraca. Mas esse pensamento não cessou a preocupação de Ayla, esta iria se informar melhor depois. Talvez conseguisse algo na cozinha.
Ao chegar lá teve pouca conversa e muito trabalho, não foi necessário perguntar, foi ela chegar na cozinha que um peixe foi dado à ela, seu trabalho era limpá-lo e fatiá-lo. Enquanto o fazia recebia várias broncas do chefe. Ele era bem exigente. Após terminado o processo uma garota que também estava na cozinha a chamou para conversar.
- Oi. – se lembrou prontamente da garota após apenas suas palavras serem ditas, era uma das irmãs estrangeiras. – não se ofenda, o chefe pode ser rigoroso, mas você vai aprender rápido. –Ayla não estava realmente ofendida, o chefe em comparação às antigas pessoas de sua vida era um doce.
- Está tudo bem. Obrigada. Não é com ele que me preocupo. – diz aproveitando a oportunidade para perguntar sobre a senhora. – está tudo bem com a senhora dos brotos?
O olhar da garota se entristeceu.
- Ela tem uma doença que a faz esquecer das coisas. Mas Deus está com ela e eu sei que ela está feliz e vai continuar assim e é tudo o que importa. Nós temos fé e sempre estaremos aqui por ela.
Ayla se entristeceu junto, mas sabia que a senhora ficaria bem de algum jeito.
A outra garota se recompôs, respirou fundo e deu um sorriso fraco.
- Você é a Ayla, certo? – pergunta mudando de assunto.
- Sim.
- A Nature estava ansiosa com a nova aprendiz, ficou bem triste que você não foi para as plantações hoje.
- Eu também estava empolgada com as plantações, mas um senhor no celeiro me cedeu o trabalho dele para eu conseguir passar mais tempo com um cavalo, o Alegre.
- Ah sim! O Alegre é um cavalo muito bom, um dos mais brincalhões, mas dos mais difíceis de cuidar, ele costuma gostar de correr por aí!
Ayla apenas respondeu com um sorriso.
- De qualquer forma eu acho melhor eu ir me explicar com a Nature. Apesar de que provavelmente o homem no celeiro já deve ter avisado algo para ela, se ela estava me esperando e ele apareceu no meu lugar, talvez ela nem tenha percebido, de qualquer maneira acho melhor fazer isso por mim mesma, sabe?
- Ok. Eu acho que ela está no jardim, pelo menos foi por lá que eu a vi pela última vez.
- Obrigada... Qual seu nome?
- Sou Martha. Se houver qualquer dificuldade, saiba que sou uma ótima ouvinte e se tiver problemas com suas tarefas ou com o local em si que eu também posso te ajudar!
- Certo. Obrigada de novo Martha! – disse se despedindo.
Ayla achava que cada vez mais a energia do local atingia e que como uma ótima consequência estava se tornando como aquelas pessoas eram.
Caminha em direção ao jardim à procura de Nature.
A garota carregava com muita dificuldade um balde de terra, era a única lá presente, então muito provavelmente era Nature, Ayla desconfiava que esse era o seu “novo nome” apesar da garota aparentar ser bem nova.
- Nature? – Ayla pergunta.
A garota levantar o olhar e estreita os olhos:
- Ora, ora vejamos que é alguém que eu nunca vi na minha vida. Você é a Ayla, certo?
- Sim. Eu queria me desculpar por não aparecer, mas eu tenho uma boa desculpa.
- Um minuto, eu só tenho que tentar levar esse balde de terra, que ninguém, veio me ajudar a levar. – diz ela olhando para trás com uma careta.
 O garoto que estava um pouco mais atrás cuidando de umas Begônias, prontamente se levanta e vem correndo desengonçadamente para ajudar Nature.
- Agora não precisa mais, mais eu aprecio a força de vontade.
Ele apenas a ajudou a colocar o balde no chão.
- Oi Ayla! Eu tinha planejado uma super apresentação das flores e da natureza e hoje você aprenderia os bens da natureza do seu primeiro dia de tarefas, mas tudo bem. E eu aprecio você ter vindo aqui no seu tempo livre para vir se desculpar. Mas já que você está aqui e não compareceu às plantações hoje, nada mais justo do que uma forcinha aqui no jardim, certo?
- Hm... – Ayla fez uma careta de leve forçada. – claro! – respondeu com um sorriso. Sua próxima tarefa ainda seria daqui um tempo e ficar lá seria adorável. O cheiro de rosas se espalhava pelo local, um misto de diversos tipos, que formavam uma aroma maravilhoso. Reforçando toda a magnitude do local.
Nature sorriu, satisfeita com a nova ajudante e aprendiz. Ela apontou para o balde de terra.
- Aqui tem terra fresca. Esse tipo de flor. – disse ela apontando para outro lugar. – não é aconselhável regá-la, então em vez disso, colocamos lama em volta dela.
Ayla só balança a cabeça, esperando sua próxima tarefa.
- Hora de sujar as mãos!
Cada um dos três lá presentes pegou uma pouco de lama fresca gelada, Ayla apenas copiava o que os outros dois faziam.
O trabalho já estava quase terminado quando Ayla perguntou a hora para se direcionar até a o casarão para se encontrar com Alegria. Esta dissera que ensinaria a coisa mais importante que Ayla poderia aprender o que havia deixado a garota curiosa e pensativa. “O que é a coisa mais importante que alguém pode se aprender”? Por ora, a garota desistiu de pensar sobre isso, já nada que fosse suficientemente convincente à vinha a cabeça.
Quando Nature lhe informa que já são quase 12:00. Ayla diz que precisa ir, e que havia apreciado muito o tempo em que havia cuidado das plantas.
Chega na parte cimentada do casarão e lava os pés e as mãos antes de entrar pela cozinha, para não sujar a casa sem querer e tomar uma bronca enorme do chefe.
Ayla espera Dona Alegria na sala por alguns minutos, não conseguindo conter a curiosidade. Logo ela chega e diz:
- Ayla. Hoje você vai aprender algo muito importante. A dádiva da oração. – diz Alegria sem rodeios.
Ayla, nunca soubera como orar, nunca fora ensinada e sentia que Dona Alegria sabia disso, era uma honra aprender e Ayla não via a hora.
- Venha comigo. Vamos sair para um passeio!
Caminharam pela entrada dos fundos a fora, a brisa quente do meio dia as atingiu em cheio, junto com cheiro da vegetação, o céu estava lindo, extremamente azul e com o sol radiante acima de suas cabeças.
Dona Alegria pergunta:
- O que você vê?
Ayla estranha a pergunta.
- Como assim?
- O que você vê? – Dona Alegria repete a pergunta com uma voz firme.
- Hum... – diz Ayla ganhando tempo para pensar e olhar em volta. Avistou duas pessoas felizes sentada na grama, rindo uma para outra, avistou a senhora dos brotos, olhando para eles alegremente e aquilo lhe aqueceu o coração, lhe deixando extremamente feliz, com os mínimos detalhes lhe mostrando que cada coisa importava sim. Sem contar com toda aquela beleza natural que habitava no local.
Ayla contou tudo o que viu e pensou para Dona Alegria.
- Eu gosto do modo que vê as coisas, menina. Venha.
Ayla continua caminhando até que se abaixa em uma pequena flor.
- O que acha disso?
- É muito bonita.
- Cresceu aqui no meio do campo. Como você acha que cresceu?
Para Ayla Dona Alegria estava meio estranha cheia de perguntas que deixavam a garota confusa.
- Da maneira usual como plantas crescem?
- Sim. Mas como?
- Me desculpe, mas não prestava tanta atenção assim nas aulas de biologia.
- Elas absorvem a água e os nutrientes pelas raízes vão do caule às folhas, ficam com os nutrientes que precisam e o resto da água liberam pelas folhas. É um processo muito mais longo que isso e eu ficaria meses tentando te explicar tudo. Mas o que eu quero dizer é que é na natureza, tudo é muito certo. Quem você acha que fez tudo isso?
- Deus. – responde a menina. Sabia que era.
- Sim. Falar com Deus, é algo muito importante, escutá-lo também. É um dom, porém que pode ser aprendido.  É o motivo de eu ter lhe trazido aqui, vou ensiná-la, se você quiser é claro. Para isso você precisará abrir muito sua mente, e principalmente, o coração.
Ayla balança a cabeça em afirmação, queria sim, seria uma honra.
- Bom, em algumas noites especiais nós nos reunimos do lado de fora para fazermos orações. Lá nós oferecemos agradecimentos, superações e metas. Gostamos de ouvir os recém-chegados, alguns são muitos sábios, porém ainda precisam de uma ajudinha para conseguir com que essa sabedoria floresça. Gostaria que já pensasse nessas três coisas. Pode vir falar comigo, se não chegar a uma decisão, mas pense bem.
- Ok. E o que mais faremos nesse lugar? – pergunta Ayla empolgada com toda nova informação.
- Bom, isso você vai descobrir lá. Ainda precisa aprender a como orar à noite ou nas horas oportunas. É simples, abra o seu coração, escute lá dentro. O que você precisa melhorar, o que você precisa pedir, para viver melhor, de maneira mais altruísta, com mais paz, menos rancor. Seus incômodos, agradecimentos, tudo. Converse com Deus, com ao anjos, santos. Temos o anjo Gabriel, Miguel. Com os santos temos Paulo, Pedro, Maria. Você pode conseguir mais informações com todos daqui e com certeza você vai conseguir mais informações com sigo mesma.
Dona Alegria mostrou algumas orações, mais utilizadas para Ayla como um complemento e depois, ao som do sino a convidou para irem jantar.
Ao chegar à mesa, Ayla reconhece a oração, é a mesma que Dona Alegria havia acabado de ensiná-la. Ainda não sabia como rezá-la inteira, mas completava com algumas palavras timidamente.
E então, após soltarem as mãos a refeição começou.
Ayla pegou a primeira colher para se servir, colocou a sopa no prato, com o cheiro maravilhoso daquele alimento abençoado lhe preenchendo as narinas. “Obrigada Senhor, pelo alimento bom e honesto”.  Não era sempre que comia aquele tipo de sopa antes e comer sem se sentir culpada era algo muito bom.
O sabor estava igualmente extraordinário, já havia passado um tempo naquela cozinha e sabia o quanto a comida era feita com amor e esforço.
Alguém a oferecia um copo d´água enquanto Ayla bebia a sopa. Não sabia ainda muito bem reconhecer todos, ainda iria.
- Obrigada...como eu te chamo? – pergunta Ayla, na esperança de uma nova amizade.
- De nada, eu sou o Rick e você é a Arla, não é? – perguntou o garotinho ruivo com um sorriso largo.
- Na verdade é... – Ayla foi interrompida por uma risadinha inocente.
- Eu sei que é Ayla, Marine já me corrigiu muito essa manhã enquanto estávamos falando de você.
- Ah é? E o que estavam falando de mim? – perguntou garota forçando um olhar assustador de brincadeira.
- A gente só estava comentado que era legal chegar gente nova! É verdade! – afirmou o garotinho fazendo um maior número de afirmações com a cabeça do que se era realmente necessário.
- Eu sei, só estou brincando. Então quem é a Marine?
- Ela não está aqui. – disse o garoto com uma cara suspeita e prendendo o riso.
- Então aonde ela está? – perguntou Ayla, estreitando os olhos.
O garoto espremeu os lábios e fez um zíper, como quem não se conta as coisas. Ayla abriu o zíper imaginário.
- Eu até posso te contar mas Marine ficaria brava.
- Ok. Então você é um amigo fiel.
- Sim... olha me desculpe, mas a Marine ficaria muito brava comigo se eu te contasse que ela escorregou na lam... – o garotinho cobriu a boca na hora e encarou Ayla com os olhos arregalados.
- Ops. – diz Ayla. – mas está tudo bem, o segredo de Marine está a salvo comigo.
- É sério? – perguntou ele suplicante.
- Sim. – disse Ayla fechando a boca com um zíper. O garoto imitou o gesto e abriu um sorriso imenso.
- Nossa a Marine ficaria tão brava se descobrisse que eu te contei que ela... – Ayla o interrompeu com um “shh”.
O ele cobriu a boca de novo e bateu na testa.
- Acho que é melhor você evitar tocar assunto, se quiser que o segredo se mantenha a salvo.
- Acho melhor eu ficar quieto o tempo todo! – diz ele como se acabasse de ter uma ideia genial.
- Eu não acho que seja a melhor decisão.
- É. Eu também não. Seria muito chato.
- Seria. E assim, você não poderia me contar todas as traquinagens e aventuras que você e a Marine passam por.
Ele deu um risinho.
- Isso tudo é confidencial.
Ayla riu junto. Sabia o quanto seria não confidencial. Gostava da sensação de estar conhecendo melhor as pessoas do ambiente e se apegando a cada uma delas. As faces já iam ficando mais reconhecíveis e as coisas iam se apascentando.
Ayla termina sua refeição. Já satisfeita, ela espera os outros terminarem de comer e se junta à eles em uma oração comunitária em agradecimento por todo o alimento recebido.
Havia sido uma ceia muito satisfatória e feliz para todos. Devido a intensa atividade diária, Ayla já estava muito cansada e esperava ansiosamente na fila do banheiro para depois adormecer. Sua vez logo chega e ela toma seu banho o mais rápido possível para quem passou o dia cuidando de cavalos e mexendo com plantações.
Ayla se dirige para o quarto após o banho e ao chegar lá, se pergunta aonde deve colocar os seus utensílios de banho. Avista uma garota arrumando sua cama e resolve questioná-la sobre isso.
- Oi. – diz um pouco hesitante. – você saberia me dizer aonde eu poderia colocar a minha toalha e o resto destes utensílios de banho?
- Bom, eu não a encarregada pelos novatos, então você deveria perguntar a outra pessoa. – diz um tanto quanto grosseira.
Ao ver a situação, Nature logo se apressa para vir ajudar e dar um sermão na outra garota.
- Letice, você sabe que não é assim que tratamos as pessoas aqui e que esse seu comportamento é totalmente contrário à tudo que viemos lhe ensinando.
Letice abaixou os olhos como se envergonhada.
Nature pigarreou.
- Me desculpe, pela maneira com que te tratei. – disse ela olhando para Ayla e dando um sorriso amarelo, parecia estar envergonhada pelo comportamento.
Nature sorriu para ela e fez um sinal afirmativo com a cabeça, como se aprovando a sua atitude, ela abriu uma gaveta e chegou algumas coisas para o lado para que Ayla pudesse colocar seus utensílios de banho.
Enquanto ela arrumava a sua cama Nature convida a todos para mais uma oração comunitária, esta oração a garota ainda não conhecia, então se manteve em silêncio escutando atentamente às palavras e buscando interpretar e absorver o que estava sendo dito.
Ao terminar, todos se dão boa noite e dirigem para suas respectivas camas. Ayla, apesar do sono, repensa todo o seu dia, os inúmeros acontecimentos abençoados e pessoas incríveis que havia conhecido. Ela sorri verdadeiramente, agradece por tudo e pede para que fique bastante tempo com eles e que um dia esteja tão envolta em paz como eles, pediu por sabedoria nas decisões e que o mal jamais chegasse a ela. Apesar desse último pedido acontecer, ela não imaginava que aconteceria tão cedo, mas já não estava mais tão aterrorizada com a mãe encontrar-lhe, se sentia protegida. Realizou a oração ensinada, em sua maneira, já que de algumas palavras Ayla, não se recordava e após o feito, dormiu em paz.
Não sonhou com nada, o dia cansativo lhe ocasionara um sono pesado que lhe fora interrompido com o soar de um sino. Era o café da manhã.

Capítulo 6- O segundo dia.
Ayla desperta atordoada, mas logo reconhece o ambiente onde está e se acalma, estranha o fato de ninguém acordá-la antes, mas logo apressa em se levantar e ir logo para o banheiro, para não se atrasar para o café.
Ela toma o café da manhã e enquanto faz isso, checa suas atividades diárias e vê que são nas plantações com Nature, Ayla achou legal, já que, no dia anterior a outra garota parecera triste por Ayla não ter comparecido. Nature parecia uma guia dos novatos adolescentes e claramente se mostrava deveras empolgada em ensiná-los sobre as plantas
Após o término do café, Ayla checa mais uma vez a lista de tarefas e vai caminhando para a parte de trás da casa, desde que teria um tempo de descanso. Mas, no caminho para lá, é interrompida por Nature.
- Ayla.
Esta, dirige o olhar para trás e acena.
- Não está esquecendo de nada?
- Se você está perguntando, então sim? – perguntou Ayla, ainda incerta.
- Sim, você está. Ainda não arrumou a sua cama.
- Certo, me desculpe, eu me esqueci na pressa para tomar o café.
Nature deu um risinho.
- O que foi? – Ayla pergunta com a confusão estampada na face.
 - Você é difícil de acordar! – diz Nature animada, segurando um sorriso. – é sério, você não acordava por nada, achei que fosse perder o café e a minha apresentação não aconteceria mais, acharia que seria um sinal que não era para acontecer e não insistiria, então que bom que acordou e saiba que manter o casarão organizado é tarefa de todos, então todas as manhãs, organizar o banheiro após o banho e arrumar as camas é uma tarefa necessária e que não está na lista.
- Sim capitã. – diz Ayla fazendo posição de sentido.
- Olha só, ela é toda engraçadinha.
- Acho que estou me acostumando demais.
- Certo, então chega de corpo mole, daqui a pouco a gente vai ficar com a natureza, segure a emoção.
Ayla vai para o quarto e arruma a cama, lá no quarto as pessoas conversam animadas, percebe que tem muito pouca intimidade com elas, o que era natural, já que seu primeiro dia oficial lá, havia sido o anterior.
Alguns tinham laços fortes, como a Nature na noite passada com a outra garota, um laço materno se mostrou estabelecido, a autoridade Nature em relação a Letice. Ayla se achou um pouco desamparada e avistou Alexa sozinha também, perto de sua cama, era incrível o que aquela experiência podia fazer, o semblante de Alexa era diferente, mas feliz, mais aberto, ela não estava sorrindo o tempo inteiro ou algo do tipo, é apenas algo que é notado, perceptível com um pouco atenção.
- Oi Alexa.
- Ayla. – cumprimentou ela com um sorriso.
- E aí, o que vai fazer hoje?
- Bom, Alegria tá pegando meio leve comigo, ela disse que estava manhã eu vou ficar apenas na cozinha, mas parece que eu tenho jeito para a coisa.
- O chefe está bem com alguém fixo na cozinha?
- Ele diz que gosta de ter mais gente experiente lá.
- Uau, parabéns por já ter encontrado seu hobby, - diz Ayla contente pela amiga, algo que Ayla já considerava Alexa.
- E você, tá fazendo o que?
- Hoje é o dia da apresentação de Nature.
- Ah sim... acho melhor eu não contar nada.
- Sim, tenho quase certeza de que ela não vai querer que qualquer surpresa seja estragada.
- É com certeza.
As duas ficam em silêncio por alguns segundos antes de Alexa dizer que precisa ir para a cozinha.
Ayla se volta para o plano original de ir para o lado de trás da casa após o café, para tomar um pouco de sol, observar a vista, este tipo de coisa.
Chegando lá ela se senta na grama fresca, o sol já nasceu, o céu está maravilhoso e uma brisa fresca passa por ela.
Enquanto assisti o local e tudo que há de vivo naquele ambiente, avista a senhora dos brotos, e resolve se aproximar.
- Oi!
- Oi menina, venha cá, você precisa ver os meus brotos. – diz a senhora conduzindo Ayla até os tão falados brotos.
- Olhe! – diz a senhora abrindo os braços maravilhada ao mostra-los.
- Realmente são lindos.
- Você sabe, na minha época de menina eu plantava muito e sempre gostei muito da natureza, eu tinha um jardim, ele era bem pequeno, mas eu sempre fiz questão de que houvessem brotos de camélias nele. Quando vim para cá, eu pedi um espaço para a Alegria e ela me concedeu e agora posso ter minhas lindas flores, aqui, neste lar.
- Isso é ótimo! Suas flores vão deixar todo o ambiente ainda mais lindo e alegre.
- Você acha? – perguntou ela contente.
- Acho. Foi muito bom ver a senhora. Como eu te chamo?
- Eu gosto do meu nome e optei por não mudá-lo, me chamo Clara.
- É um nome muito bonito, sou a Ayla. – diz estendendo a mão.
A senhora aperta a mão de Ayla e sorri para ela.
- É muito bom ver novos rostinhos por aqui. Significa que mais gente está em busca da salvação! – exclama Clara, unindo as mãos em sinal de oração.
- E é muito bom estar aqui. De qualquer forma eu preciso encontrar Nature agora, para realizar uma tarefa.
- Nature? – ela pensa um pouco. – não me recordo muito bem.
Esta afirmação fez Ayla pensar na doença de Dona Clara, a deixando um pouco triste. De qualquer forma precisaria ir.
- Tchau senhora Clara. Até mais!
- Até mais, minha filha. – Ayla suspeitava de que ela não se lembrava de seu nome.
Ayla vai até o lugar aonde sua primeira tarefa seria realizada. A tarefa de fertilizar as plantações ainda não havia sido completa no dia anterior, então eles basicamente fariam a mesma coisa, para a felicidade de Nature.
Ayla caminha até o local, admirando todo o verde que encontrava pelo caminho, toda aquela beleza era estonteante.
Quando chega no pomar, não avista Nature.
Então apenas se senta embaixo de uma árvore por alguns minutos. Ela fica lá distraída observando tudo e imaginando o que faria no dia. Quando avista Nature chegando e quando ela vê Ayla, ela congela e arregala os olhos.
- Se levante. – ela diz quase sussurrando em desespero. – com cuidado.
Ayla obedece achando que provavelmente teria uma cobra venenosa atrás dela que após qualquer movimento brusco iria picá-la e a garota morreria envenenada.
- Você sentou em cima dos pés de hortelã!
Ayla olha para trás.
- Me desculpe...
Nature corre em direção à eles.
- Alguns foram amassados, mas outros estão bem. Você é um perigo aqui. Só vem aqui comigo, se eu ainda não tiver chegado por favor distância mínima de 10 metros.
Nature balança a cabeça para os lados com a mão na testa.
Ayla se sentia culpada, mas para ela aquilo lá sem dúvida alguma era mato, então ela com certeza culpava sua ignorância. Resolveu nem comentar a sua confusão de hortelã com mato para Nature.
- Você ainda tem muito a aprender. Hoje, iríamos ter uma conversa profunda, mas primeiro, eu preciso de mostrar o básico para você não sair pisando.
Ai.
- Certo.
Após uma breve apresentação- das plantas e do que era mato e do que não era, Nature e Ayla foram pegar os baldes de fertilizantes, deixaram eles próximos ao pomar e Nature disse que precisaria ir buscar algumas plantas na floresta, levando Ayla com ela.

Capítulo 7- Nature explica a natureza
Chegando lá seu rosto se iluminou, ela já parecia não estar mais brava com Ayla por conta das hortelãs.
- Aqui é onde tem a natureza viva, que nasce desenfreada, aonde o homem não tem tanto “lugar”. É um mistério, é como o coração de algum lugar. Vamos! – diz ela entrando mais a fundo na floresta.
Inspirada Nature começa:
 - Cultivar o apreço pela natureza é aprofundar a nossa própria vida espiritual, aproximarmo-nos mais da criação, ver a nossa própria responsabilidade moral por ela, segundo a forma como tratamos cada hastezinha de erva. Viver em harmonia com a natureza significa estarmos nós próprios mais vivos. - ela faz uma pausa e suspira. - A nossa sincronia com a natureza é demonstrada pelo efeito emocional que essa exerce sobre nós. Quando está escuro, podemos tornar-nos mais taciturnos. Quando a neblina paira sobre as montanhas que nos cercam, quando o nevoeiro nos envolve, também nós nos tornamos mais reflexivos. Quando o sol aquece as pedras, cada nervo cobra vida dentro de nós. Cada mudança da natureza é esta a nos chamar a entrar mais a fundo nos ritmos da vida. É vendo-nos como parte da natureza, e não exteriores a ela, que sincronizamos a alma com os ensinamentos da natureza.
Não podemos controlar a natureza, é ela que nos controla. O único problema é que um mundo moderno e laborioso leva várias gerações a compreendê-lo. Quando destruímos a natureza sem ter em conta as consequências daquilo que estamos fazendo ao futuro, a natureza tem sempre a última palavra. Basta olhar para aquilo que estamos a fazer à Terra, para saber que mudanças precisamos de introduzir na nossa própria vida, se quisermos ser verdadeiros buscadores de Deus.
Caminhando através da natureza, vamos de mãos dadas com Deus, que lhe deu a vida. A única questão é: dar-lhe-emos vida ou morte? (RETIRADO DO CENTRO LOYOLA)
Era claramente uma pergunta retórica, mas Ayla gritava vida em seu interior.
A garota se sentia mais sábia após ouvir Nature, apesar da pouca idade ela sabia muito, sobre o que realmente importa como a fé, espiritualidade e a conexão com a natureza.
Ela recolheu o que era necessário e mais alguns fertilizantes foliares líquidos, como Nature os chamava
Elas voltaram para os pomares e começaram a fertilizar as plantas, Nature explicava cada coisa que auxiliaria as plantas a crescerem e se mostrava totalmente contra qualquer fertilizante artificial.
O trabalho foi longo e um pouco cansativo, mas deveras purificante.
Quando terminaram Ayla percebeu o quanto era desatenta com os bens da natureza e o quanto precisaria de se elevar neste quesito.
Ayla se despediu de Nature:
- Tchau! Me desculpe pelas hortelãs, agora eu consigo ver com mais clareza porque eu com certeza cometi um erro terrível ao sentar nelas, e eu estou muito arrependida, agora pelo fato de você ter me ajudado a suprimir esta ignorância passada, eu posso me locomover de maneira mais segura.
- Se for ironia, eu não achei graça, mas se for para valer, eu te admiro, de coração.
- Eu também te admiro, e só cheguei nesse tipo de conclusão por sua ajuda. – Ayla diz abrindo os braços.
Nature entende e elas se abraçam; aparentemente uma nova amiga e uma professora.
Ayla já estava atrasada para a próxima tarefa, o que já era de se esperar. Sua tarefa era limpar os celeiros. Ao chegar lá ela encontra os celeiros vazios e fica um pouco perdida, de fato encontra alguns utensílios de limpeza próxima a entrada, então começa o serviço da maneira que pode, puxando os fenos soltos para um saco de lixo, quando o saco estava quase cheio, aparece um senhor na porta.
- Você nunca fez isto, não é?
A garota balança a cabeça, a resposta era óbvia.
- Primeiro que você não deve pegar os fenos do chão. Pode deixar eles aonde estavam, o saco de lixo é para outros fins.
Ayla já conseguia imaginar que outros.
- Temos luvas de qualquer modo.
- Ok.
- As paredes também estão um pouco sujas, devido a minha idade eu estou isento de fazer trabalhos mais pesados, mais sempre gosto aparecer para ajudar, detesto ficar parado e sei que ainda consigo. – ele disse jogando uma pano para as costas enquanto pega um esfregão para ajudar Ayla.
- Obrigada o senhor é muito gentil.
- Que nada! Preciso exercitar as pernas.
O trabalho acabou por terminar bem mais rápido devido a ajuda deste senhor. Ele parecia saber bastante sobre, o celeiro e o curral em si, quando contei que estava com Nature mais cedo, ele comentou que gostava muito da garota e que ela havia o ajudado a plantar muitas coisas importantes para ele.
Apesar da agilidade com que o trabalho foi efetuado, não sobrou muito tempo para Ayla perambular por aí, a apresentação de Nature havia demorado. A próxima tarefa era nas lavadeiras, no caminho de lá se recordou das frutas que havia apanhado no pomar e colocado nos bolsos. Quando chegou lá, estavam Letice e um outro garoto, o da janela no primeiro dia. Ayla estava comendo amoras pertos das roupas.
E Letice se fortificou em mantê-la longe delas, enquanto comia as frutas, acabou não comendo todas e enquanto recebia as instruções de como lavar as roupas de maneira econômica e eficiente, reparou que Letice estava um pouco hesitante.
Enquanto eles lavavam Letice chamou Ayla.
- Oi?
- É...me desculpe por ter me comportado de maneira grosseira com você naquele dia, não estava tendo um dia bom, por conta de coisas fora da daqui. E eu descontei em você, o que não foi nem um pouco justo.
- Ok, eu consigo ver que você realmente se arrependeu.
- Eu recebi uma carta da minha mãe, ela queria que eu voltasse para minha cidade natal, eu estava estressada, se eu voltasse não poderia mais passar tempo aqui. E eu não quero ter que escolher entre ficar com minha mãe e este local, mas eu tenho e eu escolhi aqui por ora. Talvez um dia, eu volte para morar com ela, mas por enquanto, ficar aqui é essencial para mim.
Ayla somente fez um sinal de afirmação com a cabeça, não sabia realmente o que dizer, era bom que a garota confiasse nela a ponto de expor sua vida assim.
- Eu estava estressada, ainda estou um pouco, recebi uma carta de minha mãe, ela está me convidando para ir para minha cidade natal, mas isto inclui desistir deste local, não sei o que fazer.
- Tenho certeza que uma hora, você saberá exatamente o que fazer. Não se sinta tão pressionada, fazer o que te faz feliz não é ser egoísta se for uma coisa boa. – esse conselho veio do coração de Ayla, por que ela mesma teve que chegar a essa conclusão para poder sair de sua antiga vida.
- Achei que você merecia uma explicação depois de ter sido tratada tão mal. E Obrigada.
Elas continuaram o trabalho em silêncio com um ar ainda mais leve pairando no local.
Eles terminaram serviço a tempo do sino do almoço tocar, com eles se direcionado juntos para comer. Se sentou novamente ao lado de Rick, desta vez ao lado dele estava Marine.
- Oi Rick!
- Oi Ayla! – disse ele sorrindo com os dentes sujos de alguma coisa.
- Estava comendo antes do almoço?
- A Alexa fez uma torta e deixou a gente pegar um pedaço. – comentou Marine.
- É. Ela é muito legal.
Ayla sorriu para eles, haviam sido abençoados por encontrarem este lugar tão cedo em suas vidas e rezaria para que ninguém os tirasse dele.
As pessoas foram chegando e quando Alegria se certificou que todas estavam reunidas, a oração se iniciou.
Logo após o término dela, a ceia começou, todos estavam felizes passando colheres e sucos para todos os lados. Ayla fez sua prece silenciosa antes de comer “obrigada senhor, por esta comida e principalmente por toda esta oportunidade, eu estou muito feliz, o tanto que posso apenas descrever pelo estado de espírito. É uma constância, sinto minha consciência mais limpa, junto com a pureza”.
Então começou a se alimentar. No final da refeição pensou em dividir as frutas que havia pegado, deu um pouco para Marine e Rick e outras para quem passava perto dela.
A garotinha escocesa pediu uma amora, portanto as frutas tinham acabado e Ayla queria que ela tivesse a oportunidade de comer as frutas, assim como os outros. Estavam deliciosas e frescas, e Ayla decidiu que nesse tempo de descanso pós almoço, ela iria na floresta buscar mais frutas para ela.
Ayla achou que se lembrava do caminho e que não iria precisar da ajuda de Nature, pelo menos foi o que ela pensou.
Ao adentrar mais na floresta começou a achar os lugares desconhecidos e quando notou estava perdida, não conseguiu achar a árvore frutífera e nem a saída da floresta. Uma hora se cansou, se sentou ao recosto de uma árvore e olhou para cima, para o céu, tudo que enxergava era ele, as trepadeira e a copa das árvores. Se subisse em uma delas, talvez encontrasse a saída, portanto havia andado demais, não tinha energia para isso e as árvores altas não davam para escalar, as outras que davam eram baixas e provavelmente não facilitariam a visão, basicamente seria um desperdício de energia. A garota não sabia exatamente quanto tempo havia se passado naquela floresta, sabia que os minutos demoravam mais, por que ela os contava silenciosamente e após voltas e mais voltas, começou a rezar. Pediu ajuda para sair da floresta, encontrar seu caminho de volta, alguns minutos depois, escutou Nature gritando:
- Ayla! Cadê você?
- Nature?
Ela pigarreou.
- O que você estava fazendo pensando que poderia adentrar a floresta sozinha?
- Achei que sabia o caminho até a árvore de amoras, mas acabei me perdendo.
- Se não fosse a Bianca, você passaria a noite aqui. Vamos!
Ayla seguiu Nature, mas antes de saírem da floresta ela pediu:
- Sem querer abusar da sua boa vontade, mas você poderia me levar até a árvore de amoras? Elas estavam tão fresquinhas, fiquei mal da garotinha escocesa não poder comê-las.
- É por aqui! – disse Nature.
Ayla a seguiu novamente e quando chegou lá encheu os bolsos com amoras, apenas para aproveitar, já que o tempo perdido havia sido muito. Demoraria muito mais nas tarefas, e se conseguisse realiza-las.
Foi correndo para a casa principal, mas não conseguiu encontrar a garotinha, cujo nome não se lembrava muito bem. De qualquer forma, iria ficar devendo as frutas e as entregaria mais tarde, agora teria que correr para terminar seus afazeres a tempo do jantar.
Correu para os cochos dos cavalos para abastecê-los, pobres cavalos, deviam estar com fome. Quando já estava com uma porção de feno jogado na costas, viu que os cochos já estavam cheios, foi quando um velhinho apareceu alguns metros atrás dela com um cavalo ao seu lado.
- Tarde demais! Esses jovens...
Era o mesmo senhor do dia anterior, aquele que havia a ajudado com Alegre.
- Eu cheguei aqui para escovar os cavalos e eu percebo que nem alimentados eles tinham sido. Qual é sua desculpa?
- Eu me perdi na floresta.
- Típico...
Ayla sabia que não tinha tempo o suficiente, mas mesmo assim se ofereceu para fazer a tarefa do senhor, de qualquer forma, ele havia feito a dela.
- Olha, me desculpe, mas eu posso escovar o resto dos cavalos.
- Que espertinha! Faltaram dois apenas. Mas vá!
Ela viu os dois cavalos no fim do celeiro e foi até eles. Um deles era um tanto quanto arisco.
Ela foi para trás de súbito e ficou se perguntando o que iria fazer. Talvez pudesse agradá-lo com feno. Ao tentar alimentar o cavalo, lembrou-se dos ensinamentos do velhinho. Contato visual, tentar tocá-lo, sem medo.
Ayla repetiu essa sequência na mente até criar coragem para tomar uma atitude. Estendeu o feno até o cavalo depois de encará-lo por um tempo. Já não sentia mais tanto medo dele, mas quando o feno estava muito próximo ele bufou e espantou o alimento com a cabeça. O cavalo não era como Alegre, mas ela lembrou do outro passo: “Se ele relutar muito recomece”.
Tentou novamente, não tinha coragem para tentar tocá-lo, então foi com o feno, de novo, não adiantou. Fez um sinal de proteção que Dona Alegria havia a ensinado “sinal da Cruz” e tentou tocá-lo desta vez, ganhando confiança, desta vez ele cedeu. A garota sorriu.
O velhinho apareceu.
- Bom trabalho! Você se lembrou das minhas instruções. Eu fiquei por perto, eu te subestimei, não achei que você fosse chegar perto do Ventania tão rápido. De qualquer jeito ainda é loucura você tentar escová-lo, eu estava apenas tentando te ensinar uma lição.
- Ok. Eu não estou muito afim de arriscar tentar tocá-lo de novo e definitivamente aprendi a lição.
- Então vá lá para sua próxima tarefa!
Ayla saiu do celeiro, quando foi checar sua lista percebeu que não havia nenhuma por enquanto era um tempo livre, a garota havia aprendido a apreciar estes, mas neste em específico não tinha nada em mente, sentava no gramado todas as vezes, dessa vez gostaria de fazer algo diferente, só não sabia o que.
Ao andar pelo espaço se lembrou do que Dona Alegria disse: que Ayla teria que pensar em um agradecimento, uma meta, um superação.
Ayla pensou em sua vida nos últimos anos e em todas as situações ruins em que tinha passado e em como tudo estava tão bom agora, essa curta reflexão a ajudou a chegar em uma resposta: O agradecimento foi pelo Senhor tê-la guiado até esse lugar; a meta é continuar nele, fazendo o bem e melhorando como pessoa; a superação é dos traumas da vida antiga e a mudança total de alguns hábitos egoístas.
Nesse meio tempo de pensamento, Ayla resolveu ir procurar algo para fazer, começar a tarefa mais cedo, desta vez, para variar.
A lista constava a limpeza da casa a qual ela se dirigiu para. Ao chegar na casa, escuta o som do sino sendo tocado. Estranha a situação, já que, achava que o sino era tocado apenas na hora das refeições. O que não era o caso do momento. Segundos após o sino ter sido tocado viu a garotinha escocesa correndo junto com Marine e Rick, apesar de todas as vezes que a Ayla a viu a garota estar correndo, resolveu segui-la, imaginando sem algo relativo ao sino ter tocado. Realmente era. Havia um número grande de pessoas reunidas do lado de fora. Entre elas Nature que conversava com alguém, Ayla se esgueira em meio às pessoas para chegar até ela para tentar entender o que estava acontecendo.

Capítulo 8- Atividade em duplas
- Por que estamos todos aqui? – pergunta Ayla;.
Nature dá um risinho, acompanhada do garoto com quem conversava.
- Essa é a melhor parte. – responde ele. – ninguém sabe.
- De vez em quando a Alegria e algumas outras pessoas planejam algumas atividades bem legais. A gente aprende muito, sabe? Apesar de serem bem didáticas e divertidas.
- Deve ser legal.
- Vai ser. – responde Nature.
Enquanto as pessoas se reuniam, Dona Alegria conversava com uma senhora que ajudava a organizar aquilo. As pessoas à volta, estavam todas comentando sobre a famosa “reunião”. Ayla estava começando a ficar ansiosa, o que seria?
Dona Alegria levanta, a mão e o silêncio se faz presente.
- Boa tarde, amigos!
Vários cumprimentos são saudados de maneira alegre.
- Hoje teremos mais uma nova atividade.
A senhora que a ajudava carregava um cesto, cheio de vendas vermelhas. Elas cochicham alguma coisa entre si e começam a distribuir as vendas, sem dar nenhuma instrução à mais.
Todos estavam confusos. Primeiro ela pede para formarmos pares. Nature se junta com o garoto ao seu lado e olha para o aglomerado de pessoas um pouco perdida, avista Alexa ao longe, mas esta já tem um par também, avistou uma garota solitária e logo se ofereceu para fazer par com ela, esta aceitou e quando tudo estava nos conformes o jogo começou.
As pessoas se organizaram em fileiras e dona Alegria soltou os comandos, desta vez um telefone sem fio era distribuído, basicamente, ela iria colocar um prêmio em algum lugar no gramado, alguém da dupla irá se vendar e o outro irá dar instruções para chegar ao prêmio, além disso terão várias pessoas ao redor, então elas terão que ser instruídas a se esquivar também, em resumo um teste de confiança.
A garota iria das as instruções e Ayla as seguiria. Elas se preparam e quando a largada é dada a atividade começa- Pode ir andando para frente. – diz ela. – esquerda! Esquerda. – pelo desespero da voz dela, a garota iria se esbarrar com alguém.
Mais e mais instruções eram dadas, e hora ou outra a garota se tombava com alguém, tinha muita gente.
Enquanto Ayla seguia cegamente o que a outra garota mandava um apito foi soado.
Alguns sons de risadas e pessoas caindo eram ouvidos ninguém se machucando seriamente, e os mais idosos resolveram não participar, tirando pela senhora dos brotos, que fora colocada mais de lado, para ninguém se esbarrar com ela.
Enquanto Ayla seguia cegamente o que a outra garota mandava um apito foi soado.
- Todos podem retirar as vendas agora!
Ao fazê-lo, alguém tinha os prêmios na mão. Era a senhora dos brotos!
Como ela havia ido pelos cantos, não estava no meio da bagunça, apesar de parecer o caminho mais longo e mais seguro foi o que o levou à vitória. Todos estavam atônitos.
Ela parecia muito feliz.
Dona Alegria pede a palavra
- Primeiramente eu gostaria de parabenizar aos vencedores, e reforçar a ideia de que todos podem confiar todos aqui. Que nós somos uma comunidade em unidade, com o bem em mente. Hoje as tarefas foram canceladas e neste fim de tarde eu gostaria que todos nos reuníssemos na cozinha para conversarmos enquanto o jantar é preparado.
As pessoas comemoram e retornam à cozinha.
A garota que havia feito as tarefas com ela vem se desculpar pelos tombos.
- Sem problemas! – responde Ayla. – sei que não estava fácil.
Elas caminham até a cozinha e a outra garota a convida para jogar cartas com seus amigos. Lá ela conhece Tom, Marabella e Cristian. Lá eles conversam sobre o quão inesperado foi o ganho do prêmio.
- O meio daquele lugar estava uma algazarra, como é que não pensamos em ir pelas bordas?
- Então! Parecia o lugar mais longo, mas com certeza foi o mais apropriado.
- Concordo com você amiga.
Essa palavra lhe chocou, havia acabado de se sentar ali e já era considerada uma amiga para a outra garota, a palavra saiu tão natural e tão sincera que o seu coração aqueceu-se mais um pouco. Não achava que pudesse fazer amigos de forma tão fácil e natural, pelo visto poderia sim, e o fato lhe alegrou muito. Ter amigos de verdade, pessoas com quem poderia passar o tempo, se divertir e realmente ter confiança nas pessoas que a rondam era estupendo.
O desenvolvimento da noite aconteceu e logo era a hora do jantar.
Todos se reuniram ao entorno da mesa e começaram com a prece inicial. Ayla já começa a se acostumar e entender o que ela pronunciava. As palavras que eram ditas e o sentimento de amor que florescia junto com elas.
Acompanhava algumas palavras junto com o coro da prece, outras eram mostradas apenas com o movimento dos lábios. Olhou para o céu, escuro e com a uniformidade das nuvens se destacando, uma brisa fresca adentrava as janelas, se direcionando para as pessoas que lá estavam, com essa brisa, a oração terminou e logo o jantar se iniciou.
Os aromas que saíam dos recipientes eram péssimos, dessa vez o chefe relaxou. Devido à grande quantidade de pessoas que se reuniu na cozinha muitas que não tinham o hábitos de ajudar na alimentação acabaram ajudando e a comida acabou não saindo como o planejado. De qualquer maneira, o que realmente importava eram as companhias, o ar leve e as risadas amigas. Que aqueciam o coração e curavam todas as mágoas de Mariane.
Sim Mariane, viveu toda vida como Mariane, cresceu e recebeu seus traumas e suas vivências como Mariane e agora os está desaprendendo como uma nova pessoa, renovada de espírito, mas que ainda não foi apagada, Mariane apesar das vivências e experiências, ainda era ou é uma pessoa boa e se recuperar de tudo que passou não se trata apenas em seguir em frente, mas vasculhar um pouco o passado, mais do que apenas buscar por respostas mas pela superação.
Esse jantar foi mais calmo para Ayla, ela comeu em silêncio, mergulhada em pensamentos e crises, que apesar de tudo ainda inundavam a mente da garota. Aquele lugar não trazia a doença do esquecimento.
No final da refeição quando todos já estavam alimentados, Dona Alegria pediu a palavra:
- Irmãos, hoje teremos a reunião de orações. Hoje será uma noite muito importante já que teremos duas pessoas para apresentarem as metas.
Com as informações dadas todos começaram se levantar e rumar para o lado de fora, mas, Dona Alegria segurou Ayla e Alexa na cozinha, para discutirem sobre os assuntos combinados.
Tudo estava nos conformes, logo Dona Alegria e as outras foram também para o quintal.
Ao chegar lá Dona Alegria inicia com uma oração.
- Só estamos aqui hoje pela glória e pela graça do Senhor, logo com esse espírito agradecido e de comunidade vamos louvá-lo.
E se assim se inicia a prece.
Após o fim desta a palavra é passada para Ayla, com uma a pergunta de dona Alegria:
- Já chegou à alguma conclusão?
Ela acena a cabeça, pigarreia e começa:
- O meu agradecimento é esse lugar, tudo o que tem aqui, é tão puro, tão bom, sinto que posso ser eu mesma. A meta é continuar aqui. Aprender mais e me tornar melhor a cada dia. A minha superação, é da vida que eu levei, de atitudes egoístas, de mágoas.
Um coro de aplausos é ouvido, e logo chega a vez de Alexa, as respostas são parecidas, apesar do modo de contar e se expressar.
- Alguém mais deseja pronunciar algo?
Uma senhora se pronuncia.
- Eu gostaria de pedir por um amigo doente.
- Nossas preces serão direcionadas à ele. Mais alguém?
- Eu gostaria de pedir por todos nós aqui e pela Dona Marquesa, que eu fui visitar semana passada, ela está muito angustiada. – pediu uma outra senhora.
- Mais alguém? – pergunta Dona Alegria incentivando.
Ninguém mais diz nada e logo as orações começam a ser rezadas.
Durante todo o processo Ayla se sentia leve e protegida, forte porém mansa.
Ao final, todos foram se preparar para dormir. Ayla estava muito feliz e muito agradecida com o dia que teve as novas amizades que floresceram.
Assim, ela dorme em paz.

Capítulo 9- O terceiro dia
Sonha com florestas desertas, mas com um ambiente de calmaria, onde as árvores cintilavam, um laguinho brilhava ao fundo e ela quase podia sentir os aromas da natureza. Acorda com a mente leve e descansada, ao se levantar pede pelo seu dia, para que tudo se suceda bem e se dirige para o lado de fora, nem todos haviam levantando ainda, na verdade poucos haviam. Nunca havia sentido a casa tão silenciosa e calma.
Aproveita para respirar o ar fresco matinal e assistir o lindo amanhecer. Sonhando acordada, aérea.
Alguém se aproxima. É Dona Alegria, ela faz um gesto com a cabeça e pronuncia um “Bom dia” silencioso, por ser muito cedo.
- Bom dia, dona Alegria... – cumprimenta Ayla baixinho. – é lindo, não é?
- Sim, às vezes eu venho aqui também. Apreciar as grandezas da vida, quando resolvemos as pequenas com a ajuda do Senhor, temos mais proeza em apreciar as grandes.
- Certo... e o que isso quer dizer?
- Trabalhe consigo mesma. Faz bem.
- Eu vou tentar, mas às vezes falta coragem.
- “Sê forte e corajoso, pois o Senhor está contigo”.
Seja forte e corajosa, não tem porque temer, você não está sozinha e é tudo passado agora.
- Obrigada.
- A qualquer hora. – diz Dona Alegria colocando a mão no ombro de Ayla e dando tapinhas e depois se retirando, deixando a garota à sós perdida em pensamentos em meio ao nascer do sol.
Conforme as pessoas vão se levantando, ela vai se adaptando à rotina, indo ao banheiro para iniciar o dia, conseguia enxergar em seu semblante no espelho o quão melhor ela parecia, curada na alma.
Quando o sino toca, desta vez pontualmente, pelo visto as atividades de ontem deixaram o pessoal da cozinha mais animado para acordar cedo, de fato.
Ao chegar à mesa, aspirou o ar matinal, olhou em volta e sorriu para quem olhava de volta, o amor e cuidado que estavam recebendo lhe deixavam pronta para retorná-lo, apesar de saber que você não deve apenas oferecer seu amor e carinho a quem lhe pode retribuir, mas a todos, afim de que se convertam para o “lado do amor ao próximo”.
- Vejamos que tem alguém sorridente hoje.
- Só um pouquinho. – brinca ela.
Quem lhe disse isso foi o senhor do celeiro e vendo-lhe, lembrou-se do cavalo a quem havia se responsabilizado de dar uma maçã. Ok, talvez não houvesse realmente se responsabilizado disso, porém iria fazê-lo. Após as orações Ayla se prontificou em pegar a maçã, guardando-a nos bolsos.
- Parece que alguém vai fazer um lanchinho mais tarde. – comentou Rick. – com um sorriso de orelha à orelha.
- Não é para mim seu bobo!
Ele levantou o dedo indicador. Como se pedindo para falar ou como se tivesse feito uma descoberta importante.
- É para mim?
- Não também. – diz Ayla negando com a cabeça.
- Então me dá uma dica.
- Começa com A e não é um humano.
- Ai... Aoi.... Aci, não sei, para quem é?
- É para o Alegre.
- Ah sim. Típico. Aquele cavalo adora maçãs... às vezes eu tenho ciúmes, todo mundo adora alimentá-lo.
Ayla ri.
- Bom, ele precisa disso, nós já podemos vir aqui e pegar a maçã por nós mesmos.
- Hm, é acho que tem razão. – diz um pouco reflexivo, mordendo o pão.
Ayla avista ao lado de Rick, a garotinha escocesa, nessa manhã percebeu que havia esquecido de lhe dar as amoras, ainda haviam algumas no seu bolso e Ayla prontamente a chamou:
- Suas amoras!
Ela sorriu.
- Você trouxe!
Marine e Rick pediram também por amoras.
- Eu já aprendi a minha lição sobre adentrar a floresta sozinha, não acho que vou arriscar me perder novamente, então por favor, vamos dividir.
A garotinha escocesa, dividiu de bom grado. Eles começam a comer ficando com as bocas roxas.
No fim do café da manhã, Ayla foi até o celeiro, antes mesmo de suas atividades começarem, queria dar a maçã fresca para Alegre.
Enquanto ruma ao celeiro, se atenta aos aromas e a brisa matinal, além da vista, apesar do dia ter amanhecido com a promessa de um sol esvoaçante, estava começando a pender para o chuvoso, de qualquer maneira, combinava com o dia.
Arrastava os pés pela grama úmida e rumava para o celeiro com a promessa da maçã.
Alegre não estava lá, tipicamente, então teria de procurá-lo.
 Gostou da ideia, rumar por aí, não havia conhecido todos os cantos, ainda mais do lado exterior. A manhã estava agradável e sempre havia muito a se admirar.

Capítulo 10- Camélias?
Após uma caminhada extensa chega até as colinas, aonde encontra Alegre pastando ao lado de uma árvore e uma plantação de camélias.
Ayla riu consigo mesma, duvidava que a senhora dos brotos havia plantado camélias ali, mas se não ela, quem? Será que o vento haveria levado uma semente para lá? Várias perguntas rondavam sua mente, nenhuma com uma resposta definitiva.
Resolveu não mexer nas camélias, no entanto, foi se aproximando de Alegre, com a intenção de alimentá-lo. Ele nota sua presença e quando ela estende a mão para ele comer a maça, percebe que talvez não tivesse sido uma boa ideia, mas depois o único resultado é sua mão levemente babada, então tudo saiu nos conformes.
Ele relincha como se pedindo por mais uma maçã. Ayla não tinha, então estende as mãos vazias, como em um pedido de desculpas, Alegre continua olhando para Ayla e esta resolve que seria um ótimo momento para tentar montar em Alegre. Sem ninguém por perto caso algo desse muito errado. De qualquer forma, Ayla tenta encostar no cavalo e ele não reluta, isso seria um bom sinal, não?
Ela nunca havia montado, logo não fazia ideia de como, se apoiou no cavalo e foi no impulso, enquanto ainda estava arrumando, Alegre correu em disparada, provavelmente sem querer Ayla haveria forçado o pé, ou as mãos.
A sensação de correr pelas colinas não havia sido muito bem como ela imaginava, os primeiros segundos foram aterrorizantes mas os consecutivos foram ainda melhores do que ela pensou que seriam.
A sensação da liberdade, com adrenalina e o vento batendo no rosto. Nunca imaginou que pudesse se sentir daquele jeito, era um sentimento novo.
Ela ria alto enquanto corria e quando Alegre finalmente sossegou e ela desceu, decidiu que havia sido a melhor experiência de sua vida.
Quando finalmente se recuperou da corrida, lembrou-se que gastado bastante tempo e que ainda haviam as atividades diárias a serem realizadas. Pela primeira vez suas atividades seriam com a limpeza da casa, logo ela teria que lavar a parte da varanda junto com as escadas.
Havia um garoto passando e ela logo o chamou:
- Cris! Você sabe aonde ficam os esfregões, bacias?
- Ficam todos no depósito, eu estou indo para lá. Tenho que fazer a revisão para ver o que está faltando.
Ele faz um sinal com a mão como se para segui-lo. Ayla vai atrás e logo chega ao depósito.
Lá haviam várias coisas rurais e de limpeza. Cortadores de grama, fertilizantes até sabões caseiros empacotados.
Cris ajudou-a com o inventário a achar as bacias, produtos e esfregões, após se despedir e desejar um bom dia, vai para o lado de fora e enche bacia para iniciar o seu serviço.
Joga a água e começa, já havia feito isso antes, então era uma das poucas tarefas daqui cuja atividade ela estava mais adaptada.
Demora, porém termina. Dá uma olhada em volta checando o seu trabalho, nisto Rick passa correndo pelas escadas molhadas com os pés todos sujos de lama.
Marine quase vêm atrás, porém hesita quando olha para o chão enlameado.
Ayla olha para o estrago aflita e depois para Rick.
- Ops. – diz ele com as sobrancelhas levantadas.
Ayla respira fundo. Estava em um lugar para a reconstrução da vida e de atos ruins. Logo disse:
- Dessa vez passa. Limpe esse pé antes de entrar na casa ou pisar aqui!
Marine olha brava para Rick e depois diz:
- Eu tenho experiência com tirar lama, posso ajudar.
Rick coça a cabeça e concorda.
- De qualquer jeito fui eu que fiz isso aí.
Ayla ficou tocada, mesmo tendo sido Rick que enlameou o local, era bom ver como as crianças eram tão bondosas.
- Certo. Peguem seus respectivos panos e iremos começar; nada de moleza!
Começaram a limpeza do local, em conserto do que Rick havia feito. Foi um momento muito divertido. Rick começou a tacar água no chão e um pouco em Marine que revidou e assim uma guerrinha de água foi começada que logo incluiu Ayla.
Eles riam muito, e uma hora, à pedido de Ayla começaram a levar mais a sério, já que precisavam terminar a tarefa para começar a outra.
Quando terminaram ficaram pedindo para acompanhar Ayla na próxima tarefa. Ayla disse que a próxima tarefa não seria tão divertida quanto esta, mas se eles faziam questão então não seria problema.
Porém precisa voltar à trás na afirmação já que, percebeu haver confundido à ordem das atividades e pulara a segunda, a segunda seria um reunião com algumas pessoas mais sábias que lá habitavam para tratar de assuntos muito importantes.
- Pessoal, eu me confundi, na próxima a gente vai junto. Agora não dá para vocês virem.
Eles choramingaram um pouco, mas logo cederam e foram brincar.
Ayla seca os pés e adentra a casa. A reunião seria na sala, aonde estavam reunidas várias pessoas, inclusive Nature e a Dona dos brotos.
A informação que lhe havia sido passada era que lá ela aprenderia mais sobre a bíblia, religiosidade e outro temas cujo ela não conhecia muito.
Isso a alegrava muito, já que esse conhecimento agora estava tão disponível. A maior parte do tempo esteve, mas não como todo esse entusiasmo, incentivo e entendimento maior de toda essa realidade maravilhosa.
Ayla cumprimentou a todos, porém foi repreendida por Nature no quesito volume, de acordo com ela era necessário de silêncio e respeito em um momento anterior a conversa que estava para ocorrer.
As regras lhe foram dadas: primeiramente ela deveria esvaziar sua mente e se focar apenas no que estava sendo dito, sem formar nenhuma opinião verbal sobre o todo, mas apenas o que os princípios interiores guiavam-na.
Ela fez uma pergunta para a outra moça:
- Oi. É...eu tenho uma dúvida, e se eu não entender alguma parte? E qual seu nome? – Ayla queria sentir-se mais próximas das pessoas dali, nomes davam uma sensação de proximidade.
- Você pode pedir para darmos uma pausa e você ler a sua maneira, ou, se preferir, pode pedir para relermos em voz alta, sem problema algum. Sou Maia.
As bíblias foram entregues, e logo a leitura do salmo se iniciou, foi bem didático, era uma situação em que todos estavam bem focados e confortáveis em serem eles mesmos e encontrarem as respostas em seu interior, a interpretação não seria conversada após, pois talvez ao estar falando o que entendeu para alguém, o emissor possa mudar a verdadeira compreensão e o que realmente entendeu do que estava sendo ouvido e sentido.
Foi um tempo de muito reflexão e pouca conversa exterior e muito mais um bate-papo interior e mudo ao mesmo tempo, onde os instintos estavam lá, fazendo o seu papel, Ayla acreditava que os instintos que a moviam, pois nesta situação o senhor Deus iria guia-los por meio destes.
A reunião foi encerrada com uma oração, sorrisos apertos de mão.
 Após essa experiência acolhedora, ela foi fazer um tira-dúvidas com Maia.
- Maia, um momento! – pediu Ayla antes de retirarem.  – por que devemos esvaziar a nossa mente?
- Pois assim ouvimos tudo e somos guiados pelo Senhor, com uma menor interferência da nossa mente.
Ayla ficou genuinamente feliz, após ouvir o que tinha sido dito, porque ao final de tudo, chegara a mesma conclusão.
 A próxima tarefa era no jardim, ao ver o mundo do lado fora, encantou-se mais um vez, mudando o seu modo de enxergar o mundo, um pouquinho.
Dessa vez Nature não estava lá, seu trabalho era no jardim lateral e não no pomar.
Ela iria ver o sistema hidráulico do jardim, verificar se as plantas estariam sofrendo com água em abundância ou a falta dela. Na parede havia um banner explicando como a checagem deveria ser feita. Basicamente ela deveria analisar as pétalas.
Ao se abaixar para ver melhor as pétalas, percebeu que o solo continha muita água, o que com certeza não era comum. No banner havia algumas instruções de como consertar o sistema hidráulico, pelo o que parecia ele precisava ser calibrado constantemente. Então Ayla, após ler atentamente, foi mexer no registro.
Mesmo tentando calibrá-lo, a água irrigada continuava saindo de maneira abrupta. O que a fez pensar no que poderia estar causando aquilo. Foi quando viu um furo no irrigador.
Precisava alarmar alguém antes que toda as flores fossem arruinadas!
Fez um sinal de proteção, ensinado por Dona Alegria “Em Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo”, e foi correndo buscar ajuda.
Estava precisamente à procura de Nature, então ia perguntando à todos com quem se encontrava se eles haviam a visto. Aparentemente ninguém havia. As pessoas davam sugestões, “pode ser que ela esteja nas plantações ou talvez no jardim...” Ayla estava anteriormente no jardim e já houvera ido nas plantações, o que a fazia pensar que Nature estava na floresta. Ayla provavelmente iria apenas piorar a situação caso entrasse na floresta, e sabia disso.
Enquanto parava um pouco e andava de um lado para o outro pensando no que fazer, o senhor que havia a ajudado com o curral veio falar com ela:
- Senhorita? Senhorita!
Ayla levantou o olhar.
- Sim?
- Ouvi falar que está procurando por Nature e acho que já sabe que ela está na floresta. Eu sei que não sou a Nature, porém entendo um pouco de plantas...
- Sério? – perguntou Ayla, suspirando de alívio.
- Sim, Nature me ensinou algumas coisas sobre plantas, camélias em específico, mas eu das outras em um geral.
Apesar do desespero, Ayla não conseguiu deixar de pensar nas camélias que havia visto mais cedo. Pensava se elas estariam relacionadas ao velhinho. Não havia tanto tempo para teorizar, as plantinhas corriam perigo.
Foram apressados em direção ao jardim, quando Ayla sentia que estava indo rápido demais desacelerava, não queria causar danos à saúde do senhor.
Chegaram às plantações e senhorzinho já disse:
- O irriga dor está furado!
O senhor correu até o registro e o desligou, assim a água deixaria de sair.
- Precisamos trocá-lo, pode deixar que eu faço tudo, só vá até o depósito e pegue a caixa de ferramentas e um cano novo.
Ayla foi até o depósito e conseguiu os objetos requeridos pelo dono das Camélias, ao pensar nesse nome e rir teve um momento de reflexão. Estaria ele relacionado à Dona dos Brotos? Essa pergunta não seria respondida por Ayla e a mesma não perguntaria nada, talvez ele preferisse discrição.
Ayla foi ao jardim entregar os apetrechos, o senhorzinho não se encontrava lá, então a garota esperou um pouco para entrega-los diretamente. O tempo de realizar a tarefa de checagem do jardim era baseado no tempo em que a pessoa levaria para calibrar o registro e não aprender tudo, perceber que o irrigador estava quebrado e ir à procura de Nature, logo ela estava atrasada para mais uma tarefa.
Ao senhorzinho chegar ela lhe entrega o que foi pedido e pega o papel rotineiro, ao ver com quem seria sua próxima tarefa ela se comove, aquilo nem deveria ser chamado de tarefa. Ela deveria passar o tempo com Dona dos Brotos e fazer jogos de memória. Dona Alegria era observadora, provavelmente vira Ayla conversando com ela e decidira que seria uma boa tarefa para a garota.
Ayla se apressou para chegar até a Dona dos Brotos, ela já deveria estar esperando à alguns minutos.
- Desculpe! – disse Ayla respirando pela boca de tão cansada de correr até lá.
- Não se preocupe minha cara. Eu estava observando o céu nesse meio tempo, é sempre bom tirar um tempinho, não é?
Ayla olha para o céu após a senhora dizer isto. E imediatamente ela concorda, ele estava lindo, sempre fora de apreciar o céu, era uma imensidão de luz sobre tudo o que ela vivia, lhe dava esperanças.
- O céu é um mar de luz na escuridão. – disse Ayla exteriorizando seu pensamento.
- Sim, e é um mar de luz na luz também, é o que torna aqui um lugar tão abençoado, os céus.
- Realmente. - disse lembrando-se que ela deveria auxiliar em exercitar a mente da dona dos brotos.
Olhou em direção à mesa incerta se deveria convidá-la, de qualquer forma a senhora dos brotos que estava mais adaptada a jogar o jogo da memória e ela que deveria ser a anfitriã.
Então esperou, a senhora dos brotos suspirou sonhadora olhando para os céus.
“Talvez ela tenha se esquecido sobre o jogo...” – pensou Ayla. De qualquer forma a garota iria dar tempo para a senhora refletir e sonhar. Depois de um tempo a senhora olhou para a mesa com as cartas.
- Ah claro! O jogo, sente-se aí.
Haviam duas almofadas e uma mesa de centro, muito aconchegante.
Elas começaram a jogar, e era notável que a senhora dos brotos tinha uma dificuldade, mas ainda assim no final do jogo ela estava mais acirrada do que no início, o que já era uma vitória, Ayla deixava ela ganhar algumas vezes, assim elas poderiam jogar mais.
No meio da segunda rodada Nature aparece na porta.
- Vocês ainda estão jogando. Ufa! – disse ela suspirando.
Havia chegado lá do mesmo jeito que Ayla, correndo.
Ayla estava contente em saber que ela não era a única que chegava correndo para realizar as tarefas.
Nature pediu permissão para assentar-se e assistir a rodada mais de perto, sempre dando sugestões para a Dona dos Brotos. E ela ganhou novamente o jogo.
Ela sorriu.
- Vocês sempre me deixam ganhar!
- Ah que nada! – disse Nature. – vêm! É hora do passeio com as plantinhas, vou te ajudar a cuidar das camélias da senhora.
Ayla se despediu de ambas e se assentou. Tinha muita afeição pela senhora dos brotos e não iria querer vê-la adoecida, sabia que a situação não afetaria somente ela mas ao ver o laço de Nature com ela, e talvez o senhor das camélias, viu que muitos ficariam abaladas. Ainda assim, estava contente com o tempo que passaram juntas, sentiu que foi proveitoso e que tanto ela quanto a Dona dos Brotos, saíram de lá mais felizes.
Ayla foi caminhar, a letra da próxima tarefa havia ficado um pouco borrada e por mais que ela tentasse ler era em vão.
Achava que estava escrito a palavra depósito no papel, então foi até lá tentar alguma dica para ver o que ela deveria fazer em seguida. Olhou em volta antes de entrar e ainda bem que fez isso, pois só assim percebeu a presença de uma pequena construção sendo realizada. O tijolo estava sendo colocado. Estavam três pessoas lá, parecia que haviam acabado de chegar e estavam arrumando o cimento.

Capítulo 11- O templo
Se aproximou para ver melhor o que estava acontecendo.
- Oi! – cumprimentou uma jovem. – como vai?
- Oi. Eu vou bem, obrigada por perguntar. E você?
- Estou bem animada para começarmos a botar a mão na massa! – disse ela esfregando as mãos.
Ayla riu.
- E o que estão construindo?
- Um templo, como uma capela.
Certo.
- Por que estão fazendo um templo?
- Hm... explicações não são muito comigo, mas acho que é importante ter um ou vários em um lugar. Aqui a gente já tem na casa, mas a gente achou melhor ter um mais reservado, caso as pessoas quiserem ter mais privacidade na hora de orar.
- Você é a garota nova? – perguntou um menino. Ayla achava que era um dos que estavam na janela no dia de sua chegada.
- Sou sim.
- Então coloque as luvas que temos um longo trabalho!
Ayla havia entendido sua tarefa agora.
Eles disseram que ela deveria segurar o balde de cimento e entregar os tijolos, enquanto o outro senhor iria colocando eles na construção.
O trabalho foi se desenrolando. Enquanto ela conversava e conhecia melhor as pessoas dali.
- Então... o senhor está aqui a quanto tempo?
- Ah... eu nem conto mais. Moro aqui desde que minha mulher faleceu. Ela era muito religiosa então eu senti que quando vim para cá estaria ficando mais próximo dela.
- Entendi.
- Mas o tempo foi passando e eu percebi que aqui é muito mais do que ficar perto dela. E me ajudou em meus tempos de tristeza, acho que se eu não tivesse sido guiado até aqui eu já estaria morto uma hora dessas.
Uau, isso era profundo. Via que a vida das pessoas ali não era tão fácil fora daquele lugar, que ela não era a única.
- Que bom que encontrou, por que se não eu não teria encontrado alguém para me ajudar a socializar com o Alegre. – disse rindo, em uma tentativa de tirar ele daquela tristeza que ela sentia que havia influenciado em colocá-lo.
Ela conseguiu arrancar um sorriso fraco dele. Era algo bom.
- E você? – perguntou falando com o outro ajudante.
- Eu cheguei faz alguns meses na verdade. – admitiu ele. – meus avós tem uma chácara aqui perto, eu acabei encontrando este lugar e eles me deixaram ficar.
Essa a história mais simples que havia escutado até agora. Era simples mas verdadeiramente boa, gostava da ideia que alguém haveria chegado aqui em momentos pacíficos da vida.
- E você? – perguntou a outra garota.
- Eu fugi de casa e achei aqui. – ela não tinha uma “casa” realmente, elas se mudavam constantemente, mas se pudesse considerar o último lugar que morara como casa, o que nunca foi, porém resolveu seguir o termo popular.
- Por que fugiu?
- Eu não tinha uma casa realmente, eu e minha mãe nos mudávamos constantemente, mas se pudesse considerar o último lugar que morei como casa, o que nunca foi, então eu fugi de “casa”. Eu fugi porque ela não era uma pessoa que eu queria viver por perto.
Eles não perguntaram mais nada, nem entraram em detalhes.
- Sabe... – disse o homem que ela estava servindo de ajudante um tempo depois. – eu demorei um tempo até conseguir falar da minha mulher. É bem corajoso da sua parte abrir sua vida assim tão cedo.
- Hum... Obrigada, eu acho.
Eles continuaram o trabalho dessa vez com assuntos mais leves como o tempo ou a refeição mais deliciosa que eles já haviam comido ali.
Trabalharam duro na construção o tempo da tarefa era mais prolongado do que os outros, mas as paredes foram terminadas. Ayla achou que já haviam terminado mas, aparentemente ainda havia o teto para ser colocado.
Ayla ajudou a carregar os andaimes a estrutura do teto foi começada, apenas o molde do teto foi feito. Mas já era bastante progresso para um dia.
No final todos estavam muito cansados porém felizes de terem sido parte da construção do templo.
Todos bateram as mãos no final. Dona Alegria colocou tomar banho como a próxima tarefa e a garota riu. Realmente estava muito suada e provavelmente fedendo.
Pegou suas roupas e ficou esperando na fila do banheiro, quem estava na sua frente era a garota que estava na construção. Percebeu que elas não haviam conversado tanto, sabia seu apelido, era Mei, talvez fosse seu nome, quem sabe. Ela tinha um aspecto de quem era forte, osso duro de roer.
Ela puxou assunto com Ayla:
- E aí? Já está acostumando com a rotina daqui?
- Estou, na verdade eu gosto. Cansa, mas faz bem. – concluiu Ayla.
- Concordo, não sou muito de ficar de corpo mole também não.
Ayla achava que gostava, antigamente. Mas isso não era verdade. Depois que testou uma rotina do campo percebeu que era mais a praia dela.
- É verdade. Até o sono é melhor, a gente desmonta.
O assunto acabou logo, não tinham tanto do que falar e ambas estavam tão cansadas que não estavam nem dispostas à isso.
O garoto que estava no banho logo saiu, Mei em uma gentileza ofereceu para Ayla ir na frente, porém ela negou.
Logo chegou a vez de Ayla e quando ela estava penteando o cabelo no quarto após sair do banho o sino do almoço tocou, ela penteou o resto do cabelo rapidamente e foi para a mesa.
Eles se reuniram e agradeceram pela comida, rezaram e pediram.
Ayla sentiu os aromas, eles teriam uma sopa de abacate. Ela achou um tanto quanto assustador no início, mas depois que provou ficou estupefata, era de longe um dos melhores alimentos de que a garota já havia provado.
Reparou que Rick a olhava.
- O que foi Rick?
- Não sei como teve coragem de provar isso de primeira. A não que já tivesse provado antes.
- Não eu não tinha. Mas eu confio na comida daqui.
- Foi preciso de muito convencimento para me fazer provar, mas depois que eu provei nunca mais deixei de comer. Me arrependo até hoje pelas datas que deixei passar sem comer a deliciosa sopa de abacate do tio.
- Que tio?
A garota que estava ao lado de Ayla riu.
- É a forma como eles chamam o Anastácio.
Ayla estava perdida.
- Quem é Anastácio?
- Quem fez a comida.
É claro, o chefe!
Sentia que precisava parar de criar apelidos para as pessoas em sua mente e começar a chamar elas por seus verdadeiros nomes.
Mas chamar elas à sua própria maneira parecia melhor é assim que conseguia entende-las melhor, se sentir mais próxima.
- Bom, para mim o nome dele é Chefe. – concluiu.
- Muitos não sabem o verdadeiro nome dele, eu só quis dizer isso para te manter informada.
Ayla pensou um pouco e chegou à conclusão de que havia sido um tanto rude, como se não se importasse ou não quisesse souber o nome dele. Talvez estivesse pensando demais, de qualquer forma de desculpou:
- Desculpe, eu queria saber sim o nome dele. É que gosto de pensar nas pessoas com um nome que signifique algo delas e tenha um significado para mim. Mas saber o nome real delas é importante também.
- Tudo bem. –disse a garota.
- E aí? Qual seu nome para mim? – perguntou Rick.
- Hm... – pensou Ayla. – eu não tenho um nome para você, seu nome já está fixo na minha mente, tem que ser algo natural.
Rick fez cara emburrada:
- Não gostei da sua resposta e quero um apelido!
- Seu apelido vai ser birrento então.
- Não! Não! Não! Não gostei. – disse fazendo jus ao nome.
Alguém que via a cena riu, Rick aparentemente não percebeu que estava dando razão ao nome tão cedo, e quando notou ficou vermelho.
- Tudo bem. Pode me chamar de Rick.
Ayla riu, talvez uma hora um apelido fluísse para ele.
Já havia terminado a sopa à um tempo e só estava na mesa conversando descontraída, quando percebeu que a maioria estava se retirando, pensou que teria um tempo de sossego, porém, viu que ela faria parte da turma que lavaria a louça.
Ajudou a recolher os pratos e foi lavar, era legal ver que haviam muitos trabalhos coletivos. Ayla limpava os pratos por cima, jogando os restos de comida no lixo ou só entregando, quando os pratos estavam mais limpos. A outra garota ao seu lado molhava e ensaboava a louça e o outro garoto, que por acaso era Cris, enxaguava. A coletividade, além de deixar a tarefa de lavar louças muito mais legal, unia as pessoas.
Logo, logo a tarefa foi terminada.

Capítulo 12- Pedidos de desculpas
E o chefe veio falar com ela.
- Oi chefe!
- Oi, você não queria saber o meu nome. Por quê?
- Eu queria sim chefe, eu me expressei mal.
Ele fez uma expressão triste.
- Sabe... queria me desculpar, você é uma das primeiras que vou direcionar o meu pedido de desculpas. Acho que sou muito grosseiro e exigente às vezes. Na maior parte do tempo. – corrigiu ele. – Eu preciso melhorar nestes aspectos.
- Pedido de desculpas aceito! – disse Ayla abrindo os braços.
Eles se abraçaram e assim se desenrolou o primeiro pedido de desculpas do chefe; que foi passando entre as pessoas para se desculpar, até com Alexa que ele havia anteriormente elogiado.
- Me perdoe por mais cedo, quando gritei com você. –Ayla escutou.
Cada dia vivendo e aprendendo, se redimindo e se humilhando se for preciso. Se é notado que alguém está errando, esse alguém, quando tendo percebido seu erro, é bom que vá se mostrar arrependido a quem seu erro prejudicou. O chefe estava aplicando este conceito.
Ayla caminhou contente até o outro lado do cômodo, próximo à janela, só sentindo o aroma das anêmonas e a leve brisa da tarde.
De acordo com dona Alegria, as pessoas de idade que quisessem iriam após um descanso pós-almoço, ir até o jardim para alguma atividades relacionadas à jardinagem.
Ayla achava tudo isso muito legal para eles, visto que era bom para eles, respirar perto das plantas e viver a vida da maneira em que ela deve ser vivida junto com Deus, com as plantas os animais e seres puros.
Erámos uma comunidade, lá haviam pessoas com laços familiares, laços fortíssimos que era além daquele que o nascimento proporciona, mas uma laço de irmandade, estabelecido pelo amor à Deus. Como a garotinha escocesa e Martha. E Silva e Compaixão. Entre outros.
As relações que não eram familiares também eram fortes, todos ali pareciam muito unidos e realmente eram. Ayla podia dizer, havia passado pouco tempo lá, mas sentia que apesar do tempo ter passado rápido, ela havia aprendido tanto e vivido tanto, que parecia muito mais do que realmente havia sido. Ainda sentia que tinha muito a saber e a aprender, mas já conseguia se sentir inclusa naquilo tudo.
Ainda feliz e reflexiva com sua nova realidade, só é despertada de seus pensamentos quando a sua amiga pedreira, mais conhecida como Mei, a alarmou sobre a atividade que seria realizada mais tarde. Eles teriam um círculo de conversas. Foi ideia de Aparecido, um senhor que trabalhava nas fábricas antes de vir para aqui. Ele dizia que sempre formava círculo de conversas antes com seus amigos da fábrica e que isso sempre os ajudava a sentir melhor.
Ayla estava animada como sempre, apesar de um pouco insegura. Desabafar era sempre bom ainda mais em um lugar como aquele e com pessoas que ela se sentia segura.
Após receber esta informação Ayla decide checar sua lista de atividades. Percebe que terá uma avaliação com Dona Alegria, não tinha muitos detalhes, além do local em que Ayla deveria encontrá-la.
Teria bastante tempo livre, havia estado bem cansada então não era algo ruim.
Viu Alexa trabalhando na cozinha.
- E aí? – cumprimentou Ayla, se aproximando.
- Ayla! Quanto tempo parece.
- Pois é. Faz só um tempinho, mas parece tanto!
- Sim, acho que é por conta da realidade que eu estava vivendo quanto falei contigo.
- Comigo também é algo assim. Acho que já podemos rir das intrigas.
Ela deu uma risada.
- Claro. E o que você me conta das atividades? Pegando pesado?
- Acho que sim, mas agora teria uma pausa, Dona alegria quer me avaliar.
- Ah... ela já fez isso comigo, é quase como um teste de escolaridade, as crianças são ensinadas alguns básicos, como escrever e tal, e quem se encarrega são os mais velhos, mas talvez estejam querendo mais professores.
- É, pode ser. E você o que está fazendo?
- Uma torta de limão.
- Hm... não vou me esquecer, quero meu pedaços mais tarde.
- Espertinha, é só para depois do jantar.
- Entendo, porém choro.
Ela riu.
Elas ficaram alguns segundos em silêncio sem Ayla conseguir arranjar nada para falar, então foi para a sala fazer nada, provavelmente iria só refletir e descansar, talvez tirasse um cochilo afinal de contas, não seria muito difícil.
Acabou realmente cochilando na sala. Não sabia quanto tempo havia se passado ao certo.
Ao olhar envolta percebeu que a sala estava cercada por crianças, que estavam sendo ensinadas por uma senhorinha, ela apresentava várias dinâmicas para as crianças, com quebra-cabeças para elas irem montando as palavras e coisas do tipo, as crianças se divertiam e dava pra ver que a professora também. Ayla estava impressionada, e sentiu vontade de fazer parte daquilo, afinal de contas era alfabetizada e achava estar propensa a ensinar as crianças.
A alegria era facilmente notada, as crianças andavam de um lado para o outro tentando encontrar as letras que formariam as palavras, transformar tudo aquilo em uma brincadeira era a melhor parte, tudo ficava muitíssimo mais animado.
Ayla só assistia, a senhora que via o interesse de Ayla a convida para ajudar.
Ayla se junta à ela, dando dicas para as crianças hora ou outra. Ela olha em volta procurando Rick ou Marine, porém não os encontra. Mais afastada ela vê uma garotinha e logo ela a reconhece, ela olha para as letras triste, era a garotinha escocesa ela tinha mais dificuldade em formar as palavras.
Ayla a vê.
- Oi. – cumprimenta Ayla.
Ela olha para Ayla mas não diz nada.
- Está tudo bem. Eu posso te dar uma mãozinha?
Ela afirma com a cabeça e Ayla começa a ajudar.
Ao final da explicação e quase no final da aula era consegue formar uma palavra completa e sem erros, elas batem as mãos e comemoram.
A professora vai falar com Ayla e pergunta:
- Quem é você minha jovem?
- Sou Ayla, vivo aqui faz pouco tempo.
- Ayla, se quiser se tornar minha ajudante na turma das crianças sinta-se bem-vinda. A aula foi ótima e você conseguiu colocar um sorriso no rostinho daquela menina, o que importa muito.
Ayla sorriu.
- Eu quero sim! Estou indo falar sobre isso com a Dona Alegria.
- Eu acho que você deveria.
- Já estou indo. Até!
- Até mias!
Após a despedida Ayla correu até o lado de fora, porém depois de ler a lista de atividades se deu conta que seria no mesmo lugar que antes ela estava, ou seja, seria na sala. Porém, no meio do caminho Ayla encontra-se com Dona Alegria. Ayla estava tão animada que já contou a experiência com as crianças para a mesma.
- Que bom! – respondeu Dona Alegria. – então você aceita ensinar?
- Sim, sim e sim.
- Muito legal o seu entusiasmo. Vamos lá fazer o teste, assim podemos ver em que te classe colocaremos.
Elas vão até a sala, e Dona Alegria começa o teste com perguntas sobre escolaridade.
Ayla se saiu até que bem, porém haviam algumas matérias que o conhecimento dela era muito pouco, coisas que ela não aprendia na escola. Como história verdadeira, na escola comum contemporânea, estuda-se muito guerras e rebeliões, aqui não, violência não é um enfoque, então as matérias são dadas diferentemente e Nature insistira para que houvesse aulas relacionadas a natureza.
Mas a parte da alfabetização Ayla poderia fazer sem problemas, logo ela contou que teria preferência por ensinar as crianças e mencionou que gostaria de ser a ajudante da senhora, que havia dado aulas posteriormente.
Dona Alegria achou tudo uma maravilha. A final de contas era ótimo que houvesse tanto entusiasmo em se ensinar, por que com a paixão, o conhecimento pode ser passado mais fluidamente, não só o conhecimento, mas quando a pessoa realmente gosta do que faz o resultado mostra.
Dona Alegria disse que Ayla começaria as aulas na semana seguinte.
A garota concordou. E Dona Alegria a deixou, ainda com a informação que deixaria os papéis do que ela deveria ensinar para as crianças para continuar da parte que a professora anterior havia parado, já que além de ajudar a outra professora daria algumas aulas ela mesma.
Ao ir para a cozinha tomar um copo de água encontra com a outra irmã escocesa.
Resolve contar a notícia, apesar de não terem tanto intimidade Ayla sentia a necessidade de contar a novidade para alguém.
- Oi Vou virar professora! – disse do nada.
A garota sorriu.
- Parabéns pela conquista!
- Obrigada! Estou tão feliz, sabe?
 - Imagino. – ela disse.
Ayla sorri e se vira para ir embora irradiando felicidade.
- Até mais!
Ela checa suas tarefas e se lembra do que Mei havia dito, sobre o grupo de conversas.
Respira fundo e toma coragem, se convencendo a ir, não seria tão ruim afinal.
Não dissera a hora especificamente, mas imaginava que já deveria estar indo para o ponto de encontro, já que eles não iriam fazer isso tão tarde, já que teria que dar tempo para todos tomarem banho antes do jantar.

Capítulo 12- Reunião
Ayla foi até o local combinado. Haviam algumas pessoas lá, porém poucas.
Eles a cumprimentam e ela acena de volta.
Fica lá por algum tempo, até que o moço que havia proposto isso aparece e se apresenta.
- Olá a todos! Eu sou o Aparecido.
- Oi!
- Oi!
- Boa tarde!
- Vamos esperar o pessoal chegar para nós começarmos.
E assim ocorreu.
Aos poucos foram todos chegando, inclusive Mei.
Começamos com uma oração e depois tudo se desenrolou. História de vida e até algumas lágrimas, mas também coisas leves e felizes como conquistas. Até que chega a vez de Ayla, ou a hora que ela pensa ser propícia.
- Eu também tive uma vida difícil antes de chegar aqui, cheia de fiascos e problemas, eu não me expunha para o mundo da forma que eu realmente era. Que eu realmente sou, tinha que fazer coisas terríveis sobre ordem de minha mãe. Ela era uma ladra ou pior. Não vou vir aqui falar mal dela, mas sim para me abrir, não consigo entrar em detalhes sobre muita coisa. Mas é isso. Eu fugi e aqui estou. – Ayla fez uma pausa e respirou fundo.
A maioria aplaudiu e elogiou a exposição e confiança.
- E aliás – complementou Ayla. – vou me tornar professora. – disse sorrindo fraco.
Não queria ficar triste e arruinar o seu dia por relembrar o passado, então fez de tudo para focar nas outras histórias. Até Mei falou um pouco.
E a tarde se desenrolou assim. Todos nos despedimos com mais uma oração e apertos de mão.
Todos foram tomar banho e logo em seguida teria o jantar.
Como sempre ela se sentou ao lado de Rick, já estava virando rotina. Ela aproveitou para perguntar por que não havia visto eles na aula de cedo.
- Por que eu não encontrei os bonitos na aula de hoje à tarde?
- Você está participando das aulas?
- Eu estou ensinando.
- Ah... Não está não, tenho certeza que eu vi a Dona Claire hoje,
- Dona Claire? – Ayla estava incerta se era esse o nome da moça, ou se ela realmente houvera perguntado.
- É a nossa professora, estamos aprendendo várias coisas legais, não é Marine?
Marine só afirma com a cabeça.
- Você deve ter dado aula para a turma dos menores.
Fazia todo o sentido.
- É pode ser.
Ela havia se assentado com antecedência, pela primeira vez desde que havia ido para lá não estava fazendo as coisas correndo.
Assistiu às pessoas colocando a mesa e se ofereceu para ajudar, e ela acabou ajuda a colocar a sobremesa na geladeira o pote que carregava a sobremesa era feito com alguma pedra muito pesada e Ayla custou à carregá-lo até a geladeira.
Mas ao final acabou dando tudo certo.
Logo todos se assentaram e começaram a orar, Ayla fez às suas preces agradecendo pela comida mais uma vez.
O jantar foi alegre como sempre. O dia hoje foi menos cansativo para Ayla, mas ainda foi ótimo e mesmo sem estar com a cabeça cheia de coisas manteve sua sanidade e conseguiu evoluir muito espiritualmente.
Ao dar a última garfada e se despedir de todos à mesa resolveu ir para o jardim à noite, nunca havia realmente parado para admirar o local à noite, à brisa fria a fez voltar para pegar um casaco, e Ayla viu na volta os cadernos e instruções sobre a nova atividade que Ayla dirigiria, a de ensinar.
Alegre ela guardou os cadernos, eles poderiam esperar, agora era admirar o céu.
Ela foi até o lado de fora, o ar noturno tinha um cheiro diferente, o cheiro da natureza de sobressaía, pensava que talvez fossem os sentidos que se aguçavam, não sabia ao certo.
Era tudo tão aconchegante, até a luz que emanava do poste, deixava o lugar com um ar tão humilde.
Ayla estava extremamente grata pelo dia que havia tido, mal sabia como começar.
“Obrigada Senhor Meu Deus...”
Ela respirou fundo, sentindo a felicidade, a emoção e acolhimento como nunca. Não se sentia sozinha, apesar de estar.
“Por tudo, pelos amigos que fiz hoje, por ter me dado a coragem necessária para tirar o peso que eu tinha sobre as costas.”
“Por ter me guiado até aqui, pela maravilhosa adaptação.”
“Pelas lições de vida.”
“Por me fazer notar a garotinha escocesa que precisava de ajuda.”
“E pela dádiva de poder ensinar à essas crianças!”.
Ayla estava emocionada com tudo que havia se passado e sentiu lágrimas saindo de seus olhos, lágrimas de felicidade é claro, não acreditava que sua vida havia se tornado tudo aquilo.
- Obrigada... – sussurrou ela entre soluços.
Ficou lá mais um pouco antes de voltar para o quarto e adormecer.
Sonha com alguma coisa que não consegue se recordar bem no dia seguinte, mas relembrou da sensação do vento no rosto do dia anterior, acorda com o barulho do quarto e das pessoas levantando.

Capítulo 12- Quarto dia
Ao voltar do banheiro encontra um quarto menos barulhento do que estava antes e uma garota respirando com dificuldade, enquanto a outra tentava acalmá-la.
- Está tudo bem! Você está a salvo agora. Confie nas minhas palavras, tenha fé no Senhor nosso Deus, nada irá te abalar!
Ayla não conseguiu deixar de se lembrar do primeiro dia lá, acordara aos gritos também.
Resolveu ir lá falar com a garota.
- Não deixe sua insegurança te atrapalhar na vida, não deixe o medo de guiar, o medo de fazer o que é certo, se você quer superar algo precisa enfrentar, parar te temer e também deixar rolar, se enfoque em outras coisas, é abrace as atividades. Confie.
- Eu tento, mas tem situações que são difíceis enfrentar. Às vezes me sinto imponente.
- Para quem acredita em Deus sempre tem forças, ele sempre estará ao teu lado lhe guiando, te mostrando os caminhos certos, você só não pode ficar estagnada. – não sabia exatamente quando havia se tornado tão boa nisso, mas era uma benção.
- Obrigada... – diz ela. – acho que eu precisava dessa dose de lição de vida antes de iniciar meu dia. – afirma em nenhum pingo de ironia.
- É para isso que eu estou aqui – ela olha para a outra garota e corrige – nós estamos, certo?
Elas se abraçam e a garota que estava aflita vai para o banheiro para iniciar seu dia e as outras duas vão para a mesa do café da manhã.
Eles vão comendo como o usual, ela acaba conhecendo melhor essa outra menina, Ayla já a havia visto conversando com Letice e Marabella uma vez, ela era muito legal e responsável, pelas coisas que dizia e por uma história que contou, aparentava cuidar muito dos amigos.
Antes do café da manhã se encerrar, o moço que havia lhe ajudado na limpeza do curral e no conserto da irrigação pediu um tempo à todos.
Ele voltou com um buquê de camélias. E na hora Ayla já se tocou, a plantação dela!
A Dona dos brotos entrou em choque.  Ele os entregou diretamente à ela.
 - Onde você conseguiu estas? Não me diga que meu brotos já se abriram?
- Não, eu tive uma ajudinha para plantar estas em um lugar, posso lhe levar até lá, se me permite.
Ela parecia encantada. Ayla estava muito feliz pelos dois, eles mereciam ser felizes, todos merecerem aliás.
Sabia que ele era um velhinho muito bom, que a ajudou nas mais diversas situações e que Dona Clara era uma verdadeira Dama.
Estavam todos conversando sobre o episódio quando Ayla se lembrou que deveria dar uma olhada nos materiais que Dona Alegria havia deixado para a garota. Deu uma olhada no cronograma de aulas e nos assuntos falados, queria bolar uma aula legal e didática, como aquela que assistiu e posteriormente pode ajudar.
Começou a rabiscar e planejar a aula, teve uma ideia que julgou muito legal.
Após vários minutos no quarto resolveu, que iria começar a sua tarefa diária no curral. Aonde ela encontra ninguém mais ninguém menos do que Alegre.
- Bom dia garoto!
Ela conversou um pouco com Alegre alegremente.
E colocou comida nos cochos, Alegre foi se alimentar do feno recém colocado, pelo visto era bom para os cavalos um feno matinal.
Gostaria de sentir a liberdade e vento em seu rosto mais uma vez, porém agora teria que ver com a professora que hora seriam duas aulas, não gostaria de fazer isto mais tarde, já que correria o risco de perder a aula e ainda precisaria de falar com Dona Alegria para ela encontrar substitutos para suas atividades diárias, visto que ela estaria ajudando nas aulas.
Não sabia exatamente onde procurar. Pensou em procurar dentro da casa, o lugar onde parecia mais sensato.
Deu uma volta e a acabou encontrando-a na sala, ela conversava com um outro grupo de pessoas, não parecia ser uma reunião marcada, ou algo assim, do mesmo jeito Ayla ficou um pouco envergonhada de interromper, porém, aquele era um momento propício já que não sabia que outra hora teria para falar com ela e depois ainda falar com dona Alegria, não sempre que a garota tinha tempos livres.
Ela bateu sutilmente na soleira da porta e uma outra senhora a notou.
- Desculpe incomodar, mas a senhora teria um tempo para conversar comigo? Sobre as aulas.
- Claro, claro! Um momento pessoal.
- Oi! – cumprimenta Ayla. – eu queria muito saber o horário das suas aulas, vou querer ser uma ajudante.
- Que ótimo que você aceitou! Vai ser ótimo, sei que as crianças vão gostar muito!
Ao dizer isto começou a dizer à Ayla os horários das aulas, alguma delas teriam projetos e brincadeiras que ajudariam as crianças a aprender.
- Caso tenha alguma ideia para ensinarmos as crianças melhor e fazermos com que elas aprendam de maneira divertida é só me encontrar que veremos isto!
- Vou ver se consigo pensar em algo. Muito obrigada Dona... Qual seu nome mesmo?
- Acho que não cheguei a me apresentar. – diz ela pensativa. – sou Maristela.
- Certinho então, dona Maristela!
- Até mais... Ih! Agora me perdi! Esqueci o seu.
- Sou Ayla.
- Isso. Me perdoe, até mais.
- Até!
Ayla depois de um tempo resolve procurar Dona Alegria, porém hesita um pouco, já que ela poderia estar em qualquer lugar, ao descansar em uma parede e esperar alguém que tenha cara de quem sabe onde ela está, Ayla pega o papelzinho onde está a sua rotina e percebe que a próxima atividade será uma meditação bíblica. Ayla acreditava que Dona Alegria poderia estar em uma atividade destas. Era como encontrar o velhinho do curral, no próprio curral, era propício, porém nem sempre ocorria. Por este motivo ao ver uma garota passando não deixou de perguntar de ela sabia onde estava Dona Alegria.
- Com licença! – ela avista outra garota mais atrás e resolve incluí-la na pergunta. - Mas vocês sabem onde está a Dona Alegria?
Uma para por um momento e parece refletir, já a outra é mais rápida e diz que a encontrou nas plantações.
- No pomar ou no jardim? – se fosse no jardim compensaria Ayla ir procurar Dona Alegria. No entanto, se fosse no pomar, isto seria um problema. Apesar do tutorial de Nature, a garota não se sentia tão segura em visitar o local, talvez cometesse um estrago nas plantinhas e não gostaria que isto acontecesse.
- Nas plantações, no pomar. – afirma a outra. – quando dizemos plantações é sempre o pomar e o jardim é jardim mesmo. – termina explicando.
- Ah certo! Obrigada pela informação. Bom dia meninas!
- Bom dia para você também! Como está sendo a adaptação? – perguntou a primeira garota
- Está sendo boa. Com certeza, em apenas pouco dias consegui sentir um crescimento pessoal surpreendente, como se eu fosse muito mais sábia e mais madura, sabe?
- A maioria se sente assim, muito mais feliz, amado sabe? E verdadeiramente acolhido, com amigos, vistos como iguais perante aos olhos do senhor e querem apenas o bem um do outro. – ela para e sorri. – olhe só para nós!
Ayla ri junto.
- Então, quem diria!
- É só eu chegar aqui que eu já fico assim também, toda reflexiva. Isto é bom, com esses resultados que chegamos, podemos melhorar maneira de agir, claro que relacionando o nosso meio de pensar com os ensinamentos divinos, que devemos nos mantermos cientes antes de chegar à qualquer conclusão.
- É uma boa maneira de pensar, às vezes não pensar tanto também é bom, botar a mão na massa um pouco. Ou até pensar em meio aos exercícios, nos ajuda a pensar com maior fluidez. É por isso que a rotina daqui é tão boa.
- Claro, é necessário tem um balanceamento, às vezes as conclusões vão chegando na nossa mente nos momentos de sossego, depois de um dia pesado são as melhores.
- Concordo, vem acontecendo muito isso comigo também! Legal ver que algumas experiências acontecem com várias pessoas.
- Sim!
- Sentar no gramado após um longo dia, ou em um momento oportuno é muito bom, não? Com todo esse lugar abençoado, com essa natureza viva e todo o ambiente em si.
- Também gosto muito de sentar no gramado de vez em quando, já teve oportunidade de ver o pôr-do-sol de lá? É surpreendente.
- Não de admirar muito, acho que não tive uma pausa muito longa neste horário ainda. E se tive não pensei em fazer isto ainda.
- Você provavelmente está com pressa para encontrar Dona Alegria, ainda mais os recém chegados, com essa nova adaptação da rotina. Já vou indo!
Dona Alegria. Por um momento Ayla havia se esquecido que deveria encontrá-la para falar sobre as aulas. Agora nem adiantaria ir até lá, e talvez tenha sido melhor assim, conheceu uma moça que gosta de refletir, assim como a garota, teriam muito papo ainda.
- Até mais!
Ayla precisaria ir até o jardim, o encontro seria lá, talvez Dona Alegria fosse e chegasse mais cedo assim, elas poderiam conversar.
Ayla foi até lá e já viu que realmente Dona Alegria estava lá, com um grupo outras senhoras, aparentemente o grupo que viria para ouvir viria depois. Elas discutiam o que seria dito.
Dona Alegria ao ver Ayla já diz:
- Olá Ayla! Como vai?
- Vou bem e você, D. Alegria?
- Bem também, vejo que chegou mais cedo. – diz ela rindo um pouco. – acho que não podemos detalhar tanto a explicação para quem vai ouvi-la.
- Certo, eu vou dar uma voltinha pelos campos. Mas antes eu gostaria de falar algo com você.
- Sou toda ouvidos.
- Eu conversei com a Dona Maristela e ela me convidou para eu ser ajudante dela. E eu gostaria de perguntar se tem como de eu ajuda-la nesta semana, só que assim você precisaria se ajustar meus horários.
- Ah claro. Você pode deixar sua rotina comigo e passar os horários mais tarde depois da meditação, tudo bem?
- Sim, sim.
Ayla foi andar um pouco, todo aquele papo sobre o gramado a deixou com vontade de ir lá. Ficou tentando memorizar a rotina diária, já que o papel ficaria um tempo com a Dona Alegria.
Não pode deixar de apreciar o momento. Deixou o papel de lado e agradeceu à Deus pelo momento. Ao som ofuscante do vento ela disse em voz alta:
- Amém!
Não soube quanto tempo se passou exatamente, ficou aérea por um tempo. Até que Ayla se lembra de que deve ir à meditação, foi uma sensação estranha mas ela percebeu que o que acabara de acontecer foi uma meditação. E ela ficou feliz, desta vez faria com várias pessoas em volta e com um texto bíblico, ao menos imaginava. Mas gostaria de passar por esta experiência novamente, então foi contente até o local, desta vez chegando pontualmente.
Ela se sentou na roda. Enquanto todos se cumprimentavam, uma maneira de relaxar para conseguir meditar é ao menos conhecer um pouco as pessoas ao seu redor. Trocar um sorriso, um abraço, um aperto de mão, faz a diferença não se mostrar indiferente ao outro e mais confortável também.
Lá na roda uma moça começa explicando tudo o que deveria ser feito, basicamente sentar confortavelmente e esvaziar a mente. O jardim era um lugar que ajudava, com cheiro de flores de toda a terra.
A meditação começa e surpreendentemente não aera apenas ouvir, mas ela os mandou pegar um bocado de terra e segurar na mão. Ainda com a terra em mão os participantes são instruídos a dar as mãos. Ayla estava achando tudo um pouco estranho, mas de uma boa maneira.
Após o feitio e alguns minutos de silêncio, Nature, que parecia ser quem iria guiar esta meditação, inica:
- Quero que você se concentrem nas mãos de vocês e na terra presente nela, a terra, é um bem que nos foi dado desde a criação, nela se encontra vida. Ela nos une, a natureza nos une. Pois no princípio Deus criou os céus e a terra. Então disse Deus: "Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies". E assim foi. A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom. De modo geral a terra nos conecta com Deus e isto está no tudo na bíblia.
- Agora foquem na Terra, sintam-na. Respirem o ar fresco aqui de fora e repensem as palavras agora a pouco ditas.
Ela repetiu a passagem mais algumas vezes e os deixou pensando nelas.
Foi um bom tempo, uma hora lhes foi instruído soltar as mãos e posteriormente uni-las e m sinal de oração. Fecharam o círculo agradecendo à Deus pela meditação em si e pelos outros momentos. Pediram por fé, força, saúde e coragem, para então todos se despedirem e Ayla ir falar com Dona Alegria sobre as aulas que a garota daria.
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Atualizado em: Qui 15 Abr 2021

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