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O Trem Fantasma

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Era uma tarde esplendida que parecia sair de um quadro de artes. O pôr do sol alaranjado com um suave vento fresco enfeitava a paisagem perfeita para um encontro a dois. Sendo assim o nosso casal desse conto Liliane e Edson decidiram aproveitar o domingo para conhecer o parque de diversões “La Bamba”. A cidade de Campinas promovia a mais nova atração que já fazia sucesso entre crianças e adultos de todas as idades. 
O Algodão-doce, a pipoca, a maça do amor e as guloseimas apetitosas aromatizavam o clima. A roda gigante, o carrossel, o carrinho de bate — bate e a montanha-russa completavam os atrativos. Nada poderia atrapalhar os noivos apaixonados. Porém, nem tudo é fantasia e o mal existe podendo vagar por entre nós nas mais variadas formas, sendo uma delas à morte. 
Eu particularmente vejo a vida como um trem sem rumo buscando estações para desembarcar seus passageiros em seus destinos finais. E infelizmente Lili e Ed teriam o seu caminho interrompido por uma fatalidade. 
A noite da data de 21 de agosto de 2028 despertaria os medos mais intensos para eles. Angústia, pânico, ansiedade e dor, todos os sentimentos misturados em uma única dose de terror. O mundo sobrenatural seria revelado. E você leitor acredita em fantasmas? 
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A fila para a atração “Expresso do Inferno” chamava a atenção, era empolgante a ideia de andar em um trem fantasma. O único a não compartilhar de tal entusiasmo era o medroso Ed, que segurava a mão de sua donzela Lili tão forte a ponto de estralar seus dedos. 
O percurso não demorava mais do que 20 minutos na escuridão, apenas um carrinho por vez circulava sobre os trilhos de madeira. A temática do castelo dos horrores amedrontava pelas fantasias realistas. Gritos e mais gritos podiam ser ouvidos a metros de distância. Preparados para essa aventura? 
— Minha amada, somos os próximos! Você está vendo algo na entrada? 
Além do coveiro sem cabeça com uma pá? 
— Não! Somente ele na porta, a fumaça bloqueia qualquer vestígio. 
O passeio iniciava-se com uma música fúnebre, olhares fixos tentavam se adaptar enquanto luzes vermelhas piscavam sem parar. Gradualmente os personagens entravam em cena atuando de forma esplêndida. O pianista sem dedos tocava alegremente e a dama de vermelho dançando sem os pés, flutuava por cima das cabeças dos visitantes. 
O vampiro sanguinário sumia e aparecia entre os espelhos enquanto o lobisomem uivava para a lua. A noiva cadáver coberta de vermes, choramingava pelos cantos. E é claro que não poderia faltar a serra elétrica sendo erguida pelo açougueiro maquiavélico, um clichê mundial. 
— Meu deus! Lili aquilo é um esqueleto enforcado? 
— Sim! É a entrada do cemitério Ed, com cruzes enferrujadas. 
— O zumbi medonho está olhando para mim, como se fosse me devorar. 
— Não o vi! Estava encantada com os pedaços de partes humanas penduradas no frigorífico. Querido você está suando. Está tudo bem? 
- Sim. Mas nos paramos? Que barulho é esse? 
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Em poucos segundos telhas enormes despencaram sobre o casal, o estrondo gigantesco media a proporção do desastre, a poeira que pairava no ar dificultava a visão. O que tinha acontecido? 
Edson levantou-se devagar, desnorteado e tremendo apoiou-se na parede. Sem pensar muito pegou o seu celular e ativou a função da lanterna. Tudo estava escuro, e para piorar a situação sua futura esposa havia sumido. Sua mente estava em choque, nada fazia sentido, onde estavam todos? 
Caminhando por mais alguns passos Ed notou rastros de sangue, seriam o de Lili? O alerta de perigo era evidente, havia entre eles um assassino? Muitas perguntas sem respostas e a agonia em seu peito só aumentava. 
- Socorro!! Ajudem-me. Alguém está me ouvindo? 
Correndo por entre os espaços disponíveis o nosso protagonista se perdia cada vez mais. A diversão tornou-se um pesadelo. Era como se um mundo aleatório estivesse se criando rapidamente. Um labirinto de portas trancadas e corredores sem saída, não havia uma única alma penada. 
O silêncio no ambiente era medonho sendo apenas interrompido por sua respiração ofegante. Gritar, chorar, implorar ou rezar não traria a sua amada de volta, ou uma solução para os seus problemas. Pensamentos inoportunos colocavam em jogo a sua sanidade mental, estaria ele louco? Morto? Ou no inferno? Mas os seus pecados não eram tantos assim. Entre questionamentos e incertezas eis que surge uma menina. 
A garota de cerca de onze anos estava parada olhando fixamente para Ed. Seu vestido branco, cabelos negros e olhos verdes completavam a sua aparência. A pele branca quase transparente e o seu ursinho de pelúcia na mão esquerda finalizavam o aspecto sinistro. Como ela havia chegado até ali? 
A pequena fantasma de forma carismática abriu um sorriso enquanto levitava, era algo difícil de acreditar. Ed estava paralisado sem saber como agir, a cena de filme de horror abalava seus nervos. 
— Olá! Sou a Anne, quer brincar? 
- Desculpe, mas estou procurado uma saída. Preciso achar uma pessoa. 
- Seria a Lili? 
- Sim! Você a viu? 
- Acredito que era ela no hospital. 
- Que hospital? Devo estar enlouquecendo. Eu morri? 
- Não, seu bobo. Quer que eu leve você até ela? 
- Por favor, serei muito grato. 
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Como em um passe de mágica as portas foram se abrindo. Anne atravessava as paredes em alta velocidade enquanto Ed corria atrás tropeçando em todos os objetos que encontrava pela frente. Era no final das contas uma brincadeira e a linha de chegada terminaria em uma janela vermelha. 
- Pronto! Só abrir e pular. 
- Sério? Mas não vejo nada. 
- Apenas pense na Lili. 
- Você vai ficar aqui? Não quer vir comigo? 
- Eu não posso. Mas você sim. Vá Logo! Ela está te esperando. 
— Obrigado querida. 
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Liliane estava segurando as mãos de Ed quando ele acordou em uma cama de hospital. Sonolento e com dores de cabeça ele tentava entender o que estava acontecendo. Sua noiva eufórica beijava-o e agradecia a Deus pelo seu retorno. Enfim estavam juntos. 
- O que está havendo? Não me recordo de nada. 
- Você teve uma hipoglicemia, falta de açúcar no sangue, caiu logo após o sintoma de sudorese. E na queda bateu a cabeça bruscamente em um cano de metal, me apavorei. Foram 12 dias de coma querido. 
— Nossa! Mas você está bem? 
- Agora sim! Eu te amo. 
- Também te amo. Vamos embora? 
- Logo voltaremos para casa. Como é estar desacordado? 
- Depois te conto, é uma longa história. Como foi passar o tempo aqui? 
— Triste em alguns momentos. Conheci um casal adorável Lorena e Marcelo. Estavam com a filha internada vitima de afogamento, mas ela faleceu. Tentei confortar o coração deles de todas as formas. 
- Como ela chamava? – indagou Ed com um nó em sua garganta. 
- Anne. 

 

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Atualizado em: Sex 18 Set 2020

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