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Diário de quatro patas: Bolacha - O cão fujão.

    dog 

Eu não sei dizer como vim parar nesse lugar escuro, feio e sujo cheio de gente estranha. Ás vezes eu penso que o meu problema é correr sempre que a Rebeca abre a portinha de casa. Meu rabo dispara de ansiedade igual ás minhas patinhas no asfalto que correm em direção aos carros, sou viciado em rodas, mas isso nunca foi um problema pelo menos não para o meu focinho pretinho, ele ama o cheiro de pneu queimado. Porém, agora estou perdido e não consigo achar o meu lar, será que você amiguinho pode me ajudar?
            Tenho uma plaquinha de identificação na minha coleira vermelha, linda por sinal ganhei no meu aniversário de dez anos, já sou idoso e deve ser por isso que me confundi no caminho de volta. Meus olhinhos já não enxergam como deveriam. Há desculpem pela minha falta de educação eu sou o Bolacha mais conhecido como  Fujão. Eu vim de uma família grande e completa todos me amam e devem estar loucos atrás de mim. Papai é brincalhão ele deita no chão e deixa-me beijar sua boquinha, a minha irmãzinha caçula Liliane adora fazer carinho em minhas orelhinhas, jogar bolinha e dormir comigo agarradinha. A mamãezinha que cuida das minhas comidinhas favoritas me dá banho, roupinha, amor e bronca quando como os seus sapatos. Mas vocês já comeram sapatos? São saborosos e nutritivos deveriam experimentar, eu adoro.
            Enfim toda a minha vida eu passei cercado de cuidados especiais. Ontem á noite depois que fugi me senti sozinho pela primeira vez, com frio, fome, sede e medo muito medinho. Um homem grande me chutou e até agora eu não sei o motivo, fui dar a patinha para chamar à sua atenção e depois disso não consegui mais andar. A chuva que cai em meu rostinho limpava as feridas e confortava a minha situação por hora.
****************
            O sol da manhã despertava uma nova chance para mim, um senhor de barba branca, vestido de roupa vermelha engraçada olhava fixamente para o meu corpinho. Acho que o jornal que lia trazia notícias minhas. Seu gesto de ternura cativou o meu afeto, ele tinha ração de carne com sobras de frango. Ai Deus isso tornava esse ser divino o meu melhor amigo!
            Alguns minutos de papo com o velhinho simpático me proporcionaram momentos de alegria, mas o que estava por vir era melhor ainda. No fusquinha azul meus donos chegaram, todos choravam por algum motivo que eu  ainda não sei.
            No final estávamos juntos na ceia de Natal. Minhas saídas sorrateiras haviam sido suspensas temporariamente e o meu castigo seria prolongado por semanas, porém logo eu daria os meus pulos como coelhinho e sairia em busca de novas aventuras.
            Obrigada Papai Noel por me resgatar,
            Lambidas e mais Lambidas
            Bolacha!
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Atualizado em: Qua 29 Jul 2020

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