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MALDADE TEM SEU PREÇO

         Já há alguns meses, Leandro fora admitido naquela grande e conhecida organização internacional. O rapaz dominava com certa facilidade alguns idiomas, mas a vaga disponível era apenas como assistente de compras externo, ou seja, ele era encarregado de ir diretamente as lojas e estabelecimentos indicados pelo comprador oficial, responsável por atender aos pedidos de compra de todos os seis pavilhões.

         Considerando que a organização mantinha nesse seu centro de pesquisas, aproximadamente quinhentos funcionários, pode-se imaginar a quantidade de lugares que diariamente o rapaz precisava visitar.

        O comprador, que além de corrupto não tinha bom nível cultural, se vira obrigado a aceitar sua admissão, pois a sua aprovação fora recomendada pelo diretor geral, que se agradara do jovem e de seu currículo durante a entrevista.

           A velha corrupção no país que só agora se mostra escancarada aos nossos olhos, já existia na época e Eugenio, o comprador, além de temer a competência de seu auxiliar, também receava ter suas armações descobertas, pois combinava preços de licitações com os comerciantes quando se tratava da compra de algo de valor significativo.

          Leandro saía pela manhã com hora certa para voltar, levando um roteiro de diversas folhas, margeado e preenchido pelo comprador com todos os endereços dos fornecedores, de maneira que ele  buscava pela cidade desde  simples lote de seringas hipodérmicas até enormes objetos, como por exemplo, uma caixa d’agua, e é aí onde nossa história começa.

           Eugenio fazia de tudo para complicar a vida do rapaz, com a intenção de demiti-lo em cada folha do roteiro constavam cinco estabelecimentos diferentes e distantes entre si, o que dificultava o trabalho do assistente, pois ele nem sempre dispunha de vaga para estacionar onde necessitava e com isso seu tempo se esvaía, algumas vezes sem cumprir todas suas tarefas, do que o comprador queixava-se, constantemente com o diretor.

           Naquele dia o covarde resolvera dar seu golpe de misericórdia no rapaz.  Anotou como urgente na folha do roteiro a necessidade de compra de uma caixa d’agua de mil litros deixando o último zero  fora da margem do papel a boa distancia e a letra l na linha abaixo. Leandro com muito esforço conseguiu cumprir todas as tarefas do dia e pediu que a loja de materiais de construção fizesse a entrega da caixa imediatamente ao centro de pesquisas.

          Surpresa grande  teve o jovem  quando ao voltar ao centro e conferir o roteiro com seu chefe, após alguns minutos, foi chamado pelo diretor  à sua sala para repreendê-lo ladeado pelo comprador pelo engano na compra da caixa, que não era de mil litros, mas de cem e que agora teria que providenciar a troca e o transporte á loja. Imagine-se o transtorno que isso causaria, pois teriam que providenciar um veículo de médio ou grande porte para leva-la de volta e ainda contar com a boa vontade do comerciante em fazer a troca, que por telefone já havia se negado.. 
- Perdão Dr. Casas, mas ele me mandou comprar uma caixa de mil litros – disse o rapaz.
- Veja doutor como ele é relapso, sempre cometendo erros e nunca cumprindo todo roteiro. Penso que não há como ele permanecer trabalhando aqui – disse Eugenio mostrando a folha do roteiro onde constava realmente cem e não mil.

     Surpresa maior, entretanto teve o comprador quando o rapaz, lentamente retirou de sua pasta uma cópia xerox que tirara da folha antes de sair às compras e lá estava o zero fora da margem.

      Há alguns dias ele vinha copiando seus roteiros já desconfiado que Eugenio tentava boicotá-lo.

      O cretino havia planejado e cortou com a guilhotina a parte fora da margem onde havia escrito o algarismo antes de mostra-la ao diretor com a intenção de prejudicar o rapaz. Dr. Casas constatou sua deslealdade  repreendeu-o severamente e pediu que se retirasse. O comprador  saiu da sala cabisbaixo, acabou demitido e, sem querer, promovendo o jovem à sua vaga.

                                 Quando se tem maldade no coração às vezes subestima-se a inteligência alheia e paga-se caro por isso.
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Atualizado em: Qui 9 Jan 2020

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