person_outline



search
  • Contos
  • Postado em

Eu confesso!

Meu nome é Raul Almeida.
      Vou contar a minha história, como eu perdi tudo, como minha vida mudou da noite para o dia, por causa do meu temperamento.
      Eu confesso! Eu matei um homem inocente;; privando sua família da alegria de vê- lo voltar para casa, de abraçá- lo e de receber seu amor.
     Era uma noite de sábado como outra qualquer. Uns amigos me convidaram para inauguração de um bar; não estava com muita vontade de ir, mas minha namorada Milena queria ir; gostava da banda que iria se apresentar no novo bar. A contragosto aceitei e na hora marcada fui buscar Milena.
     Começamos a discutir logo na frente da casa dela, por causa da roupa provocante que ela usava.
   - Não vai vestida assim!
   - Vai começar com isso de novo?
   - Já disse que não quero que use mais essas roupas!
   - Você me conheceu assim, gostou de mim assim; não vou mudar agora.
     Essas discussões eram frequentes e cada vez mais violentas, normalmente eu perdia a cabeça e rasgava-lhes a roupa. Ela chorava dizia coisas cruéis; a irmã dela acalmava a situação e eu esperava no carro, tentando controlar a raiva. Enquanto ela trocava a roupa e retocava a maquiagem. Quando ela finalmente entrava no carro eu lhe pedia perdão e prometia que não ia mais acontecer. Isso levava a outra discussão.
   - Essas suas promessas são velhas, então não reclame quando eu me cansar e te deixar.
   - A culpa é sua!
   - Minha? Essa é boa!
   - Sim! Já disse que não quero que vista aquele tipo de roupa.
   -  Já disse que não vou mudar. Ou você se acostuma ou cai fora.
   - Eu quero casar com você, formar uma família.
   - Esse já foi meu sonho...
   - Foi?!
   - Sim! Não vou casar com um homem que me agride e não me respeita.
   - E eu não posso me casar com uma mulher vulgar.
   - Vulgar?
   - Olha como se veste.
   - Quando decidiu me conquistar a roupa não foi um problema. Você é inacreditável. Um cretino!
     Parei na frente do bar e continuamos discutindo dentro do carro. Guilherme bateu na janela; Ana a namorada dele arrastou Milena para dentro do bar. Eu estava com muita raiva.
   - Brigando de novo?
   - Aquele estupido, disse que eu sou vulgar.
   - Você sabe que ele não gosta do tipo de roupa que você veste, muito provocante.
   - Não vou mudar
   - Que tal um meio termo?
     A conversa foi interrompida pelas amigas.
     Eu e Guilherme entramos logo em seguida, uns amigos, queriam conversar, mas minha atenção estava em Milena, meus olhos a seguia. Um rapaz passou a mão no cabelo de Milena; Guilherme percebendo a situação, segurou meu braço.
   - Sem brigas, você prometeu.
   - Vou me controlar.
     Quando olhei pro salão, não encontrei Milena. Guilherme percebendo minha inquietação perguntou por Ana a irmã dela.
   -A esposa do Amaral levou elas para o escritório, queria mostrar a elas um projeto. Trabalho para elas, eu acho.
    Meu coração se acalmou, procurei o rapaz estava numa mesa com uns amigos. Sentei numa mesa com os amigos e tentei relaxar. Quando elas chegaram fiquei reclamando da demora.
    - Já vai começar?
   - Veio pra trabalhar?
   - Pega leve Raul, vamos curtir a noite numa boa.
   - Ana tem razão, vamos ficar de boa, sem brigas. Ressaltou Guilherme.
     Elas foram dançar e Guilherme me chamou num canto.
   -Você vai perder essa mulher.
   - Se ela me amar de verdade, vai casar comigo.
   - Não tem amor que sobreviva a isso...
   - Só cuido do que é meu. Por falar nisso vamos pra perto delas.
   - Deixa as meninas curtirem um pouco, sem você chateando.
     Fiquei sentado observando elas, o dito rapaz se aproximou delas e falou no ouvido de Ana, mostrei a Guilherme, ele não se importou. Levantei e caminhei até as moças, Guilherme me seguiu. As duas deram uma gargalhada e ouvi o rapaz dizer: essa morena é muito gostosa, essa noite será minha.
     Milena era uma morena linda. Os cabelos naturalmente lisos, negros como a noite, olhos vivos e expressivos, lábios carnudos, corpo escultural. Perfeita! Seu sorriso iluminava seu rosto, era muito sensual. Qualquer homem  a desejaria. Então perdi a cabeça.
     Peguei uma cadeira de uma mesa próxima e derrubei o cara, eu bati tanto nele e com tanta fúria, que minha camisa ficou manchada de sangue. Guilherme me tirou de cima do rapaz, uns amigos ficaram com o rapaz enquanto a ajuda chegava; as moças choravam. Foi tudo tao rápido e automático, que só percebi a gravidade do que tinha feito, quando olhei Milena. Nunca esquecerei aquele olhar de desprezo, de ódio.
     O rapaz foi para o hospital e eu pra delegacia.
  Na delegacia fiquei sabendo como tudo realmente aconteceu..
     O rapaz era conhecido de Ana, quando elas entraram ele tirou uma mariposa do cabelo de Milena. Depois na pista de dança, ele relembrou a Ana como ela era sem graça e desengonçada quando menina; as duas deram gargalhadas. Quando ele falou no ouvido de Ana, queria saber o nome da amiga dela que tocava na banda que se apresentava naquela noite. Era dessa moça que ele falava quando me aproximei; não tinha nem notado a Milena, nem falado com ela.
     Ana disse que ele era um rapaz trabalhador, um bom filho,, um irmão amoroso e um amigo leal. Que o único pecado dele era ser amigo dela. O único pecado dela era ser amiga de Milena e o pecado de Milena foi ter deixado eu entrar na vida dela.
    Milena se recusou a falar comigo, mandou me dizer que jamais falaria comigo de novo. Me senti muito mal.
     Todos os meus amigos me abandonaram, só o Guilherme que ficou ao meu lado nesse momento tenebroso.
   - Eu te avisei que você iria perder aquela mulher maravilhosa.
   - Ela vai me perdoar, ela me ama.
   - Ela se mudou e ninguém diz pra onde...
   - Se mudou? Estava descrente, não podia me deixar.
     Percebendo minha confusão mental, Guilherme continua?
   - Vendeu tudo, deixou a família, os amigos e até o emprego.
   - Não sei viver sem ela.
   -Vai ter que aprender.
   - Deve ter algo que eu possa faer para concertar...
   - Não há mais o que fazer, o rapaz morreu ao amanhecer.
     Coloquei a mão na cabeça e chorrei amargamente.
     Fui semtemciado há trinta anos de prisão, mas cumpri quinze anos. Guilherme me ajudou a começar de novo.
   - E Milena?
   - Não sabemos.
   - E as cartas que escrevi?
   - Ana entregou a irmã dela.
   - Ana não tem mais contato com ela?
   - Milena não quer perto dela ninguém que tenha contato com você.
   - Elas tinham uma amizade tão bonita.
   - Começou na infância. Mas eu casei com Ana e apoiei você, então a amizade delas não suportou, morreu!
   -Eu lamento!
   - Vamos ver se isso é verdade.
   - O que quer dizer?
   - São suas atitudes que vão mostrar o seu lamento e arrependimento.
     Guilherme nunca me deixou sozinho, mas não acreditava que eu pudesse mudar. Ana nunca impediu que o marido me ajudasse, porém nunca quis falar comigo e nem me CER de novo.
     Arranjei um emprego na indústria do Flávio, amigo do Guilherme. Procurei Milena por anos e gastei muito dinheiro, em vão.
     Hoje sou um novo homem, aprendi a controlar a raiva, no entanto o velho eu esta aprisionado dentro de mim e as vezes tenta escapar, quer vim a tona. Eu busquei ajuda profissional e faço trabalhos voluntários.
     Milena mandou dizer que eu pare de procurar por ela, que não quer me ver, mas disse que ficou contente de saber das minhas mudanças. Que nosso tempo já passou, esta casada e feliz, que espera que eu seja feliz também.
    Eu confesso! Eu matei um homem por ter um desvio de conduta e uma falha grave no meu caráter. Por causa disso perdi o meu grande amor e minha paz. Agora preciso juntar os pedaços e seguir em frente. Por meio de Guilherme ajudo a família do rapaz, sem poder jamais esquecer o mal que fiz a eles e a todos que atravessaram meu caminho.
Pin It
Atualizado em: Seg 27 Maio 2019

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222