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Até a Próxima

Continuo deitado. Pensei que doeria mais ou, então, que algo aconteceria para me impedir. Mas não, tudo simplesmente ocorreu de um jeito rápido e sem maiores problemas. Talvez eu, por conta dos livros que li, esperasse algo romantizado e tenha sido decepcionado por conta da minha própria expectativa.
Aquilo fora necessário, disso eu sei, tenho certeza. O mundo já não era mais belo. Toda uma gama de possibilidades estava se esgotando. Não por tentativas atrás de tentativas em fazer as habilidades desabrocharem. Muito pelo contrário. Todas as possibilidades estavam se esgotando por levar uma vida pacifica demais. Uma vida reclamona demais. O tempo passa e, muitas vezes, só lembramos quando ele não existe mais. Foi isso que aconteceu, com certeza. No fim, todas as esperanças ressurgem e é possível até mesmo ver um raio de sol entrando pela janela, pela porta. A luz se infiltra até mesmo pelo maldito buraco que você se enfiou por conta da depressão.
Ah, mas aí é tarde. O raio de sol aparece só para mostrar o quanto é inútil desperdiçar a vida com lamentos, jogando o ego para baixo. Não há mais volta.
A respiração diminui, sei que faltam poucos segundos para que tudo acabe. Para que toda a agonia, sofrimento e tristeza vá embora. Posso até mesmo ver um feixe da luz do sol entrando pela janela perfeitamente limpa, sem um grão de poeira.
A respiração cessa.
Levanto, guardo a faca em minha cintura e jogo um lençol preto, que trazia em minha mochila, em cima do corpo.
Uma lamentação a menos no mundo. Desejo que na próxima reencarnação ele venha mais feliz.
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Atualizado em: Sáb 10 Set 2016

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