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Aquela história pt.2

“Por que ela estava de salto àquelas horas no outback? Por que ela chorava? por que ela havia sorrido pra mim sem nunca ter me visto? “ Essas eram as questões que rondavam minha cabeça, não tinha idéia de quais seriam as respostas. Conversamos por quase uma hora, mas apesar de toda a malandragem que usei para tentar conquistá-la (sim, tentar), não tive a coragem de perguntar. Soube apenas uma dessas respostas.
Sabe qual foi o motivo para ela sorrir pra mim sem me conhecer? Simplesmente por que ela decidiu sorrir para a vida, claro que eu não era nenhum sinônimo de vida, não era feliz há muito tempo, estava cheirando a cigarro (coisa que ela deixou bem claro quando me sentei à mesa), estava com uma cara de ressaca horrível e roupas que não deviam ser usadas nem para dormir, mas para ela, sorrir para a vida significava ser feliz a todo custo, ou pelo menos tentar.
Nesse tempo que conversamos, ela me contou coisas sobre ela, que admito, demorei pra acreditar. Ela tinha uma enorme vontade de sumir, se emocionava por um super-herói e muitas vezes era a famosa “ovelha negra da família”. Era doce, animadinha, falava muitoooo, mas enquanto ela me revelava essas coisas, continuava a chorar discretamente.
Ela dizia ser romântica, mas também dizia coisas que eram o contrário disso, parecia tentar passar uma imagem de desapegada. Posso dizer que ela era uma ótima atriz, pois acreditei nesse discurso durante um bom tempo, mas creio que isso é história pra outro momento.
Enquanto falava, ela disse que queria comer e me pediu que fosse buscar para ela algumas batatas. Levantei-me e fui. Ao me afastar, comecei a me perguntar o que estava acontecendo comigo, porra, ao olhar pra alguma mina só pensava se ela poderia ser “útil” pra mim, apenas resumo sabe? E com ela não, voltei a ter sentimentos, a cena dela chorando me partia o coração. Quando voltei, ela havia se sentado no meu lugar, dando a entender que eu deveria me sentar ao lado dela, então sentei. Pelo jeito, meu cheiro não era só de cigarro, era de bebidas em geral também, afinal novamente ela foi bem sincera comigo. Assim que cheguei perto, ela falou:
- “Na próxima noite dessas, me chama, assim ao invés de derrubar tanta Catuaba e vodka na sua roupa, coloca em um copo e me dá”
 (sobre essa frase e a gargalhada que se iniciou após: Me apaixonei. Apenas.)
Após comer suas batatas, ela me disse que precisava ir embora, essa mina me tratava apenas como um amigo, e mesmo com receio ela confiou em mim. Ela era desconfiada, então creio que me disse apenas o que contaria a qualquer um, mas me senti especial de alguma forma. Ela sabia que falar com um estranho era um risco, eu valia o risco, e bom… ela gostava de riscos.
Quando se levantou, pude observar com calma aquele corpo, p**a que pariu, ela era linda, e sabia disso, mas não estava nos seus melhores dias de auto-estima. Descobri isso só depois, pois se tem uma coisa que ela não fazia, era demonstrar suas inseguranças. A postura era intacta, aquela postura me abalou, não tive coragem de pedir um telefone ou sequer perguntar seu nome, e por fim esqueci-me da pergunta que me levou até ela “e esse café ai? Veio de onde?”.
Já em pé, ela segurou meu rosto e me agradeceu pela conversa, eu tirei seu cabelo do rosto, ela entendeu minha intenção. Deu-me um sorriso safado, um beijo no rosto e foi embora.
No momento em que ela saiu por aquele mundo, vi a delicadeza no seu andar, a atitude, apenas aquela dama me fez sentir uma coisa estranha, uma ansiedade, até um desespero, só sei que precisava vê-la novamente. Logo um vagabundo que nem eu, tava ali esperando uma mina impossível aparecer de novo.
Assim que ela saiu pela porta, o garçom riu de mim, e disse algo como:
“Você sabe que essa moreninha é linda demais pra você né? Sorte sua que ela tem muito mau gosto”
Ele percebeu que eu ia deixá-lo falando sozinho novamente, então me deu um café (que eu não pedi!) e fui pra casa sem entender, pensando na sua fala e de onde ele tinha tirado a salvação da minha dor de cabeça (o café!).
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Atualizado em: Qua 20 Abr 2016

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