person_outline



search

O POETA INVISÍVEL

E assim sou ausente de mim mesmo,

Abandonei muitos eus nos silêncios

Das trilhas (e eles deixam venenos.

Onde passam, a dor é um presente).


E sem ter o que chamar de meu, vejo,

Da arquibancada destas paredes,

As minhas desgraças numa sequência

De tic-tacs mudos, insistentemente.


Nada se mexe no pavor das três,

O poste pisca, apaga, acende…

Vem, deste soneto inexistente,

O último pacote da despensa,


O pó da prateleira, o poema

Da seda que ainda me sustenta.

Pin It
Atualizado em: Qui 4 Jan 2024

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br