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ARMADURAS

I
 
Bastava-me compor apenas uma música,
mas não consigo mesclar duas partituras:
a da nota muda do poema e a que inunda
o canavial dos pelos deste meu corpo sujo.
 
Eu sou aquele que dorme com a armadura.
— Nem o verso vence minha farsa absoluta.
 
II
 
E paupérrimo do poeta crédulo cujo verso
moverá os montes ou o salvará do inferno,
seja o da terra, seja o do fogo nas costelas.
A vaidade sempre será o couro das rédeas,
 
quando curvamos a cabeça, e vemos a goela
preta do umbigo, de onde poucos regressam.
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Atualizado em: Qua 22 Mar 2023

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