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DA JANELA LATERAL (15h31, depois do nada)

Bordo a manhã crua, morta no seio da ventania
que corre aleatória e acelera a vinda do meio-dia,
quando os ponteiros estarão amasiados em cima
do doze que divide as duas partes da mesma ficha.
Da janela lateral vejo telas através da metalurgia
da grade retorcida e, daqui, a árvore agora é oliva
e também verde-musgo e bege nesta luz dividida
que, há pouco, e a partir do vento que predomina,
foi recoberta pelo fundo chumbo da nuvem cinza.
E me pergunto nas horas e de maneira obsessiva
como tudo começou e se o Deus de fato já existia
antes do antes, no reino do nada — sem química.
Quero tirar o verso da cama e trafegar na poesia
que dissolve o colostro da tarde azul e amarelinha,
neste silêncio absoluto da lírica que paira sozinha
— sob os desvãos do asfalto que flutua na espinha.
Mas, às quinze e trinta e um, um poema me avisa:
— Viva, porque a morte não é maior do que a vida.
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Atualizado em: Dom 1 Ago 2021

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