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TRÊMULOS

E cada vez mais cai

os pós da maquiagem,

quando leio as páginas

dos poetas, os clássicos,


os da modernidade,

Ivan, Cícero, Carlos,

Secchin, Hilda, Cabral,

Eliot, Yeats, Mário.


Vejo o que me falta,

sinto o que escapa

esgueirado, o rato

de baixo, camuflado


no medo e nos traumas

dos ciclos do passado

e do odor do álcool

suspenso pela casa,


o pai ouvindo rádio

e o som espalhado,

entre as longas tardes 

e seus gritos calados.


E por onde eu passo

deixo a minha marca:

o desprezo aos fatos

de uma alma pálida,


de ânsias e de tarjas

pesadas que abafam,

de drágea a drágea,

a dor de não ser nada.


Resta o perolado

a surgir, isolado,

atrás da faixa clara

daquela nuvem prata


que traz uma verdade

no colo da bagagem

chumbo da sua água

presa que não desaba:


poemas não têm calma. 

Findam, mas não acabam.

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Atualizado em: Seg 22 Mar 2021

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