person_outline



search

ANTIDIÁRIOS DE JUNHO XXVIII

Eu sei bem como você se sente: mãos sobre a cabeça suada,

vai para aqui e ali e lança outro olhar distante sobre a praça


e respira fundo. Não há aquela voz de dentro feito um grito

contido a traduzir a própria porção de infinito (um gemido


sutil, mas que possa ser ouvido). E o telefone é uma agenda

vazia que liga e desliga no ametista do arquivo sem poema.


Sei da angústia. E da taquicardia. Sei do calor. E sei do frio.

Nada sai nesse deserto de calafrios. Não acha o tal do signo


que inicie esse compromisso. A ideia insistente não floresce 

e a tela não é preenchida. Acende mil cigarros. Mas não reza


porque sente vergonha da fé. A ansiedade constrói o prédio

na sua rede imodesta. Toda a vida partiu. E só ficou o tédio.

Pin It
Atualizado em: Seg 29 Jun 2020

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222