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ANTIDIÁRIOS DE JUNHO XXIII

O meu verso frequenta o instante do que já é passado;

jamais entenderá a morte seca deste presente deletado


e desconhece: será que estamos há muito no lugar errado?

Ele é um terço, uma novena vitalícia rezada ao contrário


ou, quem sabe, não seja nada além de um amplo nada

de fato. A poesia não prometeu comida e roupa lavada.


O tempo das horas se transforma em inúmeros atalhos,

a fim de que eu possa reencontrar o meu próprio rastro


e desenhá-lo nesta imagem oculta que caiba, não exata,

no raso do poema que vaza na primeira brisa que passa.


O beijo do poeta mora no refrigério veloz daquela rajada

— no bucho atado e preso no nó cego que nunca desata.

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Atualizado em: Qua 24 Jun 2020

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