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JOIO

Eu via a  avó paterna espalhar os feijões sobre a mesa,

na penumbra matutina da cozinha quase toda acesa.

Lembro dos óculos caídos quando mexia a sobrancelha

— colhia as pedras e contava, com a expressão serena,


as verdades da sua vida grande, mesmo sendo pequena.

Vejo agora o coador de pano fumegante e a escumadeira.

E eu estava por ali, fingindo que tudo era uma brincadeira

dos fantasmas ruins que já assombravam a minha cabeça.


Escolho as palavras para um verso sobre a noite de granizo.

Doo o trigo. Escrevo com o joio. E o seu incômodo maldito.

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Atualizado em: Seg 28 Out 2019

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