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SULFÚRICO

Estou debaixo da noite ventilada

e sopro muito depois da tragada

uma nuvem espessa de fumaça

que sobe ao gelo desta madrugada.


Sinto o âmbar derramado do poste

— e mal ilumina as almas que correm

entre o amarelo da farinha e os cobres

do despacho à terra dos que morrem.


Meço a distância da varanda ao espaço.

Ouço versos e noto o carro que passa

e exala o cheiro da gasolina queimada

que pinga do monóxido e cai na calçada.


Sobra neste agora veloz uma chuva fina

que espalha a parafina fria da esquina

no meio da lágrima espelhada na avenida

refletindo no asfalto o que vem lá de cima.


E na compressão das horas, eu ainda insisto

no vitríolo de um poema que devore o infinito.

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Atualizado em: Seg 30 Set 2019

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