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Em um movimento

Tudo se deu durante um concerto;

as poltronas do coro eram estreitas.

Todos os assentos tomados

estava num aperto.


À minha direita, uma senhora,

à minha esquerda, um jovem senhor elegante.

Soam os acordes brutos de Petrouchka;

o êxtase vem sem demora.


O transe da dança,

o martellato de Stravinsky.

A respiração ofegante,

o pulso interno que não cansa.


Cabeças se movem em stacatto,

o ritmo acelera e prende.

Os corações pulsam ofegantes,

alguns sapatos acompanham o marcatto.


O frenesi em espiral ascendente,

o jovem busca no que se segurar.

Petrouchka entra em seu ventre

e o faz rodopiar.


Os glissandos em fortíssimo,

os acordes cheios, estrepitosos.

A pianista extrai volume

ele sussurra “bravíssimo”.


E num impulso a nuca se desprende

e o jovem sobre mim se atira.

Cai em diagonal sobre minhas coxas,

os sons, nada suspende.


Qual vulcão, expele uma golfada.

Sangue e vômito escorrem por minhas pernas.

Coloco minhas mãos sobre suas costas,

sua breve vida já fora ceifada.

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Atualizado em: Ter 27 Ago 2019

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