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PRA QUEM NÃO TEM PREGUIÇA DE LER: MEU LIVRO SOLIDÃO. PARTE V...

— O Dr. Engels nos primeiros dias em que aqui no Brasil estivera, tratou logo de resolver seus negócios de trabalho com a prefeitura da cidade pois era um homem muito responsável e pontual com seus compromissos, seu filho Michael Arcanjo, um acadêmico estudante, que estava cursando o último semestre de Direito, passava boa parte do seu tempo ocioso a passear pelas vilas e favelas, subjaz a um maltrapilho disfarce, para não ser reconhecido como quem realmente era.
 Depois de passadas 7 semanas, o jovem chegou no hotel em que eles estavam hospedados e foi logo dizendo ao seu velho pai e a sua mãe:
— Eu não ei de retornar convosco para a Alemanha amanhã!
— Como é que é? — Perguntaram simultaneamente e aterrados pelo impacto da notícia, os pais do mancebo.
— Eu disse que não vou mais embora para Alemanha, permanecer-me-ei aqui no Brasil, onde quero a partir de agora residir.
— A mãe do rapaz correu em fuga desesperada para o quarto, onde se desfez em grandes e comoventes prantos de dor — disse-me Sócrates.
— Eu vou me casar papai.
— Como assim?! — Espantado interrogou seu filho o Dr. Engels.
— Conheci uma jovem mulata, que me muito enlevou o coração papai e com ela eu ei de me casar.
— A família dela é de que classe?! Média ou alta?! — Perguntou com tom agudo e meio espantado o pai do rapaz.
— Após um pequeno e desconfortante silêncio que pousou sobre aquele ambiente em que pai e filho reunidos estavam — disse me Sócrates:
 — O rapaz respondeu a indagação de seu pai com as seguintes palavras:
— Não papai, ela mora em uma favela e pertence a uma família muito humilde.
— Seu filho de uma perversa! — Esbravejou o Dr. Engels — eu não acredito nisto?
— Papai já tomei minha decisão! — Replicou o rapaz.
— Depois de tudo que eu fiz por você rapaz, escolas particulares de primeira linha, cursos e mais cursos de idiomas, você agora traz-me sobre a abobada da minha cabeça tão grande e atroz desgraça, prefiro te ver morto à casado com uma negra ainda por cima uma pobretona! ...
— O Dr. Engels não queria que seu filho Michael Arcanjo se casasse com uma mulher pobre, semianalfabeta e para um maior ultraje ainda do velho alemão nazista descendente de judeus de família tradicional, era Bate-Seba uma negra, o que na época era algo que poderia fatalmente denegrir a reputação de qualquer político esquerdista e nazista, como o Dr. Engels.
 Já fazia uns poucos dias, que o casal de “pombinhos” estavam se encontrando em um velho casebre que se localizava à algumas léguas de distância da casa da moça, isso é claro que contra a vontade do seu Ulisses Pai da moça, homem este de respeito e muito conservador dos bons costumes da boa família, que com toda certeza absoluta jamais iria comungar com tal comportamento réprobo e obsoleto com que aquele casal de jovens loucos e enamorados estavam a perpetrar.
— Amanhã papai — disse com ar de muita coragem e decisão o jovem Michael ao seu pai:
— Eu irei até a casa de minha pretendida, pedir a sua mão ao seu velho pai.
— Então este desígnio que pousastes em teu coração, não irás ficar em estado de ócio enquanto o mesmo não concluir não é mesmo rapaz?
— Papai eu sei que o senhor não aprova meu amor por minha amada mulata, como sei  também que irei perder meu último semestre de Direito, que é o que mais o senhor desejava que eu fizesse, mamãe irá ficar por muito tempo sem a palavra à mim dirigir; mas o que fazer papai se o amor que eu sinto por Bate-Seba está à inflamar-me e implodir-me por dentro; muito mais forte do que eu é este amor papai; mais duro ele é do que o diamante; esse amor é muito mais penetrante do que catana e mais quente ainda do que próprio calor do núcleo da Terra de 5000º C...
— O dono daquele hotel em que eles estavam hospedados, era o senhor Descartes “o alienado”, as pessoas e os funcionários do hotel deram a ele este epíteto pois, vez por outra quando nas poucas vezes em que ele ali nas imediações do hotel se encontrava, sempre muito pensativo e introvertido, às vezes dizia uma ou outra palavra sobre um tal “discurso do método” que ele descobrira, de intender sobre as coisas da vida e um tal “Gênio Maligno”. — Muito estranho este tal Descartes não achas Sócrates? Disse eu ao meu narrador, interrompendo-o por mais aquela vez...
 — No dia seguinte — prosseguiu Sócrates —, o rapaz realmente foi ter com o seu Ulisses, chegando na velha casa da moça entrou e foi logo cumprimentando com um caloroso aperto de mão o pai da moça e disse:
— Bom dia, senhor Ulisses tudo bem com o senhor? Eu me chamo Michael Arcanjo Engels, e vim hoje em sua residência para pedir-lhe a mão de sua filha Bate-Seba em casamento.
— Porém para a profunda tristeza atroz de Michael e para a revolta dorida de Bate-Seba, seu Ulisses não lhe foi recíproco na mesura com que Michael o saudou, de sorte que também não lhe concedera a mão de sua jovem e casta filha, outrossim, com tom muito inflamado e figadal, foi logo dizendo ao rapaz:
— Olha rapaz minha filha não está em idade marital, tampouco está disponível para casamento, por isso vou logo lhe dizendo, que com ela tu não se casa e se inda insistires, com toda certeza cairás na “boca” de uma espingarda, então vá logo as plantas dos pés tirando, o mais depressa possível de dentro desta casa.
— Nordestino “roxo” como o era seu Ulisses diferentemente de outros povos de outros estados brasileiros, muito bravo e às vezes um pouco rude come lhe era peculiar, foi logo barrando aos berros as esperanças que brotavam de dentro do peito do rapaz, de poder casar-se com sua filha, a linda mulata Bate-Seba.
— Aquelas ásperas palavras taxativas, atroou dentro da alma do rapaz duma forma sem igual, triste, cabisbaixa, meio envenenado pelo sulco da rejeição misturado com o esculacho com que o pai da moça o serviu e o brindou, o rapaz saiu daquela velha casa totalmente destruído e desvanecido, por receber tão dura receptiva de alguém que mais lhe parecia naquele momento, um Leviatã, um Beemote ou um monstro sinistro de outro planeta. — Disse-me Sócrates.
— Pois bem! — Disse consigo mesmo o rapaz —, já que o amor de Bate-Seba me é furtado pelo seu pai, eu irei de seu pai furtá-la também, nem que isso me custe a vida...
— No dia seguinte — disse me Sócrates —, o rapaz escreveu um bilhetinho para Bate-Seba e pediu para Kant entregá-lo em mãos, Kant era um amigo que Michael fizera no hotel, rapaz este muito inteligente e muito desinquieto se o assunto das suas discussões com seus pares versa-se sobre coisas metafísicas. No bilhete continha as seguintes palavras:
Fujas comigo hoje meu amor, para onde o destino nos levar e amanhã estaremos juntos unidos eternamente pela força inquebrável e imperecível do nosso amor, que com toda certeza há de vencer mais este minúsculo obstáculo que nos impede de amar-nos para sempre.
 Estarei defronte ao Aeroporto Santos Dumont às 14:45 exatamente, lhe esperarei com toda certeza, se vieres sei que realmente me amas e pelo seu amor sou mesmo correspondido, todavia, se ao menos este bilhete que por mãos de meu amigo Kant, que hoje há de receber, não mo responderes, sei que posso seguir meu destino para outro lugar bem longe de ti, onde poderei viver em desdita, minhas tristezas e angustias por não ter você comigo eternamente; junto com este bilhete lhe envio também o dinheiro para as despesas com o táxi, te amo amor da minha vida...
A.    Michael Arcanjo Engels.
— O fiel amigo de Michael o “ilustre” Kant como era conhecido o jovem rapaz que muito gostava de bilhar, saiu bem cedinho, pois uma de suas melhores qualidades era a pontualidade, por volta de umas 6:43 da manhã mais ou menos, não queria atrasar-se, então foi logo cedo dirigindo-se à favela em que morava Bate-Seba, não sabia Kant o que aquele longo e turbulento dia reservara para ele...
 — Será que é esta mesma a rua da casa de Bate-Seba, ou será que eu deveria ter virado na segunda entrada antes do beco 15?!
— Kant havia se perdido em meio as tantas vielas que circunscreviam a região da favela da Roça onde morava Bate-Seba —, disse-me Sócrates.
— Eu sabia! ... estou mesmo perdido e agora?!
 — Para maior tristeza de Kant —, disse-me Sócrates — começou a chover e trovejar muito e já eram 12:00 horas, quase no horário do encontro de Bate-Seba e Michael no aeroporto.
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Atualizado em: Ter 29 Jan 2019
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