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Riste

Há muito, muito, muito tempo atrás,
Conheceu-se um homem idoso demais...

Contava-nos histórias, sobretudo, da infância
Quando há muito especulava-se da sua arrogância

Na fase de garoto, queria ser o diferente
Em época de verão, vestia malha quente

Tinha um vizinho que tocava flauta
Chupava seu sorvete fantasiado de astronauta

Na Educação Física, enquanto jogavam bola,
Aprendia com o zelador a tocar viola
Compôs uma canção e foi pedir esmola

Um repertório de músicas nunca ensaiadas
Pudera a sua banda de pessoas deslocadas,
Tocar rock pauleira de guitarra estilizada?

Na Europa, passeou de trem em meio à neve,
Colocaria cerveja quente para gelar ali em breve:
"o Barman só podia estar de greve,
Cevada sem gelo, como se atreve?"

Refutava bons modos, detestava "diplomatas"
"Educadinhos que nos enrolam para fazer mais pratas,
Colarinho branco é o crime que mais mata!"

Eram tardes e noites ouvindo suas histórias,
Gabava-se de todas as vitórias,
Datilografava seu livro de memórias.

É sabido que felicidade total inexiste,
Tentamos saber sobre seus episódios tristes,
Ele se retirou, contraindo a face em riste...

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Atualizado em: Qui 27 Dez 2018
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