person_outline



search

A CASA DAS MORTES

 Eu tinha medo da Kombi azul

Quando ia à padaria comprar balas

Beirava os muros para esconder-me da Kombi azul

Eu tinha medo da Kombi azul

 

A sala de aula ficava vazia na hora do intervalo

Vazia como as vidas interrompidas

Como os corpos torturados, mutilados,

Com as almas penduradas pelo pescoço na sala vazia

Almas que nem o crucifixo usado pelo algoz absolvia

 

A professora não dava aula de democracia

Eu não sabia o que era democracia

O dicionário não tinha a palavra democracia

 

Uma vez eu estava com minha mãe em Nova Iguaçu

E vi os homens verdes com seus cassetetes

Perfilando e batendo em pessoas

No beco da Ducal

Eu tinha medo dos homens verdes

Dos capacetes da PE

 

Na estrada para Areia Branca

Tinha uma casa abandonada

Onde as árvores do quintal balançavam

Até em noites sem vento

Em noites sem lua

Em noites com lua

 

Parecia a casa das mortes

Eu tinha medo da casa das mortes

De olhar a casa das mortes

De entrar na casa das mortes

Eu tinha medo...

Da casa das mortes

Pin It
Atualizado em: Seg 28 Jan 2013

Comentários  

#13 Simony 01-03-2015 08:17
O medo acaba com uma pessoa.
Parabéns!
#12 PauloJose 18-02-2013 07:50
o medo existe em nós.
parabéns.
#11 PauloJose 14-02-2013 23:53
o medo nos aflige.
parabéns
#10 xxx 13-02-2013 21:57
Medos, sempre permeando a vida do ser...
Gostei do texto!
:)
#9 katiadom 13-02-2013 18:25
Os medos que carregamos em nós
e que muitas vezes nem nos damos conta.
Olhar de gente grande em corpo de criança,
hoje uma criança dentro de um corpo de adulto.
Parabéns amigo
#8 maker52 13-02-2013 12:25
parabéns Arnoldo, seu poema foi traduzido para uma linguagem além daquela ferida do tombo, da mordida do cachorro e principalmente do tempo, algo que fica boiando em paralelo com nossas vidas. Muito bom, um grande abraço.
#7 merely 09-02-2013 02:11
amigo Arnoldo, interessante sua comparação! aprovo, abç
#6 EXTREMOFILO 07-02-2013 16:10
Tenho até medo de perguntar o que há dentro da casa das mortes!! Excelente narrativa, lembrou Drumond, com o jeito repetitivo de versejar.
#5 JogonSantos 05-02-2013 13:50
O que seria de nós se não sentíssemos medo?
Interessante sua abordagem poética sobre o
tema,
#4 Mitya2 04-02-2013 20:31
Eu quando era menina tinha muito medo e alguns deles carreguei para a vida adulta, tive que lutar e aprender como lidar com meus medos.
E o medo é algo terrível, hoje em dia superei quase todos, mas sempre compreendo quando vejo que alguem está com medo de algo.
Parabéns, me identifiquei com sua poesia!

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222