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Sob o alpendre do tempo

A noite cai de mansinho, o silêncio.

Árvores bocejam sonolentas.

As memórias dançam na retina cansada

Daquela senhora sentada em sua varanda,

Numa fiel e abnegada devoção ao amor.        

Numa jovem manhã de verão

As ondas do mar rompiam o amanhecer

Molhando seus dedos repousados na areia

Quando, num breve e infinito encanto,

Seus olhos cruzaram com olhos espelhos.

Um encontro programado pelo universo

A obedecer ao chamamento do humano amor.

Conversas, risos, hilárias lembranças

Das muitas brincadeiras e travessuras

Exercidas no direito de juvenis crianças.

Reinventaram o próprio mundo,

Aprenderam a amar na canção do vento.

O enígma dos amantes se dissipou

Nas mãos dadas, nos corpos se tocando,

Nos lábios colados, num primeiro fazer amor.

Mas a história estava com tempo marcado

Para o final daquele mesmo dia.

Um mal assolava o corpo do amado

E a face da morte se mostrou,

Num último e triste sopro de vida.

Antevendo que as ondas das saudades

A inundariam no alpendre do tempo,

Estendeu os olhos marejados ao sol poente.

Estava certa de que, este amor de um só dia,

Tatuara seu coração inteiro, para sempre.


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Atualizado em: Sáb 21 Abr 2012

Comentários  

#1 wicos 04-01-2013 13:05
caramba poetisa essa é mais uma entre tantas gostei parabéns do amigo wicos

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