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ARFANTE

EU NÃO SEI QUASE NADA DO MAR...
Sou intensa e assusto, mas não mordo ninguém, a não ser de levinho, que nem dá para machucar... É fácil se assustar com alguém que não tem medo de ser o que é, nem de assumir os próprios erros. É cômodo se assustar com quem vive apaixonada por si mesmo e pelo amor, pelo que ele é de fato. Sou como sou, e acima de tudo, uma artista visionária. A arte de viver é meu maior talento e assim aperfeiçoou minha técnica de sobrevivência.
Intensa...Alguém pode me apresentar um autentico poeta que sabe escrever sem viver os amores e dramas, como rimam os versos? Sou uma escritora, que olha para o mundo com olhos curiosos. Ah, que redundância dizer intensa... A vida só pode ser vivida assim.
Sou uma mulher que não sabe viver de mentiras e se expõe demais. Quando quero é por inteiro, quando vou embora, é para sempre.
Não sei explicar meus gestos e motivos: não quero e não preciso. Só quero ser feliz, em cada detalhe do meu tempo, em cada forma dos meus sonhos. E sou. Alegre demais, triste demais, tudo quando tem que ser, tudo ao mesmo tempo e com a força indissolúvel que teima dentro de mim.
Talvez eu seja um exemplo de fé, sobretudo nas horas que acredito que Deus existe. Então removo montanhas e estilhaços cravados em almas sedentas de contenção.
Quero estar ao lado dos artistas da vida, dos sonhadores, dos lunáticos, dos iguais, daqueles que são complexos demais para se entregarem às mesmices e falcatruas dos moralistas, da felicidade fácil da ignorância, da hipocrisia dos ranços. Quero aqueles que sabem que complicar a vida é só atrasar a simplicidade que os sábios escolheram para viver.
Quero amar e ser amada pelo imperfeito, o homem torto, o amor certo do incerto.
Quero ser o vento em suas nuances, o mar em seus mistérios e as palavras piegas dos apaixonados.
Sou poesia que nem sempre rima, sou história de livro de sebo, cordel do fogo encantado, musica de todos os sons, sentimento no osso.
Uma possibilidade.

ARAUTO
Gosto de tudo o que é claro: janelas, roupas, dia e palavras. Odeio metades, pedaços, restos. Suporto tempestades, ventanias e rotinas, mas morro diante da hipocrisia. Meu talento é brigar com o mundo para ser o que sou de verdade e não meço as conseqüências de ter meu próprio caminho.
Lamento os dogmas, preconceitos, medos de romper leis sem sentido, daquelas que colocam correntes na alma. Minhas asas não são podadas e mesmo com o céu cinza, vôo quando tenho vontade de voar.
Não acredito em meias verdades e em “achismos” que não são fatos. No meu dicionário, verdade significa amor.
Abomino palavras frívolas que se espalham pelas vielas, como lama de esgoto. O mal se dissemina como vírus nas veias de quem se permite acolhe-lo.
Meu peito está nu, sem vergonhas ou falsos moralismos e admito a esquizofrenia fadada da carência, que impregna meus movimentos com rotulada chatice. Dos meus lábios soltam flores e porcos e os meus pés já andaram em ruas sem decência. Pouco importa os defeitos se o meu coração se mantém vermelho escarlate diante de tudo o que se move.
Meu tempo é agora, minha vida pode ser um livro cheio de letras enfadonhas, mas nunca resumido em resenhas. Traço meu caminho a lenha e vou pelo avesso, só para não enjoar.
Perdôo mágoas, grosserias e injustiças e propago que todos podem ter mais uma chance de acertar o alvo, até quando o alvo é o próprio pé. Os tiros saem pela culatra, as palavras voltam como tapas na cara e um gesto nunca fica impune.
Permaneço com os pés na areia quando a onda bate forte e leva as pegadas. Ainda quero as coisas claras, sem rodeios, mesmo quando dá medo de acender a luz.
SUFOCANTEMENTE DISTANTE
Gosto de guardar caquinhos de sentimentos e pedaços de qualquer coisa que agrupem memórias. Mesmo que nos caquinhos estejam pedaços já mortos, de algo que não se quer ou não se quis ou já foi e não pode voltar mais.
A dor dos cacos sempre resta no sangue da ponta, aquele sangue que manchou o tecido branco da cortina.
Nem dá para tirar manchas. Tudo se guarda em algum lugar.
Gosto de murmurar tolices e reclamar de tudo o que é quase nada. Acordo os passantes. Fica grotesco e disforme, agridoce e contagiante.

É, eu gosto de coisas distintas.

Quem sabe eu acorde com o refrão tosto e firme do tédio?
Tédio... Esse dogma formatado pelo pânico de ficar sozinho... Um brinde a solidão! Alias, brindes: um para mim mesmo e outro para o vazio. Dois brindes e mais nada além do tédio. O escuro, o breu, o silêncio, o medo, o tédio.
O que são essas coisas além de nosso pensamento restrito?
A liberdade não contém amarras e nem adjetivos. Ela apenas vai e flui e se permite.
Com cacos quebrados, rabugices pré-escritas, silêncios e ojerizas, só a liberdade se permite rir de tolices.
Me diz o que é o sufoco que te mostro alguém para te seguir...
Xiiii... o silêncio quer dominar.

EU TE AMO
Amor assusta, paixão assusta. Até amizade assusta. O sentimento, seja ele qual for, dá medo. Uma paura que começa a arregalar os olhos e a palpitar os pulsos.
Tudo o que não se pode controlar, muito menos explicar, apavora. Tudo deve ser tátil, objetivo, entendido e anotado.
A poeira do talvez, o que não cabe em palavras, faz tremer.
Dizer que se ama, seja lá o que for, como for, causa crises de dúvidas, incertezas e até afastamentos.
Então a gente ameaça... "eu gosto"... Fica mais fácil assim, vamos testando a pessoa e nos ambientando para não ouvir não.
Chegar de supetão com um "eu te amo" é provável morte.
Só não sei o que fazer se o amor acontecer antes da hora de se dizer. Vai ficar engasgado como todas as verdades enlatadas.

SALMORRA
As dores imensuráveis, todas acopladas ao corpo de cada um.
Vejo as suas, já tatuadas e ainda ácidas. Não vão passar. A borracha borra cada gota de tinta de sangue, exposta em vida. Não há saídas e nem retornos. Estão todas lá, em detalhes, martelando seu estomago, que tem um bolo inconveniente e não expurgado.
Cada um tem sua cruz, todas pesadas e incomodas.
Coloca a sua no canto do sofá e aceite uma cerveja. Tem dor e amor em todos os cantos da vida e agora eu quero te dar colo.

SEM COMBATE AO SILÊNCIO
Te amo exclusivamente da forma que sei amar. Inteira. Sem maniqueísmos ou farsas. Para quem? Somos intensos, absolutos. Somos um par perfeito as avessas, fora das expectativas, formas, estrofes. Sem rótulos de estigmas ou fardos. Alem do sexo e dos dogmas. Amigos definidos, delineados, amadores, divertidos. Inteiros. No maior amor de amigo que se pode iniciar uma historia: Sem ter que provar nada a ninguém.
Admiro suas crises e suas atitudes, acho graça de sua imaturidade. E seus olhos sérios e reprovadores são incrivelmente sedutores. Gosto de seu sorriso de moleque, sua sensibilidade marejada e a sua capacidade de mudar de reflexo. E de opiniões, firmes opiniões devassadas.
Você se parece comigo, até quando não se parece com ninguém.
Sou dominada num instante, por uma súbita vontade de ter você do meu lado nas mais singelas passagens da vida.
Homem de atitude, criança de brincar, sujeito impar no meu coração.
Amigo de todas as horas e das horas que não se tem amigo nenhum. Mas lá está você defronte, sinuoso e austero, pronto para ir além, como sempre foi.
Amigo de bate estaca, funk, samba, ziriguidum, bebidas, atalhos, gritos, impulsos, paixões, frio e calor. Complexo, igual, lunático, escandaloso, difícil, poeta.
Quanto tempo te conheço mesmo?
Te amo exclusivamente... Porque ninguém consegue ser para mim o que você é.
Para sempre.

DE MIM, PARA VOCÊ: O QUE SE TEM
Em crises e prantos, a gente termina e começa uma história. Se arrepende, ergue a cabeça cheio de orgulho e a garganta com um nó insuportável. A vida é de idas e vindas... Algumas para sempre, outras nem tanto.
Pode acabar no fim, ou apenas recomeçar. Sabe-se lá? Mas sempre tem a lágrima que cisma em cair quando a gente finge que não ta nem ai. Um grito equivocado e a vontade louca de mandar parar o mundo e admitir que ta errado, mesmo quando não se está.
E a gente vai andando pela areia, vendo a onda bater nos pés e entendendo que tudo é tão pouco para a dimensão do mar... Tudo é tão passageiro...
Mas quem poderá dizer que a vida não é superior?

UM DIA EU VOU
O dia está tão claro hoje, meu corpo arrepia com o vento surpresa. Coloco a minha blusa laranja ardente, minha saia estampada e uma sandália de dedo e caminho pela calçada, sem pretensão. Meus cabelos soltos e o rosto sem maquiagem indicam meu estado de espírito, livre, leve, solto.
Não quero dogmas, falácias, ignorâncias... Quero eu mesma. E só.
As pedrinhas da rua entram por entre meus dedos e chego a tropeçar, mas não caio. Tenho vontade de sorrir para todos, mas vou para a areia da praia buscar a solidão do mar.
Encontro meu aconchego, refugio dos solitários e perdidos em pensamentos e desencontros.
O mar... Suas ondas molham meus pés já descalços e me sinto limpa.
Que é isso que eu vejo ali na frente? Um cavalo marinho...Dizem que encontrar um é ter uma vida de viagens. Já me basta viajar dentro de mim mesma, para encontrar o que não sei bem o que procuro.
Meus olhos ardem com o por do sol. Meu corpo escorre um pouco de suor e minha blusa gruda no corpo. Meu cabelo resseca no sal e meu pensamento se desvia com a bola de uma criança.
Não quero pensar em nada.
Sento na ponta da pedra e sinto minha alma flutuar. Talvez um dia eu saiba porque errei tanto. Talvez um dia encontre um fundamento para ter tanto medo de dar mais um passo. Talvez um dia eu encontre o sol dentro de mim.

SIMPLES QUESTÃO
Não é uma questão de “caralho”, mas também o é. Não é por isso que sofro por ele. Mas também é. Porque o “caralho” dele é lindo e me faz muito bem quando está dentro de mim. Mas não é por isso. Eu sinto sua falta quando estou sozinha e quando estou fazendo alguma coisa. Parece que tudo fica meio sem sentido quando eu sei que não poderei mais ligar para ele e contar a última novidade incrível. É falta do homem que ele é que me faz sentir a mulher que eu sou. Aquela mulher que muitas vezes a gente esquece de ser por causa do mundo e de si mesma. Esse mundo tão correto de coisas para serem feitas por pessoas corretas. Ele me permitia ser incorreta e me olhava com tanto desejo que tinha lá sua transcendência.
Então eu sinto falta dele, faz parte sentir falta de tudo o que nos faz sorrir e chorar. E do gozo desse homem, de sua boca quente que se abria sem freios para invadir a minha.
Ah, nem penso mais no “caralho” dele e de qualquer outro homem. Porque ele é o próprio bom “caralho”... Aquele que não precisa de tamanho nem espessura para fazer bem o “serviço”. Ele é assim, não precisa ser charmoso, nem bonito, nem alto, nem inteligente, nem rico. Basta ser o que é porque é assim que me faz tão feliz.

DESCONFORTO
No meio da mesa de chope, desviou um olhar para o meu decote. Me contou sobre todas as mulheres que tem comido e dos porres que tem tomado. Às vezes se incomodava quando lembrava do meu vestido que mostrava as pernas. Isso te mostrava que eu não era um amigo de futebol, mas a mulher com quem você dividia a vida até mês passado. Comeu com ansiedade a carne seca com aipim que pediu. Não lembrou que eu detesto carne seca. Entre uma garfada e um gole, me chamou de amor e não se tocou disso. Eu percebi, como todos os gestos camuflados e os toques com o polegar que me dava quando estava nervoso. Parecia um encontro derradeiro, mas era apenas mais um como vários que fazemos durante a semana. Às vezes ele acaba na cama, outras vamos embora como se fossemos dois colegas de classe.
Eu já desarrumei a cama algumas vezes só para lembrar que você dormia nela. Me iludia com teu cheiro no meu travesseiro para que eu pudesse levantar e continuar a vida normal. Chorei copiosamente quando li um poema que você me declamava e lembrava dos nossos porres e noites de violão. Deixo a tábua do vaso levantada para saber que você está presente. Aproveito para fazer aquela comida que você prefere e a saboreio com um nó na garganta porque sei que o tempero está azedo.
O cd que está tocando é o que você deixou por acaso, depois que levou todas as suas coisas, menos a si mesmo. Ele está no “repeat” e soa como um mantra te chamando para ouvi-lo comigo. Queria que você o levasse de vez, mas não tenho coragem de propor esse corte.
Apesar de estar com fome, meu enjôo não passa. Tem um bolo irritante de angustia no meu estomago. Não sou perfeita, não confundo amor com ego.
A porta da sala ainda tem a marca de suas batidas antes de ir embora. E o copo quebrado cortou o meu pé. Duas, três semanas... Nem consigo mais lembrar que isso é depressão.
Você bebe tanto que não lembra onde é o banheiro do nosso boteco de sempre. Quando volta, pede um Domec. Seus olhos estão vermelhos, a língua enrolada e as mãos cada vez mais próximas do meu corpo. A gente não para de rir na maior parte do tempo. São sempre assim nossos encontros sem compromissos. As mesmas piadas, as mesmas lembranças dos tempos de amor e tropeços, as conclusões idiotas que chegamos quando nos percebemos tão normais e iguais de sempre.
As tantas, com o garçom lavando nossos pés com água suja, você quer pagar a conta. Não aceita divisão. Me pega pelo braço, me abraça forte, me dá um beijo de tirar o fôlego, não fala nada, fico tonta com seu álcool e pegamos um táxi.
A noite deve terminar na cama. E a gente não deve terminar nunca mais.

SEM SAÍDA
Você me angustia quando retoca os óculos no lugar. Seu jeito turvo de virar a cabeça denota timidez. Falsa timidez, concluo. Você fala manso, tem voz doce, pausada. Seu caminhar é descompromissado, induz liberdade provisória e sua roupa contribui para essa impressão.
Mas não me engano: amo um lobo. E que me devora, sorrateiramente, nos vãos que encontra de soslaio. Me chama de filha após se saciar e eu fico em silencio, semi-amedrontada.
Sou presa fácil... Range os dentes quando vê meu pavor. E um pavor sublime, do tipo que verte para as nuvens e ventanias.
Sinto saudades dessas presas quando estou suspeitamente liberta. Um vício, que pode ser para sempre ou talvez, tarde demais para entender.


QUASE NADA
Queria dizer que você é brocha, sem sal, tem verrugas pelo corpo e manias estranhas. Mas não posso. O sexo com você é amor, o prazer, um nirvana e seu corpo é aderente a minha alma.
Mas grito que você é covarde, por expurgar meu nome de sua história como se pudesse apagar cicatrizes.
Covarde de amor, tanto amor, que sente por mim e não me olha nos olhos para dizer que não sabe mentir. Ai que vontade de morrer! Para não ver mais seu desespero esdrúxulo em me tirar do seu coração.
Chove torrencialmente e minha rua alagou. A luz piscou e deve acabar a qualquer momento. Estou com frio e tremo. Mas no fundo da janela, dá para ver o arco íris. Ele tem a cor do nosso amor.
Agente já se beijou sem suspirar? E alguma vez teus olhos olharam em direção oposta aos meus? Doce amor que mantém a tradição de dramas de amores maiores. Por serem maiores, talvez. Eu vou caminhar sem você e sei que seus pés se movem sem mim. Sei também que haverá outras tantas bocas e possíveis novos dramas. E muitos sonhos à frente. Mas do teu lado aprendi a andar sobre o mar. Aprendi que o sabor de tua boca é mais doce que o mel e que nossos sonhos sonhados juntos são realidade. Aprendi que tudo que vivi antes de você foi mero ensaio de como te amar melhor. Aprendi como ser sua sem que seja meu dono.
Que dupla somos nós, melhor que queijo com goiabada. Melhor que sonhar acordada, que rabanada no natal, que viajar de barco, que ouvir Cartola.
Você não tocará mais nenhuma nota no seu violão sem lembrar das vezes que tocou para mim. Nem fará mais composições de amor sem que meu nome não esteja nas entrelinhas. Não lerá mais um poema sem lembrar dos meus versos, nem andará pela areia da praia sem olhar as pegadas que não dei do teu lado.
Não existe dor maior que o fim. Mas a do fim que não termina no fim.

ELE COMBINA COM MEU VESTIDO
A gente combinou que não era amor. Combinamos agora que você colocou um fim. Combinamos sermos amigos, como se o beijo que você me deu na boca fosse mera amizade. A gente combina tanto que eu até aceito suas combinações estranhas. Eu só não consigo entender porque você é tudo o que eu quero e eu sou tudo o que você quer, mas ainda assim nossas contas não entendem a adição.
Combinamos então sermos amigos. Liguei para todos os meus amigos como você e avisei que estava disponível. E fiz sexo com alguns para me convencer que não estou contigo.
Na primeira oportunidade, aproveitamos um deslize para nos ofender. E procuramos nas entrelinhas, os motivos mais eficazes para justificar o medo. Ainda estou com seu livro nas mãos e as palavras na garganta. Uma lágrima teimosa insiste em cair sobre ele.
Não vou ter você para contar as novidades. Não vou ter você para me incentivar a ser o que sou. Não vou te ter para me colocar dentro de mim como você me coloca. Fecho os olhos para ter medo do escuro e esquecer que tenho é medo de você ir de vez.
Ah, isso é muito mais amor que o amor, querer você por perto e me afastar de você para te ter por perto. Tentar disfarçar o tamanho do meu coração para não assusta-lo, de tão grande que está.
Você é insuportavelmente igual a todo mundo, talvez por isso eu te ame tanto. Não faz a menor questão de ter uma diferença, sequer uma necessidade de ser diferente. Tem todos os defeitos do mundo, mas é insuportavelmente melhor que todo mundo.
Combinamos nos desentendermos em todos os momentos que o amor ficasse maior que qualquer questão. Mas seus fluidos ainda estão sobre meu corpo e sua camisa cor ocre arde em minhas vistas. Nem consigo fazer mais poemas porque as palavras não combinam entre si. Mudo e reverto os trajetos para esquecer de sua existência impertinente nas esquinas que caminho. O seu nome está escrito no meu travesseiro e só durmo de bruços.
Talvez um dia a gente combine que você seja meu dono e que cheire meus cabelos com suspiros profundos, apalpe meu sexo para dominá-lo, morda os bicos dos meus seios para engolir minha alma, detenha minha língua para modificar o silêncio, me convença que ama minhas manias mais insuportáveis e que nunca vai enjoar delas, salpique dentro de mim a idéia da perfeição, caia no meu colo depois de uma bebedeira, regule meu decote, sinta ciúmes dos meus e dos seus amigos quando me olham admirados, se orgulhe da tola que tanto te ama e se sinta o idiota mais feliz do mundo, borrado de batom vermelho sangue.
Talvez um dia você possa receber o meu afeto sem limites. E possamos beber de alegria e viço, a surpresa de não saber o que se é.
É, talvez um dia a gente combine que o sexo que desejamos seja o sexo para sempre, ou até que o tesão exista e o amor seja eterno e ainda caiba em nossas combinações.

REVIRANDO LATAS
Eu fico horas escrevendo milhares de coisas com a esperança que você as receba nas ondas do pensamento. Eu apago quase tudo depois, porque passa. O amor passa, mas a gente insiste em sentir dor por ele, como se fosse eterno. A gente sabe que nada é eterno. Sabe que vai morrer e que todo amor morre antes. E antes do amor, a gente dá um empurrãozinho na dignidade também.
Eu sou tão passional que me vejo de joelhos aos seus pés pedindo para que volte a ficar aos meus pés. E quando tomo um banho gelado vejo o quanto são ridículas as repetições da insanidade do amor.
Sugiro que todos os apaixonados sejam internados! O amor nos torna absolutamente surreais. Quem lê as minhas linhas de amor, compreende porque preciso de uma camisa de força quando digo “estou apaixonada”.
Sou capaz de escrever músicas, poesias, textos, histórias sobre o mesmo tema: seus olhos. Vai entender o amor? O importante é a licença poética.
Meu telefone não para de tocar e não é você. Mesmo sendo a mais maravilhosa noticia, não é a sua voz que está do outro lado da linha.
E como está o meu cabelo? E a maquiagem, ta de enlouquecer?
Ah o amor... Que tolice essa história de sentimentos. Perdemos tanto tempo falando dele que não o vivemos de fato.
Estou me tornando um “guru” do amor corrompido. Se quiser umas aulinhas de loucura, apareça!
Minha casa está que é puro incenso. Pode ser que assim você chegue mais rápido ou pegue logo esse telefone e ligue para mim, diga que tudo não passou de uma bobagem e que a gente vai ficar para sempre feliz.
Será que essas estátuas que comprei vão servir para alguma coisa?
Eu comecei até a rezar e pedi a Deus que faça o milagre para eu poder acreditar Nele. Quem sabe com a fé as coisas se resolvem mais rápido?
Será que você escuta quando te chamo?
O amor remexe o cérebro e parece que vão cair todas as lembranças que vivi.

GRITO
Eu chego à janela correndo, quero gritar teu nome o mais alto que meus pulmões conseguirem. Quero que ouça meu grito. Quero que me atenda o mais rápido possível.
Preciso de você. Preciso de você com um atraso de pelo menos uns dez anos. Porque está tão atrasado?
Não entende quem sou eu? Vamos fazer uns óculos novos, limpar seus ouvidos, retirar os dramas de sua cabeça. Estou aqui, de frente para você, nua e feliz. Não quero nada demais, só você quando puder, enquanto tiver um minuto, um momento para me ter nos seus braços como se não houvesse outro dia.
Saudade de sua canção. Escuto tudo o que me leva até próximas lembranças.
Fecho os olhos, atenta, para ouvir tua voz. Ouço sussurros. Arrepio todo o corpo. Você está cantando para mim, é linda sua música. É nova? Fez para mim? Que lindo... Canta de novo? Ah, eu adoro quando você canta para mim...
Quer que eu te dê minha mão? Claro! Não solta. Promete que vai lutar por mim em qualquer situação? Então eu confio em você. Também lutarei por você sempre. Eu te amo. Ih, esqueci, não posso dizer, é solene. É casto. Quero te abraçar... Pode? Me beija? Tua língua, teus lábios delicados e másculos. Me afugentam de mim mesma? Estou dentro de você agora. Não posso mais sair. Me alisa o corpo com tuas mãos de dono. Tem o poder agora, me tens por inteira. Meu sexo é teu. Meu sonho é teu.
Me ocupa em teus projetos. Você se encaixa nos meus, sabia? Sua camisa está amassada, desculpa, acho que fui eu. Tem batom no teu pescoço. Derrubei vinho no meu vestido. Meus pés estão doendo. Acho que tem um naco de sangue na ponta dos dedos. De que você tem medo? Me dá tua mão agora. Você está protegido, vou te proteger até de si mesmo. Não soluça... Meu amor esquece. Ta chovendo lá fora, não podemos sair agora. Coloca teu sexo na minha mão. Você é meu homem e eu sou tua. Tem calor demais aqui dentro. Arde demais no meu peito. Minha garganta ta arranhando. Quero um gole de vodka. Deu zonzeira.
Cala meu grito, diz que tudo é mentira, uma brincadeira de esconde-esconde. Diz que me testa que morri por nada, que somos felizes, que é tudo de verdade. Que pensa em mim sempre, que sonha comigo toda noite, que não tem nenhuma mulher que se encaixa com você como eu. Diz... Cala meu silêncio, lembra de nosso encontro, ria de minhas tolices, compreenda minha ansiedade.
Cala-me de frente para a janela. E fecha meu medo de não ter você no meu futuro. Porque não sei mais como se fala amor se não for para você.

MAIS UM DRINK
Morte é dor infinita. Eu só quero que você agora não exista mais, só para eu não ter que esperar todo dia, pelo dia que você vai aparecer. Às vezes tenho uma crise de lucidez e te odeio intensamente. Nessa hora, pegos todos os recortes que me remetem a alguma lembrança e jogo fora. Caminho e vou viver minha vida como se você nunca tivesse existido.
Eu daria todo o meu humor e cortaria o meu cabelo bem curto só para saber o que você está pensando nesse momento. Será que está pensando em mim? Será que no meio de todo o turbilhão de sua vida, ainda sobra um espaço para as lembranças de minha existência?
Eu estou muito ocupada nesse momento, remendando meu coração. E nem sei costurar, mas aprendo. O bolo em formato de coração que fiz para você queimou.
Minha vontade agora é sair correndo até ficar sem ar; escrever teu nome repetidas vezes por toda a ponte Rio-Niterói; comprar todas as coisas que eu acho que ficariam bem em você; derramar flores pelo seu caminho; fazer serenatas; escrever todos os poemas e prosas que caibam na sua biblioteca, incluindo todas as palavras do dicionário, cujo sinônimo, invariavelmente, sejam o quanto te amo.
Ah, comer todos os pastéis de Belém que meu estômago suporte; pegar ônibus para olhar a paisagem e não me sentir culpada porque penso no teu rosto; pular de pára-quedas com uma faixa escrita ‘volta para mim”; alugar um carro de som daqueles bem escandalosos, com músicas bregas só para chamar sua atenção. Compor uma canção linda e aprender a tocar violão para te agradar.
Fazer um caminho de velas para te celebrar; rezar novenas pedindo para que você seja a pessoa mais feliz do mundo. Eu queria ter uma escada bem alta para te dar um pedaço da estrela mais brilhante e dizer que é tua alma que a reluz.
Acho que eu seria uma pessoa até melhor se o nosso amor não tivesse se perdido no meio do nada e ficado todo sujo com uma tinta que não quer sair.
E olha que tudo o que eu queria era só andar de mãos dadas com você e viver contente do teu lado.
AQUI JAZZ
Solenemente informo: acabou. Ontem te enterrei, finalmente, sem as mãos postas para fora. Rezei uma oração para sua alma, derrubei umas lágrimas do passado e pensei em tudo de bom que você deixou no legado de minha história. Mas então você se foi.
Ouvi nossa canção pelo rádio e senti uma homenagem póstuma. Lembrei suas palavras antigas, li suas poesias, vi suas fotos e num gesto de nostalgia, peguei um bilhete de teatro do primeiro passeio que fizemos. Anotei seus códigos e os meus, refiz nosso percurso e observei nossos sonhos. Guardei tudo numa caixa simples e bela. Até mesmo um livro de poesias de Pessoa. Enterrei junto de você.
Fim. O fim poderia ter sido antes, mas era cedo demais para que eu entendesse. Eu queria mais, sempre quis, sempre quis além de tudo o que sempre tive. Estou toda arranhada, permiti. Deixei meu coração ficar bem esfarrapado, mas ainda dá para costurar. Aprendi a dar pontos de bordado e posso reescrever nele as palavras e histórias perdidas em você.
Mas uma hora os aparelhos são desligados e aquele fio de esperança se torna apenas memória. Não cabe mais decepção, nem implorar uma chance de consertar o que se fez de errado, nem voltar ao tempo e pisar no caminho certo e pré-escrito. Não há perdão. Só a morte. O fim, o fiapo de coração desalinhado e a secura dos olhos cansados de chorar e agora tão oblíquos.
De frente para o vento, o deixando bater e levar teu pó.
“Voa com as lembranças”.
Agora só resta colar mais essa página do meu livro de memórias, porque história de amor não se consegue arrancar as páginas.
Só não sei como se tira da pele o teu cheiro. Nem com esponja, nem com sal. Nem com soluções.

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ
Eu o amo. Eu sei que o amor é uma caixa de surpresas, uma onda que não termina, mas que tem suas marolas. Eu sei que ele me ama também. Eu sei também que fazemos um belo casal. Somos loucos, felizes, tolos e jogamos tudo fora para depois procurarmos. Ele me olha nos olhos e chora. Eu o vejo e me arrepio. Eu sei do meu poder e ele sabe do dele. Na verdade, nem temos tanto poder assim porque no nosso beijo tudo se perde, é uma coisa só e somos um do outro de forma irrevogável.
Eu tenho minha alma entregue em suas mãos. Meus caminhos se direcionam aos seus passos e nem sei mais se tudo o que planejei até o momento faz algum sentindo se não estiver atrelado ao seu destino.
Mas um dia nos separamos. Um rompimento nunca é apenas um tempo, mas frações de possibilidades, de términos, de conseqüências. Deixam raízes, marcas, outros caminhos. Eu me vi perdida no meio da estrada, olhando para frente, para os lados, para tudo que se abriu. E ele está lá, forte, vivo, me chamando e dizendo que nada que eu faça será mais bonito e verdadeiro quanto estar ao seu lado.
Eu o amo. Porque qualquer caminho que eu escolha vai chegar até seus braços e no final, sempre vai valer a pena ter deixado o amor acontecer.

INSTANTE SEM TRÉGUAS
Hoje derramei nove mil lágrimas por você. Rompi a promessa de não chorar mais e nem sequer lamentar. Mas às vezes eu rompo promessas, tais como de fazer dietas e parar de fumar, também não consigo cessar o amor que sinto por você.
Fiquei tão abalada que não voltei mais ao normal, se é que tenho um “normal”. Ser intenso é um castigo de várias encarnações de pecados e meu sinal de nascença como uma marca de intensidade eterna.
Vou escrever mais nove mil vezes no meu diário que não devo chorar, não devo chorar, não devo chorar... Estarei tão cansada no final que meu corpo se anestesiará. Mas agora, meus olhos estão inchados.
Eu tive um ciúme velado, eu sei que cortou mais que sete pontas de facas. Então gritei forte para cortar de vez a carne safada de ciumenta tosca. Mas se há amor, o que será de mim, tola poeta? E se há amor (talvez ele exista), vou te querer por perto mesmo que esse perto seja só onírico.
Então, te amo e rompo de vez essa clausura de prantos ou justifico de vez.
Não me lembro muito bem os detalhes, apenas das cores. Queria lembrar do teu rosto para não recorrer às fotos. As fotos mentem e prendem espíritos inquietos.
Você é vivo demais para não ter movimentos.
Acho que vou chorar, chegou àquela hora piegas de morrer de saudades, culpas, medos, que fazem toda a diferença.
Porque se eu chorar, e eu preciso chorar, pode ser que você se vá. Mas pode ser que fique para sempre também.

DESCONJUNTADA
“Me dá sua mão, estou com medo. Faz frio aqui, tremo. Ta escuro! Onde está a luz? Sim, te sigo. Lógico, confio em você. Te amo, posso dizer? Ta bom não é a hora. Mas terá uma hora? Ok, sou ansiosa, vou aprender a respirar. Sim, vou aprender, farei força, prometo. Estou quieta, pronto. Vou continuar a andar. Meus joelhos doem. Não, não vou começar a reclamar, mas deu uma câimbra estranha na batata da perna. Adoro suas mãos no meu corpo. Não para, por favor. Me dá um beijo. Adoro teu beijo. Minhas pernas ficaram bambas. Sua língua me arrepia. Gosto quando seus dedos não se controlam e testam meu sexo. Não saia mais, por favor. De alguma forma te quero dentro de mim, para sempre. Não para... ta bem, vamos continuar. Sozinha? Jamais! Sem você meus pés engessam. Sim, tenho medo de seguir sem tua mão. Não sou forte, sem você não tem sentido seguir. Pronto, meu coração acelerou. Não me deixe sozinha. Fica mais um pouco, não sou corajosa sem você. Vou implorar para você que fique até me tornar uma chata insuportável. Sim, consigo ser muito chata, você sabe. Você tem medo? De mim? Para... não faça isso. Eu te protejo. Como? Não sei, talvez eu tenha asas. Vou te apertar contra meu peito até te sufocar. Confia em mim. Não, não vá. Porque? Posso dizer agora? Te amo. Sim, é verdade. Não sei se você me ama mais que eu te amo, mas porque medir? Amor não se mede, querido. Olha para mim, to entregue a você. De joelhos para te dizer que sem você não faz o menor sentido continuar a andar. Me leva onde você quiser. Promete que lutará por mim? Acredito em você. Posso acreditar? Nunca te esquecerei, você está dentro de mim como uma tatuagem. Não sai nunca. Não me olha assim... dá vontade de chorar. Você sempre me faz chorar. Tenho medo de não ter suas mãos no meu caminho. Não me solta. Vou ser repetitiva, você pode me odiar um dia. Sério? Me ama mesmo assim? Duvido! Amanha? Não sei. O que é amanha? O tempo é cruel e bom, mas não sei se ele está do meu lado. Tenho medo dele. Porque? Porque te amo. Fica...”

ELO
Não quero beijos, promessas, sexo e nem discutir a relação. Quero apenas teu abraço, silencioso, firme, teu. Não preciso que me digas o que fazer e dar conselhos sobre meus problemas. Apenas peço que me abrace.
Vou encontrar meus caminhos, tecer energias e me sentir protegida pela eternidade nos teus braços. Mesmo que depois você se vá, na espreita da noite e sem deixar um bilhete de adeus.

MELHOR EU ME COBRIR DO ESCURO
Ontem eu te vi acompanhado. Suspirei e mantive a postura social, condizente com nosso momento. Na verdade, não queria escândalos e nem me via fazendo alguma cena, que não fosse a da amiga simpática.
Estar do teu lado já era o suficiente, ou deveria ser. Afinal, passamos mais tempo afastados que juntos. Eu tenho minha vida, segui meu caminho sem você. Até me apaixonei. Então te ver de novo já seria um movimento dentro de mim. Mas te ver trocando afetos com outra mulher, não foi nada cômodo.
A distancia apregoa ignorância. E a ignorância, a felicidade. Nunca tive dúvidas que você estaria cuidando de sua vida, enlaçado por seios alheios. Mas os que os olhos não vêem... Ver faz tudo ficar mais dolorido e sem sabor. É como se o coração despertasse a paixão encubada e a falta do outro voltasse a sufocar mais até que antes, talvez em dobro.
Nos teus gestos, me vi com os sonhos que não realizei, a estrada que foi mera promessa, o cotidiano simples e delicado que aguardei, em vão.
Quis chorar e profanar teu amor declamado em outros tempos, te jogar na cova, assim como todo o despeito que poderia estar sentindo e o quanto eu faria qualquer coisa para voltar o tempo e mudar os caminhos, ou fazer com que o seu amor fosse do tamanho da felicidade que tive do teu lado.
Mas peguei mais uma cerveja, entrei no assunto das conversas. E quando apertou demais a saudade, fui embora sem me despedir, com medo de não agüentar e ser tão piegas a ponto de te pedir para ser meu.


SÓ PARA VOCÊ
Tem um som de flauta tocando lá fora. Corro para a janela. Um garoto uniformizado toca sentado no banco da rua. Flauta doce. Não era a surpresa que queria, mas fico enternecida eu ouvir suas notas. Ele toca bem, suas canções soam belas. Seus dedos são brancos, mãos cumpridas e doces, como a própria flauta. Me remeto aos tempos que te ouvia tocar, com mãos tremulas, de dedos cumpridos e doces, de músicas profundas. Tempos idos que me causam surpresa. Tempos de saudade ou só lembranças que se partiram no meio.
Perco um suspiro no vento, podia ser um soluço. Não permito mais choros de amores que não aconteceram, não decolaram, ficaram pela metade. Desvio de dramas. Escuto só a canção, lembro do teu rosto infantil e o quanto de ternura que me infunde. Isso basta, é suficiente. Lembrar é o que me importa nesse momento.
Deixo escapar um sorriso. Acho que alguém vai levá-lo até você para que entendas o quanto te amo e o quanto o amor pode ser maior que o amor

LEMBREI DE VOCÊ
Encontrei um cara barbado hoje na rua, com bermuda, seus vinte e poucos anos, sorriso largo e roupa desalinhada. Lembrei tanto de você... Quinze anos mais novo que eu, sem querer muito da vida além de aventura e o vento. Eu queria tudo e descobri contigo que o vento era o melhor negócio. Adorava andar do teu lado e fazer aquele casal típico do “nada a ver”. As pessoas olhavam, comentavam e acabavam aceitando dizendo “o quanto combinávamos”. É, de fato, a gente combinava mesmo. Nossa conversa seduzia todo mundo para ser meros expectadores, porque a gente não deixava ninguém falar.
Eu gostava de tudo em você, das suas opiniões, seu jeito amalucado, seu olhar carinhoso e sensível, sua ingenuidade, seu fogo na cama. Até hoje eu não consigo entender como pude viver tanto tempo sem ter experimentado você. Eu, que deveria te ensinar os caminhos da vida, aprendi contigo que a vida tem caminhos tortos.
Cansei de parar o que estava fazendo porque senti o gosto de tua saliva naquela hora. Um gosto peculiar, açucarado. Eu lambi cada centímetro de sua boca e era realmente muito bom. Não tem mais uma roda de forró que eu não pare para olhar se você está por perto. Com aquele chapéu indefectível, ou o gorro, ou a calça de moletom rasgadinha do lado, suas danças amalucadas e uma inebriante vontade de aparecer.
Eu me orgulhava de fazer parte de sua vida, de ser motivo de suas canções, de estar na sua dúvida, de te fazer tremer sempre que falava comigo. Acho que você treme até hoje.
Eu lembro de cada nota que você tocou para mim no violão e de sua gargalha desengonçada que assustava as pessoas e me fazia rir. Você sempre quis rebelar o mundo com essa gargalhada e eu estava com você nessa empreitada.
Agora lembro também que eu tinha você nas mãos e deixei cair num sopro. Das três tatuagens que fiz por você, uma delas com teu nome e que não sairâo nunca do meu corpo. Como a marca que você deixou dentro de mim, arranhada com sua barba por fazer.
A marca que deixa o amor.

DELÍCIA
Ele tem gosto de fruta. É meio agridoce, palatável, sua cor é viva, seu cheiro é forte.
Eu gosto de devorá-lo porque não sei se amanha ele fará parte de minha vida, não sei se vai atiçar meus instintos ou se será apenas candura. Gosto de chupar o osso e deflagrar seu dorso, impune aos efeitos do tempo, porque seu tempo é amanha.
Eu gosto mesmo é de estar por cima. Ou por baixo, de lado, de frente, de costas, onde der vontade. Onde couber.
Eu gosto do completo, do inteiro, do fogo que ele emana em seus poros. Gosto dos seus pelos ou da ausência deles. Gosto de suas alcunhas, fissuras, marcas, manhas, possibilidades, erros, barganhas.
Ele tem um jeito que nem sei o que é, tão simples, tão provável, tão difícil de encontrar em qualquer lugar e que fica, inexplicavelmente perfeito, quando está dentro de mim.

DESALINHO
Eu entro fácil no jogo. Eu quero entrar. Esse jogo de gato e rato, de paixão e lasciva, de sexo e posse. “Sem posse, por favor...“ eu te imploro e você me domina. Eu me deixo dominar, me entrego lutando um pouquinho para dar mais graça. Eu quero isso, quero paixão, quero você me desprezando e eu fazendo seu jogo. Quero desprezar você e te fazer de capacho. Quero brincar com teu ego, massagear, irritar, tirar e colocar. Quero doer, fazer doer. Quero chorar e fazer chorar. Quero você nos meus pés enquanto eu me levanto dos teus.
Mas quando você me olha nos olhos (ah, quando você me olha nos olhos...), daquele jeito quente e molhado ao mesmo tempo, daquele jeito só teu, que me desnuda, me afaga, me trás para dentro de teu corpo... Não tenho nada de posse, nem de domínio, nem de dores... Só tenho consciência que nada pode ser tão claro para quem tem paixão.

POSSE
Ele me olha dentro dos olhos, tão fundo que chega ao estomago. Eu retribuo cinicamente. Sinto calafrios quando ele me penetra com seu olhar, mas me mantenho firme, enfrentando sua força tão improvável.
Ele tem uma magnitude nas mãos que me entorpece. Quando estou perto fico tremula e não disfarço. Para que? Não tenho medos, tenho desejos, tenho portas abertas, tenho possibilidades e tantas e tantas vontades que basta fechar os olhos e me permitir.
Eu o quero por perto. Dentro de mim, com os olhos, as mãos, o que puder estar por dentro. Quero sua alma bem próxima a minha. Eu o quero. Como se quer um presente, um sonho, um doce. Quero seu corpo, seu sorriso, seu olhar fixo nos meus e se esquivando um pouco, não por medo, mas por charme. Um charme inóspito, um quê de criança e homem além de tudo o que se respira.
Além, o quero além de mim, lá longe de onde já foram. Quero-o mais que tudo o que passou. Quero tanto que nem sei dizer o que é isso, nem sei dizer o que me suspira, o que me extasia, o que me prende a tanto.
Ele me olha, de todos os jeitos, em todos os sentidos, até de olhos fechados. Me caça, sente meu cheiro e me provoca. Me possui como um bicho, me puxa pelo cabelo, me devora. Me detém como um cárcere de desejo e macula.
Eu soluço, tremo, esperneio, envaideço, amoleço. E não quero fugir.

NÃO FOI EM VÃO
Uma hora eu derramo lágrimas de saudades de um. Noutra eu suspiro pelo segundo. E mais adiante, sonho com o terceiro. Que parte de mim se derramou? Amarga solidão de corpos estáveis, que me fez essa criatura enfadonha com meus vestidos rodados e minhas rebeldias sem causas. Eu paro em alguns momentos e peço uma escolha. Mas meu coração não se rende a uma opção. Cada um no seu espaço, com sua esperança, seus delírios. Cada um distante de mim, para eu poder sonhar, suspirar, chorar de saudades. Cada um me faz ser essa louca solitária, uma loba uivando para a lua almejando um passado que, como se diz, já passou.
Não sei dizer se me escrevo nestas lembranças ou se elas existem porque não foram finalizadas como eu queria, como deveriam terminar todas as histórias de amor. Do tipo que se diz adeus, se explica que o coração partiu, que o amor acabou ou se transformou, que talvez não seja a hora certa, mas que foi bom enquanto durou.
Não. Todos eles se foram repletos de amor e se perderam na bruma. Deixaram rastros pelo caminho, hipóteses, pedaços de si e levaram pedaços meus. E não houve devolução porque não deu tempo.
Não há tempo para despedidas quando se ama demais. Nem dá tempo para rearrumar às malas da partida. Vai-se com a roupa do corpo, desalinhado mesmo, até encharcado pelas lágrimas. Vai como quem esta perdendo o trem, correndo desesperado atrás, sem ter sequer o bilhete nas mãos.
Eu penso em um, dois, três e posso pensar num quarto se assim couber. Não posso é ficar sem pensar, sem sentir saudades, sem suspirar em rever um amor. Não posso ficar sozinha com meu corpo e minha alma. Não posso achar que tudo foi acaso, porque senão estarei fadada a acreditar que minha própria vida foi em vão.

SEGMENTOS
Feche os olhos. Teu peito grudado ao meu domina o ar. O meu ar. Tem o controle agora e não vejo saída pelas próximas décadas. Nem precisa me segurar, minhas pernas estão tremulas, mas não caio. Faça o que quiser, não apresento objeção.
Ouço sua voz e preciso ouvi-la um pouco mais. Em silêncio, sua voz.
Abra os olhos agora, estou aqui. Estatelada e nua, como quer.
Para que explicar de onde vem o amor?

CHAMEGO
“_Olhos lindos que você tem.” Mas só posso pensar, falar apenas o trivial. Me policio para não deflagrar o que sinto diante de você. Mas minhas mãos tremem e derrubo bebida em meu vestido.
Teimo em não te monitorar, mas meus olhos não obedecem. Uma espécie de hipnose que seu jeito tímido é capaz de fazer com o meu jeito altivo.
(Na esquina, teu pescoço. Só eu me apaixono por pescoços... salivo com a imagem de minha boca mordiscando teu pescoço...)
Silêncio. Olho para o lado, preciso mudar de assunto.
Estranho eu ainda ter seu perfume entre meus dedos, mas não me lembrar do gosto de sua boca.
“_Pare de olhar para mim e me beija!”
“_Me abrace logo porque vou sufocar”
“_Quero você dentro de mim!”.
Todas as tolices que me fazem corar e falo com você assuntos triviais. Faço força para disfarçar o meu ciúme quando você acaricia uma outra mulher.
Não sei explicar para meus instintos que não temos nenhum compromisso, porque eu não paro de pensar em você e no quanto você é essencial em minha vida, como se você não tivesse apenas surgido, mas sempre fizesse parte de mim.
Onde está o teu mapa? Cadê o seu tradutor? Será que existem cursos para desvendar seus passos?
Meu menino carente, com cara de colo... No fundo, quem quer teu colo sou eu.


SUBLIME
Es meu. Definitivo e concreto. Sem que saiba, sem que ameace fugir. Es meu. Apenas e sublime, contido, silencioso. Tênue, másculo, tímido, fluido.
Es meu sonho, o vento, o mundo que se atropela, o mar, a nuvem que se deforma, o brilho, a bruma, a linha, o rabisco.
O impossível. O homem que me desalinha, que me abala, que descontrola meu comando...

Não es meu... Não tenho, não terei, não te domino, não te confronto, não te possuo.
Não terei, não farei, não será.
Porque o mar, o sonho, o vento, o mundo, as nuvens... São de todos, de ninguém, do nada...
Não te tenho, não terei, não será.
Quero te descrever de outra forma além das letras, no além, no nosso mundo, aquele que descobri com você. E assim serás meu. Da única forma que posso ter...
No amor.

SIM
Eu poderia ter três homens por dia, consecutivamente, durante toda a semana, o mês, o ano. No mínimo.
Mas só quero você.
Posso procurar uma explicação plausível para isso, mas acho melhor ser sincera: não sei.
Não é falta de opção, mas de sentido.
Quando te vejo, busco em seus detalhes algo que possa distorcer esses desvalidos sentimentos e encontro todos.
Mas então entendo que o que me encanta em você não está ao alcance dos olhos.
Dizer que te amo é um arrombo de impulsividade, mas não tem palavras no dicionário para designar meu embrulho no estomago e o arfante que me acomete ao lembrar de teu gosto.
Perdi esse jogo, mas não a competição.

NÃO
Luto insanamente contra você. Ao teu lado, sou uma guerrilheira, sem ideologia. Não meço esforços para ser cínica, ardilosa, implacável. Quero te alfinetar, agredir, afrontar. Quando vejo teus olhos de susto, esboço um sorrido de vitória.
Que vitória?
Eu sou a franca perdedora, amedrontada, a espreita, tremula e insegura.
Logo eu... Logo eu...

SINA
Segue teu destino, arruma tua mala, pega o trem... Vai para onde quiser ir, mas que seja agora.
Não posso suportar tua ida, mas preciso dela para ir também para algum lugar.
E a hora de ir, de partir, de suprir a vontade de novos ventos.
Não dá para doer tanto mais que já dói.
Basta, siga em frente, não olhe para os lados, muito menos para trás. Não se desfaça em lágrimas, engula o pranto que eu farei o mesmo.
Não tem meia volta, nem retorno agora. Por hora, tudo o que te peço e prometo é que a ida é definitiva. Não posso te dizer mais nada.
Não consigo. Minhas palavras estão na tua mala. E também o meu sentimento.
Então não abra ela agora, não vá espalhar o que sinto por ai, nem o que está dentro de você.
É assim mesmo.
A despedida dói.

MEU
Quero o doce da tua boca. O fôlego que acumula em teus pulmões. Quero te beijar e te deixar roxo. Você puxando o meu cabelo, tentando me tirar e me trazendo mais pra perto.
É o jogo.
Você me tem e eu te domino.

ELES GOSTAM DE DANÇAR
Ela é mais velha que ele e cisma que a idade pesa. “Somos de galáxias diferentes”, ela tenta explicar, mas se cruzam cada vez mais no espaço dessa paixão.
O amor e os encontros, tantos desencontros. Tudo pode dar certo e tudo pode dar errado. Não basta a diferença de idade, a condição social, a raça, religião, visão política, sexos opostos, sexo de iguais, tudo pode ser uma desculpa para dar muito certo ou muito errado.
Meus amigos são assim: ela é mais velha, lourinha e mantém sua imponente responsabilidade. Ele é mulato, dez anos mais novo e um sorriso de sonhador que contagia. Acumulam entre si outras variações conflitantes, a quem está pronto para apontar incompatibilidade. Afinal, tudo poderia ser muito estranho entre eles. Mas quando eles dançam a gente percebe que vieram do mesmo planeta, porque nada em torno faz o menor sentido, a não ser o amor.
E de que importa os adornos se eles gostam de dançar?
Doce procura em construir uma vida em comum, caminhando pelos destroços do passado, acreditando que tudo pode se ruir... E se não ruir?
As pessoas são assim, cada um em sua gaveta, mas tem uma hora que as gavetas se fundem...
Se um quer os holofotes e o outro a retidão, e daí? Um precisa correr de manha e o outro acordar depois do almoço. Um é romântico convicto e o outro seco como uma rocha. Enquanto um berra, o outro chora. Um quer alcançar o mundo e o outro se contenta com o essencial. Um precisa desabafar o que sente e o outro guardar.
Mas descobrem que gostam de comédias.
Um só entende relação se houver aliança, o outro só precisa do amor. Um quer filhos e o outro foge de crianças. Um quer casa no campo e o outro condomínio.
Eles querem terminar a noite com vinho tinto.
Os dois dizem que não ligam para dinheiro, mas isso quase sempre é o mote da separação. Um é carente e o outro foge de excessos.
Os dois são ciumentos.
Um quer saber de tudo e o outro quer esquecer o que aprendeu. Um se sente sufocado e o outro só. Um prova todas as camas e o outro só quer relembrar e chorar.
Quem de nós é igual? Quem é diferente?
Mas meus amigos dançam... Não precisam de desencontros, encontros, dúvidas. Eles não se comparam não se medem. Esquecem que podem ter contradições, distâncias, desencontros, segredos, medos. Tudo no compasso da música, até quando ela se silencia.
Na galáxia que eles vieram o que importa é o beijo e isso eles fazem muito bem.

AROMA
Eles têm um mundo tão completo... Tão perfeito... Que não há brecha para o olho negro da inveja, para o desatino, para as perversões.
Só o amor.
E a música, que transforma em bruma o assoalho e pinta de rosa qualquer forma de ar que os rodeiam.
Do lado deles, qualquer sentimento parece pequeno demais para se descrever. E eu, me contento em admirar o que a vida pode proporcionar através da poeira.
INÍCIO DE CONVERSA
Solidão não é coisa de gênio, nem de miserável, nem de carente. Solidão todo mundo tem um dia, mesmo que rapidinho. Às vezes ela bate e volta, mas também consegue driblar os anticorpos e se instala.
Meu dente está doendo. Estou me sentindo sozinha demais para caber nesse edredom.
O dia hoje está muito esquisito, chove, faz sol, tem calor de molhar a calcinha e bate um vento frio que dói a garganta. Como eu, ele vai e volta. Como meu coração, ele não sabe o que fazer e quer derrubar tudo a sua volta.
Meu dente dói, minha garganta dói, meus pés doem.
Um médium me disse que dor nas pernas e na coluna é medo de mudança. Também ouvi dizer que arrumar guarda-roupa e objetos é uma forma de organizar o intimo. Meus pés doem que chegam a tilintar. E estou sem a menor paciência para arrumar alguma coisa.
Já tive coleção de cds, de livros, de discos de vinil, de borrachas, de papeis de carta, de álbum de figurinhas, de chapéus, de chaveiros, de canetas, de lápis... Vendi tudo e doei o que sobrou. Confesso que a venda do primeiro cd me fez cair em lágrimas, mas depois tudo foi indo embora com muita facilidade. Numa ação desesperada de necessidade, consegui dar um passo maior dentro de mim. Sempre me apeguei muito a objetos e coisas sem vida, como se falassem comigo e me amassem. São meros objetos inanimados os quais me dedicavam por algum tempo em minha vida.
Para que tanta roupa, louça, adereços? Lindos, belos e passageiros... Não me importa mais se amanhã eu tiver que ir morar em outra cidade e refizer meus queridos objetos. Porque os papeis se vão, as roupas se acabam, mas as lembranças não. O diário portátil que carrego no meu cérebro, cabe todos os acontecimentos e não permite nem aquela memória seletiva de captar somente as coisas mais intensas. Ta tudo lá! Cheiro, visão, sons, sensações, gostos, sonhos, angustias, amores, raivas... E o melhor, ninguém pode tirar isso de mim.
A porta da solidão, as coleções... Os apegos. Tudo tão atrelado a nada, ao vazio que cultivamos. Até a dor de dente que vou curtindo até esquecer que é o dente que dói e não o coração. Dizem que os cegos vêem tudo preto porque vêem mais. Será que eles se sentem solitários ou tudo é uma questão de perspectiva?
Hoje me desfaço facilmente de objetos os quais não nutro mais sentimentos de amor e apego, mas cada vez é mais difícil me separar dos afetos. Esses sim, são aderentes à alma.

QUANTO VALE?
Amizade se mede como?
Pelo tanto de tempo que se dá ao outro?
Pela confiança?
Pelos assuntos que se podem ou não serem conversados?
Pelas gentilezas trocadas?

Amizade tem valor agregado? Pode ser etiquetada?

Tenho amigos que não tem como medir, como mensurar, como atribuir nota ou denominar sentimentos.
Estão acima do céu. Acima dos nomes. Acima de tudo o que não importa.


FELIZ ANO NOVO
Ontem foi reveillon. Vesti branco, taquei uma rosa vermelha bem na área do coração, um anel bem bonito, a melhor maquiagem e peguei a garrafa de champanhe do freezer. Por dentro do vestido, todas as expectativas para um novo ano novo, daqueles renovados, bem limpinhos das manchas do passado. Com cara mesmo de coisa nova, cheiro de novo, brilhante, que dá gosto de começar a usar. Não pude deixar de chorar um pouco antes da meia noite e também durante os fogos, porque sobrevivi há tempos difíceis e experiências intensas demais para os outros anos passados e findos. Chorei e como nunca fiz, apenas agradeci por estar ali, tão bem, feliz, suave, explicita, viva, apaixonada por mim.
Nas ondas do mar, batendo forte em minhas pernas, fiz uma homenagem aos santos, deuses, musos.
Aos amigos que conquistei e que foram muitos, aos amores que avassalaram minha vida, a família que não sai de mim, as músicas que me fizeram tão bem, aos livros que li, as flores que ganhei, as palavras que recebi, aos filmes que assisti e chorei, as festas que me divertiram, aos excessos de tudo o que entorpece, ao silencio que cometi em brandos tempos de gloria e aos gritos que proferi em solidão... Minha reverencia! Ajoelho diante do mar, de pernas arqueadas e humildes, para agradecer a pessoa que me tornei e a pessoa que já se foi de mim.
Meu celular se afogou no salgado das espumas e perdi também o tempo dos homens. Agora só me resta estar onde for o momento destinado pelo que não posso controlar.
A água do mar levou pro fundo de seus devaneios, todas as esperanças fúteis, as expectativas escandalosas e só deixou o que é amor, para que o inicio do novo ano seja repleto de paz em torno de meu espaço. E que eu respire amor, só amor mesmo que com os olhos rasos d´água.
Brindei com os amigos presentes e os ausentes. Brindei com o barco lá no fundo, que servia de cenário para a celebração da virada. Nem vi os fogos que insistiam em hipnotizar. Tinha um espelho defronte, onde reluzia a esperança intrínseca.
Uma noite como todas as outras, mas escolhida para ser aquela que decidimos ser pessoas melhores do que já conseguimos ser.
E talvez, eu possa conseguir mais essa vitória.

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Atualizado em: Qua 16 Dez 2009

Comentários  

+1 #1 Abreu 18-01-2010 22:21
Ofeguei, mas cheguei!

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