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Da Escuridão

No fim, não fiquei surpreso, saber que foram minhas ações que destruíram minha vida e parte da vida de algumas pessoas próximas a mim. Não surpreso, apenas mais triste. Muito mais triste por saber que, se tivesse outra chance, dificilmente faria diferença. E talvez essa tenha sido a revelação final, a última linha da conclusão, não faz diferença. Talvez não seja assim para uma pessoa normal, se existe tal coisa, talvez seja a anormalidade contando esta história, mas se for ela supera em muito minhas marcas e meus argumentos. Talvez sábios sejam os que enxergam a ausência de significado, ainda assim, continuam suas vidas sabendo que a relatividade torna inválido qualquer sentido, mas talvez não haja sabedoria e percebendo isso estou cometendo outro grande pecado.
Por que quero coisas demais. Quero que seja possível e simplesmente não é. Três décadas atrás, matéria dura e segura acolheu minha alma quando adentrei esse mundo. E o fragmento de vida entregue a mim fez seu melhor em manter unida esta carne e esta alma, mas nenhuma mão, nenhum chão as prende neste mundo. A porta está aberta, sempre esteve, apenas não vi assim, ou talvez tenha preferido não ver. Se ainda não atravessei é por medo e desejo. Medo de que seja mesmo capaz de cometer esse último abandono, e desejo, profundo desejo que ainda seja possível. Algumas vezes, algumas respostas, tornam o medo aceitável, mas vencível, e o desejo, por mais profundo que seja é o primeiro a desaparecer, porque no fim, sei que não é possível.
É uma ilusão? Se for, não é uma que vale a pena aceitar. Se for, é uma fraca demais para mim. Aquele ou aqueles que criaram essa mentira, poderiam ter feito um melhor esforço, só um pouco mais, pois temo que até aqui foi a parte fácil. Temo que até aqui tive leniências e ajudas além de qualquer merecimento, nada assim haveria de durar, era pior no começo. No começo tentando entender, em testes antes da luta, como se nem minha alma, nem a escuridão soubessem ainda quem era o mais forte. Depois nas vitórias e nas derrotas, a realização, de que não ficaria melhor, nem mais fácil. E na realização, os primeiros a serem abandonados foram os sonhos. A luta perdurou e, entendendo que não haveria outra vitória, abandonei as testemunhas, para o bem delas, ainda que elas não entendam. Agora resta apenas uma. Uma que em cada passo dessa jornada era a única que precisava ser convencida de que era possível. Se falhei em aceitar as ilusões, se falhei em qualquer método ou passo, nenhum se compara a não ter sido capaz de me convencer de que era possível ser feliz.

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Atualizado em: Seg 17 Jan 2022

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