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Um assunto broxante!

TANTOS ATRIBUTOS E NENHUM DELES FUNCIONAM...
 
   Já prestou atenção que quando duas ou mais pessoas estão tratando sobre um assunto sério e alguém entre eles “põe deus no meio”, o teor da conversa perde o tom de seriedade?    
   Esta citação desnecessária, quando não vira alvo de desconfiança deixa conversa broxante, com tom de incerteza, falta de compromisso, sem data específica ou probabilidade de ser solucionada.
   Deus lhe pague; deus te ajude; deus te proteja, deus te guie; estou orando por você...
   Na teoria essas falas surtem todo efeito do mundo. Na prática isso não quer dizer nada!
   Do mesmo modo, afirma que deus é onisciente, onipresente, onipotente, absoluto, único, verdadeiro, fonte de todo amor e que protege os que nele confiam é tão vago (inútil) quanto dizer que nas fossas oceânicas um casal de mariposas consegue copular e ainda de bicicleta ao mesmo tempo. Ainda que fosse verdade ninguém seria capaz de comprovar tal fato, e mesmo se comprovado, que utilidade isso teria às nossas vidas?
   Se existe um lugar onde deus tudo pode e tudo faz, esse lugar se chama reino das fantasias!   
   É somente na mente humana, na literatura, no teatro ou no cinema que os deuses fazem tudo aquilo que lhes competem. No mundo real isso não existe!
    Sua presença e atributos servem apenas de clichê para manipular as massas, trazer monetização aos que lhe fazem propagandas, além de projetar falsos esperanças, valores e virtudes duvidosas a alguns que desse título se valem.
   Usar o nome de deus ou fazer uma citação bíblica numa conversa séria, a depender de quem o esteja fazendo ou do contexto envolvido, ao invés de passar credibilidade, vai levantar suspeitas, deixando claro que a única certeza é que cedo ou tarde uma das partes dará ou levara um calote.
    Esse ato é como se fosse uma mistura de confissão prévia de delito com solicitação de perdão antecipado. É como se dissessem: O GOLPE ESTÁ AÍ, CAI QUEM QUER!
    Até o menos inteligente ou o menos escolarizados entre os humanos fica desconfiado (ou tem certeza) de que assunto nenhum será resolvido quando o nome de deus é invocado numa conversa decente.
    Diante de assuntos sérios, invocar personagens folclóricos como testemunha ou garantia de um acordo não é algo inteligente a ser feito. Eles só subsistem por meio de uma narrativa coercitiva e seus poderes, apesar de adaptados ao mundo moderno, de nada valem diante de pessoas e assuntos sérios.
    Em situações reais, pouquíssimas pessoas esperam algo de deus ou de seus representantes, a menos que por estes estejam iludidos.
    Nos momentos que exigem uma atuação eficaz, todos procuram a polícia, bombeiros, médicos, advogados, juízes, cozinheiros, faxineiros e todos os tipos de profissionais úteis que atendem nossas demandas sociais.
    Fica mais que evidente que a mera citação da crença em deus, em seus atributos serve apenas como um tipo de passe, um ingresso, um cupom ou algo que possa fazer com quem alguém pertença a uma determinada bolha (um culto, uma igreja, um partido político, um clube de tiro...).
    Outra impressão negativa que fica aos que ficam usando o nome de deus pra tudo diante de assuntos reais é a que chamo de “síndrome da criança do primário”.
    Assemelho esse comportamento ao de uma criança pequena na escola, implorando por aprovação e atenção de todos, aquela que ganha uma estrelinha (de papel) da professora cada que fala ou faz algo considerado bonito pela classe ou por ela mesma.
  Possivelmente este será um adulto “totalmente dependente de deus”.
   Na verdade, este será uma pessoa eternamente dependente da aprovação dos outros em tudo o que faz.
   Ao perceber que quem vive a citar o nome de deus com frequência ganha uma “estrelinha”, este o fará com frequência, de modo que sentirá orgulho pelas tantas medalhas que acumulou ao longo da vida cada vez que fez uma citação bíblica.
    Apesar de tantos atributos e qualidades divinas, está mais que evidente que na hora do aperto as pessoas buscam soluções em dispositivos reais de segurança, saúde, lazer, educação, etc....
    Por outro lado, de modo mecânico, muitos crédulos não pensam no que estão dizendo. Apenas repetem por que acham bonito ou por que viram que isso serve como moeda de troca para obter atenção e “respeito” de alguns. Caso os crédulos prestassem atenção à cada coisa que dizem, ririam muito daquilo que afirmam ser verdade.
    Semana passada por exemplo, tive uma experiência inusitada com uma dessas pessoas que não tira deus da boca e apesar de tudo vivem afundadas em desgraças.
     Tal experiência, além de cômica, foi didática para quem a citou, trazendo-lhe risos descontrolados ao perceber a bobagem que havia dito.
    Tal situação me ocorreu com um rapaz de cerca de 25 anos de idade, dependente químico há alguns, cuja vida quase fora ceivada algumas vezes devido ao vício e cujas ações já colocou em risco sua própria família.
    Eu o ajudava com alimentos, roupas, remédios e dinheiro sempre que podia, pois ele alegava que tais insumos era pra sua filha pequena. Eu não sabia que ele era usuário de drogas e que trocava o que ganhava pelo objeto do seu vício.
    Fiquei muito chateado quando soube e disse-lhe que não mais me procurasse, pois eu não mais o ajudaria, já que ele estava se destruindo pondo em risco sua prole e seus parentes.
     Ele não mais me procurou e tempos depois se mudou para outra cidade, já que estava com a cabeça à prêmio.
     Ele sumiu por quase dois anos. Achei que tivesse morrido de alguma forma trágica. Porém, ele apareceu esses dias e com a mesma conversa fiada alegou que a filha não tinha nada pra comer e que precisava alimentá-la...
     Fui outra vez duro com ele, alertando-o que a cada dia sua vida estava sendo encurtada e que se não parasse com isso, teria suas funções motoras e cerebrais comprometidas pelas drogas ou poderia ser morto pela polícia ou bandidos quando as coisas saíssem do controle.
    Como quem estava prestes a dar um veredicto final sobre uma verdade incontestável ele olhou seriamente pra mim e disse:
- “Isso nunca vai me acontecer! Eu nunca vou morrer de tiros, facadas ou outras tragédias pois, TODOS OS DIAS EU PONHO DEUS EM MINHA FRENTE. DEUS ME SERVE DE ESCUDO”!
     Como o mesmo ar de seriedade e confiança no assunto, olhei para ele e disse:
- “VOCÊ SABE QUE DEUS É INVISÍVEL E INCORPÓREL, NÉ?????
     Nos olhando fixamente por cerda de 5 segundos que mais pareciam uma eternidade.
     Percebi que ele estava tentando digerir o que eu dissera. Estudou meu rosto assim como eu estudava o dele.
     Sua cara que estava tensa, com sobrancelhas franzidas e postura ameaçadora, de repente começou a mudar para uma expressão cômica e relaxada. Ele tentou à todo custo se ficar sério, mas não aguentou e “se papocou de tanto rir”. Riu tanto que lágrimas se formaram no canto do seu olho.
     Apesar de suas faculdades mentais estarem um pouco comprometida, ele entendeu perfeitamente o que eu quisera dizer.
      Isso me surpreendeu!
      Achei que ele não fosse capaz de entender a constatação do obvio e nem tão pouco pensei que ele levaria isso para o lado humorístico, já que pessoas nessa situação costumam demonstrar agressividade ou vitimismo quando tem negado o seu pedido.
      Quase sem se conter de tanto gargalhar, ele conseguiu verbalizar sua lógica conclusão:
- “Rapaz...nunca tinha pensado nisso: deus é invisível e não tem um corpo! Como é que ele vai parar as balas se ficar em minha frente? Eu vou ficar todo furadinho de tanto tiro que vou levar!
    E assim prosseguiu!
- “Kkkk...Que viagem! Onde eu estava com a cabeça? Deus não tem corpo, se atirarem em minha direção, as balas vão atravessar ele e pegar tudinho em mim.... Que bobo que sou! Kkkkk....”
   Não aguentei o tom cômico de suas colocações e rimos juntos.
   Não achei que ele fosse “pegar no ar” o que eu queria dizer e nem tão pouco achei que ele seria capaz de admitir o óbvio, mas ele o fez.
    Não sei se a droga o deixou mais corajoso para admitir a imbecilidade de suas ações e palavras ou se ele realmente acreditava no que dissera e só agora se dera conta que nada daquilo fazia sentido.
   Foi hilário perceber que “até um drogado” tinha sido capaz de usar a lógica diante dos atributos mitológicos de um ser igualmente fantasioso.
   Dei uns trocados ao rapaz, sugeri que ele tomasse juízo e saísse daquela vida.
   Ele agradeceu e foi embora, rindo, repetindo a própria afirmação engraçada.
....
    Quando ele saiu fiquei pensando: se até uma pessoa em tal estado enxerga o óbvio, por que não uma pessoa “cheia de deus”?
    A única conclusão que chego é que a fé, como certeza cega e irracional na providência divina, poder ser ainda mais perigosa que certas drogas.
     A negação da realidade que nos cerca, da natureza humana e a manutenção coercitiva de seres e lugares fabulosos no consciente individual e coletivo podem trazer danos irreparáveis à mente humana e a uma sociedade, pois em alguns casos, estes, (os crédulos fanáticos) são como doentes que recusam o tratamento e procuram assassinar quem fabricam a cura.
      Se a religião fosse apenas algo restrito ao “usuário”, isso seria perfeito ou pelo menos inofensivo. Porém, para que a fé de alguém seja exercitada se faz necessário um alvo a ser atingido, conquistado ou derrubado.
     Fé entre 4 paredes nunca existiu. É como uma doença degenerativa que apesar de local, com o tempo se espalha pelo corpo, podendo levar à morte o hospedeiro.
     No exercício de sua fé, geralmente quando uma pessoa “cheia de deus” não está dando conta da vida alheia, falando (condenando) sobre o que os outros estão fazendo, comendo ou com quem estão transando, os mesmos estão tentando converter os outros às suas próprias práticas, sem falar que em nome de deus ou em  favor deste, dizem estar conquistando todos os lugares e espaços públicos para o Senhor, quando na verdade estão apenas dando controle de suas próprias vidas aos líderes de suas igrejas e impondo que toda sociedade “não crente” faça o mesmo.
    Como se isso não bastasse, cristãos ficam tentando converter outros cristãos ao cristianismo, cada um dizendo que sua igreja é a verdadeiras e as demais são falsas. Coincidentemente esse é o comportamento dos líderes de milícias e do crime organizado.
     Os que não querem envolver-se com tais aberrações ficam em fogo cruzado, tendo que assistir facções religiosas e milicianos da fé disputarem o domínio de bairros ou até de países inteiros, alegando que estão levando ao povo algo totalmente vital para suas vidas (deus), como se estes povos não estivessem vivos antes das chegadas destes colonizadores do evangelho da desgraça e da subversão humana.
     Vendem a ideia de um deus com inúmeros atributos, mas que na prática nenhum deles funcionam. Isso é evidente e nem eles conseguem esconder.
     Vendem a ideia de uma igreja perfeita, onde reina a paz, a honestidade e a pureza entre os seus membros, quando na verdade gastam fortunas para esconder os próprio delitos e casos que nem na vala da moral humana ocorreriam.
      Pregam a paz, mas incentivam o ódio contra qualquer pessoa que tente ser lucida ou se oponha a ideia de “um deus governando o seu povo”.
      Pregam o desapego dos bens materiais mas acumulam fortunas pessoais que se vivessem 500 anos de vida, não seriam capazes de gastar tal fortuna.
      Quando pregam prosperidade para os membros, eles são as únicas pessoas que de fato prosperarem, vendendo todo tipo de bugigangas inúteis e “ungidas”.
       Dizem que deus os protege mas estão se armando até os dentes à espera de um inimigo imaginário (ou seria contra a esquerda?).
      Por fim, sacralizam o banal e desprezam o sagrado (o respeito entre as pessoas). Fingem louvar a deus ao mesmo tempo que jogam o seu nome na lama se envolvendo em todo tipo de corrupção e coisas deploráveis, condenadas publicamente por eles mesmos.
      Houve um período em certas culturas humanas que o invocar o sagrado trazia credibilidade ao que o fazia. A ideia do divino pode fazer cessar até guerras (ou provoca-las ainda mais).
      Nos dias atuais e com a quantidade de “gente santa” metida na política e nas comunicações, quando alguém com frequência cita o nome de deus, só faz remeter ao descrédito, à chacota ou à falta de garantias no que se foi dito ou vendido. Quanto mais deus, menos credibilidade...
      Virou clichê citar versículos bíblicos. Vindo de um hipócrita, isso dá asco.
       Quanto mais “santos” metido na política, mais nojenta essa se torna.
       Felizmente não é apenas constatando a influência negativa de alguém que a frearemos. Quando o “deus” de um povo sai do santuário e passa a ocupar lugares públicos e decisões que afetem o destino de um povo, é hora de convocarmos a racionalidade para ocupar seu espaço.
      Em outro texto comentaremos um pouco sobre isso...
Até breve!
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Atualizado em: Seg 2 Maio 2022

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