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O MOÇO QUE ENCONTROU A “TUMBA DE DEUS”

Analisando uma “prova” da existência de deus!
 
  Certa ocasião me deparei com uma postagem em uma rede social cujo autor por meio de uma longa explanação questionava as qualidades surreais de deus e a ineficácia de tais qualificações comparando o que dizem ser com o que realmente tem sido.
  Para um bom entendedor, estava claro que o autor usando um raciocínio lógico dizia que o deus bíblico era apenas mais um entre os milhões de deuses já fabricado pela humanidade quando o medo do desconhecido, a ganancia e a ignorância foram seus únicos sustentos ou quando oportunistas viram em tais situações uma excelente vantagem para lucrar e ter poder sobre os demais.
   Segundo o autor, esse deus assim como tantos outros era um deus local, que surgiu de uma necessidade local para atender um anseio popular sob determinada circunstância e que depois de mesclado com as qualidades de outros deuses “pagãos”, foi entregue ao povo como se fosse um produto original, se tornando assim um deus universal, senhor de todos, superior a todos, o único e verdadeiro segundo tais crenças.
  Após a postagem apareceu um jovem para defender de forma ferrenha a “verdade bíblica”. Ele dizia que a maior de todas as provas de que deus existia seria o muro das lamentações, ou seja, aquilo que sobrou do templo erguido por Salomão cerca de 3 mil anos atrás.
   O jovem dizia que tal “evidencia” era capaz de calar qualquer incrédulo. Aquelas pedras era prova cabal que o deus bíblico é real segundo ele.
   Em seus argumentos, ele não apresentou um ser real e funcional e nem mesmo uma manifestação teofânica que pudesse ser constatada por milhares de pessoas simultaneamente para silenciar os que duvidavam dessa veracidade, antes sim, estava ali um conjunto de pedras sobrepostas, idolatrada por pessoas do mundo inteiro como “prova real” daquilo que chamam de deus vivo.
   Ele mostrava essas “provas” com a mesma certeza de um arqueólogo que acabou de achar um sarcófago perdido de algum um imperador antigo, cuja descrição e objetos enterrados junto ao corpo comprovam que realmente estava ali o monarca há tanto procurado.
   Secretamente chamei este jovem de “o moço que encontrou os ossos de deus” pois essa foi a impressão que tive pela confiança que ele defendia seus argumentos, “provando” a existencia de deus, de jesus, dos céus, do paraíso e de toda miríades de anjos descritas no “livro sagrado”. Tudo isso baseado em veneradas pedras.
    Segundo o seu raciocínio, se há um pedaço do muro ainda de pé é por que houve um templo. Se houve um templo, Salomão e o povo judeu também foram reais. Logo, se estes são reais tudo o que diz a bíblia acerca de deus também é real!
    Pois bem...essa não é a primeira vez que vejo táticas defensivas para defender o indefensável usando a lógica do absurdo.
   Não quero menosprezar o moço por defender aquilo que acredita. Ele só estava fazendo o que todo crente faz pelos meios que dispõem. Quem tem argumentos (ainda que fracos) usará. Quem não os tem, partirá para a violência física ou verbal como tem sido desde sempre!
   Os crédulos sempre procurarão meios para defender suas fantasias. Poderão inclusive fazer uso do o estado, de recursos políticos ou de materiais bélicos para calar “heréticos”, a depender da posição social que ocupem. Apesar do que dizem, eles defendem a deus ao invés de deus defendê-los sempre que confrontados. Se não for assim, a fantasia pode morrer e com este a soberba do fiel. Várias manifestações culturais, fontes de rendas e turismo religioso também morreria com a morte de um deus. Nossa espécie tem a estranha mania de sentir-se segura e amada por uma fantasia projetada.
 Quando a vida de uma pessoa ou de um povo gira em torno de um ser mistificado ou de um grupo místico, perder esse marco é perder a razão da própria existência e por isso fazem o que fazem das formas mais absurdas possíveis.
  Se for necessário tirar a vida de centenas ou milhares para proteger “uma verdade indestrutível” eles o farão. Suas vidas se tornarão desprovida de sentido se não o fizerem.
  A grande maioria destes atribuem aos deuses todo instinto de moralidade que possuímos. A ordem social e todo avanço que produtivo que conseguimos provém desses seres misteriosos que nos guiam, eles dizem. Longe dos deuses só há o caos, eles afirmam.
  Os que defendem que a moralidade, a paz e a ordem social são produtos da vontade dos deuses e das religiões, no mínimo nunca leu a bíblia ou conhece muito pouco sobre a história da igreja. O oposto disso é que seria verdadeiro.
  Os que conservam esse comportamento são pessoas amedrontadas e inseguras que precisam convencer os outros daquilo que elas mesmas não têm certeza, pois quanto mais pessoas acreditando em algo em comum, mais conforto trará a todos do grupo e menos confronto haverá sobre a crendice coletiva. Qualquer tipo de interrogação abala a estrutura montada sobre o mito, desse modo o questionador deve ser silenciado para o bem de todos. Qualquer um que use a lógica, a razão, a filosofia e a ciência em paralelo com a crendice, será visto como uma ameaça direta a sobrevivência do grupo. Eliminado deve ser, eles dizem.
  Bem verdade é que pela fé (no conceito religioso de ser) cada um acredita e defende o que bem quiser, pois para o crédulo, seu objeto de defesa será sempre real, não importa o que digamos ou quantas contradições venhamos mostrar.
  Porém, se usarmos os argumentos apresentados pelo fiel acima, se concordarmos que o deus bíblico é real só por que restos de um templo destinado a ele ainda permanece de pé, seria lógico concluir que todos os outros deuses também são reais, pois há diversos altares, templos e ruínas em vários ligares do planeta aos mais variados deuses.
   Se essa lógica funcionar, os deuses gregos, romanos, macedônicos, fenícios, celtas, germânicos, egípcios, incas, astecas, maias e todos os outros também são reais, pois além de ruinas templos e altares, há também um povo (ou seus descendentes), há “escritos sagrados” e há diversas evidencias arqueológicas que comprovam que tal povo existiu. Se tais materiais servem de provas para o deus bíblico, servirá também para os demais deuses, logo todos os deuses são reais.
   Como indivíduos sociáveis, para não sofrermos represálias de nossa própria família e da cultura local, aposentamos a razão, ocultamos a lógica e descartamos o uso de nossas faculdades mentais. Os que trilham caminhos diferentes, a depender de onde estão, estarão entregues à própria sorte. Recorrer à crença coletiva evita o embate, o combate e a perseguição. É mais fácil aliar-se a um grande exército que combatê-lo sozinho com recursos próprios.
    O ato de crer, apenas crer, não seria prejudicial ninguém, nem ao crédulo nem ao incrédulo! O problema é que uma religião ou igreja não é fundamentada apenas no ato de crer. Isso não tem serventia alguma! Acima do crer estar o obedecer e executar. Obedecer aos patriarcas de e executar seus comandos, mesmo quando tais comando forem para destruição de um povo ou do próprio crédulo ou do próprio crédulo.
  Todo exercício de fé se dá por práticas individuais e coletivas. Quem apenas afirmar crer sem obedecer e propagar as verdades do grupo será considerado um fardo, uma pedra de tropeço aos demais.
   Pior ainda que crer e obedecer cegamente a um líder ou a um grupo religioso, é “ouvir” e obedecer diretamente ao próprio deus! Qualquer um que diga ouvir a voz de deus, falar com ele ou em nome dele fazendo ou não uso da bíblia é uma pessoa psicologicamente desajustada ou de caráter duvidoso.  Quando não é um oportunista fanfarrão é um louco esquizofrênico!
  A terceira opção seria a de um crente fiel, de um “robozinho” programado pelo sistema para repetir falas e comportamentos dos seus líderes em troca de migalhas como afeto, indicações a cargos no grupo e até alimentos, nos locais onde a miséria predomina. Esse tipo de grupo (que consiste na grande maioria) não tem fala ou personalidade própria, será sempre adepta de qualquer comando vindo de seus superiores. O que hoje eles condenam com veemência, amanha abraçarão e defenderão com afinco como se fosse assim desde o princípio. Quem definirá seu objeto de ira e “amor” será sempre seus superiores.
   Este grupo é o principal responsável por conceder a vida que o líder bem desejar, seja uma vida de luxo, ou uma vida de perturbação, vendo demônios em tudo e em todos, colocando todos sob um estado de tensão eterna. Quando o líder diz: “deus falou”, eles dizem: “tá falado”!
   É preciso desfazermos essa ideia de que a vida, a moralidade, a bondade e a paz entre os homens dependem de deus, da religião ou de um líder religioso.
   É imprescindível que ao invés de perdermos tempo tentando provar a existência de um deus ausente, distante, inerte e ineficaz que possamos enxergar a existência dos que compartilham o tempo e espaço conosco, bem como com aqueles que nos sucederão. São estes e com estes que nossa realidade é construída. É com eles e por meio deles que nossa paz ou guerra será estabelecida.
    Os que veneram os deuses e tentam provar a todo custo a sua existência, desprezam e destroem o aqui e agora, a realidade em que estão inseridos em troca de um futuro glorioso que nunca virá, onde o “defensor de deus” será recompensado só por que fez propaganda a cerca dele, enquanto esperam ver que deus castigou os que nele não creram.
     Não te parece estranho que um ser auto existente precise que seus servos de finita existência se destruam tentando provar que ele exista?
     Não te soa estranho que entre milhares de deuses já criados, todo crédulo afirma estar servindo justamente ao verdadeiro e todas as pessoas ao redor estão enganadas, seguindo a um deus falso?
     Não te surpreende que esse deus se comunique de forma estranha, individual e contraditória de igreja para igreja, de grupo para grupo e de pessoa para pessoa, mesmo estando todos baseados numa mesma “palavra da verdade”?
    Entre a verdade e a realidade muitos vagueiam como cego em tiroteios. A verdade, qualquer um poderá construir a sua própria. Mas quando encaramos a realidade percebemos que estamos sós, que somos responsáveis por nossos erros e acertos e que um amigo imaginário ou promessas de um paraíso imaginário não nos torna melhor que ninguém, apenas mais egoístas e cheios de falsa razão.
   Alguns ao perceberem isso se tornam pessoas ainda melhores e responsáveis. Outros voltam para o casulo e fingem não saber de nada. Outros se tornam parasita de sua própria espécie.
   A morte sempre mostrará a todos que uma vida jogada fora em defesa de uma fantasia foi uma vida má vivida...
    Pensem sobre isso. REVEJA SEUS CONCEITOS!
Saúde e sanidade a todos!
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Atualizado em: Seg 28 Set 2020

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