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UMA MISSÃO IMPOSSÍVEL!

 A ideia de um deus comum a todos encerraria todo o sonho de grandeza do homem primitivo representado pela figura de um deus pessoal ou grupal!
*Por Antônio F. Bispo
  Qual é a graça de alguém “ter” um deus que que todo o mundo “tem”? Qual o sentido de venerar um deus que está sendo adorado por todos os habitantes do planeta? Como sentir-se especial diante de um deus ordinário que se tornou comum e acessível a todos? Como pedir a morte e aniquilação dos inimigos para um deus justo, senhor de toda a terra e que vê a todos por igual sem ter ninguém ou nenhum grupo acima de outros? Assim não dá, né?
  ISSO NÃO TEM GRAÇA, NÃO TEM SENTIDO E NÃO É PARA ISSO QUE SERVEM OS DEUSES!
  Os deuses tem como função primordial inflar o ego humano fazendo que aquele que o “tem” se ache diferente e especial mesmo sendo um mero e falível mortal como todos os outros. Um deus comum a todos desfaz esse tipo de fantasia.
  Os que defendem o ecumenismo acreditam que um mundo de paz e harmonia seria possível por meio da unificação de todas os credos e de certa forma isso é verdade!
  Se todos venerassem um mesmo objeto de culto não haveria motivo algum para conflitos religiosos cujos fiéis tentam a todo custo provar qual deus é o mais forte, o mais verdadeiro ou o que mais ama o “seu povo”. Também seria desnecessário essa imensa quantidade de líderes religiosos salafrários e dezenas de igrejas que surgem todos os dias nos mais diversos cantos do planeta cujo intuito único é o de lucrar com a ignorância do povo tornando cativo todos os que a eles se submetem.
  Nenhuma conquista em nome dos deuses seria necessária. A tentativa de conversão forçada ou velada, campanhas evangelísticas, vendas de bugigangas sagradas e tudo o que tem sido usado para propagar o “reino de deus” não teria validade alguma! Ninguém batendo à sua porta as 6 da manha de um domingo para te evangelizar, nenhum maluco pregando no metrô, ninguém te ameaçando de morte ou com o inferno por você não ter dado ouvidos quando ele pregava a “palavra de deus”, nenhum pastor enriquecendo às custas da ingenuidade alheia...pense numa coisa boa!
  Porém é necessário lembrar que o ecumenismo tira a ideia de exclusividade e entre a ilusão de ser exclusivo e especial de um deus e paz real universal, a primeira opção será sempre a escolhida.
  Os que procuram a paz “baixam a bola” negociam suas posses e territórios, perdem aqui, ganham acolá, calculam custos e benefícios antes das ações e procuram meios diplomáticos para resolver seus conflitos. Usar a força e a violência somente para a defesa, jamais para o ataque.
  Os que almejam a guerra constroem deuses, “ouvem” suas vozes, fecham-se em suas bolhas (igrejas, templos, ritos) e fazem tudo o que eles “mandam”. Os deuses sempre mandam perseguir ou aniquilar os infiéis, ou seja, todos os que discordam dos “mandamentos deles”. Todos os deuses estão sujeitos a burrice, a ignorância, a insanidade e a estupidez humana, pois do ego eles são gerados e para alienação coletiva eles são conservados. Os deuses são como doces e presentes para adultos birrentos, infantilizados, que se recusam a crescer, que desejam tudo ao seu redor apenas para si e que se recusam a compartilhar o mundo e o que nele há com outras criaturas viventes. Os servos dos deuses geralmente são pessoas sensíveis, que não aceitam um não como resposta, e acham que todos devem “comprar e usar” a mercadoria que eles vendem. Tirar o mundo das trevas é o que eles pensam que estão fazendo, mas o oposto disso é o que prevalece!
  É imprescindível aos que acreditam nos deuses que seja mantido a ilusão de favoritismo individual ou grupal em relação ao ser venerado, geralmente visto como deus supremo, criador de todo universo, etc e tal.
  A lógica é que se você serve ao deus todo poderoso e criador de todo universo, parte desse poder lhe é concedido para converter ou aniquilar quem se opõe a ti. A verdade deve prevalecer segundo os tais. A verdade é sempre algo isolado, escolhida a dedo, aquilo que eles escolheram para ser. Toda religião, igreja ou grupo tem seu cardápio de verdades. Algumas fica a critério do fiel escolher, outras pela imposição “de deus”. O ecumenismo desfaz essa ideia e tira esse doce da boca do adulto mimado ao anunciar que deus ama a todos por igual e todos seriam especiais aos seus olhos.
  O TESÃO DA FÉ acaba aí! Não tem coisa mais broxante do que isso!
  Todo fetiche de um crente acabaria ao saber que deus “pega a todos” e aceita a todos por igual modo. Deus e o paraíso são coisas que não devem ser divididos com todos, afinal é mais prazeroso a saber que o outro vai para o inferno do que imaginar a possibilidade que você vai para os céus, não é mesmo? A fé mascara todo esse sadismo.
  O ecumenismo desagrada por que tira a “privacidade e intimidade” de um crente para com o seu deus. Como se exclusivo de um amante que se declara a todas e trata a todas com igual afeto e galanteio?
   Todos os fiéis buscam a “liberdade de expressão religiosa”, ou seja, o direito de fantasiar-se com os deuses e agir conforme a vontade “deles” sem ser diretamente punido pelo estado quando infringirem algumas leis ou quando forem imorais, inconvenientes, insuportáveis e desrespeitosos com outros durante o exercício da crença que professam.
   O estado precisa garantir que a essa fantasia seja resguardada e que ao interpretar um papel nesse teatro macabro, o figurante esteja dentro da legalidade, mesmo quando a imoralidade e a insanidade prevalecerem. O ecumenismo isso.
  Na teoria quase todo fiel defende a teocracia, ou seja, um governo onde deus iria reinar sobre todo o globo trazendo justiça e paz a todos os homens. Na prática isso seria inadmissível, pois o único lugar onde deus deve governa é no mundo da imaginação, pois assim cada um continua sendo senhor de si mesmo, vivendo em função do próprio ego ou das ilusões do grupo.
 É fundamental que a lógica, a razão, o bom senso, a moralidade, a justiça e a igualdade jamais sejam postas lado a lado quando se trata dos ritos religiosos e nem que os feitos dos deuses registrados nos “livros sagrados” sejam analisados sob um perfil ético. Isso fere a crença, isso macula a imagem deles. Seus feitos e ordenanças estão sempre manchados de sangue inocente.
  Quando se trata dos deuses e dos seus feitos, é um crime mortal colocar em paralelo a fantasia com os fatos. Todos os deuses morrem diante de tais constatações. O estado tem de garantir tais direitos, penalizando inclusive com morte os que tentam trazer à luz tais constatações por meio da ciência, dos argumentos e da razão. Tem sido assim desde sempre!
 Todos os pontos confusos, não entendidos ou impossíveis de serem provados devem ser absorvidos por todos como um “mistério da fé”! Deve ser aceito de bom grado pelos “bons” e imposto à força aos “maus”. O estado também tem se encarregado disso há milênios. 
   Os deuses só tem sentido e “serventia” por que na concepção socialmente aceita a respeito deles, eles podem ser usados como, quando, onde e do jeito que o usuário quiser, principalmente se for para propósitos nefastos, pessoais e egoístas. Um deus para benefício coletivo fere o ego de todos os que deles “dependem”
   Pastores, padres, missionários, youtubers e todos os que ganham a vida pregando um deus pessoal ou confabulando teorias de conspirações diversas ficariam desempregados com a possibilidade de um coletivo.
   O ecumenismo traz a ideia de uma padronização de deus e do modo como acessá-lo. Isso tira toda a “mágica” que há nos deuses e o motivo pelo qual muitos se acham especiais deixaria de existir. Em muitos casos os deuses são como roupas intimas, fétidas, cujos usuário tem fetiche em esfregar na cara dos outros e acha que o outro também curte ou tem obrigação de curtir tal perversão.
  A clava por exemplo, é um dos instrumentos mais primitivos já criado pela nossa espécie e que entre outras coisas tinha a função de subjugar o inimigo ou se proteger deles. Há milênios o homem desceu das árvores, saiu das cavernas, deixou as savanas, passou a habitar em sociedades e mesmo assim ele jamais deixou o seu porrete.
 Ele apenas o trocou por um tacape invisível. DEUS é nome dessa clava que serve para dar na cabeça dos outros e fazer com que o portador se ache superior aos demais. Os gritos de UGA-UGA, foram substituídos por “glória a deus”, “em nome de deus”, “deus está conosco”, “deus acima de todos” e tantos chavões sem sentido algum.
  A fé nos deuses é o braço que a manuseia e faz com que qualquer “homem das cavernas” tente intimidar os que lhe rodeiam, usando para isso instintos tão primitivos e predatórios, impedindo que outros conheçam o fogo, inventem a roda, a lança e tantas outras ferramentas que nos farão evoluir.
  Nos padrões atuais, para ter acesso aos deuses e usá-lo ao seu bel prazer é muito simples: basta ascender uma vela, fazer uma oração, fazer penitencias, pagar dízimos e oferendas diversas e pronto! Eles estarão ao seu dispor.
  Se fossem reais, todos os deuses seriam o exemplo máximo da corrupção! Seriam seres imorais, sem honra e sem caráter algum. Seriam o pai de todos os mercenários e milicianos. Seria o exemplo máximo da desonestidade e da bestialidade. Seriam os promotores do caos!
  Você tem problemas com seus vizinhos ou colegas de trabalho? Pra quer conversar? Para que procurar uma solução que beneficie a ambos? Ore, busque e oferte algo a deus e peça para que ele os mates, humilhe-os ou mande-os para bem longe de ti. É para isso que serve eles servem!
  És descuidado com o seu corpo, com a sua aparência, com a sua higiene pessoal, te falta bons modos e mesmo assim desejas um parceiro culto, fino, educado, sarado e que fará inveja a todos ao seu redor? É simples! Basta orar, ler a bíblia, frequentar uma igreja e “servir a jesus”, entregar tudo nas mãos dele e o resto ele fará (é o que dizem)!
   És preguiçoso, não gosta de estudar, nem de trabalhar e deseja ter sucesso em tudo na vida? Basta investir seu dinheiro na casa de deus, principalmente em campanhas de prosperidades que tudo se resolverá (é o que dizem)! Outra opção mais rentável ainda é se abrir uma igreja numa periferia. Dá uma boa grana!
   Se interessou por uma pessoa comprometida e não está nem aí se vai destruir o lar ou a família desta? A luxuria é sua meta de vida? Quer ser visto como um garanhão ou como uma cadela no cio pegando tudo e todas?  Não se avexe! Os deuses também tem essa serventia! Seus problemas estão resolvidos! Faça uma simpatia com roupas intimas sujas, invoque a pomba gira, entregue despachos nas encruzilhadas, faça um pacto com deus ou com o diabo pedindo a morte do conjugue daquela pessoa que “atrapalha” a sua vida ou simplesmente peça para que ele fique “arriado por ti” e tudo vai ficar bem!   Sem culpa, sem vergonha, sem medo e sem peso na consciência, afinal, você negociou com os deuses e eles te ouviram, não foi mesmo? Sem tem algo de errado nisso, o problema é deles e não seu! Afinal, você encomendou, pagou pelo serviço e eles executaram, se há um culpado e imoral nessa história, são eles e não você, não é mesmo? Apenas relaxe e desfrute a “benção que deus te deus”.
  Se você é um líder religioso, um crente fervoroso que aparenta ser gente boa e mesmo assim que “comer” todos(as) na igreja sem sentir culpa sem ser julgado pela própria consciência?  Basta pedir perdão a deus toda vez que aprontar e ele perdoará os seus pecados, não é mesmo? E ao orar e falar em “línguas estranhas” você prova para você mesmo e para os outros que deus te perdoou e que o espirito dele não se afastou de ti. No outro dia faça tudo de novo! É pra isso que serve o infinito perdão do senhor...
  Se ao fazer isso for descoberto, separou casais, arruinou famílias inteiras e mesmo assim precisa pagar de santo pra manter sua carreira e seus rendimentos, tudo que precisa é ser um bom ator, um cara de pau dos infernos! Ponha a culpa no diabo, diga que deus tem um plano lindo em sua vida e que o diabo tentar te atrapalhar colocando homens, mulheres e até crianças pequenas para te “seduzir”. Os crentes gostam de ouvir esse tipo de desculpa. Deus perdoa, eles também perdoam e ficam tudo bem, não é mesmo? Que lindo essa comunhão dos santos!  E para isso que serve os deuses!
  Pois é... Isso só é possível se a liberdade das crendices permanecerem do jeito que sempre esteve. Com vários deuses e fieis concorrendo entre si para ver quem ganha essa disputa insana, onde a paz, a segurança e a harmonia de todas as vidas do planeta estão em sempre ameaçadas por essa ilusão de favoritismo celestial, de um deus que a tudo entende e a tudo perdoa (só não perdoa ateus e crentes que se rebelam contra os abusos de seus líderes).
  Se houver um padrão mundial de um formato deus e do modo como as pessoas devem acessá-lo toda essa fantasia acaba.  Para um “crente verdadeiro”, não teria sentido algum a veneração coletiva a um objeto de culto de alcance mundial.
   Enquanto estivermos com porretes (deuses) defendendo instintos tão primitivos, a possibilidade de uma sociedade mais justa será sempre adiada para depois de amanhã!
   REVEJA SEUS CONCEITOS! Deixe que os deuses se resolvam entre si. Que defendam a própria honra e conquiste seus próprios espaços. Afinal eles tudo podem e se não o fazem é por que não querem. Nós, meros mortais “falhos e pecadores” com vida e corpos tão limitados, podemos nos ajudar uns ao outros para construção de um mundo melhor e mais harmonioso.
Pensem nisso! Saúde e sanidade a todos!
Texto escrito em 16/8/20
Essa é a ultima das partes de 3 textos sobre ecumenismo publicado nos últimos 30 dias.
*Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.
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Atualizado em: Seg 17 Ago 2020

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