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Proibido

Numa vila abandonada nas bodas do deserto, numa das casas de pedra que ainda estava com paredes de pé, duas pessoas discutiam, logo após terem tido algum prazer juntos. Ele estava curioso. Ela, nervosa. 
- O que queria me dizer? Não me chamou apenas para isso não é? Apesar de não poder chamar isso de "apenas", hehehe...
- Cala essa boca. Eu estou grávida. - disse a princesa, com apreensão na voz. Desejava que ele pudesse ampará-la, dar-lhe a segurança que vergonhosamente tinha perdido pela urgência do fato. Por outro lado, sabia que era a mais sensata e que não teria essa ajuda. Ele era passional demais e ela sabia disso. Mas, lá no fundo... desejava ser amparada por um homem e ser uma mulher frágil, ao menos uma vez na vida. 
- Tem certeza? Não é um engano? - eis a constatação de suas certezas. Surpreso, olhos arregalados, pernas trêmulas, boquiaberto. Subtamente sua insegurança foi sendo substituída por cólera. Ao menos nisso ele nunca a decepcionou. O amava tanto quanto o odiava. 
- É claro que tenho certeza, seu idiota. E fale baixo, podemos ser ouvidos. - vociferou, apesar de sussurrar. Então ele finalmente compreendeu o perigo e começou a falar baixo também.
- O problema não é sermos ouvidos, logo teremos teremos um filho. Descobrirão de uma forma ou de outra. Precisamos de um plano.
Ela o ouviu pacientemente, enquanto se segurava para não saltar com as unhas na traquéia dele para aplacar sua fúria. Não conseguia o achar inteligente, como os demais achavam. Para ela, o príncipe era um brucutú, uma montanha de músculos coberta por uma armadura. O que tinha visto nele? Era um homem alto, de ombros largos, e esguio, apesar dos supracitados músculos. E belo, sim. Mas haviam milhares como ele pelo mundo. E o poder não a atraía, com toda certeza. Poder ela já tinha, e mais do que ele. Talvez fosse o ódio. A relação dialética e doentia. A forma como ele a olhava, aqueles olhos de falcão que a penetravam. Lembrar de tudo isso a acalmava. Na verdade, não era exatamente calma o que sentia. Continuava sentindo uma forte atração e uma vontade incontrolável de o rasgar com suas unhas, mas agora não mais para matá-lo. Aliás, a incapacidade de matar o homem talvez fosse um fator decisivo. Ele continuava falando sobre como encontrar uma família adotiva para a criança que nasceria do outro lado do mundo. Ela finalmente não aguentou:
- Você é mesmo filho do nosso rei? Quer encontrar uma solução para um problema que sequer entendeu a dimensão! Os outros descobrirem nosso caso é uma pequena pedra no sapato. Não nota a montanha ao lado dela? Essa criança não pode nascer. Não me preocupo com o que os outros farão, mas sim o que ela fará. 
- Me toma por um tolo. Porém, é você que não percebe. Não há o que fazer quanto a criança. Não há como impedir seu nascimento e nem perpetrar sua morte. Ela ou ele já é imortal. Ou eles, quem sabe...
- Chega. A palavra tem poder,. Pare de falar asneiras, boca maldita! Ter mais de um só pioraria as coisas. Mas você tem razão. Não há como impedir isso. Precisariamos de um daqueles malditos mortais. 
- Bem, eu não tenho medo de uma profecia idiota. Eu sou senhor do meu próprio destino. Serei o ultimo rei.
- Não vou mais discutir isso com você. É tapado demais. Resolverei o nosso problema. Inventarei alguma solução, mas para isso preciso de tempo. E o seu plano serve para isso. Enfim, volte ao Olimpo, ou desconfiarão de algo. Não aparecerei por lá hoje. Talvez leve semanas para pensar nos detalhes. 
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Atualizado em: Seg 6 Abr 2020

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