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DE REPENTE, “DESVIADO” É ALGUÉM QUE CONQUISTOU A PRÓPRIA LIBERDADE!

Em certos casos, desviar-se de algo é o melhor presente que podemos dar a nós mesmos!
   Rotular pessoas de modo pejorativo parecer ser o objeto de maior aprendizado na maioria das instituições religiosas. Quanto mais fechado estas fores, maiores e mais eficiente serão os “analistas” da vida alheia, medindo, pesando e mensurando tudo o que os outros fazem ou dizem, julgando-se superiores em praticamente tudo só por que “servem a deus e estão andando na verdade”. Uma verdade vista unicamente do ponto de vista daquela instituição, pois fora disso pode não servir pra coisa alguma, sendo inclusive objeto de escárnio ou blasfêmia para outra igreja ou religião, bem logo ali, à poucos metros de onde aquela “igreja verdadeira” existe.
   Dentro desses recintos onde “somente a verdade prevalece”, se uma frase, ação ou linha de raciocínio vier ser emitida de modo espontâneo,  que não esteja de acordo com os padrões de “justiça” ou “santidade” daquela instituição, uma enxurrada de comentários depreciativos surgirá de imediato contra o emissor, até que esse se retrate publicamente ou seja "delicadamente" convidado a deixar o grupo por meio dos mais gigantescos conluios, onde o falso testemunho, a fofoca e a má fé serão usados como escambo entre os “negociantes” que desejam a cabeça deste, e levantar-se-ão contra aquele “maldito infiel”, “rebelde” e “filho do diabo” que ousou dizer uma frase nova, cheia de lógica e sentido, que não fazia parte do “recitário” costumeiro para cauterização e retardo mental comumente aceito entre eles.
  “Onde já se viu usar o cérebro aqui neste recinto? Aqui na igreja não! Aqui você apenas crê, obedece, e permanece a vida inteira repetindo o que todo mundo diz e fazendo o que todo mundo faz, sem jamais intentar querer saber o porquê ou para quê de qualquer coisa tida como verdade, entendeu? Onde você pensa que estar? Numa aula de filosofia por acaso? Isso é uma igreja, entendeu? Aqui não se pensa, não se questiona, apenas obedece ao que imposto. Se não entendeu, caia fora” ...
   Se fosse possível verbalizar as manifestações silenciosas da maioria dos religiosos dentro de uma igreja, essa seria a “humilde resposta” que eles dariam para qualquer um que ouse fugir dos padrões de pensamento do grupo.
    Além de rotular de modo negativo a emissão da expressividade falada, o que a pessoa veste, come, bebe, com quem andas ou com que fala será também objeto de discurso nos mais variados círculos onde se reúnem o “povo de deus”.
   Isso vale tanto para quem estar dentro quanto para quem estar fora da igreja, desde que esteja na mira de um “sniper de cristo”. Eles se camuflam, espreitam, esperam e depois atiram uma quantidade enorme de projéteis contra o alvo escolhido, do “ímpio”, do “rebelde”, ou seja, contra todos aqueles que eles julgam estarem vivendo “fora da vontade de deus”.
    Para implantar no fiel uma falsa sensação de segurança, comumente as lideranças eclesiásticas costumam fazer uma falsa interpretação do mundo, dando a entender que só naquele ambiente reside a paz, a verdade e a justiça, rotulando de forma negativa todos que digam o oposto disso.
    Mas isso tudo não passa de um blefe, uma grande mentira repetida de modo intencional ou cultural. Mentira essa que se desfaz o tempo inteiro, todos os dias o dia todo nas mais diversas situações na vida do próprio fiel basta o próprio fiel constatar por conta própria e verás.
    Para se manterem “firmes na fé” como eles dizem, se faz necessário diariamente a repetição de uma série de outras incongruências gritantes, que ao serem enunciadas de forma frequente e coletiva, cria-se a sensação de completude no que estar repetindo tal mantra. Jogar-se num abismo profundo e mentir a si mesmo dizendo que estar voando e não caindo, não muda o fato que a pessoa irá morrer ao chocar-se com um objeto sólido no fundo do abismo.
   Para quem vive “apenas pela fé” é difícil entender isso. Mas um dia a pessoa cansa disso tudo ou simplesmente acorda por meio de estudos aprofundados de história geral, história eclesiástica, filosofia, mitologia, sociologia, biologia, antropologia e outras ciências e percebe que estava em alto mar, viajando à deriva numa grande embarcação, conduzida por um líder pateta quem nem sequer sabe que existe um mapa de navegação, que não tem nenhuma rota traçada, rodeado de marujos enfraquecidos ou mal acostumados que mais se preocupam em subir de patente para ser o novo comandante do navio, do que saber para o onde estão indo.
   “O que importa é servir e fazer a obra!” - é o que dizem os aspirantes à novos cargos das igrejas, no intuito de serem agraciados por seus “capitães”. Que tipo de obra e serviço, nem eles mesmo sabem, apenas remam e ajudam a conduzir a embarcação ao som dos estalos do chicote conivência rumo ao improvável e inexistente, estragando a própria vida e a de todos os passageiros que ali estão.
   Assim podemos comparar o comportamento dos fiéis na grande maioria dos agrupamentos religiosos, que vivem como se estivessem coletando pessoas em cada porto diferente para juntos navegarem sem rumo, dando voltas em círculos, lutando contra criaturas imaginárias, esperando chegar num paraíso também imaginário, chamando de “piratas” todos os que estão navegando em outras embarcações.
    E quais são os adjetivos com que esses “navegantes” costumam rotular os que desceram do barco deles e preferiram navegar sozinhos ou em outro grupo aparentemente mais equilibrado?
   Bom, quanto a isso, a “santa igreja” e o “povo de deus” tem preparado centenas de rótulos negativos e termos pejorativos para os tais no intuito de intimidar os que ainda estão dentro a não saírem de lá e possivelmente realocar os que estão fora.
  Os termos mais usados para descrever quem “abandonou a fé” são: desviados; filhos do capeta; filhos das trevas; filhos do cão; herege; revoltados; rebeldes; ateus; satanistas; maçons ou alguém que se revoltou contra deus, seu ungido e sua igreja e por isso vai pagar um preço alto, não apenas este, o rebelde, mas toda sua família também!
   Pura baboseira...coisa de gente louca, mal intencionada ou desesperada por ter perdido uma massa de manobra, uma fonte de lucro, mão de obra gratuita ou representatividade para o próprio grupo. Até ameaçar a família do “desviado” com pragas e maldições eles o fazem! Daí você pergunta: “eu passei esse tempo todo dentro de uma igreja ou dentro de uma organização criminosa? Será que eu membro do PCC e não sabia”?
   Pois é! Onde já se viu ameaçar com pragas apocalípticas e todo tipo de maldição um indivíduo e toda sua família só por que deseja abandonar um agrupamento religioso (conturbado)? Geralmente isso só se é visto no crime organizado, onde membros proíbem a saída uns dos outros para não revelar o “esquema dos outros”. Na “casa de deus” também isso se vê praticamente todo dia quando tentam avacalhar a saída de alguns membros.
  Muitos destes membros, fiéis escudeiros, ficam à distância, monitorando tua vida, tuas redes sociais, o lugar onde você frequenta e tudo o que você faz, para que uma simples topada no dedinho do pé que você dê numa pedra largada a ermo na rua, eles venham dizer: “está vendo ai? Deus já começou a trabalhar! Aí é a mão de deus pesando por que deixou o aprisco do senhor...”!
  Se na mesma ocasião você fica desempregado, atrasou algum boleto bancário, seu filho tirou uma nota baixa na escola ou um parente seu que você nem sabia que existia, cai enquanto andava de bicicleta lá em outro país à fora, daí, alguns deles chegam a comemorar, festejando, por que deus está “te quebrando”, “te peneirando”, “te moendo”, “te humilhando” e “irá te trazer de volta, pelos beiços, num anzol, ou todo quebrado, amassado e vencido, para provar que ele é deus e para depois te fazer um vaso novo” (numa hora dessa, até línguas estranhas e piruetas rolam num ambiente de culto mediante uma declaração dessa emitido por algum santarrão)...
   Como uma descrição ferrenha dessas sobre “o agir de deus para quem se desviou” você fica se perguntando se estava servindo a deus ou ao capeta! Como pode um deus qual dizem ser a fonte de toda luz, amor, bondade e compaixão planejar tanto mal para uma pessoa só por que esta não quis mais servi-lo? Seria ele o “grande chefão da máfia”? Pela descrição que os seus súditos fazem dele, nem um gangster humano chegaria aos seus pés com tanto mal arquitetado e nem o próprio satã se igualaria no que diz respeito ao nível de maldade que a esse deus é atribuído por seus próprios súditos.
   Essas e outras, provam que deus é apenas uma ideia, que cada um faz o que quer com essa ideia, que a usa como quer, do modo como lhe for mais conveniente e nessa mesma ideia podem ser refletidas a própria personalidade do fiel ou do seu grupo como, níveis de bondade, maldade ou loucuras. Tudo que eles dizem estar falando sobre seu deus, estão apenas revelando sua própria parte oculta.
   Como em praticamente todos os agrupamentos religiosos onde é proibido discutir a personalidade do próprio objeto de culto, o ser cultuado tende a tomar uma forma animalesca e diabólica de acordo com o emissor e o receptor desavisado.
  Proibir comentários e indagações sobre a personalidade de qualquer ser cultuado é a única forma de manter os grupos religiosos que funcionam puramente pela fé, sem obras sociais aparente. Não há outra forma! Os membros devem apenas adorar constantemente, pois o ato de adorar nada mais é que uma forma de ignorar os fatos, adotar incoerências e manter inconsistências para que o ego do idólatra seja nutrido e seus sonhos de grandezas interiormente concretizados.
   Mais ou menos assim: (deus) faz de conta que tu existes, que tu me amas e que serei especial para ti acima de todos os outros por estar te venerando, que eu farei de conta que te adoro, e farei isso por toda minha vida e falarei bem de ti em tudo, mesmo quando não deverias, por que tu és o reflexo da minha própria consciência ou ignorância”! Sacou?
   Com o abandono da eterna infantilidade sugerida pela religião, o comportamento de um fiel pode mudar de forma brusca ou gradual pois, quando muda-se o foco, muda-se a perspectiva do observador e esta por sua vez pode desencadear uma série de outras mudanças.
   Sendo assim, a boca que um dia disse: “bendito seja essa ou aquela divindade”, poderá ser a mesma que hoje dirá que o objeto de sua devoção era apenas um engano, uma ilusão como tantas outras, seguida pela indução coletiva e o sentimento de rebanho comum a todos os que vivem em sociedades.
   E qual o problema disso? Em que uma pessoa se torna mesmo honrada por abandonar certas práticas religiosas que hoje considera inúteis ou sem sentidos? Que crime há nisso? Que pecado há nisso? O que isso tem de errado? Não seria a liberdade de escolha um direito comum a todos?
   Se existe algo de errado, esse algo é não pensar, apenas crer de modo cego, obedecer fielmente a líderes que desconhecem a raiz da crença qual afirma ser a verdade absoluta, que desconhece o próprio passado, que não sabem de onde vem e nem para onde estão indo, que mudam de conceitos conforme o poder e lucratividade (ou pela falta deles). Isso sim é um erro grave, um dos maiores pecados que cometemos contra nós mesmos!
   Além do mais, feio é mentir para si mesmo, viver fingindo, estando confuso no meio de tantas incoerências e inconveniências que a grande maioria do ritos litúrgicos tendem a retratar. Crime é jogar a própria vida e o tempo precioso fora, sendo capacho de líderes mal intencionados ou mal resolvidos, que estão preocupados apenas em controlar a vida dos fiéis e/ou extrair destes tudo que de útil for possível!
   Desonesto é vender aquilo que “por lei” deveria ser gratuito e ameaçar pessoas com inferno, maldiçoes e mortes para que elas “se convertam” ou para que as tais jamais venham a sair do “rebanho”. Isso sim é um crime, mas de tão corriqueiro, estas coisas tornaram-se aceitáveis e usadas como se fosse um mandamento divino.
   Uma pessoa que por décadas foi um membro ou obreiro ativo e produtivo em algum grupo religioso e hoje decide não fazer mais parte de tal agrupamento (ou de nenhum deles), deve ter o seu direito respeitado e não precisa estar dando explicação a quem quer que seja sobre o motivo se sua saída, exclusão ou abandono.  É um direito concedido a todos, tanto pela “lei dos homens” quanto pelas “leis de deus”.
   Quem realmente te ama e te respeita irá te tratar do mesmo modo (respeitoso), independentemente de onde estiveres. Os que tinham em ti apenas um objeto de lucro ou de representatividade eclesiástica, irão tentar te seduzir para retornares, não por que se importam contigo, mas por que de alguma forma você tem algo que eles podem aproveitar em benefício próprio, pois são como parasitas vivendo da energia alheia, ou como construções antigas que precisam de escoras para não cair. Você não precisa ser alimento de parasita, nem servir de escoras para que antigas, condenadas ou inúteis construções venham continuar existindo.  Se não conseguirem te trazer pelo uso do verbo e pela “humildade”, irão usar de calúnia ou difamação contra sua pessoa, ou rogar pragas para ti baseado na bíblia, e que hoje nada mais significam para ti, pois já saístes desse padrão doentio de pensamento.
   Deve-se notar nesses casos, que jamais “o povo de deus” faz questão em chamar de volta para a igreja uma pessoa que não era dizimista, que não cantava, pregava, dava oferta, ou que não tinha nenhuma representatividade social positiva em favor da igreja. Pessoas que com frequência precisou da ajuda financeira ou algum tipo de amparo social da instituição também podem ser rapidamente esquecidas. “Deus não se lembra” ou “não mandar repescar” esses tais! Só gente lucrativa e produtiva! Tadinhas dessas pessoas...
  Uma pessoa que por anos à fio usou o próprio traseiro para “polir os bancos” da igreja enquanto servia de plateia para alguns pregadores insanos, com mensagens repetitivas e improdutivas, essa mesma pessoa hoje pode estar também sentada, só que dessa vez aprendendo algo realmente útil numa escola, numa faculdade, em cursos técnicos, se tornando realmente uma pessoa produtiva para sociedade.
   E que mal há nisso? Quem disse que alguém tem fazer papel de trouxa a vida inteira? Quem disse que a vida social de uma pessoa resume-se apenas em frequentar recintos religiosos, pagar dízimos e ouvir sermões baseados em coações psicológicas ou falsas promessas por toda a vida?
   Uma pessoa só é feito de besta ou de trouxa até o dia que se deixa ser, até o dia em que despertar ou até quando sua força interior for menor que a força dos comentários idiotas e maldições sem sentidos que seu atual grupo tem a oferecer contra todos os “desviados”.      
   Depois disso, o gatinho enfraquecido e amedrontado de outrora, tornar-se-á um leão corajoso, e o domador de bestas cuja arma principal é o chicote da coação psicológica, terá de recuar ou pelo menos não mais incomodar a partir de então esse novo ser.
   Se o “servir a deus” é uma liberdade concedida pela constituição, o “não servir” também o é, e isso deve ser respeitado!  Se para reassumir a própria autonomia, liberdade de escolha e de expressão é preciso suportar o rótulo de desviado, então o desviar-se dessas baboseiras será uma conquista a ser mantida e não um rótulo depreciativo.
   Pensem nisso! Saúde e sanidade a todos.
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Atualizado em: Seg 12 Nov 2018

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