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[Poema] RESPIRAR

domingo de outono
árvores curvas
folhas ainda quentes
manhã luminosa
cores quentes
olhos semicerrados
é forte, incandescente

numa travessia
qualquer um percebia
a calmaria da vida

poças de água
a beira das calçadas
refletem o musgo verde
árvores de copas altas
circundam o quarteirão

apesar de todo o movimento
da vida ao redor
ali, naquele cantinho
o tempo estava estagnado
os microsegundos
exalam insana alegria
mas, donde vinha?

centenas de feixes de luz
atravessam os ipês
atingem - me em cheio
aquecem a minha face
me fazendo sentir parte
de toda exuberância
instante atemporal
plenitude surreal

a leve brisa quente
esvoaça meu cabelo
emaranhado
traz consigo
o cheiro de relva
e a imensa sensação
pertencimento

sento-me ao chão
escoro na árvore
de copa iluminada
dona de uma enorme sombra
alta, envelhecida,
coberta de musgo,
mas, 
ainda assim,
viva
ela vive

me vejo pequena
diante da grandeza do meu envolto
mas, ainda assim
faço parte disso
e a vida me pertence
eu a sinto
eu vivo

a dádiva elucidada
diante dos meus olhos
a tenho
felizmente,
a tenho
sinto a plenitude do viver

o peso do mundo
das minhas costas
se esvai
carga que eu criara
naquele triz
os meus problemas
tão insignificantes
coisas minuciosas
que me faziam escrava
sobreviver
ao invés de viver
como não pude perceber?
a grandiosidade
do viver
do sentir
do ser

é perspicaz?
sigo a observar
o tranquilo bairro
no calor escaldante
vislumbrando o verde
minha visão deturpada
ondulatória
a luz intensa
a deixa trêmula

não estou torpe,
talvez em transe?

uma buzina na esquina
cessa a calmaria
jovens transitam
apressados
pobres escravos
do tempo...

exceto eu
não passo pela vida
nem ela por mim
caminha comigo
me pertence
eu a sinto
eu a vivo


Janaina Couto ©
[Publicado - 2019]

@janacoutoj

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Atualizado em: Dom 28 Jun 2020

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