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Altos e baixos da vida

CAPÍTULO 1 - A QUEDA
 
Na grande cidade de Winston é fácil se perder nas diversas viagens turísticas do centro, tendo como foco uma das maiores roda gigante do país, a cidade recebe muitos turistas, movimentando bem o comércio local. Comércio esse que vende de tudo, desde cachorros quentes tradicionais aos gourmets mais elaborados até mini rodas gigantes, opção preferida de souvenier.
 
Mas não só de turismo vive uma cidade, Winston recebe milhões de intercambistas todos os anos, devido às grandes universidades que possui, e comporta diversas multinacionais, o que alavanca a economia e valoriza ainda mais a cidade, porém nem todos podem ficar tranquilos e desfrutar do clima agradável e ostentar uma vida com tudo do bom e do melhor. Em um do prédios, próximo a roda gigante, gritava a plenos pulmões um homem radiante.
 
- Cannoli! O melhor cannoli dessa cidade! Vocês podem provar bem aqui, entrem!
 
Com fila ou não, o homem não deixava de fazer sua propaganda e nem tirava o sorriso do rosto. Servia os clientes, passava de mesa em mesa para ver se estava tudo certo ao mesmo tempo que dava uma ajuda na cozinha, fazer tudo um pouco.
 
- Lembre-se de tomar um pouco de água, Léo! - disse Helena assim que Leonard entrou na cozinha de guardanapos - Ou vai ficar rouco outra vez.
 
- Relaxa, Nena. Quantos mais eu chamo, mais conseguimos dinheiro, lembra? O carisma é a alma do negócio. 
 
Leonard sai depois de uma piscadela para Helena. Ela permanece fritando alguns arancinis, coisa que deixava seu cabelo engordurado, mas fazendo parte do trabalho há 3 anos, o mesmo tempo em que se encontrava apaixonada por Leonard, ele a tratava como uma princesa. Estava mais para irmã. O que odiava, porque não tinha um pensamento de irmandade direcionado a ele.
 
Uma voz ao fundo da cozinha tirou Helena de seus pensamentos.
 
- Você sabe que ele não escuta ninguém, mas sei que só quer o bem dele, Helena. - Amélia falou.
 
- Seu neto realmente não tem jeito, dona Amélia. Sei que faz pensando no melhor, mas precisa ter mais cuidado. Outro dia um cliente queria bater nele, que o Léo estava flertando com sua namorada! Não tiro a razão do cliente, Léo estava a todos sorrisos pra ela!
 
- E você também achou isso e ficou com ciúmes ... Não é? - questionou Amélia.
 
Helena virou para a panela e mexeu nos arancinis, fazendo o óleo crepitar, porém sua real intenção foi esconder o rosto corado.
 
- Que ideia dona Amélia! Só falei para ele ter mais cuidado e não arrumar confusão, já que quer trazer tantos clientes ... 
 
- Ah, claro. Entendo sim. - disse a avó de Leonard, que sabia da paixão secreta de sua funcionária pelo seu neto desde o primeiro dia. Ela não julgava Helena, sabia que era uma boa moça e ficaria muito contente de ver os dois juntos, porém Leonard não da mesma forma e ela não poderia se intrômetro no destino dos dois.
 
Enquanto isso, Leonard continuou a fazer a propaganda do La Belle Vista, um restaurante pequeno em um dos prédios antigos, próximo a roda gigante e que, graças a ela, tinha um bom fluxo de clientes. O restaurante foi passando pelas gerações da família Venturi, infelizmente quase fechou as portas na época da gerencia do pai de Leonard, um homem ganancioso, arrogante e alcoólatra, que fugiu das dívidas de jogatina e do bar, deixando o filho adolescente sobre os cuidados da avó paterna. A mãe de Leonard participou brevemente de sua vida, acabou falecendo poucos dias após o seu nascimento, o apoio de Leonard sempre foi e será sua avó Amélia.
 
Leonard contempla o salão do restaurante quase lotado, restaurante que ele está assumindo com orgulho, pois as lembranças de seu avô, já falecido, na cozinha com as mãos - literalmente - na massa, faz ele ter fôlego para atrair os clientes e tentar tirar a contabilidade do vermelho. Ele vê sua avó se aproxima e logo abre um sorriso.
 
- Tá vendo, nonna? O salão está quase cheio. - sua fala é carregada de esperança.
 
- Estou sim, seu avô ficaria cheio de orgulho de ver você cuidando tão bem do legado dele. - Amélia fala com os olhos cheios d'água, enquanto Leonard a abraça. 
 
Por um momento tudo parecia calmo, um segundo depois o caos tinha se instaurado. Vidros quebrando, pessoas gritando e filhos de tiros substituiu a alegria da noite. Leonard tinha sofrido um impacto e estava no chão atordoado.Os segundo que se passaram pareceram uma eternidade, mas os tiros cessaram, um carro cantou pneu e deu para ouvir as pessoas chamando umas como outras.
 
- Nonna? Nonna ?! - gritou Leonard para a sua avó, que estava ao lado dele, mas com os olhos fechados e ensanguentada. - Nonna! Aguenta nonna! Ajuda! Uma ambulãncia urgente!
 
O impacto que Leonard impacto não foi um tiro como estava imaginando, mas um rapaz que tinha o jogado no chão e disse:
 
- Vou chamar uma ambulância. Mantenha a calma, o reforço está a caminho.
 
Helena estava vindo de dentro do restaurante, ficou em choque ao ver a cena de Amélia, olhou para Leonard procurando algum ferimento, mas não encontrou nenhum, a não ser a testa arranhada. Abaixou-se começou a chorar ao lado da senhora que a acolheu tão bem.
 
- Ela vai ficar bem, Nena. - disse Leonard, segurando o choro, segurando a mão da avó e filha Helena - Ela tem que ficar bem.
 
Ao fundo se ouvia o barulho das sirenes se aproximando. O caos só estava começando.
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Atualizado em: Seg 15 Fev 2021

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