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Leonardo e Meredite (Parte 20)

A aguardada data chegou. O príncipe havia concedido aos aldeões licença para dedicar todo aquele dia aos preparativos, e o dia seguinte, ao descanso. Fôra escolha quase unânime repousar mais cedo na véspera daquela ocasião, de forma que, na madrugada que a seguiu, todos já estavam a seu modo, preparados e ansiosos. O teto celeste se mantinha firme, e, naquela, a exemplo das manhãs precedentes, se mostrava de um azul amistoso.
     Leonardo, magistralmente continuava conseguindo ir e voltar do local onde aconteceria a celebração sem ser visto. Fez isso numerosas vezes, desde o raiar do Sol, assim conseguiu arrumar tudo a contento... Cuidou de cada detalhe pessoalmente. Além disso, contou com duas dezenas de amigos que a três dias haviam chegado à vila e se entregaram à missão de auxiliá-lo secretamente em seus projetos. De forma que, no horário previsto, ele se encontrava na praça, cercado por praticamente todas as pessoas que desejavam participar da comemoração.
     O inacreditável quando se faz realizado vem acompanhado da benção da perfeição. Quando sugeriu que cada um dos presentes naquele castelo por ocasião da entrevista de Meredite, assim como todos que resolvessem encontrá-lo ali, na praça, se vestisse com um ar místico, não esperava pelo que estava agora, diante de si. Maravilhava-se com a mais fina seleção de habitantes dos bosques que já vira. Os vestidos contavam com saias esvoaçantes e ornados de alças simples, finalizadas por laços ou mangas compridas, fluidas e transparentes. Os trajes masculinos eram adequados ao mesmo clima utópico, os tecidos perderam toda a rudeza, estavam leves como os semblantes de todos que esqueceram as asperezas da lida e pareciam recobrar a serenidade típica dos que nasceram para a alegria.
     Estavam como ele, eram ele. E o artista se questionava, enquanto sorria, abraçava, conversava, seu pensamento não calava aquele "Será?"... Será que eles, todos, tinham sido eleitos pela mesma chama que o escolhera e protegia? Só isso explicava tanto entendimento mútuo. Tinham a mesma sensação no tocante à divindades. Eduardo se encontrava entre o povo. Fôra sem escolta, apenas acompanhado por residentes e trabalhadores do palácio. Porém todos já se mostravam integrados ao grupo. O príncipe, inclusive evitara o protocolo de ser reverenciado.
     Leonardo se aproximou, o cumprimentou, deixando evidente seu contentamento por ter um amigo tão ilustre ali presente, depois, se voltou para todos e permaneceu um minuto em silêncio, pondo-se a observar se alguma presença ainda era aguardada. Os olhares e acenos de cabeça que os ali postados lhe dirigiam como resposta confirmaram que os que pretendiam seguir com ele, ali já estavam. O artista convidou:
     - Amigos, por favor, apenas me acompanhem, e... Conversemos!
     Assim ele assumiu a liderança da jornada, cercado pelos moradores da vila. Se formava ali em diante uma pintura na qual todos se empenhavam por harmonizar seus passos, canções e falas. Foram se afastando dos monumentos e rumando às branduras... Até que as casas e fontes artificiais se tornaram mais do que esparsas... Ali, naquele novo ambiente, conquistado após algumas dezenas de minutos, construções eram inexistentes. Ele os havia conduzido ao mesmo campo de relíquias vegetais e perfumadas ao qual tantas vezes, em segredo, havia oferecido suas meditações... Leonardo nunca esquecera de quando ele conversara ali com sua confidente, Meredite.
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Atualizado em: Qui 28 Jan 2021

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