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Leonardo e Meredite (Parte 19)

O espaço, o tempo e as almas que aguardavam o enlace do artista se faziam bela e milagrosamente preenchidos pelas atividades e cooperação de todos. Seus afazeres cotidianos continuavam intensos mas a emoção acesa pelos eventos revolucionários despertados na noite da visita deles ao castelo tornava tudo harmonioso. Trabalhavam em suas causas, mas também se entregavam às livres asas do sonho vivo, a expectativa os estimulava. Pensavam e preparavam suas roupas para a comemoração, assim como, constantemente procuravam Leonardo para contribuir para a plenitude de seu momento, fosse através de uma oferta física ou através de ideias.
     As horas de sono, para todos, eram curtas e passavam rápido, mas, talvez por isso mesmo, e, mais ainda talvez como recompensa pela gentileza geral que se instalara naquelas terras, as noites eram imensamente revigorantes.
     Vários aldeões no decorrer daquelas luas se mostravam enfeitiçados, se dedicando a compreender e construir amuletos. Sim, pois Meredite iniciava sua auto-proposta de transmitir algo de si, descobrir dons e ampará-los em seu aperfeiçoamento.
     Ao convidar os cidadãos para o aprendizado, não contava que a adesão seria tão vigorosa. O interesse era real e forte. Muitas vezes ela ficava observando cada uma daquelas mãos e corações que sem perceber já a superavam, eram mestres por instinto. Entre essas auras criadoras se destacava Tamara... Justamente quem lhe motivara a começar a compartilhar o seu saber. A amiga lhe procurara dois dias depois de sua ida à residência real e perguntara se podia acompanhar o processo de confecção de uma jóia, pois natureza e magia falavam ao seu espírito desde a infância. A vendedora comovia e orgulhava a artesã ao deixá-la entrever habilidade em captar e fundir com trançados e perguntas as vibrações de linhas e minerais com a história e capacidades dos presenteados.
     O céu era uma constante de luz, mas Leonardo, mesmo assim, diria que sua melhor estrela era aquela que conseguia fazer-se secreta sob o negror daquele pano, segura em seu cavalete, ao mesmo tempo em que fazia-se notável com seu sorriso, caminhante entre gramas e cidadelas. Mais gloriosa do que a criação era a musa, essa, a inspiradora, se fazia indispensável para ele, um poeta entre tintas, suas mãos eram como seus pincéis, penas de anjos, só um meio sobrenatural de amar.
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Atualizado em: Qui 28 Jan 2021

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