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Sonhos (que Shakespeare não me "leia"!) de uma "noite" de verão - capítulo 3

Ele sentou-se e foi se apresentando: - Como vai? Prazer, Vinícius.
Ela solícita, respondeu: - Prazer, Renata, ops quer dizer, Maria Lúcia kkkkk.
Ambos riram e apertaram as mãos. Ela queria tirar sua mão dali, meio vermelha e sem graça, mas ele a segurou um pouco mais. Ela no fundo queria deixar-se segurar e deixou.
Ele ainda segurando sua mão, continuou: - hoje o dia está turbulento, evento na praia, muita gente, muito barulho. Estou a trabalho aqui e não posso me demorar, mas num outro dia mais calmo a gente poderia conversar e se conhecer?
Ela meio confusa e atordoada, respondeu: - podemos sim. Moro bem longe daqui, mas sempre venho para cá nos meus dias de folga. 
Ele com a resposta na ponta da língua, nem pensou em dizer: - não existe distância que um número de celular e uma internet não possam resolver. Chamou o garçom, pediu uma caneta, pegou um guardanapo e se posicionou como quem espera ouvir um número para anotar. Olhos fixos nela, intimidadores e sedutores.
Ela disse seu número de telefone local e seu número de whatsapp. Duvidava de que ele fosse ligar ou entrar em contato. Tudo aquilo parecia mágico e improvável.
Ele anotou, se despediu e seguiu a calçada da praia no sentido do evento dos bombeiros.
Enquanto ele ia, o mundo pareceu ir voltando ao seu ritmo normal, aos poucos.
Ela observava o tempo em segundo plano ir sendo retomado, enquanto ele se distanciava e a magia parecia desfazer-se.
Ela voltou-se para o mar, ainda “embriagada” pelo torpor daquele momento e num auto-boicote emocional se dizia que tinha sido só um momento de curtição e que ele certamente não ligaria. Parecia tão bom que ele ligasse que ela duvidava que algo tão bom fosse possível. Tentava racionalizar o irracional, explicar o inexplicável, traduzir o inimaginável. Tentava defender-se da realidade porque no fundo não se julgava merecedora dela, embora tivesse sonhado com encontros como aquele a vida toda. Dizia a si mesma, que mesmo que ele entrasse em contato, talvez ele nem fosse tudo isso, talvez o papo nem rendesse, talvez nem houvessem afinidades... Defesas! Boicotes! Ela tinha mesmo era medo de que a felicidade tão desejada fosse possível, afinal para quem nunca foi feliz, ser feliz de verdade significava não saber o que fazer, não ter referências, se jogar num escuro crendo ser bom, num ato de pura fé!
E enquanto ela delirava naqueles pensamentos sombrios, o celular tocou. Ele tinha ido até seu carro, pêgo o celular, a adicionado aos seus contatos e enviado uma mensagem que deixava aberta a possibilidade de continuidade.
Surpresa, ela leu a mensagem: - olá Maria Lúcia, sou eu Vinícius. Me diga quais horários são melhores para vc, para que eu mantenha contato.
Ela sufocada na própria surpresa, respondeu: - olá Vinícius, todas as noites depois que eu chego do trabalho são bons momentos para boas conversas. Chego sempre após às 18h.
O resto do dia se seguiu prazeroso. Sol, água de côco, bronzeado, imersão naquelas águas curativas de corpo e alma.
E ela voltou para casa com o cansaço físico mais prazeroso que já havia sentido e uma esperança no coração de que o novo trazia novos ares à sua vida.
E no dia seguinte, às 18h ela leu no celular: - Oi. E aquele oi foi só o começo de tudo e tudo era muito mais que ela jamais já havia sonhado e desejado...
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Atualizado em: Sex 11 Jan 2019

Pessoas nesta conversa

  • Muito bom. O texto prende a gente até ao final. espero que venha a continuação, pois quero saber se ela deixou a insegurança de lado e realmente decidiu se arriscar. ABRAÇO

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  • Olá Alfredo, boa noite!
    Ela está tratando seu pessimismo em relação aos relacionamentos kkk.
    Que bom que gostou! Obrigada por ler e comentar.
    Seja sempre bem vindo por aqui.
    Abraços.

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