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Sonhos (que Shakespeare não me "leia"!) de uma "noite" de verão - capítulo 1

Maria Lúcia nunca tinha vivido em sua vida nenhuma história de conquista, nenhuma experiência de flertes. Ela sempre conheceu seus relacionamentos em locais da sua rotina de vida e sempre foi alvo da conquista de alguém. Eles se interessavam por ela no trabalho, no grupo da igreja, no grupo da ação social, no grupo do coral, no grupo de amigos vizinhos e vinham tomando as iniciativas necessárias para que um relacionamento se estabelecesse. Ela nunca precisou movimentar-se nesse sentido, as coisas aconteciam naturalmente e ela somente se deixava levar.
Mas agora, ela queria tomar as rédeas de suas escolhas afetivas e queria exercitar o processo de escolher. Mas, para escolher, precisava observar, selecionar, estabelecer critérios e filtros de seleção, para só então apontar um alvo.
Ela decidiu sentar-se à sombra, num quiosque bem perto da orla. Chamou o garçom e pediu uma jarrinha de suco de laranja com cenoura, tinha intenção de ativar o bronzeado da pele.
Acomodou suas coisas na cadeira ao lado e sentou-se na outra. Dali ela podia ver uma vista panorâmica do calçadão, da orla, da areia e das pessoas que estavam no bar do quiosque.
Era a primeira vez na vida que ela estava em um lugar com a intenção de observar e escolher alguém, mas para isso ela precisava antes pensar no que queria.
Lembrou-se de suas preferências...
Ela gosta de homens grandes, altos, gordinhos, de costas largas, de braços fortes, de bundão e pernão, um homem que fosse capaz de segurá-la, de contê-la, de levantá-la...
Sempre preferiu os negros, e sim, é por causa do tamanho mesmo!!!! Kkk, mas também é por causa da energia. Pessoas negras têm uma energia, uma raça, uma intensidade nas suas ações que se assemelham muito com a forma de ser de Maria Lúcia e por isso ela sempre se identificou.
Padrões de beleza e de riqueza nunca foram atrativos usados como critério excludente ou inclusivo. Se tiver cultura geral, história, educação moral e cívica, química, física e português (língua é muito importante! kkkk), já ta de bom tamanho! Mas essas coisas não se nota só de olhar, tem que chegar no ponto de conversar e até chegar nisso, Maria Lúcia ainda tinha um longo caminho pela frente...
Um dos contatos mais significativos para ela é o olhar. O olhar é o que a seduz. Cheiro e toque também em segunda instância.
Então, ela já tinha seus critérios básicos para começar o processo de observação.
Olhou em volta, viu famílias e casais, grupos de jovens/adolescentes, algumas crianças que pareciam brincar sozinhas sem adultos por perto, mas depois percebeu que elas estavam sendo “vigiadas” por algumas babás sentadas no banquinho de frente para a avenida da orla.
Pensou: - aff! Nenhum grupo de homens! Coisa mais chata isso...
Então, ouviu um “grito de guerra” que vinha de suas costas. Um grupo de bombeiros salva-vidas vinha correndo em marcha, com seu capitão à frente, entoando cânticos numa corrida. Em seguida, um helicóptero, uma lancha, vários profissionais bombeiros e a praia foi tomada. Por “acaso” naquele dia o Corpo de Bombeiros estava fazendo um evento de demonstração na praia e iam simular vários salvamentos como apresentação ao público local. 
Maria Lúcia observava tudo atenta. 
Ela que sempre mantinha seu olhar na paisagem, no chão ou no mar, desta vez olhava nos olhos de todos que por ali passavam. Sentia um certo incômodo como se todos ali pudessem saber suas intenções, e por algum motivo bobo ela quase se sentia ridícula, exposta, como a mulher que procura um homem. Quanta bobagem! Toda mulher procura um homem! E quem saberia o que se passava em seu íntimo? E se alguém percebesse, e daí? Ela não devia nada a ninguém, não estava fazendo nada de vergonhoso ou imoral. Apenas olhava as pessoas nos olhos fazendo-as perceber que ela existe, não é invisível!
Alguns olhares a atravessavam como se fosse invisível mesmo, mas outros se paravam nela. Alguns se demoravam nela. Outros ainda, a examinavam de cima à baixo. 
Ela observava e ao mesmo tempo sonhava, vivia um momento limítrofe entre a realidade e todos os desejos que cultivou a vida toda. Um homem! Mas não um homem qualquer. Um homem seguro, forte, leal, convicto de suas verdades. Um homem maduro, corajoso, herói. Uau! Encantou-se com a feliz “coincidência” daquele dia, afinal pode haver um homem mais forte, seguro e herói que um bombeiro salva-vidas? Ela estava no dia certo, no lugar certo, no momento certo e tudo conspirava a favor do seu objetivo. Pareciam sinais do universo dizendo-lhe que enfim ela tinha permissão para encontrar alguém com quem construir uma vida feliz em parceria.
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Atualizado em: Sex 11 Jan 2019
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