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Unlearn

Prolongo
-Ei espere! Não vá... eu... preciso ....falar com... você!
Por que estou correndo? Por que eu me sinto tão exausta? Por que estou usando um vestido tão pesado? Por que estou usando vestido? E o mais importante, para quem estou gritando? Por mais que eu tente não consigo me lembrar, só sei que tenho que falar com uma pessoa, sei que essa pessoa pode me ajudar, só não sei por que eu preciso de ajuda. Uma coisa aqui é certa, eu não deveria está correndo com esses saltos de sete cm, não deveria nem esta usando salto!
-Por favor, eu imploro... não vá, ai.
Que ótimo, sabia que isso ia acontecer, meu salto quebrou e eu cai de cara no chão. Sinto um gosto estranho na boca, um gosto... diferente, um gosto...bom! Olho para o chão, pensando ver cimento, mas o que vejo é algo vermelho e pegajoso que cobre todo o chão. Sangue, e não é meu. “Por que gostei do gosto de sangue?”. Relutante eu me levanto e sigo a trilha de sangue, quando chego ao final do corredor e viro a direita vejo que o sangue acaba em uma porta enorme. Nunca estive nesse lugar, nem sei se é uma casa ou um castelo, mas sei que não sou permitida entrar naquele cômodo, ninguém é. Ao me aproximar ouso vozes, masculinas gritando e objetos sendo lançados no chão. Paro em frente da porta indecisa, devo ou não devo entrar? Melhor não. Quando me viro para ir embora a porta se abre brevemente me dando um vislumbre do que se passa ali dentro. Vejo duas sombras indistintas, uma na frente da outra, uma é magra e alta, a outra é menor e mais musculosa. Elas parecem ao mesmo tempo familiares e ao mesmo tempo irreconhecíveis. Uma das sombras a magra se meche na direção da porta, mas para ao ouvir a outra dizer:
-Se não acredita em mim, veja com os seus próprios olhos!- Gritou a sombra musculosa com uma voz grave e surreal.
A sombra na frente da porta se virou bruscamente, caminha na direção da outra e a empurra com força no chão. O barulho que o corpo fez quando caiu no chão foi tão alto, que jurei que a figura musculosa tinha se quebrado em pedaços. Porem, ela se levanta e vejo olhos, olhos vermelhos sangue, brilharem na direção da sombra a sua frente. Digo que são sombras por que não sei se são humanos ou animais enormes! A sombra mais magra vai até a outra, pega ela pelo pescoço e a ergue do chão, coloca o rosto perto do ouvido da figura que se contorce para escapar do aperto em sua garganta e diz ferozmente:
-Nunca vou acreditar em você!
A voz dele é bem mais grave e animalesca, é tão assustadora que eu me assusto e dou um passo para trás, sem me lembrar do salto quebrado e caio no chão. Prendo a respiração, as duas figuras olham para a porta, ambas com os olhos vermelhos e brilhantes. A figura musculosa se liberta das mãos da outra e vem até a porta. Fico congelada, sei que não deveria estar aqui, que não deveria estar vendo e nem ouvindo aquilo. Quando a sombra se aproxima da porta a outra a empurra novamente e ambas caem no chão. Recuperando os sentidos eu me livro dos saltos altos e levanto rápido, tão rápido que quando eu vou ver já estou quase no final do corredor por onde eu vim. “Como é possível?” Olho para trás, (grande erro) o que vejo é um monstro enorme correndo atrás de mim. Tento corre mais rápido, por algum motivo sei que consigo correr mais rápido que a criatura, só que o meu vestido é pesado demais. Ainda correndo eu rasgo o vestido ao meio, com um só puxam e ele rasga ao meio, revelando roupas de baixo que eu nunca sonhei em usar! Roupas parecidas com a daqueles filmes de época. Deixando o espanto das minhas roupas intimas de lado eu corro mais rápido. Minhas pernas parecem que saem do chão. Dobro uma esquina e olho para trás novamente, não vejo mais o monstro. Olho melhor em volta e vejo como a decoração do lugar é muito antiga, como nos castelos medievais do século XV ou XVI, com tochas e quadros antigos. Paro de correr quando eu vejo uma porta, entro no cômodo e fecho. Estou em um tipo de galeria, pois aqui a muitos quadros, olho cada um atentamente, sinto que reconheço cada um, mas não me lembro deles. Suas imagens são aterrorizantes, mostram castelos pegando fogo, pessoas lutando, monstros nas florestas e cidades nas nuvens! Porém nenhum desses me assustou mais do que o maior quadro da sala. Sua moldura é toda de ouro e cheia de pequenos diamantes, em cima da moldura está escrito família real. A pintura parece normal no inicio, com príncipes, mas meus olhos param quando vejo uma princesa no meio deles, uma princesa mais do que familiar. Cambaleio para trás e prendo a respiração quando percebo quem ela é. Sou eu! “Eu estou na foto, melhor na pintura!” Os mesmos cabelos crespos curtos, a mesma pele negra clara, os mesmos olhos esverdeados anormais, a única diferença é que pareço com uma rainha! Coberta de joias dos pés a cabeça, com um vestido dourado que parece de ouro, com uma tiara de diamantes enormes na minha cabeça e sentada em uma cadeira que parece um trono. Ao meu lado tem três homens, mas não consigo enxergar totalmente seus rostos. Um deles é alto, moreno com a pele branca e está atrás de mim, outro é mais baixo, musculoso com cabelos ruivos e pele bronzeada e está ajoelhado na minha frente, o último é alto, louro, com a pele mais pálida que eu já vira e está ao meu lado direito, só que este está com um braço em meus ombros. Na moldura abaixo está escrito princesa e príncipes do reino sul. Olho novamente para a pintura. Estou sorrindo, enquanto os homens estão sérios. A única coisa que reconheço além de mim na pintura é o colar de rubi que está em meu pescoço em forma de gota. Coloco a mão em cima da pintura do colar e a outra em cima do colar em meu pescoço, por alguma razão uma lagrima se derrama em meu rosto, só que quando ela cai no chão, não é cristalina como as outras, ela é vermelha, como sangue! Enquanto olho para a lagrima de sangue no chão, outra gota cai e mais outra e mais outra, porem não estou mais chorando. Com cuidado olho para cima, sabendo o que vou ver. Quando meus olhos chegam ao teto eles se deparam com olhos vermelhos brilhantes. O monstro está pendurado no teto de cabeça para baixo! Quando penso em recomeçar a correr o monstro pula e cai em cima de mim. Caio pela milésima vez no chão, bato com a cabeça fortemente no piso e sinto algo molhado nela. Não é meu sangue, mas o sangue que corre pela boca do monstro. Olho sem medo para ele, o que acho mais estranho que o bicho em cima de mim. Ele me encara de boca aberta, mostrando os dentes de dez centímetros que se aproxima do meu rosto. Olhando para ele assim tão de perto consigo distingui-lo melhor. Ele é todo branco, têm aproximadamente 2 metros e 50 centímetros, o que faz os meus 1,90 parecerem 1 metro e meio, ele é magro muito magro, aparece até os seus ossos, mas olhando melhor ele só tem ossos! Ele é um esqueleto ambulante. Seus olhos não têm pupilas, sua boca não para de derramar sangue, suas garras são enormes e me prendem no chão, seu nariz são dois buracos no meio do rosto, sua forma é semelhante à de um homem, só que quando o vi correndo ele caminhava usando as mãos, como um gorila. Ele me encara enquanto eu percorro seu corpo todo com os olhos, penso “me devora logo!”, mas meu corpo fica calmo, relaxado, ao invés de rígido e tenso.  Quando abro a boca para falar ele coloca uma das mãos em minha boca e eu fecho os olhos, em seguida a coisa mais estranha do mundo acontece. Ele passa uma das garras da mão livre em meu corpo. Eu gemo de prazer quando ele passa a mão ossuda pelo meu seio direito, quando abro os olhos novamente percebo que seu rosto mudou, ganhou carne, agora seu rosto está em carne viva e suas mãos também. Continuo olhando, seu rosto muda novamente, começa a ganhar pele  e está parecendo mais com um rosto humano. Então suas mãos também mudam, todo o seu corpo muda e ele se transforma completamente. Seu corpo é divino! Muito longe do que parecia antes, embora sua pele ainda seja branca como papel, mas por mais que eu tente não consigo ver seu rosto, apenas seus lábios, carnudos e rosados. Sua mão vai para meu rosto, olho para ela e depois para ele, percebo que ele está completamente nu! Ele tira a mão da minha boca e passa ela em meu rosto. Então com um só movimento de braço ele me levanta do chão, me deixando de joelhos junto com ele. Ele me olha atentamente, cada parte do meu corpo enquanto passa as mãos em meus cabelos. De repente ouso um barulho enorme vindo do lado de fora da galeria, imediatamente tento me livrar dos braços daquele homem lindo, mas ele aperta mais os braços em torno de mim. Sei o que provocou aquele barulho, melhor quem o provocou. Tento me libertar novamente, mas isso faz com que ele aperte ainda mais o braço. Olho para ele, ainda sem conseguir ver seu rosto e digo:
-Você sabe que ele não vai gostar de nos ver assim.
Ele me olha, estudando a minha expressão e dá um lindo sorriso:
-Estou falando sério!- Digo
Ele me aperta ainda mais, e começa a beijar o meu pescoço:
-Ah, Bruno para!- Rosno para ele.
No momento em que estou pensando em como sei seu nome eu escuto um rugido e alguém dizer:
-LARGA ELA AGORA!
Olho para a porta (outro erro) e vejo outro monstro, só que esse é diferente, ele é mais baixo, e mais musculoso, ele só pode ser a outra sombra que vi na sala. Ele é todo preto, tem pelos por toda parte do corpo, seu nariz também são dois buracos, seus dentes são menores do que o do outro, porém mais afiados. Sua postura corporal e seu corpo se assemelham ao de um lobisomem. Ele olha para nós, então vê que estamos ambos nus (pelo menos é assim que me sinto), com raiva ele se aproxima e volta a dizer:
-SOLTA ELA AGORA, OU VOU MULTILAR VOCÊ!
Desesperada, tento mais uma vez me soltar, mas Bruno me aperta tão forte que não consigo respirar. Então olhando para o monstro na nossa frente, ele sorri diabolicamente, se volta para mim e me beija. Posso dizer firmemente que foi o melhor beijo da minha vida, seus lábios abrem caminho fácil mente em minha boca, sua língua é quente e ágil, como se sempre me beija-se assim e seu gosto é de chocolate com sangue. Uma delicia! O monstro ruge de ódio e parte para cima de nós dois. Bruno me solta e me empurra para a parede, depois pula e se transforma em pleno ar. Ele cai em cima do outro monstro e assim começam a lutar. Sinto algo estranho dentro de mim, não é medo, desespero, agonia, mas sim raiva. Não sei por que logo raiva, mas estou com muita, muita raiva dos dois monstros na minha frente. “Eles não tem esse direito!” rujo em minha mente. Levanto-me encarando o massacre na minha frente, algo mais começa a acontecer no meu corpo, ele começa a formigar, depois a queimar como se estivesse pegando fogo por dentro. Partes especificas começam a doer em minhas costas, como se a pele fosse arrebentar a qualquer momento. Reconheço essa dor, ela me tranquiliza de algum modo. Ela cresce mais e mais, e quando penso que vou explodir ouso mais um rugido. Diferente dos outros rugidos esse é o que mais me assusta. “Não ele não pode me ver aqui, e dessa maneira!” saio do cômodo e olho para um lado e para o outro ainda mais desesperada, não vejo ninguém. Um dos monstros empurra o outro para fora e a briga continua no corredor onde estou. “Ele vai enlouquecer, vai querer matar os dois!”, não sei por que me preocupo com esses dois monstros que ainda não pararam de brigar. A briga é sanguinolenta, me dói ver os golpes dados por cada um. O monstro branco arranha o rosto do monstro preto, que por sua vez morde o pescoço ossudo do outro monstro. Outro rugido “tenho que ir embora agora!”, quando me viro para sair correndo me deparo com outro monstro, mas diferente dos outros dois esse me dá medo, tanto medo que caiu desajeitada no chão. O monstro é duas vezes maior que os ostros, e mil vezes mais assustador. Ele tem quatro garras que saem de suas costas, cada uma com uma boca sangrenta, seus dentes são enormes, os caninos são de20 centímetros e os demais 10 centímetros, suas garras das mãos são afiadas e curvadas como ganchos, sua pele é cinza sem pelos, sua postura corporal é como a de um lobisomem também, mas ele usa suas garras das costas para se movimentar, tudo isso é amedrontador, só que o pior são seus olhos, os dos outros dois monstros são vermelhos sangue, o dele não é diferente, mas os dele saem sangue! Parece que ele está chorando. Além de seus olhos, sua boca, suas mãos, suas garras estão todas cobertas de sangue. Ele me encara por um longo tempo. Encosto-me a parede e cubro meu corpo seminu, então ele numa velocidade incrível, empurra com força os outros dois monstros que voam longe inconscientes, penso em ir até eles, mas por medo fico parada. O monstro cinza se volta para mim novamente. Eu o encaro, ele me encara também. Ficamos assim por um longo tempo, então ele dá um passo em minha direção e eu desvio o olhar e me encolho mais contra a parede. Ele percebe e fica furioso, então ele me pega pelo pescoço e me força a ficar de pé. Sem conseguir respirar ele me força a encara-lo, ele me levanta até meus olhos estarem ao nível dos seus. Fico suspensa no ar, á 4 metros do chão, é um milagre eu não ter morrido! Suas garras arranham o meu pescoço e suas garras das costas com suas bocas horríveis parecem me farejar. Sei o que está fazendo, está vendo se estou com o cheiro dos outros dois, está verificando se eu estava agarrada com um deles. Bem eu estava, porém contra a minha vontade. Ele sente o cheiro do monstro branco e rosna para mim. Então ele aperta mais suas mãos em meu pescoço, me deixando roxa por não conseguir respirar. Entro em desespero, e aquele calor volta a percorrer o meu corpo. Começo a me contorcer para me livra de suas garras, não adianta. “Ele vai me matar!” é o que penso, “Vai me matar por que acha que eu estava na cama com Bruno”, mais uma vez a raiva me toma conta, só que dessa vez com mais violência, meus olhos começam a coçar e a arder, minhas mãos, meus pés, mês braços, minhas pernas, tudo começa a arder. “Não vou morrer desse jeito, não por algo que não fiz!” berro em minha mente. O monstro coloca as duas mãos em meu pescoço e aperta bem e me empurra mais e mais contra a parede. Minha visão começa a ficar embasada, meus sentidos vão se enfraquecendo, o calor aumenta, vejo tudo branco, minha garganta está coberta de sangue e furos feitos pelas garras do monstro. O calor aumenta mais... mais... e mais... e então... eu acordo.
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Atualizado em: Qui 31 Ago 2017
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