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Meu querido Manequim(cap5) "romance-ficção"

Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! Tenha ótima leitura!
icone2Segunda-feira. Emily chegou atrasada ao trabalho. A verdade é que se quer teria deixado a cama se pudesse escolher. Simplesmente ignorara as chamadas de Renta também. Sabia que, independente do assunto que fosse, só poderia de fato resolvê-lo quando estivesse na loja, então, pouco importava, pois não queria se aborrecer antecipadamente. Assim que pôs os pés lá, não fez questão de se atualizar sobre como estavam indo as vendas no novo lote. Seguiu direto para a sua sala, onde “trancou-se” depois de trocar algumas palavras com algumas colegas. Sentou-se na cadeira, respirou fundo e desabou sobre a mesa. Não achava justo o que estava acontecendo, afinal de contas, tudo estava andando dentro do planejado, como sempre acontecera e repentinamente, Thomas lhe jogara aquele balde de água fria. Realmente injusto. Suspirou pensativa. Não demorou muito para baterem a sua porta. A verdade é que Renata, assim Emily reparou, mal tocara a madeira para antecipar sua chegada. Parecia ter atravessado a barreira como um passe de mágica.

 — Bom dia, linda! – cumprimentou como sempre fazia. — Como está a nossa aniversariante? – Renata empolgada. —Final de semana foi agitado, ta me parecendo. – instigou sobre o horário que a outra chegar.

— Quem dera que fosse da maneira como você imagina! – a outra respondeu desanimada. — Quem dera. – repetiu.

— Nossa! Mas que cara é essa, Emy? – falou ainda perto da entrada. — Aconteceu alguma coisa? – Renata mostrou-se atenciosa.

Emily, mirando a amiga, conteve-se por alguns segundos. A verdade é que não gostava e nem tinha o costume de ficar falando, expondo o que fosse de sua vida pessoal, íntima, mas dessa vez, o que lhe pareceu ser a primeira, era diferente. Ela sentia que precisa desabafar com alguém, mesmo que esse alguém fosse sua amiga que muitas vezes se mostrara desajuizada e atém mesmo incrédula em relação a relacionamentos prolongados.

 — Ainda to tentando entender o que aconteceu. – começou dizendo. —Thomas e eu, nos separamos. – revelou, então, sem rodeios.

Como se tivesse levado um leve choque que a paralisara por alguns segundos, Renata ficou engasgada sem saber o que dizer de imediato. Fechou a porta.

—... Poxa! Eu não... Não esperava ouvir isso. – declarou. — E como que foi acontecer? – perguntou aproximando-se da mesa e ficou estampado na face da amiga que aquele não fora um bom questionamento.

— Ele disse que eu não estava mais dando atenção pro nosso relacionamento e... Isso tem de ser um pesadelo. – lamentou-se sem querer dar mais detalhes.

— Que absurdo! – Renata mostrou-se indignada. — Não conheço ninguém mais competente. Você nunca deixaria isso acontecer.

Obviamente as intenções de sua amiga eram as melhores, mas Emily não sentiu-se confortável com aquela colocação: “competente”. Soou como se, ao olhos dela, sua vida profissional e particular fosse uma coisa só, logo, se o seu trabalho estava indo a mil maravilhas, sua vida íntima teria a obrigação de seguir o mesmo padrão. Por um milésimo achou que Thomas estivesse certo. Quem sabe estivera realmente desassistindo sua vida particular ao pondo de ser rotulada suficientemente competente para ter uma vida perfeita.

— E o que você pensa em fazer agora? – ainda lhe perguntou.

— Fazer? – Emily riu-se. — E o que eu posso fazer? – pausa. — Ele simplesmente arruinou os nossos planos. Jogou tudo fora sem mais nem menos. – explicou.

— Eu sinto muito, mesmo, Emy. – ficou em silêncio esperando a amiga se recompor.

— Estava indo tudo tão bem... – buscou um lenço para conter as lágrimas. — Já tínhamos conversado até sobre casarmos no final desse ano. – não conformou-se ao relembrar daquele fato. — Acho que no final das contas esse é o presente de aniversário que eu mereço mesmo!

— Mas não mesmo! – Renata interveio. — Ninguém vai deixar você pra baixo, tá? Não vou permitir. – garantiu alcançando as mãos da outra. — Você é uma mulher incrível, Emy, e se ele partiu é melhor que não volte, por que agora você vai viver a sua vida! – dando apoio para a amiga.

— Obrigada, Re!

— Vou te levara para umas “festinhas” e você vai se sentir melhor. –disse com um olhar pervertido.

— E que clima eu teria pra isso?! – Emily achou graça na ideia maluca dela. — Só você mesmo pra me fazer rir numa hora dessas.

— Eu imagino como deve ta sendo bem difícil. Mas quem sabe não seja melhor assim, hein? – comentou com as sobrancelhas erguidas. — Homens querida... – fez um gesto que representava “o que se pode esperar?”. — Hoje é o teu dia e vamos comemorar SIM. – deixou claro.

— O que você ta pretendendo? – Emily desconfiada.

— Deixa comigo! – Renata respondeu com uma piscadela afastando-se da mesa.

— Renata! – Emily chamou, mas só o que recebeu foi um beijo no ar antes que a porta fosse fechada novamente.

Já era final do expediente quando Renata voltou a sala de Emily. O sorriso contido deixava claro que ela escondia, tinha planos a serem executados. Evidentemente, Emily percebeu isso facilmente.

— É sério Rê, o que você ta aprontando? – pediu sem deixar a cadeira. — Não to com cabeça pra nada! – antecipou.

— Nossa! Por que tanta desconfiança comigo? – brincou — Mas se você quer mesmo saber, vai ter que me acompanhar. – comentou. — Você vai gostar. – garantiu.

— Não! Eu não quero saber o que é! – Emily resistindo. — Só quero ir pra minha casa... Tomar um banho... Me atirar na cama e esquecer o mundo. –deixou claro.

— Não faça drama! – a outra aproximou-se. — Nada de decadência no dia do teu aniversário! Você tem que comemorar! – disse ainda.

— O que eu tenho pra comemorar, Rê? Meu noivado acabou, lembra desse detalhe? – reafirmou sua situação para a outra que parecia ainda não ter entendido a gravidade da situação.

— É exatamente por isso que você tem que vir comigo! – justificou-se estendendo uma fita escura que obviamente seria para tampar as vistas da outra. — Comemore a liberdade da mulher linda que você é!

— E pra comemorar eu não posso ver nada! – Emily desconfiada.

— Faz parte da surpresa. – Renata explicou. — Vem! Foi preparado com carinho só pra você! – tentando baixa a guarda da amiga. Contornou a cadeira e passou a fita sobre os olhos de Emily. — É pra você ver o quanto nós amamos você. – ainda colocou.

— Nós? – Emily já vendada.

— Digamos que eu precisei de uma ajudinha pra poder organizar tudo. – revelou. — Anda! Já ficamos tempo de mais aqui. – tomou a mão da amiga e a puxou para fora da sala.

Sem muitas opções, e até por que não queria ser a estraga prazer da situação, Emily entrou na onda da amiga e permitiu que a situação seguisse adiante. Lhe restou apenas respirar fundo e esperar que não fosse levada à um local de integridade duvidosa.
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Atualizado em: Sex 6 Out 2017
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