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A Pianista (parte II – Deixando a timidez)

A sala estava bem iluminada. Com sua cor marrom-claro, suas cadeiras cor de ouro e seus pianos devidamente organizados, davam a sensação de conforto. Atravessei a sala em passos curtos e trêmulos, indo de encontro com Bianca e Elena. Chegando próximo a elas coloquei em prática tudo o que sabia sobre “como conversar com uma garota? ”, de um vídeo que vi no Youtube. Falei como o mestre Yoda*, trocando as posições das palavras.

“O-oi. Cha-Charlie m-me chamo.” O nervosismo tomou conta de mim e me levou a gaguejar e ficar vermelho. Elena olhou para mim e riu do meu jeito desengonçado, o que me levou a ficar mais sem jeito ainda.

“Oi, Cha-Charlie! ” disse ela fazendo uma imitação minha, soltando risadas. Olhando-me da forma mais tênue possível, concluiu para meu espanto “Sei quem você é”.

Entrando na conversa, Bianca falou sobre o projeto.

“Charlie. Estávamos conversando e decidimos fazer a análise musical da sinfonia nº8 de Schubert. Você concorda? ”. Fiz que sim com a cabeça. 

O silêncio se instalou em nosso círculo e olhar de Elena se encontrou com o meu. Havia algo no olhar dela que demonstrava confiança e independência, assim como o de Elizabeth Bennet quando encontrava o olhar de Sr. Darcy**. Senti-me hipnotizado, sem saber o que falar ou fazer. Apenas o olhar dela me chamava atenção, transportando-me de todo barulho da sala, de cadeiras sendo arrastadas, pessoas falando em seus grupos, violinos sendo afinados e dedos indecisos nas teclas do piano, ora tocando jazz, ora tocando um ‘rock melódico’ de November Rain, do Guns N’ Roses. Me perdi em seus olhos. Ruborizei e dei um sorriso sem jeito. Finalmente Bianca quebrou o silêncio.

“Vamos para biblioteca pesquisar depois do almoço? Ainda preciso me encontrar com Tom antes disso!” Concordamos e nos despedimos.

Tom é um amigo meu, apresentei Bianca a ele. Fui uma espécie de cupido. Em menos de 2 meses já estavam namorando.

O horário do encontro na biblioteca se aproxima. Chegando lá vejo Bianca saindo e dizendo que não poderia ficar. Surgira um imprevisto. Vejo-a correndo pelo corredor, com seus cabelos pretos esvoaçados, seu corpo pequeno, moreno  e magro apressado. Entrando na biblioteca, vejo Elena sentada em uma das mesas. Ela acena e me chama. Ando atônito até ela, tropeçando em uma das cadeiras no caminho. Ao chegar olho para ela e sorrio. Ela me olha e retribui o sorriso e diz “sente-se comigo ”.  Ao ouvir isso meu coração acelera, minha alma congela. Ainda pensando na sua voz suave como seda, pedindo para que eu sentasse, sem hesitar me sento.

Sentado ao lado dela, não sabia o que fazer, muito menos o que dizer. Pensei em contar o que sentia antes de criar um vínculo maior e estragar isso depois. Lembro de minha irmã dizendo:
“ tenha atitude, não seja um maricas. Fale sempre o que está sentindo, mas saiba o momento certo”. Esse era o momento. Sem demorar muito, comecei a dizer o que sentia, da forma mais desajeitada possível, tropeçando em cada palavra que falava. Podia ouvir meu coração bater e minhas mãos tremer. O que falei deve tê-la tirado os sentidos momentaneamente. Sua expressão foi....

* Mestre Yoda- Mestre Jedi, na saga de Star Wars

** Elizabeth Bennet e Sr. Darcy- Personagens do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.
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Atualizado em: Sex 9 Jun 2017
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