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Meu querido Manequim (cap.2)

Thomas, munido de café, estava na sala, sentado no sofá olhando um filme que passava na televisão. Emily entrou em casa de um jeito tão brusco e repentino que até o assustou. Ela trazia com sigo sua bolsa e mais duas sacolas e ainda presa ao telefone celular. Imediatamente, sem sombra de dúvidas, deduziu que ela estava falando com a Renata. Emily confirmava a chegada de um lote que estava prestes a ser entregue no dia seguinte. Ainda envolvida naquela conversa, sem se desvencilhar do aparelho telefônico, com um leve dedilhar de dedos no ar, cumprimentou seu amado no mesmo instante em que seguia para a cozinha onde pôs sobre a mesa toda a bagagem que trouxera com sigo. Como se buscasse a peripécia perfeita para poder fazer tudo ao mesmo tempo, catou um copo dentro do armário e serviu-se um pouco de suco que no final das contas se quer o terminara de beber. Com os passos já previamente coordenados ela seguiu então para o quarto. Thomas, ainda vago em meio aquela euforia que sua noiva se encontrava, percebeu que apenas lhe restava voltar-se novamente para sua programação, para a calmaria de seu filme.

—Meu Deus! Hoje ta sendo um dia daqueles!– Emily surgiu minutos depois já de banho tomado. — Já jantou? – ainda disse o afagando carinhosamente com um abraço sobre o encosto do sofá.

— Sim, já! – ele respondeu retribuindo o carinho dela com um beijo sobre a superfície de sua mão. — Cheguei a deixar algo pronto pra você. Ta dentro do forno. – avisou.

— Sério?! – ela em um tom meigo e sentido. — Brigado, amor! Mas to sem fome. Só quero poder descansar um pouco.

Segurando-a pela mão, Thomas fez com que Emily contornasse a poltrona e acabasse junto a ele.

— Então descansa. – disse permitindo que ela repousasse em seu peitoral. — Aproveita e fica aqui comigo. – completou acolhendo-a em seus braços.

Manhosa, Emily aconchegou-se a ele.

— E como foi o teu dia? – ela perguntou depois com os olhos fixo na televisão, mas a verdade é que não estava dando atenção para o que estava acontecendo.

— Meu dia? – Thomas voltou a atenção para ela. — Bem... Foi bem tranquilo. Fizemos umas boas vendas hoje. – seguiu falando. — Se continuar desse jeito logo vou precisar aumentar a equipe! – comentou. — Mas e você? Parece exausta!

Emily soltou um suspiro cansado antes de responder.

— Nem me fala! To mesmo! – acomodou-se melhor. — Trabalhei o dia inteirinho com dor de cabeça. – comentou. — Passei o tempo todo só em volt... – foi interrompida.

Thomas não havia reparado, mas ela havia trazido o celular com sigo, somente agora que o aparelho vibrara entre eles é que ele se deu conta disso. Com um olhar nada surpreso, a fitou do modo desgostoso que ela já conhecia. Podia se dizer que era uma espécie de olhadela que reprovava e ao mesmo tempo deixava claro que não era nenhuma novidade ela ainda estar presa a alguma tarefa do trabalho. Respondendo automaticamente com uma expressão de “preciso atender”, Emily deixou o sofá e indo em direção a cozinha pode ouvir Thomas lhe dizer desgostoso.

— Se ela tivesse alguém, não taria te enchendo o saco toda hora! – soltou claramente.

Emily o fitou franzindo a testa e pondo o aparelho contra seu busto esperando que Renata não tivesse ouvido aquela grosseria.

Passavam das onze horas da noite quando o casal resolvera se deitar. Emily, simplesmente era uma mulher vaidosa. Como se seguisse um ritual obrigatório, negava-se a dormir sem fazer uso de seus cremes e loções. Ainda em pé em frente a cama ela mirou Thomas, que já estava deitado, com um olhar mais sério.

— O que foi aquilo? – questionou ainda deslizando as mãos sobre seus braços para espalhar o creme sobre a pele.

— Aquilo, o que? – ele sem entender a que ela se referia.

— Aquilo mais cedo. Sobre a Renata. – esclareceu. — O que foi aquilo? – insistiu.

Thomas abriu os braços antes de responder.

— Eu disse alguma novidade? – com as sobrancelhas altas.

— Ta, mas são assuntos do trabalho e eu preciso deixar tudo em ordem...

— Você SEMPRE – deu ênfase a palavras. — Está deixando tudo em ordem.

— E...? – buscando seu lado da cama instigou para que ele continuasse.

— Poxa, amor! – suspirou. — Não quero discutir. Olha que horas são! – aproximando-se dela de forma que conseguisse abraça-la. — Vamos deixar a Renata fora da nossa cama? – rui-se.

— Mas ela não ta na nossa cama – Emily respondeu em um tom mais frio. — Nem na nossa casa, mas...

— Ta bem! – Thomas interferiu-se. — Pelo amor de Deus! Eu não vou brigar por causa disso. Eu só falei aquilo, por que eu acho de mais... É tudo você, você e você.

— É o meu trabalho! Você espera que eu faça o que? – conclui dando as costas para ele. — Se isso te incomoda... Paciência! – colocou ainda encobrindo-se parcialmente com as coberta.

— Só quero que você fique menos carregada. – respondeu a ela calmamente. — Só isso! – completou. — Você chega cansada e ainda tem que aguentar ela fora do expediente...

— Nós também somos amigas. – Emily retrucou. — Se ela simplesmente quiser conversar eu não vejo problema algum.

Esperando que aquela discussãozinha terminasse, Thomas calou-se e carinhosamente grudou em Emily dando-lhe um beijo no pescoço, o que fez com que ela se contorcesse. Ainda acariciando-a e sentido aquele cheiro adocicado, alcançou a alça de pijama que contornava o ombro esquerdo e a puxou para baixo. Com uma das mãos, seguiu o contorno do corpo de sua amada, mas ela impediu as intenções dele dizendo.

— Me deixa dormir! – voltou a ajeitar a alça de sua blusa e encobriu-se completamente com a coberta. — Amanhã tenho um dia cheio! – justificou.

Thomas, tomando fôlego, voltou a escorar-se na cabeceira que lhe dizia respeito e depois de alguns segundos imóvel mirando o teto, deixou o quarto.
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Atualizado em: Sáb 19 Ago 2017
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