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O Segredo de Lyon Parte - 1

Não me canso de olhar no espelho, estou diferente, já não sou mais o bebê do meu pai, vou estudar em outro Estado, tenho que cuidar de mim mesma de agora em diante, mas também tenho que encarar uma festa de despedida lá em baixo. Passo a mão pelo meu cabelo de qualquer jeito e coloco a jaqueta que meu pai me presenteou.
−Sophia! Sophia! Vem! Você não vai descer? − diz Lya uma vizinha de longa data, é estranho nós nunca nos falamos até o falecimento da Sarah. Eu tenho muita saudade da Sarah, foi ela que ajudou meu pai na minha criação, ela era a melhor amiga da minha mãe e se tornou uma mãe para mim.
−Sim, Lya já estou pronta, só estava terminando de fazer as malas, a final não sei quando irei voltar. −falo com um pouco de tristeza, pois sei que meu pai, meu querido pai vai sentir minha falta e eu a dele, mas eu já tomei a decisão e está acabado, a Califórnia será meu novo lar. A cada degrau que desço da escada vejo mais e mais gente, nossa toda a vizinhança, não tem como não ficar envergonhada com a situação, dirijo-me ao meu pai, que me recebe com um beijo e um olhar terno.
−Você é a melhor parte de mim Sophia. − as lágrimas ameaçam cair dos seus olhos e de repente eu percebo que é porque nesses dezoito anos de vida eu nunca saí de perto dele, fui a filha perfeita! Só estudava e o ajudava na oficina de mecânica quando podia, nada de festas ou rapazes.
−E você é meu herói John Riley. − nunca vou esquecer esse olhar que carrega sentimentos tão opostos, ele abriu mão de muita coisa para me ver crescer, agora eu vou ter que continuar sem ele, e isso é doloroso para ambos, atravessando meus pensamentos as pessoas gritam: discurso!discurso!
−É... bem..... Agradeço a presença de todos, sei que vocês torceram por mim, e.... está conquista é nossa! − a última frase é cheia de entusiasmo, então, Palmas enchem o recinto, e prefiro dizer mais palavras.
−Obrigada, mas não poderia deixar de agradecer ao meu pai, e as minhas duas mães que estão no céu agora. − uma longa pausa fica no ambiente, engulo e sigo com as palavras. −Não vou decepcionar à esperança que eles depositaram em mim, Obrigada. − palmas e gritos de encorajamento faz-me sorrir abertamente.
− Olá Sophia. − diz Andrew um amigo da família, ele trabalha com meu pai na oficina, é alto e bastante forte.
−Oi Andrew, não sabia que você estaria aqui. − estendo a mão para cumprimentá-lo e ele me puxa para perto e abraça-me, fico sem jeito a final ele sempre demonstrou muito interesse por mim.
−Então é verdade que você vai sair do Arizona? − sua voz tem som de decepção. −Phoenix é o melhor lugar para se viver. − acrescenta.
−Vou para universidade de Stanford na Califórnia, eu sempre disse que um dia iria estudar lá, lembra? Quero ser uma advogada e lá terei boas chances. − essa conversa não me agrada, olho para os lados para ver se alguém me tira deste lugar.
−Lembro, mas você poderia estudar aqui, então por que vai para lá? Prefere ficar longe do seu pai e de mim? − ele se altera um pouco e não gosto desse interrogatório e nem das palavras que ele proferiu.
− Não prefiro ficar longe do meu pai, eu prefiro estudar em Stanford, é meu sonho, meu pai não é egoísta a tal ponto, ele até preferia Harvard, mas a escolha é minha. − eu solto o ar lá de dentro dos meus pulmões e a minha raiva é perceptível.
−Sophia! Tenho algo para lhe entregar. − diz Lya com empolgação, e dou graças à Deus por ela ter me tirado de perto daquele psicótico. − Lya pega uma mala que estava em um armário.− Foi a Sarah que deixou para você, na verdade ela me deixou o dinheiro e eu comprei tudo que está aí, espero que goste. −seu sorriso está de orelha a orelha. Abro o zíper rapidamente e a mala está repleta de roupas novas etiquetadas, e um tênis bem moderno.
−Fico agradecida Lya. − disparo rapidamente.
− Ah, antes que eu esqueça, ela deixou essa quantia para ajudar na nova vida, são mil dólares. − ela estende a mão para que eu possa pegar um envelope branco lacrado com uma espécie de borracha vermelha.
−Ela era uma mãe para mim. Quando ela deixou essas coisas? − indago surpresa, nunca imaginei que a Sarah tivesse deixado algo para mim.
− Um mês antes de falecer. Ela acreditava na sua conquista, dizia que você seria uma grande advogada, e eu acho que estava certa, boa sorte Sophia. − nos abraçamos em despedida.
−Vem, precisamos ir princesa, ou perderá o ônibus.− meu pai fala, percebo que ele está mais animado agora.
−Estou indo!  − digo segurando a minha mochila preta nas costas e usando um boné roxo dos Lakers.
−Não está esquecendo nada? −meu pai diz abrindo as duas mãos em dúvida. olho ao redor e lembro da mala, subo para buscá-la no meu quarto, e dou a última olhadinha lá dentro, vou sentir saudades daqui. −Filha o táxi chegou. Está aqui também vai? −meu pai segura a mala que a pouco tempo eu também desconhecia.
−Sim pai, presente da Sarah. − no caminho até a rodoviária fico olhando pela janela do táxi sentada ao lado do meu pai, ele é um pai maravilhoso, mesmo sem dinheiro e experiência, ele sempre quis me dar o melhor, sempre esteve presente e eu nunca vou esquecer disso.
−Pronto! Ver se me liga quando chegar lá, você já é crescida, mas eu ainda me preocupo e te amo querida.
−Vou ligar sim pai, se cuida por favor. −meu coração está apertado, eu tiro o envelope da mochila e entrego quinhentos dólares para ele.
−Não filha. −ele recusa, mas coloco no bolso do seu casaco e ele sorrir. −Deus te abençoe e a virgem te proteja.
−Obrigada pela benção pai.
−O ônibus já vai partir, eu te amo filha.
−Também amo você pai. –meu coração aperta.
       _________________________
Enfim Pallo Alto, ainda é muito cedo aqui, foi uma viajem longa , mais de sete horas e três paradas ao todo, estou cansada, mas empolgada, retiro a mala do ônibus e coloco a mochila nas costas, fico admirando o local, nem imagino que vou para Stanford, a felicidade está visivelmente estampada no meu rosto, está em forma de sorriso, rapidamente sinto um empurrão e alguém puxa a minha mochila, é um rapaz de casaco verde, ele é violento e rápido, saiu correndo e eu fiquei no chão, percebo que não tem muita gente por perto, droga! Meus quinhentos dólares estavam naquela mochila, eu me levanto atordoada e percebo que a mala ainda está aqui, essa foi as minhas boas-vindas ao estilo Califórnia.
− Isso não pode piorar! −falo em voz alta, e para a minha surpresa começa a chover, tento me abrigar da chuva e um casal que está em um carro azul aparece.
−Nós vimos o que aconteceu. Você quer carona? −pergunta o homem se contorcendo no banco do carro para me olhar melhor.
− Quero. − não tenho outra alternativa estou em outro Estado, em uma cidade completamente desconhecida e sem dinheiro. Abro a porta do veículo e entrego o endereço para a mulher no banco do carona que sorrir docemente, eles parecem um casal feliz.
−Aqui é perigoso. −diz a mulher me arrastando dos meus pensamentos. −De onde você é? Não parece ser daqui.
− Sou de Phoenix, vim para estudar. −enfatizo.
−Ah, parabéns pela conquista, é difícil encontrar jovens dispostos a largar todo o conforto de casa para estudar.
−Obrigada.− falo com orgulho de mim mesma.
−Chegamos!! Está entregue moça, este é o endereço que está no papel, aqui não é um lugar ruim, você só começou com o pé esquerdo. − o homem diz para que eu não desanime.
−ok, muito obrigada pela carona. − salto instantaneamente do carro, o prédio do endereço não é muito bonito, parece ser uma construção velha, mas talvez eu deva seguir o conselho daquele generoso homem, preciso trocar o pé esquerdo pelo direito e enfrentar o meu futuro que começa hoje, nesse presente. Número 203, procuro já no interior do prédio, passa por mim uma senhora com um saco de compras ela me olha tão estranho, deve ser porque estou molhada da cabeça aos pés, preciso de um banho e de algumas horas de sono. Pronto! Achei! Toc.. Toc.. Bato na porta e uma jovem loira atende, ela é magra e tem olhos claros, ela me olha do mesmo jeito que a senhora do corredor.
−Sophia Riley. − estendo a mão e ofereço um sorriso para a moça. Ela continua a me olhar e vira de costas andando para a sala do apartamento.
−Eu falei com o seu pai, vou logo dizendo para você, ele pagou muito pouco, talvez você tenha que me pagar por fora também. −ela está com um sorriso aparentemente malvado em seus lábios.−Ah, sou Rebeca Morgan e não gosto que me incomodem.
O apartamento não é muito grande, sala, cozinha, dois quartos e um banheiro, não é muito limpo, as roupas estão jogadas por todo o lugar, parece que não aspiram o pó há dias, a pia da cozinha está cheia de louça suja.
−Venha! Vou mostrar seu quarto, na verdade eu guardo minha roupas e sapatos nesse quarto, muito cuidado para não tropeçar nas minhas roupas, elas são caríssimas.
Eu não tenho palavras para descrever a bagunça do quarto, tudo está jogado fora do lugar, acho que eu tenho dois pés esquerdos, não posso falar isso para o meu pai, ele ficaria muito preocupado, eu já sou adulta o suficiente para resolver isso só.
−Rebeca, meu pai pagou o que você pediu, não vou lhe dar nem mais um dólar por isso, enquanto ao quarto tudo bem que coloque suas coisas lá, não preciso de muito espaço para viver. −todas as frases soam forte e seguras, ela fica sem palavras, respira fundo e diz:
−Tudo bem, mas a limpeza da casa fica com você, vou trabalhar agora, ah e não pense que vai encontrar um lugar melhor que esse. − ela solta um beijo no ar e sai irradiando felicidade.
Aspirar, lavar, secar, dobrar, empilhar, guardar, ufa! Terminei de organizar o apartamento, estou muito cansada, preciso de um banho e de uma boa refeição. No armário da cozinha tem apenas macarrão instantâneo, queria algo melhor, mas o macarrão vai servir por hoje. Todo o dinheiro que eu tinha estava naquela bolsa que o ladrão levou mais cedo, eu não sei o que vou fazer, tenho apenas algumas poucas notas no meu bolso, não posso pedir mais nada ao meu pai, e nem ao menos dizer o que aconteceu, pela primeira vez na vida eu me sinto sozinha, sem ter alguém para contar as novidades ou para dizer como minha colega de quarto parece cruel. A mala que a Sarah deixou é bastante pesada, o zíper é grande, contorno em volta da mala e a abro, tem várias roupas lá dentro, tem algumas fotos, um tênis vermelho ele é muito moderno e tem um cartão rosa que diz: minha menina eu sempre acreditei em você, essa é a hora de você começar a acreditar também. XO.  A saudade bateu muito forte, a Sarah seria a pessoa perfeita para conversar agora, ela me diria para ter calma e confiar no amanhã, eu aposto. Preciso dormir, amanhã tenho que ir para a universidade logo cedo, espero que amanhã seja um dia melhor que hoje e que a Califórnia me traga coisas boas.
Notas Finais
Arizona: é um Estado dos EUA, sua capital é a cidade de Phoenix. 
Califórnia: é um Estado dos EUA, sua capital é a cidade de Los Angeles, a cidade de Pallo Alto fica nesse Estado, a universidade de Stanford é situada lá.
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Atualizado em: Ter 6 Dez 2016
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