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A volta da Paixão

A volta da paixão

TOM FERCONI, 43 anos, era um famoso arquiteto desejado por todas as mulheres, mas somente uma o fazia estremecer por completo. JANAINA LEONI, A mesma pela qual se apaixonara anos atrás, a qual abandonara após descobrir que ela esperava um filho seu. Ou seja: A mulher proibida. TOM, dom Juan em ativa aos plenos 20 anos, jamais permitiria que a adolescente o segurasse com uma barriga. Ele que tinha como lema amor e liberdade geral, valorizava demais estar com um rabo de saia diferente a cada noite, não suportaria se prender a um relacionamento sério e ter a responsabilidade de cuidar de um filho. Filho esse que tomaria todo o seu tempo, impossibilitando assim o garanhão de ciscar em suas baladas. Apavorado com tal pensamento, resolveu dar no pé. Gostava de virar á noite se acabando nas pistas com dance music e muito reggae e não pendurado na beirada de um berço, trocando fraldas inundadas com xixi e tendo que encher infindáveis mamadeiras para um bebê chorão.

Os anos se passaram e com ele, veio à curiosidade. Queria conhecer seu filho e ficar frente a frente com JANE. Voltava com a proposta de reviver em seus braços momentos de paixão, desejo e muito fogo, pois ele jamais se esquecera do que viveram. Queria conhecer a JANAINA adulta. Resolveu voltar. Será que ainda se amavam? Será que ainda, conversava a beleza estonteante pela qual ele perdera a cabeça? Aos 38 anos ela deveria estar mais linda.

EROS, 23 anos, o herdeiro e melhor amigo de JANAINA bateu na porta de seu quarto.

- Entra.

O sorriso doce de EROS sempre derretia o coração de JANE. Aquele moleque como ela o chamava era a razão de sua vida. Sempre que estava para baixo, o rapaz a levantava quase que como um passe de mágica. Era o amor. EROS não admitia ver a mãe sofrendo. A sintonia entre os dois era enorme, parecia que um sabia o que o outro sentia. EROS se enchia de orgulho quando a confundiam com uma irmã dele e não mãe. Mas por outro lado, a beleza estonteante de Jane lhe dava era uma tremenda dor de cabeça.

- Onde pensa que vai toda perfumada e linda desse jeito?

- Vou levar sua avó no shopping! Está precisando fazer umas comprinhas. Vamos?

- Não.

- Ah filho! Sabe que eu não gosto de te deixar aqui sozinho.

- Relaxa, vai tranqüila. Esqueceu-se que eu cresci?

- Não meu amor! Não mesmo. Mas pra mim você vai ser sempre um bebezinho. Ou não sabia que as mães são assim?

Eles trocaram um abraço caloroso.

- Sim, eu sei. Mamãe porque que a minha avó estava tão nervosa hoje cedo? Ela ficou daquele jeito por causa das flores que você recebeu?

- Acertou, mas não precisa se preocupar com isso. Já está tudo bem.

- Quem te mandou as flores?

- Um homem do passado que a sua avó odeia e ficou simplesmente apavorada com a idéia de vê-lo.

- Foi o meu pai quem te enviou essas flores?

- Seu pai?

JANE sentiu o chão se abrir aos seus pés. Tinha medo do ex-namorado roubar o seu filho que era a própria razão de sua vida. Eros se assustou com as mudanças bruscas na expressão da mãe. Ela empalideceu completamente e sentou-se na cama.

- Não precisa me dizer.

Ela procurou conter um suspiro aliviado.

- Por quê?

- Esse homem nos abandonou quando eu estava para nascer. Não quero saber dele.

- Mas trata-se do seu pai!

- Ele não me ama! Não devo amar ele também.

- Filho, não fala assim.

- O importante é que tenho você!

- Ai querido, você é um anjo.

Jane o abraçou, chorando emocionada.

- A volta desse homem te abalou muito, não é?

- Nem tanto! Estou mais preocupada com a sua avó.

Resolveu mentir.

- Mamãe, se eu fosse a senhora, não se preocupava tanto com ela. A minha avó é muito chantagista.

- Eros!

- Ela está te usando, não sei para quê, mas está.

- Você acha?

- Sim. E te digo mais. Se ela continuar te ofendendo da forma como vem fazendo, nós dois vamos ter graves atritos.

- Querido, não liga!

- Como não vou ligar? Eu não vou permitir que a minha avó te trate como uma qualquer. Eu vou te defender. E deixa esse homem das flores comigo! Não vou deixar que ninguém te faça mal.

- Obrigada querido.

Ela sorriu divertida. Ele secava suas lagrimas com carinho.

- Sua maquiagem...

Apavorada, a jovem e linda mamãe olhou no espelho.

- Oh meu deus!

- Me parece que tem mais coisa errada aí, não?

- Sério? O que é?

Perguntou distraída, recompondo a maquiagem. Seu rosto ultimamente estava muito sem cor. Resolveu emprestar um brilho. Estava muito apagada.

- Eu não estou gostando nada desse vestido.

- Por quê?

- Ele está muito curto, é melhor trocar!

- Que gracinha! Não estou acreditando no que estou ouvindo.

- Estou falando sério. Vai chamar muita atenção.

- A mamãe está precisando chamar a atenção.

- Não! Não mesmo!

- Ah meu deus que bonitinho o meu bebê com ciúmes.

- Mãe, eu não sou um bebê. Vai trocar de roupa?

- Ai meu deus! Eros!

- Tem um cara, colega meu da faculdade me pilhando. Falando que a minha mãe é muito gata! Que queria pegar um filé igual a você. Que com certeza é você que povoa a fantasia da maioria da macharada que a conhece e que todos te desejam sabia?

- é mesmo?

- Aqueles dementes.

- Não liga para eles. Papo de adolescentes.

-Sei! Mas o Ricardo tem 29 anos e está de olho em você.

- Não se preocupe, ele não faz o meu tipo.

Dona Bina entrou intempestivamente pelo quarto e carrancuda, questionou:

- Que demora é essa? Se eu soubesse que ia me enrolar desse jeito, não teria aceitado seu convite. Eu deveria ter adivinhado! Sempre me aborreço com você.

- Vó, conversa direito com a minha mãe!

- Hora! Mas que agressividade!

- Estou conversando com meu filho mamãe! Já estamos indo. Estou acabando de me arrumar.

E pediu ajuda ao filho com o fecho do vestido. O tal vestido azul, decotado e curto que realçava ainda mais a sensualidade de seu corpo e que ele pedira para ela trocar.

- Vai com essa roupa?

Dona Bina fez coro ao neto.

- Eros, estou indo.

- Boa sorte com a vovó. Bom passeio. E não deixa ela ficar enchendo o seu saco.

- Descansa meu amor. Não esquece do que eu te pedi. Por favor.

- Pode deixar. Quando chegar, vai ver que a casa vai estar nos trinques.

- Confio.

- Tchau.

- Tchau vida.

E para despedir, ele lhe deu um selinho.

O comportamento de dona Bina mudou completamente quando JANAINA a presenteou com uma bolsa de mão caríssima, que acabava de ser lançada e era assinada pelo estilista que ela adorava. Passou a dedicar uma atenção especial á filha, sem imaginar que Jane já sabia do motivo. Foi aí que ela se lembrou da perspicácia do filho.

- Querida, mamãe não te viu almoçando hoje.

Disse em Tom macio.

- Eu como alguma coisa mais tarde na pracinha de alimentação.

- É perigoso filha!

- Desde quando se preocupa?

- Ah querida! Não fala assim comigo!

Dona Bina continuou falando e Jane sem prestar atenção. Não tinha condições, não conseguia se distrair. Tinha Tom e Eros dominando seus pensamentos e começava a ficar com medo de enlouquecer. Medo de rever Tom Ferconi e descobrir que ainda era apaixonada por ele, tinha medo dele roubar seu filho, tinha medo. E a absoluta certeza de que não estava preparada para o reencontro. Aquele homem era uma terrível ameaça. Poderia colocar a perder a sua paz e a harmonia em família.

Tom poderia bagunçar a rotina tão tranqüila que ela conseguira alcançar. Prometera a si mesma nunca mais se apaixonar e estava firme nessa decisão. Esperava que a volta de Tom não machucasse o coração que Jane tinha conseguido cicatrizar depois de anos! Não foi fácil. Amava aquele homem com loucura e ele a dispensou com palavras duras. A bela ainda se lembrava de cada absurdo proferido por ele na ocasião em que o galã descobrira sua gravidez. E procuraria não esquecer para não cair nas garras de uma paixão avassaladora outra vez. Tom até poderia voltar, mas esperava que seus sentimentos estivessem mortos. Tom Ferconi iria conhecer a nova Jane. Ela jamais permitiria ser humilhada da forma tão cruel como fora por aquele homem na adolescência.

Eros dava uma faxina na casa para Jane quando ouviu a campainha e foi atender a porta. Parado lá fora se encontrava um homem moreno, cabelos escuros, olhos castanhos, bem forte e alto. Esse homem deveria ter mais ou menos uns quarenta anos e alguma coisa. Curioso, atendeu.

- Pois não.

- A Jane, por favor. Janaina leoni mora aqui?

- Sim, mas não está.

- Não está mesmo ou mandou dizer que não está?

- A minha mãe não mente!

O recém chegado levantou a mão em defensiva diante do tom de agressividade.

- Me desculpe rapaz, então quer dizer que você é o Eros.

Encontrou certa dificuldade para vocabular algo, tomado pela emoção após saber que o rapaz que atendera a porta era seu filho. Jane lhe disse que assim se chamaria se o bebê que esperava fosse homem.

- Nos conhecemos?

- Não, mas já ouvi falar de você. A Jane demora, sabe dizer?

- Acho que não. Saiu com a minha avó.

- Posso entrar? Gostaria de esperá-la.

Constrangido com a acidez, Eros resolve se redimir e convida o homem pra entrar, ainda meio desconfiado e contrariado.

- Sente-se.

-Obrigado, com licença. Pegando no batente, hein?

- Pois é fazer o quê né cara? Jane cismou que eu tenho que ajudar nas tarefas domesticas. Eu odeio fazer isso, mas é melhor não desobedecer à ordem de uma mãe tão brava como a minha.

- Saudades daquela danada!

- Vocês se conhecem tem muito tempo?

- Alguns anos.

- Você que ligou hoje cedo e mandou as flores por acaso?

- Sim sou eu.

- O que quer com a minha mãe hein cara?

- Calma! Pode ficar tranqüilo! Não vou fazer nada que possa prejudicá-la. Eu não vou machucá-la. Ela é muito especial para mim.

- E ela é tudo para mim.

- Você está mostrando ser um excelente filho.

- Tenho que cuidar dela. Somos só nós dois. Não temos mais ninguém.

- E a sua avó?

- Minha avó não gosta nem de mim nem da minha mãe.

- Pelo visto, a velha não mudou nada! E seu pai?

- Não sei nada sobre ele.

- Sua mãe... Nunca te disse?

- Eu sei sobre a dificuldade que ela tem em tocar nesse assunto. Não gosto de ficar causando constrangimento nela e eu odeio vê-la sofrendo. E como esse assunto a incomoda, preferi parar de perguntar. Quem é ele, onde está se está vivo, ou morto. Por que a deixou assim que descobriu a sua gravidez. Coitadinha.

Tom se emocionou. Tocado pelo amor sincero, puro e incondicional que aquele menino sentia por sua adorável Jane. Sim, apesar de todos esses anos, apesar do que fizera, dissera , ainda a considerava sua. Se seu filho desconfiasse do quando fizera a mãe dele sofrer, com certeza o odiaria pelo resto da vida.

Ele suava, suas mãos estavam geladas. Só queria ter Janaina leoni de novo em seus braços, queria relembrar a suavidade de sua pele, o quanto adorava sentir seu cheiro. Queria dizer que estava arrependido por todos os seus atos do passado. Se não a tivesse, ficaria louco, porque não conseguia tirar a mãe de seu filho da cabeça. E nunca, nunca na vida desejara tanto uma mulher como desejou Jane anos atrás. E ele voltou para mostrar que isso não tinha passado. Provaria para ela.

- Sua mãe saiu faz muito tempo?

Olhava de minuto em minuto no relógio.

- Mais ou menos uma hora.

- Uma hora... Então deve estar voltando.

- Acredito que sim.

Estava curioso. Com certeza a Jane que veria não seria a adolescente que abandonara e sim uma mulher muito mais sexy. Esse pensamento fazia com que a vontade de vê-la logo ficasse ainda mais intensa.

- E aí cara, tem namorada?Uma paquerinha?

- Eu andei ficando com uma mina, mas larguei de mão. Não fez a minha cabeça, entende?

- Sei como que é. E sua mãe? Está sozinha?

Ele se divertiu com a expressão do garoto.

- Com que intenção quer saber?

- Eu estou perguntando numa boa!

- Tudo bem, ela ta sozinha! Nunca vi minha mãe com cara nenhum.

- Sério?

- Mas os meus colegas todos dão em cima dela! Passo um sufoco que só vendo. Eles não me respeitam cara, e eu não gosto de ver esse bando de marmanjo rondando a minha mãe. Não gosto!

- Eu te entendo. E as minhas flores? Ela gostou?

- Não. Jogou no lixo.

- Eu já imaginava uma atitude dessas.

Suspirou desapontado. Jane não viu com bons olhos a sua volta. Eros parecia ser um guarda - costas muito eficaz. Desse jeito eles jamais voltariam a ser amantes.

- Agora, se me der licença, vou tomar um banho. Pode ficar á vontade.

- Valeu!

Tudo na casa lembrava Jane, mas Tom não via nenhuma fotografia que lhe revelasse a mulher em que se transformara a mãe de seu filho. Ele estava encantado com o rapaz. Mas não se pareciam nada fisicamente. Os olhos, a boca, a cor da pele e do cabelo... Tudo era da mãe. Por isso Tom o amava ainda mais.

Nesse momento, ouviu o barulho da maçaneta girar. Acomodou-se melhor na cadeira e esperou com os nervos a flor da pele. Mas nada o preparara para o que viu. Que mulher espetacular! Praticamente uma visão dos deuses! Ele só poderia estar vendo uma miragem! Era por isso que Eros tinha ciúmes. Era por isso que os amigos dele a cortejavam. Jane não lembrava em nada a adolescente que conhecera! Parecia irmã do próprio filho. A olhava admirado quando dona Bina soltou um grito apavorado. Jane se assustou e se virou. Foi aí que seu coração deu um salto, mas ele procurou se conter.

- Calma dona Bina! Isso não é um assalto.

Anunciou tranquilamente. Já provocando em Jane arrepios ao ouvir a voz rouca.

- Quem é você?

- Então não se lembra de mim? Falei com a senhora hoje cedo pelo telefone! Mandei flores para sua filha!

Jane sentiu suas pernas completamente trêmulas e fracas. Imediatamente procurou se apoiar na mãe que não se encontrava em condições tão diferentes.

- Tom.

Pronunciou Janaina com voz fraca.

- Oi meu amor!

A cumprimentou com um sorriso tão delicioso que quase a fez desfalecer. A mulher empalideceu. Não se lembrava qual fora a ultima vez em que vira uma beleza tão devassa. O homem era tudo de bom. Com aqueles olhos amendoados, pele bronzeada, músculos estonteantes, ele podia ter todas as mulheres que quisesse aos seus pés. Menos ela. E ele devorava cada curva de seu corpo como se a quisesse. E aquele não era um homem qualquer. Era Tom Ferconi. Mal podia acreditar que estavam de novo frente a frente.

- Ponha-se daqui para fora agora! Já.

Determinou a mãe de Jane.

- Não, agora não. A senhora não gostaria de me fazer aquele cafezinho no capricho enquanto eu e sua filha conversamos sogrinha?

Ele continuava com a ironia que tirava todos do sério.

- Sogrinha?

- Desculpe, mas não temos nada para conversar.

- Tem certeza?

Jane odiava o brilho divertido nos belos olhos.

- Absoluta.

- Eu não concordo.

Com medo de dar um infarto, dona Bina achou melhor se retirar. Não se responsabilizaria por seus atos se continuasse a olhar para a cara daquele mau caráter do ex-genro.

- Cadê o meu filho Tom?

- Nosso filho! Nos tornamos grandes amigos sabia? Ele é maravilhoso!

- Tom, você não disse que...? Vai embora! Eu não quero que chegue perto do Eros. Onde está meu filho?Responde!

- Calma mulher! Eu não disse nada! Ele está tomando banho. Mas conversamos muito sobre você.

O nó que se formava em sua garganta só ficava mais apertado.

- Se eu pudesse entender aonde quer chegar aparecendo novamente desse jeito! Ligando-me, mandando flores. O que quer?

- Eu quero você.

- Como? Você não pode estar falando sério! Eu não vou ficar aqui ouvindo um absurdo desses. Vai embora, por favor.

- Não. Eu ainda nem matei as saudades querida.

- Matar as saudades? Nós nem nos conhecemos. Somos dois estranhos!Completos estranhos! Não percebe?

- Não somos estranhos! Você sabe! É a mãe do meu filho!

- Cala a boca! Cala essa boca! O Eros pode descer a qualquer momento e...

- Relaxa meu amor!

- Eu não sou o seu amor! E vê se me faz o favor de parar de me olhar desse jeito!

- Impossível.

- Quer saber? Você estragou a minha noite.

- Que pena, sinto muito. Já você salvou a minha! Como é que eu não vou ter uma excelente noite de sono e sonhos depois de desfrutar de uma visão como essa hein?

- Do que está falando, seu canalha, cachorro?

- Calma meu amor! Estou falando de você! Do seu corpinho, do que mais poderia ser?

- Vai embora agora Tom.

- E o meu café?

- Não vai ter café. Vou esquecer que esse encontro aconteceu e te aconselho a fazer o mesmo.

- Lamento te contrariar querida, mas não é esse o meu plano.

- Plano? Por favor, você está me irritando. Quer parar logo com essa brincadeirinha e dizer o que veio fazer aqui?

- Tudo bem. Eu vim recuperar o que é meu.

- Tom, eu já disse. O meu filho...

- Tudo o que é meu. Inclusive você.

Interrompeu ele em voz grave.

- Será que ainda não se deu conta de que eu não sou mais aquela adolescente?

- Só se eu fosse cego ou burro para não perceber isso querida. Jane escuta, me perdoa. Juro que eu não queria ter dito nada daquilo.

- Eu posso imaginar.

- Eu fiquei transtornado quando soube da gravidez. Não sabe o quanto me doeu ter rejeitado meu filho.

- Eu te perdôo Tom. Mas o meu filho... Já acho um pouco difícil.

- Quando é que vai se acostumar a dizer nosso filho?

- Ele é meu filho! Só meu!

- Tudo bem. Pode ficar tranqüila, você não vai perdê-lo. Esse menino não vai te deixar nunca, tenho certeza disso! Ele é louco por você. Igual o pai dele. Você está linda meu amor.

- Amor?

- Eu quero você de volta.

Ela sentia-se nua com aquele vestido azul. Foi naquele momento que ela se arrependeu de não ter aceitado o pedido de Eros para trocá-lo por outra peça. Cada vez mais nervosa e constrangida, Jane cruzou os braços sobre os seios fartos que ele insistia em apreciar com a maior cara de tarado.

- Com licença. Vou trocar de roupa.

Gaguejou.

- Para mim, está bem assim. Por que não vem aqui e me dá um abraço? Você está encostada nessa cômoda desde o momento em que chegou e sua mãe saiu para fazer o meu café, que por sinal está demorando muito. Você está com medo de mim por acaso, meu anjo?

- Não seja ridículo, por favor.

- Então por que continuar parada aí? Vem cá! Estou louco para te dar um abraço. Não sentiu saudades?

- Só sentimos saudades de coisas boas.

- Quer dizer que não te fiz feliz, realizada? Quer dizer que se esqueceu que quase me fez morrer de amor? Se esqueceu quanto era delicioso estremecermos juntos de prazer?

- Você se esqueceu!

- Não. Imagina! Penso nisso a todo instante, todos os dias da minha vida Janaina. Eu quero você

- Chega Tom! Não quero ouvir mais nada!Vai embora! Por favor.

Jane morria de medo de se aproximar. Ele estava certo. Não podia conceber a possibilidade de encostar sua pele na dele, mesmo que acidentalmente. Pegaria fogo, com certeza. A eletricidade cortava o ar. Se desejavam. Intensamente. Jane sentiu o coração palpitar descontroladamente ao fitar aquela boca sensual e imaginar... Não! Era melhor frear seus pensamentos.

- Jane, já disse que não vou embora.

-Quanto tempo vai ficar aqui?

- O tempo necessário para te ter de volta.

- Hã? O que disse?

- O que você ouviu.

- Ai, quer saber? Já estou esgotada! Essa nossa conversa não vai nos levar a lugar algum.

- Você acha?

- Sim.

- Bem, eu vou embora e te deixar em paz.

- Obrigada.

- Você parece estar muito cansada. Pode chamar o meu filho? Quero me despedir dele.

- Não.

Tom resolveu mudar de tática.

- Tudo bem, eu converso com ele mais um pouco quando voltar. Vou deixar o numero de telefone do hotel onde estou.

Ela hesitou em pegar o cartão.

- Isso não me interessa.

Passou o olho rapidamente e rasgou em mil pedacinhos.

- Que mania você tem de destruir tudo o que eu te dou.

Ansiosa, ela se apressou em abrir a porta. Quando Jane pensou que ele estava prestes a sair, sentiu duas mãos enormes agarrarem sua cintura, para em seguida deslizar por suas costas e aprisionar o corpo frágil em um abraço envolvente. Aquilo não poderia ter acontecido.

- Me solta Tom. O que pensa estar fazendo?

- Estou me despedindo. Não posso?

- Assim não.

- Pois eu não vejo melhor maneira. Depois de vinte anos! Meu Deus, quanto desejei esse momento!

Sussurrava deixando-a em completo desespero.

- Me solta. Me solta Tom.

Tentava pedir com mais firmeza.

- Meu Deus! Como sua pele é suave... Esse seu perfume é uma delicia.

- Tom, por favor!

- Que foi meu amor?

Ela procurava se desvencilhar de todas as maneiras, com medo de que os lábios grossos e quentes capturassem os seus e a arrastasse para o abismo que era aquela paixão.

- Me larga agora ou eu te chuto.

Jane não parava de se contorcer. Envergonhava-se pela cena ridícula.

- Pode chutar! Não vai doer como está doendo essa rejeição.

- Ai meu Deus! Você disse que ia embora.

- Eu vou. Não sem antes te dar um beijinho.

- Ta louco?

- Estou! Estou louco por você.

- Você está me confundindo. Com uma garotinha de 15 anos. Só que se passaram 20 Tom! E sou uma mulher adulta, e o mais importante! Vacinada contra tipinhos como você.

- Você está tremendo!

- Estou morrendo de frio. Quero entrar.

- Puxa, que mulher teimosa!

- Você já está fazendo papel de ridículo.

Antes de ir, deu seu recado.

- Ainda vai ser minha. Boa noite.

Beijou sua testa com carinho e partiu para alivio extremo de Jane.

Pouco tempo depois ela entrou no quarto do filho.

- Oi paixão. Como foi o passeio?

- Não deu para distrair nada!

- E seu amigo?

- O que tem ele, meu amor?

- Já foi embora?

- Acabou de sair.

- Gostaria de ter me despedido dele. O cara é muito gente boa.

- Eu não acho. E não gostaria que se aproximasse dele.

- Por que?

- Não é uma boa pessoa para você.

- Agora não estou entendendo mais nada. Pensei que fossem amigos.

- Conhecidos.

- A! Ok. Ele estava louco para te ver. Vão se encontrar de novo?

- Espero que não. Sobre o que conversaram?

- Sobre você.

- O que exatamente?

Jane invejava a tranqüilidade do garoto que parecia não desconfiar do que realmente estava acontecendo.

- Ele estava muito curioso a respeito de como a senhora tem vivido, mas não quis abrir muito não.

- Obrigada querido.

- Mesmo porque não gostei do jeito como ele chegou. A senhora acredita que ele insinuou que estava mentindo. Mandando dizer que não estava.

- Cachorro!

- Aí eu dei um chega para lá nele! Quem o cara pensa que é para chamar a minha mãe de mentirosa?

Ela sorria emocionada.

- Estou muito orgulhosa de você bebê.

- Qual o nome dele?

- Ele não te disse?

Perguntou surpresa.

- Não. Como ele se chama?

Ele começava a estranhar o silêncio dela. E como Jane não queria por nada a perder, engasgada, revelou:

- Tom.

- Tom.

Repetiu ele.

- Sim. Já vou dormir meu amor. Boa noite. Sonha com a mamãe ta?

- Boa noite. Eu te amo.

- Também te amo.

Seu café da manhã foi um verdadeiro pesadelo. Descobriu que tipo de pessoa dona Bina achava que ela era e isso a machucou muito. Ainda bem que Eros estava demorando a acordar naquele dia. A mãe do garoto odiaria que ele ouvisse aqueles absurdos. Pelo que conhecia dele, perigoso ele até querer bater na avó.

- Foi só o bandido chegar para você começar a perder a vergonha não é JANAINA?

- Como?

- Não se faça de desentendida comigo mocinha! A mim você não engana.

- Mas eu realmente não sei sobre o que a senhora está falando.

- Sabe sim! Estava lá fora ontem se esfregando com aquele galinha, que eu sei!

- Eu jamais faria uma coisa dessas! Pode ter certeza. Como a senhora tem a coragem de falar algo tão grave? Ainda mais sem ter certeza?

- Eu tenho certeza sim! Eu te conheço! Porque aquele homem é um fraco para você. Tanto arrastou as asinhas para ele, que embuxou. E se continuar no fogo, vai vim outro filho! Está me ouvindo?

- Não acredito.

Janaina resolveu depositar a xícara de café na mesa, com medo de que o liquido quente derramasse todo em seu pijama, de tanto que ela tremia. Magoada, tentou controlar as lagrimas e mais do que depressa, prendeu os cabelos soltos em movimentos ágeis. O rosto queimava. O ódio era tanto que evitava olhar para a mãe.

- E vê se desfaz essa cara de vitima. O que estou falando é a mais pura verdade. Ou acha que não tem idade para engravidar de novo? Você é nova menina.

- Eu sou sua filha!

Um silêncio cortante se seguiu após sua confirmação. Dona Bina segurou rudemente o rosto da doce mulher, lhe lançou um olhar gélido e em seguida, sem dizer mais nada saiu da mesa.

Jane, em choque, desabou no choro. Foi por um tris que Eros não pega toda a cena. Ele acordou e foi direto para a mesa.

- Bom dia.

- Bom dia moleque. Como passou a noite?

- Muito bem! Melhor do que você, ao que parece.

- Por que diz isso?

- Estava chorando, não é?

- Impressão sua!

- É mentira! Por que estava chorando? Você não é mais a minha amiga?

A preocupação na voz do rapaz tocou a mãe.

- Claro que sou! De onde tirou isso?

- Não quer mais me contar o que está acontecendo com você.

- Meu amor, a mamãe não quer ficar enchendo a sua cabeça com coisinhas bobas, só isso. Você é jovem... E...

- Nada disso! Não vem com essa não! Sabe que esse papo nunca colou entre a gente. Fala aí. O que está pegando? É aquele cara?

- Não! Estou com um pressentimento de que ele não volta mais e espero que se confirme. Mas mais tarde a gente conversa meu amor! Estou com umas idéias, quero ver o que acha, mas vamos tomar café agora.

- Tudo bem. A mesa está linda! A senhora que preparou?

- Foi sim! Obrigada!

- Você é um anjo, eu te amo sabia?

- Me ama? É? Não sabia não!

E começava aquela brincadeira gostosa que fazia JANAINA se esquecer de como era maltratada pela mãe. Aquilo doía, ela não entendia, mas Eros a salvava daquela solidão e da dor. Era a mulher mais feliz do mundo por ter um filho maravilhoso como aquele.

- Puxa vida, que vacilão eu sou! Vai dizer que eu nunca te disse?

- Não! Não que eu me lembre.

Declarou ela derretendo em risos.

- Nada que não possa ser concertado.

Deu a volta e encheu a mãe de beijos, tornando assim o café da manhã muito mais gostoso e repetindo o que ela mais adorava ouvir. Seu filho a amava.

Combinavam de mais tarde dar uma volta de bicicleta até o mirante, o ponto mais visitado da cidade. Tomar uma cervejinha e relaxar. Jane estava muito mais tranqüila. Refletia sobre tudo o que ocorrera quando a campainha tocou. Teve uma surpresa quando atendeu.

- JANAINA LEONI, por favor?

- Sou eu.

- Olá meu nome é Rob. Sou gerente do hotel Luciana. Muito prazer.

O simpático rapaz lhe sorria admirado.

- O prazer é todo meu Rob. A que devo a honra?

Não era todo o dia que o gerente de um hotel tão glamuroso como o Luciana, batia em sua porta. Pensou consigo sorrindo. O nome do hotel se dava em homenagem á filha do dono. Luciana tirara a própria vida aos 23 anos. Ela se arrepiou. A mesma idade de Eros.

- Eu trouxe uma encomenda para a senhora.

- Encomenda?

- Sim. Um presente de um hospede nosso.

- Para mim?

Ela estava cada vez mais intrigada.

- Sim, e quando soube que seria a senhora á receber, fiz questão de trazer pessoalmente, pois temos muita admiração e afeição pela senhora. Nossa camareira é muito sua amiga. Ela te adora. Ouço todos falarem muito bem da sua pessoa.

- Fico lisonjeada, mas do que se trata?

- É uma cesta com o que existe de mais rico e nutritivo do nosso café da manhã. São 20 itens que foram especialmente selecionados para a senhora. Que belo presente hein?

- Realmente.

Jane concordou recebendo a enorme cesta. Mas de tão pesada, teve que coloca-la imediatamente sobre a mesa.

- Mas se me permite dizer, uma pessoa tão bonita merecia algo bem mais elaborado.

Elogiou ele em tom sedutor. Não contente em se deslumbrar com a beleza feminina, o homem segurou as mãos delicadas e levou aos lábios para um beijo longo e suave.

Ela não sabia o que dizer ou fazer.

- O senhor é mesmo muito gentil.

Sussurrou tímida.

- Foi realmente um prazer. Passar bem, tenha um bom dia.

- Igualmente.

Janaina estava tão surpresa que só se lembrou de perguntar quem a presenteara depois que o gerente sedutor havia ido embora. Mas em meio á pétalas de rosas que compunham o presente, havia um cartão. E nele, com letras românticas estava escrito assim:

“Oi paixão , depois de ter descoberto a mulher maravilhosa em que se transformou , tive a certeza de que não errei em ter voltado”. Ainda morro de saudades meu bem, gostaria de te ter aqui do meu lado, mas sei que ainda não podemos tomar café juntos e te mando essa cesta de café da manhã. Saboreie e pense em mim.

Carinhosamente Assinado: o homem da sua vida. “Tom Ferconi”.

JANAINA LEONI foi tomada por um ódio assustador. Seria uma pena coisas tão caras, frutas saborosas, chocolate, champanhe... Coisas que ela amava irem para o lixo. Nem se ela não gostasse. O que fazer? Dessa vez deveria pensar em outra providência.

Henrico resolveu se levantar, constrangido e aborrecido com a atitude do amigo.

- Poxa cara! Então quer dizer que você me chama para conversar, eu fico aqui na sua frente tagarelando há praticamente meia hora e você nem faz questão de ouvir o que eu falo? Aí não meu camarada! Sai desse bode! Quê que está pegando?

- Desculpa aí. O que está pegando? O que está pegando é que eu não consigo tirar aquela mulher da minha cabeça.

- Ah Ricardo! Não acredito que ainda está pensando nisso!

- Não só pensando cara! Eu sonho com ela, eu desejo essa mulher vinte e quatro horas por dia e só fico repetindo o nome dela. É uma delicia. E quanto mais eu repito. Mais eu a quero.

- Isso é loucura cara!

- E acha que eu não sei? O pior é que se eu concretizar essa vontade que eu tenho de transformar a fantasia em realidade, eu posso dar um movimento em falso, um deslize que magoe muito o meu brother sabe? Eros é louco pela mãe. Mas eu quero aquela mulher para mim cara! Do jeito que estou eu não posso ficar! Ele tem que entender. Afinal de contas. Jane não é nenhuma criança. Jane! Jane! Jane!

Repetia como um alucinado.

- Sai fora dessa cara! Aquela ali merece todo o nosso respeito. É uma mulher para casamento. Deixa a mãe do Eros fora dessa. Parte para outra. Ela não é como aquelas que a gente pega todo dia por aí.

- Mas ela ainda vai ser minha. Pode escrever.

Nesse momento , a campainha tocou e já desconfiado do que se tratava , voou até a porta para atender. Tirou do bolso quarenta e cinco reais. Quarenta do buquê de flores e cinco de gorjeta para o entregador. Agradeceu e fechou a porta.

- O que é isso?

Henrico temia a resposta.

- Flores para a minha amada.

- Você não tem nenhuma amada, Ricardo.

- Você sabe para quem são as flores.

- Rique, mais uma vez eu estou te pedindo. Desiste dessa loucura. Vamos fazer o seguinte: eu te apresento uma gata de responsa! A minha prima! Ela está solteira!

- Não me interessa!

- Mas é a Sandrinha! Você não me falou que queria pegar ela?

- Falei.

Confirmou desinteressado.

- Pois é! Ela terminou com o namorado.

- Melhor a gente ralar pé e parar de falar nesse assunto, combinado amigo? Bora curtir a night.

Obrigou o amigo a se calar e ao saírem, trancou a casa.

Mãe e filho admiravam a bela lua cheia.

- Nossa! Como está linda! Ela sempre me enfeitiçou, é fascinante.

- Mamãe.

- Que foi meu amor?

- Sabe, estive pensando... Tenho pensado muito nisso ultimamente. Como era o meu avô?

- Ai querido, sinto muito, mas não posso ajudá-lo. Não sei muito dele. Convivi pouco com o papai, não me lembro.

- Que pena.

- Pois é.

A questão levantada por Eros não saia mais da sua cabeça. Perguntaria sua mãe. O vento no mirante estava gelado, mas mesmo assim a noite estava linda.

- Vou pedir um cachorro quente para a gente.

- Vai lá meu amor.

Algum tempo depois de Eros ter se levantado alguém que a observava desde que os dois chegaram ali, se aproximou dela. Jane ficou insegura.

- Boa noite.

- Boa noite.

Cumprimentou correspondendo ao sorriso, meio tímida.

- Vista linda, não é?

- Maravilhosa.

- Você é daqui?

- Sou sim. Moro nessa cidade há mais de vinte anos.

- Nasceu aqui?

Jane estranhava aquele interrogatório.

- Não, mas me mudei para cá muito nova.

- Legal. Muito prazer, meu nome é Carlos.

- Prazer Carlos! Janaina.

- Você é muito bonita Janaina. Solteira?

- Solteiríssima.

Confirmou constrangida. Aquele homem a estava xavecando. Olhou para o filho e viu que ele já percebera a situação e que não gostava nada, pela cara que fazia.

- Uma mulher linda dessas sozinha? Desculpe-me, mas fica difícil de acreditar. Porque você é linda realmente.

- Muito obrigada.

- Então se não tem compromisso, a gente bem que poderia dar uma esticadela por aí qualquer dia desses não?

Seu rosto começava a queimar. Não via a hora daquele homem sair dali , foi quando Eros chegou , praticamente derrubando o sanduíche em ambos , de tanta pressa e preocupação.

- Obrigada filho.

- Filho?

Repetiu o homem em choque.

- Sim.

- Não, esse rapaz não pode ser seu filho.

- Sou sim. E você, quem é?

Eros perguntou acido.

- Estava aqui fazendo amizade com sua mãe. Chamo-me Carlos. Muito prazer.

- Eros.

- Bem, com licença. Boa noite pra vocês hein?

- Boa noite.

Repetiram.

- Jane. Foi realmente um prazer.

- Igualmente.

Quando ele se afastou, ela suspirou aliviada.

- Ele estava te incomodando?

- Mais ou menos. Fiquei com um pouco de medo. Um estranho se aproximar do nada, assim... Ainda mais em um lugar tão isolado como esse...

- Verdade. Viu como é perigoso uma mocinha indefesa sair sozinha por aí?

- Mocinha indefesa!

- Hum! Esse sanduíche está uma delicia.

- Às vezes um lanchinho simples como esse é bem melhor do que o jantar que temos lá em casa todo o dia, porque a sua avó se senta à mesa com uma cara! Como se quisesse fuzilar alguém. Ou sua mãe especificamente, não é neném? Ela me olha como se me julgasse por algo, ela me vê como se eu fosse uma...

- Opa!

- Eros, eu estou querendo ir embora daquela casa.

- Procura meu pai!

- Seu pai? Não, que idéia é essa?

- A senhora vai me condenar a viver sem a figura paterna? Assim como cresceu sem o meu avô?

- Eros!

Jane se assustou com o tom de revolta.

- Me responde! Eu tenho o direito de saber quem é o meu pai!

- Desculpe! Eu não sabia que fazia falta!

- Faz.

- Eu...

O coração da doce e jovem mãe batia a mil por hora. Não podia cogitar a possibilidade de dizer que o pai dele estava mais perto do que o garoto imaginava e que estava supostamente disposto a recuperá-lo.

- Ele pode ser a solução dos nossos problemas.

- Sinto muito, mas eu não acho. Você me condena por eu esconder de você, quem é o seu pai?

- Não! Você tem os seus motivos. Ele a fez sofrer muito.

- Eros eu...

- Não vamos mais tocar nesse assunto.

- Eu sinto muito.

- Eu sei. Quer mesmo se mudar? Se quiser amanhã mesmo eu começo a procurar um endereço novo para gente nos classificados.

- Faria isso?

- Eu faço tudo por você Jane.

- Ai moleque... Eu não queria ter te aborrecido! Juro.

- Relaxa. O que você prefere? Casa? Apê?

- O que você prefere?

Eles riram e se abraçaram.

- Uma cobertura de luxo.

- Cobertura de luxo. Sei!

- Um lugar onde a gente fique tranqüilo, sossegado.

Apaixonada, ela admirava a sua volta. O brilho da lua refletia nas águas límpidas da lagoa, os animais e insetos inspirados, faziam uma serenata, agradecendo á noite maravilhosa. O vento balançava as folhas das arvores que dançavam graciosamente e que pousavam no chão com leveza ao cair.

- Sabe quando a mamãe dá aquele sumiço? É para cá que eu venho. Sempre que isso acontecer, não fica preocupado.

- Esperta você, hein?

Tom Ferconi, lia seu jornal tranquilamente e se preparava para jantar quando foi interrompido.

- Eu não sei onde eu estava com a cabeça, para te aceitar como hospede desse hotel.

Disse o dono.

- Com a cabeça no dinheiro, porque o Senhor é louco por grana.

- Está enganado. Grana não é tudo nessa vida. E você tirou a minha. Junto com a minha filha.

- Mesmo? Não sabia!

- Até quando vai usar essa ironia?

- O senhor está de parabéns! Excelente empreendimento. Isso aqui está ficando cada vez melhor! Realmente, que faro para os negócios.

- Você não tem sentimentos. Menospreza as nossas palavras!

Tom estava visivelmente consternado. Virou de uma só vez para dentro, o wiske duplo que pedira instante antes.

- O senhor aceita jantar comigo?

Senhor Jamil lhe deu as costas. Parou um pouco mais adiante e quando Tom não via, passou a observá-lo atentamente. Tirou um lenço do bolso e enxugou a testa suada. O terno passava a ficar extremamente incomodo. Angustiado, abriu os botões e desarrochou o nó da gravata.

Jamil fora um sujeito que praticara muito a corrupção, adultério, teve uma época em que achava que dinheiro realmente comprava tudo, e ele tinha. Por isso usou e abusou desse recurso. Já presenciara muita gente derramando lagrimas amargas por conta de atitudes suas, atitudes cruéis. O tempo passou e ele pediu perdão a Deus pelo péssimo caráter que havia tido. Mesmo assim acreditava ainda não ter pagado todos os seus pecados. Mas não achava ser o merecedor da dor que vinha sofrendo ao longo desses cinco anos. Dor essa causada por TOM FERCONI.

Cansada e suada, Jane desabou no sofá.

- Nossa! Moleque! Não sei onde vou arranjar forças para me levantar daqui e tomar um banho! Minhas pernas estão moídas! Não agüento.

Eles riam entusiasmados.

- Aquele morro é mesmo puxado para descer de bike. Tem que ter peito. Realmente para as mulheres fica meio complicado...

- Você por acaso está me chamando de mole? Vamos parando de me criticar e me ajuda a levantar desse sofá moleque. Da próxima vez sua mãe te mostra quem é mole.

Eros ria divertido.

- Quero ver.

Dona Bina observava tudo com um ar invejoso no rosto.

- Janaina.

- Oi mamãe!

Atendeu docemente.

- Mandaram entregar umas flores para você. Deixei o buquê em cima da sua cama.

- Não acredito! Tom de novo! Ele não aprende!

E furiosa, rumou para o seu quarto. Outro ramo a ir para o lixo. Eros a acompanhou curioso. Encostou-se ao batente da porta do quarto da mãe.

- Um amigo que envia flores todos os dias, cestas de café da manhã...

- Não põe pilha Eros! Estou nervosa!

- Tudo bem, desculpe.

- A sorte dele foi que eu rasguei o cartão que ele me deu com o número do hotel Luciana. Senão, coitado...

- O que ia fazer?

- Ia dizer.

Eros ria para valer, e só parou quando ela levantou o buquê e ameaçou joga-lo em cima dele.

- Foi mal.

- Me deixa ver o que esse dom Juan de quinta escreveu no cartão agora.

- Dom Juan de quinta?

- É.

Mas nem tudo era o que realmente parecia ser.

- O que ele disse? Que está morrendo de saudades?

- Não! Dessa vez não são dele. São do seu amigo.

Declarou sorrindo aliviada.

- Amigo?

- Ricardo. Que gentil! Preciso ligar agradecendo.

-Não precisa! Eu faço isso quando o ver na faculdade.

- Não tem problema de a mamãe ligar meu bebê.

- O Ricardo é um galinha! Não presta para nada!

- Fique tranqüilo, eu sou vacinada!

- Tudo bem, pode ligar. Eu vou tomar um banho e dormir. Boa noite.

- Boa noite querido.

E Ricardo e Janaina ficaram quase meia hora conversando pelo telefone. Há tempos ela não tinha um bate papo tão agradável.

- Então, a gente precisa marcar de sair qualquer dia desses. Que tipo de programa gosta?

- AH, eu curto um cineminha, um teatro... Balada eu estou fora, deixo para o meu filho. Não tenho mais idade, não é?

- Deixa disso! Mas pode deixar que eu vou te convidar para pegar um cinema , mas saiba que eu ia adorar ter você do meu lado na balada, viu?

- Imagino.

Jane dizia sorrindo. Ela estava adorando o flerte. Era jovem e sentia falta de romance. Só tinha um problema. Fazer com que Eros aceitasse que ela ainda tinha o direito de namorar. O garoto entrava em parafuso só de imaginar a mãe apaixonada. Jane sabia que ele tinha muito medo de que a fizessem sofrer. Às vezes a situação era até engraçada, pois ela desconfiava que Eros imaginasse ser ele o pai de Jane, e não Jane a sua mãe. A doce e bela tinha medo era de começar a se sentir sufocada pelo garoto. Pois o ciúme estava ficando fora do normal.

- Aí depois, podemos dar uma esticadela. Que tal seria se eu te levasse numa pizzaria, para a gente cair de boca numa Toscana. Tomar um chope geladinho?

Continuava ele.

- Eu ia adorar.

- Então está bem.

- Bom Ricardo, eu tenho que desligar agora. Foi um prazer conversar com você.

- O prazer foi todo meu. Adorei o seu telefonema, linda.

- Imagina! E mais uma vez, obrigada pelas flores. Tenha uma boa noite.

- Boa noite para você também.

Aquela ligação fez com que dormisse mais leve. O pesadelo da volta de Tom Ferconi começava a fugir da sua mente, quando o telefone tocou na manhã seguinte. Era ele.

E bastou Janaina ouvir a voz rouca e sensual para começar a sentir calor e intensos arrepios. Só de se lembrar daquele homem murmurando coisas tão deliciosas em seu ouvido... Remexendo dengosamente como um gatinho na cama... Ela deixou um suspiro sonhador escapar na linha e Tom, ao ouvir, começou a provocá-la.

- Também estou com saudades meu amor!

- Como?

- Eu sei que suspira assim porque se lembra de tudo o que passou nos meus braços. Mas fique tranqüila, eu te prometo que o prazer que ainda vou te dar vai ser infinitamente maior.

- Tom, não seja ridículo! Eu não me lembro de mais nada. Como poderia?

- Eu sei que o que está dizendo não é verdade. Quero te ver. Vem até o hotel.

- Eu não posso.

- Claro que pode Jane!

- Já te disse que não!

- E por quê?

- Não te interessa saber!

- Nossa! Que delicia! Sabia que eu adoro quando fica brava?

- Quem você pensa que é para falar assim comigo?

- Sou o pai do seu filho! O homem que você ama.

- É mentira, eu não... Ai, nem sei por que ainda te dou ouvidos.

- Vou estar te esperando. A gente precisa conversar.

- Não espera Tom. Eu não vou.

- Conversar de verdade, gatinha.

- Não me chama de Gatinha Tom. Até quando eu vou ter que te lembrar que não sou mais aquela adolescente?

- Não precisa me lembrar. Eu vi. Aquela noite.

- Não adianta. Você não vai conseguir me seduzir novamente.

- Não?

- Não!

- Ás 14h00min no hotel Luciana. Entendeu? Não vai esquecer, ouviu? Um beijo.

Ele desligou o telefone em seguida.

Jane tinha certeza de que aquele encontro seria muito tenso. Ela não queria ir. Tinha medo. Medo de seus olhos, seu coração a traírem e revelarem a volta da paixão. Amava aquele homem. Infelizmente ainda o amava. Mas buscaria desesperada por uma maneira de tirá-lo da sua vida. E para sempre.

Tom passara por ela tão rápido como uma chuva de verão. Foram apenas seis meses. Mas seis meses que a marcaram por toda uma vida. Pois foi nesse período que ela descobriu o que era o amor. E por esse amor ela se entregou inteira e sem reservas. O que resultou em um golpe fatal, pois Jane, em sua inocência, jamais poderia imaginar que os homens não sabem o que é o amor. Ela poderia jurar que tudo o que Tom lhe disse era verdade. Soava como verdadeiro. Soava como um presente. E era falso. Que pena.

A Conversa que ela teve alguns minutos antes de ir para o hotel a deixara ainda mais tensa.

- Mamãe.

- O que foi? Não está vendo que estou fazendo café?

- Sim, mas isso não impede que a gente se fale.

- O que você quer?

- Eu quero saber como era meu pai.

- Seu pai? Era um homem sujo, sem caráter, teve muitas mulheres! Sofri muito na mão dele! Ele me fazia chorar todos os dias! E adorava me ver chorar. E você JANAINA LEONI, é a cara dele.

Jane sentiu um nó na garganta. Aquele nó estava difícil de desfazer, assim como as palavras de dona Bina que não saiam de sua cabeça.

Janaina chegou ao hotel alguns instantes antes do combinado com Tom. Estava simplesmente encantada com o luxo do hotel Luciana. Em pouco tempo de existência, estava preste a se tornar seis estrelas e agora ela podia entender o por que. Apesar de ter alguns amigos trabalhando ali, nunca tinha tido a oportunidade de entrar. Fabuloso! E observar cada detalhe fazia com que o seu nervosismo diminuísse. Onde estaria Tom? Será que demoraria? Jane estava completamente perdida. Não sabia para onde ir. O pai de seu filho marcara no hotel ás 14h00, mas não dissera em que parte. Só esperava que não fosse em sua suíte.Um pânico tão grande a dominou que ela deu meia volta,e andou a passos largos em direção a saída. A passos tão largos que trombou em um senhor que segurou em seu braços para que ela não caísse.

- Desculpe. Ai meu Deus! Desculpa-me, por favor.

- Não tem problema querida. Essas coisas acontecem.

Tranqüilizou-a simpático.

- Não machuquei o senhor?

- Não. Está tudo bem. Posso te ajudar? Parece preocupada.

- Ansiosa.

- Ansiosa?

- Sim, é que tem uma pessoa hospedada aqui e ele marcou de nos encontrarmos duas horas, mas não me disse onde e até agora não apareceu, o senhor está hospedado aqui tem muito tempo? Talvez o tenha o visto.

- Eu não sou o hóspede mocinha! Sou o dono.

- Ai!

- Venha, vamos para o loby. Você se senta lá e o esperamos.

Ofereceu o braço.

- Mas...

- Não precisa ficar constrangida querida.

Ela aceitou sua companhia. Nunca imaginou que o dono de um hotel tão luxuoso, fosse uma pessoa tão simpática. E ainda era cavaleiro, pois puxou uma cadeira para que ela se sentasse. Mas o que mais se destacava naquele senhor, era aquele ar de mistério. Jane não sabia dizer exatamente porque, mas queria saber mais sobre ele. Parecia carregar coisas muito tristes e amargas, pois seus olhos tinham um brilho triste comovente. Ainda não devia ter superado a morte da filha. Ela daria tudo para ter tido o amor de um pai.

A presença daquela moça despertou em Jamil, sentimentos adormecidos e que para ele era difícil de lidar. O senhor tinha dois tesouros na vida. Um, lhe roubaram o direito de desfrutar. E o outro. Um bandido fizera questão de destruir. Com promessas, ilusões. Luciana. Ele sentia muitas saudades.

- Ainda não me disse seu nome.

- Janaína. Mas pode me chamar de Jane.

- Janaina.

Repetiu ele.

- Sim. E o senhor? Como se chama?

Jane perguntou adquirindo duas rugas na testa, preocupada com a mudança repentina no rosto do senhor que ficou pálido de um instante para o outro, com a careca suada e com os nós dos dedos roxos.

- Hein?

- Perguntei como se chama. O senhor se sente bem?

Questionou, solicita.

- É a idade, meu benzinho. Não se preocupe.

Janaina... Aquele nome lhe trazia recordações. Nunca tinha conhecido na vida, outra pessoa com esse nome. Janaina.

- O senhor quer que eu peça uma água. Algo assim?

- Não. Estou bem. Muita gentileza da sua parte. Vou ficar te fazendo companhia até a pessoa que espera chegar.

- Muito obrigada, mas estou torcendo para que ele não apareça.

Uma voz rouca surgiu atrás de si.

- Eu ouvi isso.

- Tom?

Ela se virou.

- Boa tarde meu amor! O que está fazendo sentada com esse senhor?

- Não tenho que te dar satisfações de nada.

- Era ele que estava esperando?

- Sim senhor.

- Tom Ferconi.

- Como vai?

Perguntou ele friamente. Janaina não entendia nada.

- Estava melhor antes de você chegar.

- Sinto muito, mas não posso fazer nada em relação a isso. Ainda pretendo ficar muito tempo hospedado nesse hotel.

- Vou deixar vocês a sós. Com licença. Janaina. Foi um prazer.

Curvou-se, beijando a mão delicada.

- Igualmente.

- Mil perdões pelo atraso, meu amor.

Pediu Tom, assim que o dono do hotel se afastou.

- Eu já estava indo embora, mas aí eu trombei com esse senhor e ele me convenceu a te esperar no loby do hotel. Muito simpático.

- As aparências enganam.

- Enganam mesmo! Foi o que descobri com você.

Jane bombardeou.

- Mas agora que voltei você vai ter o prazer de descobrir outras coisas. Espere um instante só que vou pegar algo para gente ali no bar.

- Não. Muito obrigada. Não quero comer nem beber nada.

Disse ela, ansiosa para sair dali.

- O que achou do hotel?

- Lindo.

A cada minuto que passava o seu coração batia cada vez mais forte.

- Acho melhor de repente irmos para um lugar mais reservado...

- Não!

Negou apavorada.

- Por que não?

- Não pretendo me demorar muito aqui.

- Tem algum compromisso?

- Isso não te diz respeito.

Ele ria sedutor. Parecia estar curtindo toda a situação.

- Você mudou muito. Para melhor. Claro.

- Obrigada.

Ela sorriu tímida.

- E eu? Que tal estou?

- Não está mal.

Jane tentou demonstrar desinteresse.

- Jane. Gostaria de te conhecer melhor. Foi para isso que voltei. Eu senti que cometi um erro muito grande abrindo mão de tudo o que você tinha para me oferecer. Quero você e meu filho de volta. Vamos recomeçar.

- Impossível. Acho que nessa altura um romance na minha vida não ia dar certo.

- Por que não?

- Me decepcionei demais para tentar novamente. Com você ou com quem quer que seja. E depois meu filho é muito ciumento. Tenho certeza de que ele não gostaria de me ver namorando.

- Não tiro a razão do nosso filho! Ele tem mesmo é que cuidar da mãe maravilhosa que tem!

- Ele também não veria com bons olhos se eu voltasse a me relacionar com você.

- Por que pensa assim? Sou o pai dele!

- Mas Eros sabe de tudo o que se passou entre a gente. Nunca escondi nada dele.

- Fico encantado com esse laço de vocês. Tenho que dar os parabéns para aquele rapaz.

- Eros nunca me deu um pingo de trabalho, graças a Deus! É um menino de ouro. Nunca fumou... Nunca bebeu, quer dizer... Às vezes até tomamos uma cervejinha, mas nada que cause problemas, entendeu? Nunca se meteu em uma briga.

- Gostaria de ter visto aquele moleque crescer. Gostaria de ter ensinado o garoto a jogar bola, essas coisas.

- Eu entendo.

- E então, meu amor?

- Tom, já te disse que eu não sou seu amor!

- Já pensou na minha proposta?

- Que proposta?

- Ainda não me disse se me aceita de volta.

- O nosso tempo já passou. Acabou há muitos anos e não fui eu que quis. Não se lembra?

- Sim, me lembro.

- Eu era apaixonada. Completamente apaixonada. Você me deixou louca, e quando partiu, pensei que meu mundo tinha acabado ali, mas graças a Deus me lembrei que tinha Eros e eu dediquei a minha vida a ele. Por que você tinha desprezado todos os meus sentimentos que eram tão puros. Trocou o meu amor, pela farra. E aí? Está satisfeito com a escolha?

- Não. Claro que não.

Declarou ele admirado e incomodado com as colocações da ex-namorada.

- Agora eu sinto muito. É tarde. Tarde para arrependimentos. Eu já disse que te perdôo, mas não dá para recomeçar nada.

- Escuta, eu nunca vou desistir de você. Eu nunca conheci uma mulher como você, entende? Nunca desejei uma mulher como desejei você. Está certo que era muito novinha... Desconhecia muita coisa e eu também. Você era uma adolescente e eu, muito jovem. Mas adorei o prazer que aprendemos a ter juntos. Não me esqueço daqueles beijos sabia? Lembro-me até hoje daquelas frases de amor que sussurrávamos durante aqueles momentos de loucura. Você dizia assim...

- Não Tom! Não precisa falar.

Jane começou a arfar e ficou desesperada quando ele segurou sua mão e começou a beijá-la. Claro que ela tentou afastar a mão. Em vão.

- Não sei se você sabe, mas preciso confessar que você foi a minha primeira.

- Primeira o quê?

Perguntou gaguejando.

- Minha primeira mulher. Você sabe.

Quanto mais ela corava, mais irresistível ficava. Pensava Tom.

Jane se levantou.

- Já falou tudo o que tinha para falar?

- Claro que não!

- Mas eu preciso ir Tom.

- Fica mais um pouco.

- Não vejo necessidade. Quanto mais falamos, menos nos entendemos. não prestou atenção ainda?

- Isso é porque não precisamos falar.

- Não estou entendendo.

- Vai dizer que se esqueceu que me deve um beijo?

Jane tentava se soltar da sua mão, mas ele, delicadamente a fez sentar-se de volta.

- Só pode estar ficando louco.

- Por que estaria?Por que só penso em te beijar? Te tocar? Sentir a maciez da sua pele roçando na minha? Só por que desejo 24 horas sentir esse seu calor gostoso e o gosto da sua boca?

- Pára Tom!

Ela exigiu.

- Pare você de lutar desse jeito.

- Eu não estou lutando!

- Está lutando sim! Contra as suas vontades. Eu sei que você me quer. Tanto quanto quero você. E não consegue fazer outra coisa a não ser tentar fugir disso desde que cheguei aqui.

- Você não deveria ter voltado!

Sentindo-se cada vez mais nervosa, pressionada e impressionada com as novidades, Janaina começou a chorar.

- Mas por que meu amor?

- Por que eu... Me deixa ir , por favor!

- Mas eu não vou fazer nada.

- Mesmo assim.

- Não quer tentar se acalmar para a gente poder conversar mais um pouco?

Janaina se odiava pela cena. Ela enxugava as lagrimas revoltada enquanto via o ex-namorado ir até o bar. Estava pressentindo que algo do gênero aconteceria, pois não estava preparada para aquele reencontro. O daquele sábado, quando vira pela primeira vez depois de vinte e poucos anos não dera certo. Aquele também com certeza não poderia dar. O pior de tudo para ela era que estivera prestes

Revelar que ainda o amava. Droga! Mil vezes droga! Esbravejou Jane.

A mão que segurava o telefone tremia incontrolavelmente.

- Ouvi falar maravilhas a seu respeito EDD MACDONALDS.

- Muito obrigado Senhor.

- Espero que supere as minhas expectativas.

- Vou fazer o possível, mas é um pouco difícil de realizar o que está me pedindo, com tão poucas informações.

- Confio no seu tato. Guarde esse sobrenome: LEONI.

E nervoso, deslizava na cadeira giratória onde descansava em seu luxuoso escritório, fazia as contas, planejamentos e onde fumava seu charuto.

- LEONI.

Repetiu EDD MACDONALDS.

- Exatamente. Aguardo o seu contato o mais breve possível.

- Sim senhor.

Quando Tom voltou com um copo de água, Jane já estava razoavelmente recomposta.

- Pedi um sorvete para a gente também. Framboesa é o seu favorito, não é?

- Sim.

- Viu como ainda me lembro?

Ele tentava faze-la sorrir.

- Tom?

- O que foi?

- O que aconteceu entre você e aquele senhor?

- O dono hotel?

- Sim.

- Ele simplesmente me odeia e eu também não morro de amores por ele. Mesmo assim, ainda quero ser sócio dele nisso aqui.

- Mas por quê?

- Bem...

- Ai desculpe! Não devia fazer tantas perguntas.

- Não tem problema. Gosto de ver que ainda se interessa pelas minhas coisas.

- Não é isso, é que...

- Ele me odeia porque pensa que eu sou o responsável pela morte da filha dele.

- O quê?

Jane se espantou. Estava sem fôlego.

- Velho maluco! A menina se suicidou!

Janaina começou a tremer.

- Mas vocês se conheciam?

- Eu fiquei conhecendo a garota á um seis anos, quando estive aqui para te procurar. O pai dela já administrava um negocio parecido com esse. Uma pousada. E fiquei uns meses lá.

- Você veio me procurar?

- Sim. Só que não consegui descobrir nada a seu respeito. Te procurei feito louco sabia?

- Mesmo?

- Não acredita?

- É que estou surpresa.

- Estou vendo.

- E como fez para me encontrar agora?

- Graças a Charitte.

- Minha cachorrinha? O que sabe dela?

- Nada! Mas se ela não tivesse desaparecido você não teria colocado a foto dela nos jornais com o seu nome e endereço completos e o numero do seu telefone para que entrassem em contato contigo caso a achassem.

Jane cobriu o rosto com as duas mãos.

- E quanto tempo ficou aqui quando conheceu Luciana?

- Alguns meses.

- Seis meses?

- Exatamente.

Ela começava a acreditar que o homem que se encontrava em sua frente era um destruidor de corações em série.

Levantou-se novamente, mais uma vez impedida de sair.

- Tom...

- O que foi dessa vez?

- Você fez com que ela se apaixonasse por você e depois disse que não a queria e que não era um homem de uma mulher só e que...

- Não! Não é isso! Não é nada disso! Imagina! A menina cismou comigo! Do nada! Nunca dei esperança a ela. Nunca rolou nada entre a gente. Sequer trocamos uma palavra! E como Luciana desenvolveu uma espécie de amor platônico por mim, o velho achou que eu era o responsável. Mas sabe o que eu ouvi dizer?

- O quê?

- Que Luciana tinha se tornado uma garota de programa.

- está brincando? É serio isso?

- Exato. Ela se apaixonou pelo cafetão. A filha do velho teria se matado não por mim e sim pelo motivo de que o pseudo chefe dela... Ele resolveu abrir mão dos seus serviços. Ela não estava rendendo o que o cara esperava.

- Que coisa horrível!

- Pois é.

- Tom. Agora eu tenho que ir mesmo. Juro. Está ficando tarde.

- Mas gostaria de te apresentar o hotel meu amor! Você vai adorar.

- É muita gentileza sua, mas fica para outra oportunidade.

- Que outra oportunidade? Está louca para sair daqui e assim que colocar o pezinho lá fora, eu tenho certeza de que não volta mais. Ou estou enganado?

- Estou falando sério. A gente se vê depois. Te prometo.

- Jane. Do que tem tanto medo?

Ele insistia nessa história. Desesperada, ela não sabia o que fazer.

- Estou com medo da chuva. Vim á pé. Quer dizer...

- Se eu você, eu esperava essa tempestade que está se anunciando, passar. O que acha?

Todas as palavras de Tom Ferconi soavam com duplo sentido para Jane.

- O que disse?

- Conselho de amigo.

- Eu não sou sua amiga.

- Jane, não seja tão rude comigo!

- Janaína. Por favor.

- Pensei que já tínhamos superado essa fase.

- Eu acho que estamos muito longe disso.

Dona Bina ficava furiosa quando interrompiam sua leitura.

- Vó. A senhora sabe onde a minha mãe foi?

- Não sei nem me interessa saber. Já está mais do que na hora de você sair da barra da saia da sua mãe. Eu não quero saber onde ela está. Se quiser falar alguma coisa com Jane, daqui a pouco deve estar por aí.

- Perguntei numa boa. Por que você odeia tanto a minha mãe?

- Também não te interessa moleque. Não tem que ficar se metendo no meio da conversa e assunto dos adultos.

- Estou prestes a fazer vinte e quatro anos!

- Meus parabéns.

- Como a senhora é irônica!

- Obrigada meu querido netinho.

- Vó, eu pensei que a senhora fosse uma pessoa boa.

- Ah, mas também você não pára de encher o meu saco!

- Eu só te fiz uma pergunta.

- Eu sei! Eu sei. Não sou surda. Já ouvi e te respondi.

- Gostaria que a senhora tratasse a minha mãe com mais respeito.

- Você não a conhece.

- Não conheço? Eu sou filho dela!

- E parece que o cordão umbilical ainda não foi cortado. Mas eu te aconselho a cortar, por que quando realmente conseguir enxergar... Quem é a sua mãe... Sua decepção vai ser grande.

- Eu confio nela. A senhora diz isso só porque ela foi mãe solteira aos quinze anos?

- Não! Jane tem sangue ruim nas veias, como é que pode ser uma boa pessoa?

- Vó! Para mim a senhora perdeu completamente o juízo. Essas coisas horríveis que está dizendo, levantando falso juízo sobre a minha mãe, são totalmente sem fundamentos. Ela não merece.

- Ah, pense como quiser. Vai arrumar o que fazer e me deixa ler moleque.

Eros sentou-se na escada com as duas mãos na cabeça. Impossível ouvir a avó falar tão mal de Jane e não se magoar. Ainda mais porque ela fora pai e mãe, o educou com princípios rígidos, o protegeu, deu bronca, apoiou e o amou com o maior amor do mundo.

Triste, ele atendeu ao telefone.

- Alô.

- Eros! É a mamãe.

- Oi mamãe.

- Que vozinha triste meu filho.

- Não é nada não, onde a senhora está?

- Liguei para avisar que eu estou aqui no hotel.

- Visitando aquele seu amigo?

- Pois é! Ele me chamou para uma conversa! Espero que seja a primeira depois de todos esses anos e a ultima, não é?

- Mas por quê? Parece que ele quer tentar alguma coisa com a senhora.

- Ele quer, mas não vai conseguir. Amorzinho, eu vou demorar mais um pouquinho aqui. Não fica preocupado ouviu? . Eu estava indo embora, mas armou chuva... E saí desprevenida sem dinheiro para o táxi.

- Se a senhora quiser eu mando alguém ir até aí te buscar.

- Faria isso gato?

- Claro!

- Então, por favor, Eros!

- Fica ligada aí que vou mandar um táxi.

- Obrigada amor! Te amo , vou desligar.

- Até mais!Beijos.

Desligou sorrindo e a mãe desligou suspirando aliviada.

- E aí, como é que está o meu filho?

Tom perguntou com naturalidade.

- Seu filho!

Repetiu ela saturada.

- E não é mesmo?

- Eros disse que me mandaria um táxi.

- E o que faremos enquanto você espera?

- Nada. Não faremos nada! Eu vou esperar na porta.

- Não está falando sério.

- Estou.

- Vou ficar com saudades.

- Tchau Tom.

- Tchau?

- O que uma pessoa diz para a outra quando está indo embora?

- Exatamente isso. Mas não era exatamente esse tipo de despedida que eu estava esperando meu amor. Tem que aprender a ser mais romântica. Sabia?

- A gente só é romântica com a pessoa que amamos. Um namorado, marido... E você, não é uma coisa nem outra. É um desconhecido.

- Como posso ser desconhecido?

- Você me abandonou! A mim e ao meu filho! Ficou sumido por tanto tempo que não sei quem você é. Não sei nada sobre sua pessoa, sobre o que possa ter sido... Muita coisa muda em vinte anos. Não sabia?

- Claro!Mas eu continuo o mesmo.

- Que pena!

Uma semana se passara sem que TOM FERCONI tentasse qualquer tipo de contato. Ele deveria ter percebido o que Jane deixara bem claro. Jamais aconteceria nada entre eles novamente. Janaina estava na balada. Queria respirar novos ares. A rotina cansava e atormentava. Há muito tempo ela não se sentia tão leve. Leve até demais, pois tomara dois Martinis. Não deveria ter se empolgado tanto. Dançava na companhia de Ricardo e do amigo. musica alta eletrônica era contagiante. E o gosto de relembrar a liberdade era tão intenso que ela se esqueceu onde estava, quem era e que responsabilidades tinha. Isso fez com que Jane tivesse atitudes das quais com certeza poderia se arrepender mais tarde. Mas no momento isso não a preocupava. Só queria curtir, dançar e embalar no ritmo da musica.

Ricardo, sedutor e sentindo que estava prestes a ganhar a parada, secava a testa de Jane e o pescoço com o seu lenço. De repente, seu braço estava em volta da cintura dela e dançavam uma trance agarradinhos. Janaina ria extasiada e o amigo de Ricardo se afastou. Estava preocupado. Olhou no relógio. Eram três da manha.

O lance todo terminou com um beijo que começou suave até que explodiu. Jane gostava e correspondia. Era doce, quente, delicioso.

Henrico separou o casal e caiu no braço com Ricardo. Jamais permitiria que ele levasse a diante um plano tão maquiavélico.

No dia seguinte, A mamãe cobriu o rosto e os ouvidos com o travesseiro ao ouvir batidas na porta. Estava sensível a qualquer tipo de som. Eles soavam como marteladas. Era horrível. Ela chorava. Enxaqueca, ressaca e vergonha.

- Dona Jane baladeira!

Eros a acordou com um café da manhã no quarto. Café da manhã completo. Super caprichado.

- ô meu amor! Eu não mereço tanta mordomia.

- Como não merece? É a melhor mãe do mundo!

- Eu estou com vergonha Eros!

- Vergonha?De quê? Você é jovem! Tem direito de se divertir. Não é só ficar presa nessa casa, agüentando as minhas chateações e as ofensas da vovó.

- Você não me chateia. Por falar na sua avó, já deu uma olhadinha nos jornais?

- Andei dando uma pesquisada e separei alguns para você. Depois eu vou pegar lá em baixo.

- Olha isso não pode vazar de maneira alguma. Entendeu moleque?

- Claro. Deixa comigo.

- Confio em você.

- Não vai tomar café? Eu fiz o seu bolo de iorgute favorito.

- Você fez o bolo meu amor?

- Fiz.

- Ah, que doce! Obrigada. Adoro bolo de iorgute.

- Modesta a parte, está uma delicia.

- Eu te adoro Eros.

- Também te adoro.

A vida daquela mulher estava prestes a ter uma reviravolta para lá de chocante.

Ricardo a levou para a pizzaria, para tomarem cerveja e comerem a prometida Toscana. Relembraram os momentos na danceteria e repetiram a dose do beijo. Não só uma e nem duas vezes. Mas várias. Jane estava adorando.

- Essa noite está sendo maravilhosa garota! Vai ficar na minha memória para sempre.

- Na minha também. Pode ter certeza.

Senhor Jamil andava de um lado para o outro no escritório, ansioso com a chegada de EDD MACDONALDS. O detetive.

Assim que o profissional entrou em sua sala, ele pediu que se sentasse.

- Então senhor Jamil, descobri dois nomes. Janaina e Dona Albina Leoni.

- Sim, e o endereço?

As mãos do velho senhor tremiam ao ler o papel.

Era exatamente o que ele esperava.

Na manhã seguinte, a despeito do que acontecera quando fora na boate, Janaina acordou cedo. Uma expectativa de algo revolucionário aconteceria não abandonava seu coração. Não conseguia ficar tranqüila. Estava gelada, as mãos suando, com uma enorme vontade de chorar. Seus batimentos só faziam acelerar a cada minuto mais. Tanto que começou a sentir vertigens e teve que se apoiar por diversas vezes nos moveis para não cair.

Buscava alivio no plantio de mudas de orquídeas no jardim. Não obtendo muito sucesso, ela desceu até o porão de sua casa e deixou sua mente viajar, pintando telas. O resultado foi excelente. Quando Jane olhou no relógio, eram sete horas da noite. Olhou no espelho e se assustou. Sua aparência estava chocante. Ela estava toda suja. Naquela vez o avental que usava para proteger a roupa não fora seu auxiliar. Subiu correndo até o quarto para tomar um banho e notou que estava sozinha em casa.

Onde estariam Eros e a avó? Um pavor enorme tomou conta de si. Dona Bina era cruel. Gostava de ver quem a rodeava sofrendo. Eros não poderia ficar sozinho com ela. Onde o teria levado? O que estariam fazendo? Dizendo? Torcia os dedos nervosa. Não sabia o que fazer. Não podia fazer nada. Então se entregou ao choro, implorando para que o tempo passasse rápido.

Reuniu coragem para se levantar e fechar as janelas, pois suas pernas estavam bambas e ao se aproximar pôde sentir quanto à noite estava congelante. Congelante igual seu coração. Jane não podia evitar. Se perdesse o filho morreria. E ela sentia. Tinha certeza absoluta de que a avó do garoto contaria toda a verdade.

Meia hora depois Eros e Dona Bina chegaram. A mulher postou-se em um canto da sala e ficou encarando-a com ar desafiador.

Jane logo questionou abraçando o filho.

- O que foi que você fez?

- Não fiz nada não.

Negou a velha má, zombando.

- Vó, não mente para a mãe.

-... Mamãe, a senhora não deveria...

- Não me chame de mãe.

- Por que não? Eu sou sua filha!

- Eu não sou sua mãe.

Gritou à velha, furiosa.

- Como?

Jane entrou em choque.

- Eu não sou sua mãe. Você é filha da mulherzinha que teve um caso com seu pai. Por isso eu ódio você menina! Sua bruxinha! A sua existência transformou a minha vida em um verdadeiro inferno! Sua ordinária!

- Cale a boca vovó! Eu não vou permitir que a senhora ofenda a minha mãe desse jeito!

- Mas eu não tive culpa!

- Não teve culpa! Não teve culpa! Se a sua mãe não tivesse ciscado em cima do meu marido... Ainda hoje estaríamos juntos.

Janaina se sentou.

- Não acredito.

Ela estava prestes a desmaiar. Eros abanava seu rosto com uma revista tentando reanima-la. Janaina sempre fora muito frágil e não sabia como lidar com golpes como aquele.

- Essa é a verdade.

- Mas a senhora não tem que ficar assim mamãe! Veja o lado bom da história.

Eros consolava.

- Lado bom?

- A senhora não tem o sangue ruim de uma mulher assim correndo em suas veias.

-É mesmo! Mas como eu vim parar em suas mãos? Você me roubou da minha verdadeira mãe quando o meu pai morreu? Eles ficaram juntos?

Ela segurava a mão do filho com força.

- Seu pai não morreu sua burra!

- O que disse?

- Seu pai não morreu! Será possível que vou ter que ficar repetindo sempre as mesmas coisas para você?

- Mas onde ele está então?

- Eu sei lá? Só sei que assim que você nasceu ele fez as malas, separou um dinheiro e ia embora com você e a sua mãe. Mas aí eu descobri e quando ele saiu por aquela porta , eu te arranquei dos braços dele e o obriguei a ir embora sozinho. Aquele era o seu castigo.

- Você foi muito cruel.

- E eu o proibi de se aproximar de você novamente. Mas eu acho que ele não sentiu sua falta não.

- Como sabe?

- Ah! O homem é milionário! Fez outra família! Tinha outros filhos!

- Tinha?

- Perdeu! Como deveria ter perdido tudo na vida. Aquele ordinário.

- Como ele se chama? Onde está?

- Não vou dizer.

- Mas para quê tanta maldade?

- Vem mamãe. Vamos para o seu quarto, a senhora já sofreu demais. Não tem que ficar aqui dando ouvidos a essa mulher. Ela não quer o seu bem.

- Tem razão.

- É melhor subir e descansar. Eu te ajudo.

- Obrigada.

Mais tarde, quando Jane estava recomposta , eles refletiam.

- Que história louca! Quem seriam seus verdadeiros pais? Vai procurar?

- Não sei! Acho que não! Vou ver com o tempo. Eu... Queria te fazer uma pergunta, mas não sei como.

- Pode perguntar.

- Não. Estou com medo.

- Vamos Jane. Coragem!

- Ai, eu...

- Já sei do que se trata. A minha avó me contou.

- Contou?

- Toda a verdade.

- Sobre seu pai?

- Sim.

- Me perdoa Eros? Eu não fiz por mal, eu não sou como ela!

- Calma! Eu nunca pensei isso! Eu sei os motivos que a levaram a esconder a identidade dele.

- Mesmo?

- Sim. E isso não vai mudar nada entre a gente.

- Você não vai me deixar?

- Está louca?

- Acho que agora vai preferir ele, porque eu fiz com que você crescesse separado dele e...

- Pára de falar bobagem! Eu nunca vou te deixar! Onde já se viu? Jamais ia conseguir viver longe de você. É a minha melhor amiga. Vai ter que me agüentar pelo resto da vida.

- Não sei como vou conseguir isso porque você é muito chato!

Ela brincou.

- Eu te amo.

- Também te amo! Você é o maior presente que Deus me deu. Agradeço a ele todos os dias por você existir na minha vida.

- Jane, o que você vai fazer em relação á volta dele?

- Não sei.

- Ainda o ama?

- Amo sim.

- Então perdoa o cara!

- Eu já perdoei, mas não ia conseguir...

- Você tem medo de que ele a magoe de novo?

- Tom não é homem de uma mulher só, ele por diversas vezes me disse isso.

- Mas ele está apaixonado.

- Apaixonado?Ah filho!

- É verdade! Vai por mim.

- E depois... Eu estou enrolada com seu amigo Ricardo.

- Deixa o Ricardo comigo.

- O que você está pretendendo Eros?

- Unir você e o meu pai novamente.

- Não acredito!

- Sempre tive o sonho de ter meus pais juntos.

- Não vai dar certo querido.

- Vai! Vai dar certo. Eu garanto.

- E como é que eu vou fazer? Na sei nem por onde começar, eu...

- Não esquenta a cabeça. Amanhã é outro dia. Vou dormir. Boa noite.

- Boa noite tesouro. Obrigada pela compreensão.

- Você é a minha mãe favorita!

- Ah moleque! Eu sou a única.

No dia seguinte, Ansioso, Eros atendeu a campainha. Não queria que Jane ouvisse. Ainda não era hora de ela acordar.

Apertou a mão fria do recém chegado que o abraçou sorrindo animado. A emoção tomou conta, mas teria que segurar. O rapaz não entenderia nada. Com certeza.

- Bom dia. Cheguei cedo?

- Duas horas antes do combinado, mas tudo bem.

Tom olhou no relógio, constrangido.

- Mandei mal hein?

- Que nada! Entra!

Cúmplices trocavam gargalhadas bem baixas, para não despertar as duas mulheres da casa.

- Valeu. E aí? Acha que vai dar certo?

- Claro que vai.

- Muito obrigado pela força cara.

- Não precisa agradecer!Me acompanha até a cozinha , vamos tomar um café.

- Posso até te acompanhar, mas não vou tomar não! Não desce nada!

- Relaxa. Falta um pouco para ela acordar.

- Ah, não podia me esquecer de lhe dar os parabéns hein!Te juro que não conseguiria pensar em nada parecido.

- Aprende com o filhão aqui! Agora sei que a minha criatividade eu não puxei de você.

- O que disse?

Tom Ferconi prendeu a respiração, surpreso.

- Eu disse filhão.

- Então você já sabe?

- Soube ontem.

- Soube que eu sou seu pai.

- Sim. O que foi? Não se sente bem?

Eros segurou seu braço e ajudou que ele se sentasse na bancada.

- Poxa!

- Não esperava?

- Não! Eu queria te contar moleque, mas não sabia como e tinha medo de ferir sua mãe também e...

- Eu sei! Sei de tudo isso.

- Mas eu sabia que ia sentir o que eu estou sentindo agora quando essa hora chegasse.

- E o que está sentindo?

- Medo, vergonha, alegria, frio, calor... Tudo junto! É uma loucura! Porque tudo que eu mais quero é você e a sua mãe de volta meu anjo! Acredita no papai! Não está sendo fácil para mim eu... Nunca tinha lidado com tantas emoções assim, e não sei como agir... Eu...

- Calma!

- Me perdoa Eros!

- Eu perdôo! E vamos pensar só em coisas novas daqui por diante. Não precisa me explicar nada!

- Mas eu preciso!

- Fica tranqüilo! A maioria dos homens agiria assim como você agiu. Mas o importante é que você se arrependeu e eu acredito no seu arrependimento.

- Você vale ouro cara! Então me dá aqui um abraço.

E Tom chorou agarrado no seu filho. Agora podia demonstrar todo o amor que sentia. Eles começaram a trocar histórias, experiências de vida. Queriam descobrir tudo um sobre o outro.

- Que engraçado! A gente se parece!

- Você é igual ao papai cara!

- Que orgulho! Agora vamos nos concentrar no motivo que o trouxe aqui realmente. Mamãe já acordou.

- Como é que sabe?

- Ela está tomando banho! Ela está cantando e só canta no chuveiro.

- Só canta no chuveiro.

Ele repetiu divertido.

Para Tom, aquele banho parecia ter durado uma verdadeira eternidade, mas depois de aplicar uma leve maquiagem, Jane desceu. Ele a esperava na sala.E ela nem desconfiava de sua presença. Foi na cozinha e tomou café, regou as plantas , deu alpiste aos passarinhos e foi quando buscava o jornal que o viu. Ao avistar aquele homem enorme sentado no seu sofá com aquele devastador e natural ar sexy , Jane sentiu seu coração disparar vertiginosamente.

- O que significa isso?

- Bom dia para você também.

- Tom! e o Eros?

- Pedi um favor para o moleque! E ele me disse que faria com o maior prazer pois um filho nunca nega nada ao pai. Ainda mais um pai tão jovem e bonito como eu não é?

- O que está dizendo?

Ela perguntou em desespero.

- É que ele me surpreendeu dizendo que sabe de toda a verdade , mas quando voltar , você vai saber de todos os detalhes.

- Por que , quando ele voltar?

- Eu vim aqui para me despedir.

- Como assim?

- Estou indo embora novamente.

E apontou para a mala ao lado.

- Eu sabia que isso aconteceria. Sabia que iria embora.

- Pois é! Não dá para evitar. Não tenho mais estrutura para agüentar a sua rejeição. Cada vez que você me olha desse jeito frio eu...

- Tom...

- Eu voltei! Voltei para dizer que você era a mulher da minha vida, para recuperar meu filho , mas como não posso ter nem um e nem outro , já que não consegui demonstrar todo o amor que sinto por você... Bem , não vou estender mais isso. Está sendo muito duro para mim. Ter que dizer adeus...Tchau Jane. Vou voltar para a minha vida.

Levantou-se com ar desolado do sofá e ela segurou forte em seu braço.

- Não.

- Não o quê?

- Fica! Eu não vou permitir que desapareça novamente da minha vida. Eu te amo Tom!

Janaina Leoni atirou-se nos braços do amado e deu a ele o que o homem o beijo tão esperado. As bocas apaixonadas se exploravam numa dança louca de saudade, desejo, paixão e muito amor.

- Meu Deus! Como eu te quero! Tira essa roupa vai! Deixa eu te mostrar o que é paixão de verdade.

Sussurrou Tom devorando Jane deliciosa e demoradamente. Sem resistir, enlaçou a cintura dela com os braços fortes e a colou no seu corpo.

- Você é meu, vai ser meu para sempre!

Eles murmuravam promessas de amor sem fim. Loucos de tesão foram parar na cama e depois de terem se amado, seus corpos se provocavam em baixo dos lençóis. Estavam suados, grudados e ardendo de desejo.

- Pensei que tinha te perdido definitivamente.

- O senhor acha mesmo que eu seria louca de deixar escapar um partidão como você?

Eles riam feito adolescentes, como vinte anos atrás e se beijavam, só que muito mais apaixonados.

- Sabia que não. É duro ser gostoso!

- Você não mudou nada. Continua convencido.

- Vou considerar isso como um elogio.

- Seu bobo!

- Bem Jane. O que vou fazer com essa mala hein?

Ela abraçou seu pescoço.

- Joga pela janela.

Brincou enchendo-o de beijos.

- Não! Acho que vou tirar algumas roupas de dentro, para eu poder trocar. Me ajuda?

Propôs sorrindo, maroto. Quando ela abriu, teve uma surpresa.

- Está vazia!

- Exatamente. Você acha mesmo que eu seria capaz de cometer a loucura de encher essa mala e ir para longe da mulher da minha vida? Isso foi um plano que eu bolei com o nosso filho para te dar uma forcinha.

- Forcinha! Eu não estou precisando de forcinha nenhuma! Seu cachorro! Vocês me pagam!

Esbravejava ela, estapeando-o.

- Precisava se decidir. E eu e Eros concluímos que seria infalível se eu chegasse pra você, te mostrasse essa mala e dissesse que ia embora. Ele tinha certeza que você não ia mais segurar tudo o que guardava nesse coraçãozinho.

- Vocês dois não prestam! Isso não é coisa que se faça.

- Eu não presto, mas eu amo você. Eu te amo! Te amo!Te amo. Janaina Leoni. Minha leoa!

E adormeceram suaves embalados pela doce melodia da declaração.

O destino estava traçado. O casal fez as malas que Tom levara vazia e junto com o filho, se mudaram para o apartamento que escolheram anteriormente. Dona Bina faleceu solitária e Jane viveu a alegria de conhecer um pai que ela jurara não ter existido. Senhor Jamil, dono do hotel Luciana, era o pai de Jane.

Jamil Leoni passara toda a fortuna para o nome da filha, se reconciliou com tom que agora era seu novo sócio e para comemorar, custeou uma vigem de navio para a Europa. Viagem durante a qual Jane revelou emocionada para o seu grande amor que eles, logo teriam umfilho.

 

A felicidade tão almejada por fim fora alcançada.A paixão voltou , revolucionando , trazendo momentos que ficariam para sempre no coração da doce e jovem Janaina leoni.

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Atualizado em: Qui 8 Dez 2011

Comentários  

#2 PauloJose 20-06-2014 18:55
gostar e amar :apaixonar é bom demais
pior é o risco que corremos no amor ou na paixão.
mesmo sendo virtual,se apaixonar nós sofremos muito.
parabéns poetisa, seu conto mexeu com minha cabeça.
romântico.nota mil.
#1 PauloJose 24-05-2014 17:19
PODE MEXER COM O SENTIMENTO, MAS COMO AMOR DO CARINHO? DÓI DEMAIS.
PARABÉNS.

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