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AH, SE AO TE CONHECER...

As luzes se apagaram, o vento tornou-se tépido e não mais despenteava os cabelos, a lágrima que não deslizava pelo meu rosto, escorria como um fel pelo meu coração, esse que engana-se constantemente quando o assunto é AMOR, como um livro onde tudo é abstrato, e todos os capítulos são realidades oníricas.

O mundo dando voltas e eu querendo ficar ali, a lembrar os poucos momentos felizes que tivemos, não conseguia acreditar no que via, então dei espaço as minhas quimeras de sempre "não é nada disso que você ta pensando" (na verdade sempre é o que estamos pensando), por isso vou contra o adágio "Em terra de cego quem tem olho é rei.", nessa terra reinando que eu não queria estar, muitas pessoas chamam isso de ignorância, eu prefiro chamar de "amor próprio". Quando estamos muito tempo no escuro, e as luzes voltam, fechamos os olhos novamente. A claridade incomoda.

Todos os sorrisos, beijos, seu jeito de mexer no meu cabelo e as declarações ao pé do ouvido, que me faziam sentir a mulher mais importante do mundo, eu só olhava para você e pensava "penso em noites como estas que não me serão dadas a viver", parecia que você adivinhava meus pensamentos, me olhava afavelmente e me beijava a testa. Todas essas recordações serviram como uma autoflagelaçao que eu queria arrancar de mim, mas não dava, nessa terra eu tinha os olhos; eu era o rei.

Eu estava ali, assistindo a cena mais deplorável, que faz parte do teatro da vida, onde somos colocados num palco sem termos decorado um papel, sem um roteiro definido e sem um ponto para nos sussurrar ao ouvido o que devemos dizer ou fazer. As pessoas ao meu redor rindo como se nada tivesse acontecendo, mas eu?! Eu estava imóvel em uma caverna que chovia, e as gotas caiam diretamente no meu coração. Será que realmente você estava ali, e acompanhado de outra pessoa? Você me enganou o tempo todo, como uma criança, que espera o natal para ver o velhinho barbudo? Sim..... ahhh, o teatro no qual só eu não tinha o roteiro.


"Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir"
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Atualizado em: Dom 23 Set 2007

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